TODOS DE OLHO NO CLIMA!

Mercado de Café – Comentário Semanal 08 – 12 de junho de 2.026

 

 

TODOS DE OLHO NO CLIMA!  

O vencimento julho-26 em NY - após negociar nas mínimas dos últimos 10 meses @ 242,70 centavos de dólar por libra-peso - encontrou forças e encerrou a semana @ 257,20 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / mínima / máxima / fechamento atual respectivamente @ 246,50 / 242,70 / 257,95 / 257,20 centavos de dólar por libra-peso).

 

Já em Londres o vencimento julho-26 encerrou em forte alta @ 3.594 us$/tonelada – após negociar na máxima da semana @ 3.628 us$/tonelada!

 

O vencimento das opções no contrato julho-26 ajudou o mercado a realizar o movimento atual – levando os vendidos nas opções de venda “put*” no strike 250 e 245 centavos de dólar por libra-peso a recomprarem as posições e “estopar” os prejuízos das “opções que não valem nada, que iriam virar pó”. Após o mercado negociar nas mínimas da semana (como indicado acima) o mercado chegou a subir praticamente 1.500 pontos.

 

As chuvas dos últimos dias chamaram a atenção do mercado. Apesar da safra estar vindo bem, com boa quantidade aguardada pela grande maioria dos agentes do mercado, as chuvas recentes trouxeram grandes prejuízos para muitos produtores – tanto em perda de quantidade quanto em qualidade na bebida.

 

Tivemos informação que apenas 1 produtor chegou a perder 4.000 sacas do seu café que já estava no terreiro secando e as fortes chuvas literalmente carregaram seu lote para dentro da barragem!

 

Com as chuvas as operações de colheita foram paralisadas e a expectativa é para a retomada dos trabalhos a partir da metade da próxima semana.

 

Outro “efeito clima” tem sido a grande especulação referente a formação do próximo “El Ninõ”. E esse risco real também vem deixando muitos produtores reticentes para abrir posições para compromissos em set-27 e set-28!

 

Essa semana tive a oportunidade e privilégio em participar num painel “Painel IV: "Panorama Mundial da Produção do Café: Onde estamos e para onde vamos?" junto com a Sra. Vanusia Nogueira – diretora da OIC* - em evento da Monteccer (3ª Jornada: O Mercado, O Carbono e O Café Regenerativo – em Monte Carmelo – MG) e o cenário para os próximos anos é preocupante!

 

Segundo estudos da OIC* (apresentados pela sra. Vanusia) estão ocorrendo investimentos pesados na Etiópia e Uganda com expectativa para esses 2 países praticamente dobrarem a sua produção durante os próximos 4 anos – passando de uma oferta atual combinada ao redor de +17 milhões de sacas para +40 milhões de sacas!

 

Esses investimentos estão sendo realizados com apoio do governo e também através de investimento chines!

 

Ou seja, a expansão nos últimos anos não foi apenas no Brasil mas também em outras origens / países produtores ao redor do mundo!

 

Com essa possível nova oferta no mercado então a reposição dos estoques mundiais voltarão a atingir patamares acima dos 50 milhões de sacas – possivelmente já a partir da safra 28/29!

 

Também foi comentado que o consumo mundial teve sim uma queda considerável nos últimos 2 anos, e agora a OIC* vem trabalhando para incentivar o crescimento do consumo em países “emergentes” – principalmente no Oriente Médio e Ásia! Se o crescimento continuar “estável”, apenas entre +2%/+3% ao ano com uma produção mundial crescendo ao redor dos +5% ao ano, então com certeza mercado do café voltará a ter uma grande oferta e estoque nos próximos 4 anos – poderá ultrapassar as 100 milhões de sacas já a partir do ano safra 29/30!

 

Novamente, não tem como ficar altista no médio-longo prazo – salvo um evento climático severo nos próximos 2-3 anos. Caso contrário apertem os cintos pois creio que veremos NY voltando aos 150 centavos de dólar por libra-peso em breve!

 

 

Segundo a Cecáfe* em maio-26 o Brasil exportou 3,088 milhões de sacas e a previsão para o mês de junho-26, por enquanto, está indicando uma exportação ao redor dos 3,50 milhões de sacas!

