O mercado futuro de açúcar em NY encerrou a semana com o vencimento julho-26 cotado a 14.97 centavos de dólar por libra peso, acumulando uma alta e 87 pontos na semana, equivalentes a 19 dólares por tonelada. Os demais vencimentos, que se estendem até março-29 também fecharam em território positivo, com variações entre 73 e 96 pontos na semana, ou de 16 a 21 dólares por tonelada.
A entrega física contra a expiração do contrato de maio-26, que venceu na quinta-feira dia 30 foi um evento operacionalmente tranquilo, mas o volume de pouco mais de 480,000 toneladas reflete a preocupação com a menor disponibilidade do produto neste começo de safra no Centro-Sul.
A UNICA divulgou a moagem da primeira quinzena da safra 2026. Foram quase 20 milhões de toneladas de cana moídas, 20% acima do volume da safra anterior. O mix foi pró-etanol em 67.07% um salto de 12 pontos percentuais em relação ao início da safra passada. A safra 2025/26 encerrou com uma moagem total de 611,15 milhões de toneladas de cana, uma queda de 1.73% em relação à safra 24/25; a produção de açúcar totalizou 40,428,000 toneladas de açúcar um acréscimo de 0.62%. A ATR foi menor, encerrando o ano com 137.79 por tonelada de cana, 3.30 quilos abaixo do rendimento da safra anterior. O mix final ficou com 50.38% de açúcar e 49.62% de etanol.
O COT (Commitment of Traders) publicado nesta sexta-feira pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission) agência americana reguladora dos mercados de commodities, com base na posição dos fundos dia 28 de abril, mostra que os fundos reduziram a posição vendida em 27,635 lotes na semana, caindo para 128,503 lotes. No mesmo período (de terça a terça), NY subiu 51 pontos. Em tese, para que os fundos zerassem a posição atual, o mercado poderia subir além de 17 centavos de dólar por libra peso. (Veja comentário técnico no último parágrafo). No entanto, como aconteceu no passado recente, ainda existem fixações pendentes para julho em diante e não podemos subestimar a força das fixações. Lembrando que em dois meses, o mercado praticamente ficou inalterado a mesmo tempo que os fundos recompraram 129,000 lotes.
O petróleo continuará dando o tom do mercado, e tudo indica que esse tom só vai se tornar mais grave nas próximas semanas. Pouco mais de dois meses depois do início da guerra entre Estados Unidos/Israel e Irã, deflagrada em 28 de fevereiro, o Brent fechou abril ao redor dos USD 116 por barril, no maior patamar desde 2022 e acumulando alta superior a 60% desde o disparo do conflito.
Analistas independentes — e aqui não falamos de palpiteiros de plantão, mas de casas como ING, Goldman Sachs e a própria Agência Internacional de Energia — convergem para o mesmo diagnóstico: o pico do impacto sobre os preços ainda está distante. As projeções mais recentes do ING apontam média de USD 104 por barril no segundo trimestre, com risco concreto de o piso ficar acima dos USD 100 caso o bloqueio do Estreito de Ormuz persista ao longo de maio. O Goldman vai além e admite trajetória rumo a USD 140-150 caso a interrupção se prolongue, ainda que reconheça que preços nesse patamar acabariam por destruir parte da demanda. A AIE, em tom raramente tão direto, classificou o episódio como a maior perturbação de oferta da história do mercado petrolífero.
A escassez ainda não foi sentida na ponta porque a economia global opera, neste momento, no mecanismo clássico de toda crise de oferta: consome-se primeiro o que está em estoque, depois o que está navegando, e só por último é que o consumidor final descobre que a torneira secou.
As estimativas mais recentes apontam que cerca de 14 milhões de barris diários permanecem represados, algo como 850 milhões de barris já perdidos nesses dois meses de conflito. Os estoques globais observados, ainda em torno de 8.1 bilhões de barris, parecem confortáveis na superfície, mas vêm sendo drenados em ritmo acelerado, sobretudo fora do Oriente Médio. A liberação extraordinária de 400 milhões de barris coordenada pela AIE — a maior da história da agência — equivale, na conta fria, a apenas quatro dias de consumo mundial.
O que mantém o sistema funcionando, por ora, é justamente o produto em trânsito, somado às rotas alternativas que Arábia Saudita e Emirados conseguiram ativar pelo Mar Vermelho e por Fujairah, elevando as exportações por essas vias de 3.9 para 6.4 milhões de barris/dia. Mesmo assim, a conta não fecha, e a expectativa entre analistas é de que vários países enfrentem escassez aguda nas próximas semanas, à medida que os últimos carregamentos que deixaram o Golfo Pérsico vão chegando aos portos de destino e os estoques finais sendo consumidos. Quando esse momento chegar, o aperto físico deixará de ser projeção para virar manchete diária.
Embora o Brasil tenha sofrido menor impacto do que a maioria dos países, vai ser interessante observar o comportamento da Petrobras que continua não repassando o preço da gasolina no mercado internacional cuja defasagem hoje é de 40%. Lula – que sofreu uma derrota histórica ao ver seu candidato a uma vaga na Suprema Corte ser rejeitado pelo Senado, fato que não ocorria há 132 anos, agora vai ter que enfrentar um possível aumento no preço da gasolina em época de eleição?
Os fundos podem interpretar esses acontecimentos (mix pró etanol e a situação geopolítica) como um momento oportuno de sair do açúcar e embolsar o que já faturaram com a queda do mercado.
Nosso colaborador, Marcelo Moreira, reitera que conforme expectativa da semana passada (e com a ajuda do petróleo voltando a negociar acima dos 100 dólares por barril) o vencimento maio-26 confirmou o movimento de alta esperado e atingiu os dois objetivos do curto prazo: conseguiu romper a média-móvel dos 50 dias e fechou o gap deixado entre os dias 7-8 de abril entre 14.51 e 14.57! O contrato julho-26 encerrou a semana acima da média-móvel dos 50 dias e “bem em cima” da média-móvel dos 200 dias! Confirmando o rompimento dessa média-móvel o mercado voltará à tendência de alta podendo buscar os 16.60/17.00 centavos de dólar por libra-peso. Se falhar, próximos suportes nos 14.39 / 14.00 e 13.41 centavos de dólar por libra-peso!
As inscrições para o Curso Presencial “A Inteligência da Comercialização de Etanol no Mercado de Combustíveis” estão abertas. O curso vai ocorrer dias 20 e 21 de maio no Hotel Travel Inn Paulista Wall Street, em São Paulo – SP, das 09 às 17 horas. Saiba mais acessando o link a seguir: https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511963700000
Bom final de semana
Arnaldo Luiz Corrêa