Açúcar


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AS COMMODITIES PEGAM FORTE GRIPE, O AÇÚCAR PNEUMONIA

Comentário Semanal – de 07 a 11 de agosto de 2017.

A queda brutal no preço do açúcar no mercado internacional preocupa as usinas que ainda possuem volume para fixar preços contra o vencimento outubro/2017. A desvalorização da commodity nas últimas duas semanas foi além do que os mais pessimistas poderiam esperar. Alguns leitores baixistas que contestavam meu otimismo por acreditar que já víramos a mínima do ano no açúcar (12.53 centavos de dólar por libra-peso) aguardam o mercado de açúcar quebrar o nível acima com a mesma expectativa com que o Crocodilo Tic-Tac torcia para que o Capitão Gancho escorregasse do navio direto para sua boca. Muita calma.

Várias usinas e até mesmo um grande produtor anunciaram durante a semana a mudança do mix para o etanol. O fato é que o custo de produção do açúcar na usina, em média, está em torno de R$ 48 por saca (tem usina mais barata e mais cara, obviamente). Se considerarmos um frete médio de R$ 100 por tonelada para levar o açúcar até o porto e mais US$ 12.50 por tonelada para cobrir as despesas de elevação e portuárias, chegamos a um custo total FOB Santos de 15.12 centavos de dólar por libra-peso, ou quase 200 pontos acima de NY. O etanol hidratado remunera mais.

O mercado pode até continuar a cair, pois é da natureza dos mercados futuros, e em especial o de commodities, exagerar tanto na alta quanto na baixa. No entanto, independentemente das convicções acerca do superávit mundial de açúcar, é sempre contestável a qualidade dos números que emergem da Índia com precisão de três casas após a vírgula, apesar dos milhões de fornecedores de cana no país. Enquanto isso, por essas paragens, somos incapazes de conciliar o número de moagem no Centro-Sul. Difícil acreditar.

Sazonalmente, o pior em termos de centavos de dólar por libra-peso já deve ter ficado para trás. A moagem quinzenal acumulada está alta em relação aos anos anteriores e isso, embora a magnitude desse detalhe seja discutível, tem sido um fator de desestabilização dos preços juntamente com o percentual de cana que está sendo direcionado para a produção de açúcar. Melhor ATR, mais açúcar produzido, contribuem para que os fundos adicionem mais vendas em suas posições e faz com que NY negocie abaixo do custo de produção e do açúcar no mercado interno e do etanol hidratado. Essas situações não se mantem.

O vencimento outubro/2017 fechou a sexta-feira a 13.20 centavos de dólar por libra-peso, um derretimento de 94 pontos na semana, ou mais de 20 dólares por tonelada. O spread outubro/2017 com março/2018 aponta com 85 pontos de desconto, ou seja, uma taxa de 16.29% ao ano. Essa desvalorização não consegue durar por muito tempo uma vez que para o consumidor industrial o racional começa a incomodar quando se compara com o custo de oportunidade.  

Comprar o spread pode começar a fazer sentido. O NDF (contrato a termo de dólar com liquidação financeira) para vencimento em março esbarra nos R$ 1,000 por tonelada. Desesperador para quem já fixou a R$ 1,500 ou acima disso. Somente este mês, em apenas oito pregões, assistimos a uma oscilação de quase 200 pontos entre a mínima e a máxima negociadas. Em valores corrigidos, NY negocia hoje no mesmo nível em reais de setembro de 2015.

É necessário considerar no atual momento do açúcar que os fatores geopolíticos estão afetando todas as commodities e os ativos de risco. Ou seja, há dentro dessa enorme desvalorização do açúcar um componente exógeno importante quando o futuro depende de mentes “privilegiadas” como Donald Trump e Kim Jong-Um. As commodities estão sofrendo.

No acumulado de agosto, o açúcar é a commodity que mais de desvalorizou: 10.4%. Trigo, farelo de soja, soja, gasolina, cacau, óleo de soja e milho todas no negativo acumulado. No acumulado do ano, açúcar lidera o ranking negativo com uma desvalorização de 31.52%, depois vem suco de laranja com 29.35%, Gás Natural com 19.71% e, petróleo com 9.18%. Os fundos, baseados nessa realidade espantosa, podem simplesmente recomprar suas posições vitoriosas e irem para outros ativos.

O endividamento das usinas, no final de julho, alcançou R$ 88,59 bilhões segundo o modelo da Archer Consulting, crescendo 5.43% em relação a um ano atrás.

O consumo acumulado de combustíveis nos últimos doze meses (período de julho de 2016 até junho de 2017) em gasolina equivalente foi de 53.76 bilhões de litros quase 1% acima do mesmo período do ano interior.

Se a economia crescer 1.8% em 2018 e 2.8% em 2019 (números da MB Associados) é possível que em 2019 o total de combustíveis consumido no país (gasolina equivalente) alcance 58 bilhões de litros. Quanto mais de cana teremos que produzir? Quanto mais de etanol vamos demandar? Qual o efeito disso no preço do açúcar?

É muito difícil não ser construtivo no cenário para o setor para os próximos anos, apesar dos percalços que ainda podemos enfrentar e dos paradoxos aqui abordados no comentário da semana passada (http://archerconsulting.com.br/artigos/artigo4870/)

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Bom final de semana a todos.

 

Arnaldo Luiz Corrêa

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