Assim, no ano safra julho-25/junho-26 o Brasil deverá encerrar o ano safra exportando aproximadamente 38,70 milhões de sacas x 45,80 milhões de sacas no mesmo período anterior! E uma nova projeção para o Brasil voltar a exportar ao redor das 50 milhões e sacas durante os próximos 12 meses!

 

Novamente o Brasil continuará sendo o principal fornecedor da commoditie “café” do mundo durante a próxima década!

 

O mercado também segue monitorando como será a implementação das novas regras “impostas” pela União Européia – deverá entrar em vigor a partir do dia 01 de janeiro de 2027! Então pode ser que vamos assistir novamente a uma aceleração nos embarques a partir da segunda quinzena de outubro – final de novembro-26 para os containers chegarem em portos europeus antes do dia 31 de dezembro de 2.026!

 

Produtores / exportadores: cuidado com a programação dos bookings / contratos com armadores para não deixarem embarques para última hora e acabarem ficando com “carga deixada para trás”!

 

No curto prazo o vencimento julho-26 praticamente já “fora do jogo”... Então o próximo vencimento Set-26 apresenta resistência nos 268 centavos de dólar por libra-peso e suporte nos 242 centavos de dólar por libra-peso.

 

Importante já começar a monitorar a posição das opções para o vencimento set-26 (próximo dia 14 de agosto)! A posição nas opções de venda “put*” nos strikes entre 250-200 centavos de dólar por libra-peso já esta “grande” e poderá pesar muito no mercado no curto prazo!

 

 

Continuo com minha visão baixista... com café arábica tipo 6 peneira 17/18 negociando nos 1.200/1.200 R$/saca e conilon novamente entre 700-800 R$/saca!

 

Então, PRODUTOR, como sempre PROTEJA-SE!!

 

* Cuidado com as operações alavancadas / as estruturas com os acumuladores / as operações “que aparecem / desaparecem” que estão sendo oferecidas no mercado por alguns bancos/corretoras - pois se algum “evento de cauda” vier a ocorrer estas estruturas “seguras” poderão te quebrar!

 

NÃO COLOQUE RISCO DESNECESSÁRIO NO SEU LIVRO!

 

 

Boa semana a todos!

 

Marcelo Fraga Moreira*

* Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.

 

Call* = opção de compra
Put* = opção de venda
Compra Call-Spread* = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto
Venda Call-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo e comprando a Opção com preço de exercício mais alto
Compra Put-Spread* = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo
Venda Put-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo
CFTC* = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities
IBGE* = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Cecafé* = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
SECEX* = Secretaria comércio exterior
CNC* = Conselho Nacional do Café
USDA* = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos
FNC* = Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia
FAS* = Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA
OIC* = Organização Internacional do Café
GCA* = Green Coffee Association
ABIC* = Associação Brasileira da Indústria de Café
Sincal* = Associação dos Produtores do Brasil
NDF* = (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com vencimento para aquele mês
PIB* = Produto Interno Bruto
FED* = Banco Central Americano
NOAA* = Departamento Nacional da Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos
EUROSTAT* = Serviço de Estatística da União Europeia responsável pela publicação de estatísticas e indicadores de elevada qualidade a nível europeu que permite a comparação entre países e regiões
OPEP* = A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
FOMO* = é caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”. O investidor fica com receio em perder uma oportunidade no mercado e sai “comprando ou vendendo” para não ficar de fora da “oportunidade” divulgada na mídia
COOXUPÉ* = Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé
Coccamig* = Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais
COPOM* = Comitê de Política Monetária, órgão do Banco Central responsável pelo estabelecimento das diretrizes da taxa de juros
BASIS* = disparidade de preço causada pela diferença geográfica entre os pontos de entrega da commodity, calculada pela diferença entre o preço físico e o preço futuro
Bandas de Bollinger* = indicador de volatilidade utilizado para identificar níveis de sobrecompra ou sobrevenda no mercado
PMI* = Purchasing Manager’s Index – indicador que mede a atividade econômica de um país a partir de pesquisas mensais com gerentes de compras
Vicofa* = Associação do Café e Cacau do Vietnam

 

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