{"id":10152,"date":"2023-04-29T09:53:19","date_gmt":"2023-04-29T09:53:19","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/O_BICHO_PAPAO\/"},"modified":"2023-04-29T09:53:19","modified_gmt":"2023-04-29T09:53:19","slug":"o_bicho_papao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/o_bicho_papao\/","title":{"rendered":"O BICHO-PAP\u00c3O"},"content":{"rendered":"<!--:pt--><p><br \/>Mais uma semana de cota&ccedil;&otilde;es recordes no mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY, com todos os efeitos colaterais que estresses como esse provocam nas empresas. O bicho-pap&atilde;o atende pelo nome de chamada de margem. E ela tem sido bem assustadora. J&aacute; chegou &agrave; cifra de US$ 3 bilh&otilde;es. Imagine essa dinheirama saindo do fluxo de caixa das empresas.<\/p>\n<p>Como me disse uma vez um veterano trader do mercado de commodities, &ldquo;quando a chamada de margem arromba a porta de entrada, o racional se atira pela janela&rdquo;. E n&atilde;o adianta querer contemporizar, todos n&oacute;s temos a tend&ecirc;ncia a ficarmos altistas na alta e baixistas na baixa. Vamos ver se a gente consegue achar algum baixista na semana do a&ccedil;&uacute;car que se inicia na pr&oacute;xima segunda-feira aqui em Nova Iorque.<\/p>\n<p>O vencimento maio\/23, que expirou nesta sexta-feira valorizou 216 pontos, ou 48 d&oacute;lares por tonelada na semana. O contrato futuro com vencimento para julho\/23, o pr&oacute;ximo vencimento, refletindo o peso da safra do Centro-Sul fechou a semana a 3,071 reais por tonelada. Nos &uacute;ltimos 23 anos esse valor foi visto apenas em 1% das vezes. Isso refere-se a todas as cota&ccedil;&otilde;es de NY, convertidas em reais por toneladas e ajustadas pela infla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Existem sinais bem claros de que a alta de pre&ccedil;os observada no mercado de a&ccedil;&uacute;car tem outros componentes al&eacute;m de altera&ccedil;&otilde;es ou pioras no fundamento do mercado propriamente dito.<\/p>\n<p>Um dos sinais mais evidentes de que os fundamentos s&atilde;o coadjuvantes - e n&atilde;o protagonistas nesse cen&aacute;rio - &eacute; quanto &agrave; volatilidade das op&ccedil;&otilde;es. H&aacute; algumas semanas ela estava em torno de 23% anualizada. Nesta semana chegou a bater 48%. E o que mudou nos fundamentos que justificasse essa explos&atilde;o? Muito pouco. Mas, a narrativa, era de final do mundo. A safra de cana do Centro-Sul iria ser menor (como podemos ter tanta certeza em abril?), o lineup (a fila de navios para carregamento) em Santos aumenta, a &Iacute;ndia suspendendo exporta&ccedil;&otilde;es, a Tail&acirc;ndia com temperaturas de 45&deg;C, entre outros eventos.<\/p>\n<p>Primeiramente, o que faz a volatilidade das op&ccedil;&otilde;es dobrarem num curto espa&ccedil;o de tempo? Quando afirmamos que as usinas est&atilde;o fixadas 20-21 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car para esta safra, essas fixa&ccedil;&otilde;es foram efetuadas pela venda de contratos futuros na bolsa de NY, sendo grande parte desse volume utilizando a conta de futuros das tradings, dos bancos e outras instru&ccedil;&otilde;es provedoras de estruturas de hedge.<\/p>\n<p>Com a eleva&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os em NY provocada por uma combina&ccedil;&atilde;o explosiva de fundos comprando agressivamente, consumidores industriais se cobrindo e usinas sem ter muito mais a&ccedil;&uacute;car para fixar, aqueles que est&atilde;o vendidos contratos futuros na bolsa (tradings) s&atilde;o obrigados a atender &agrave;s chamadas de margens di&aacute;rias, mecanismo que as bolsas utilizam para zerar lucros e preju&iacute;zos di&aacute;rios e diminuir o risco de mercado.<\/p>\n<p>Pelo levantamento da Archer Consulting, o pre&ccedil;o m&eacute;dio de fixa&ccedil;&atilde;o das usinas para a safra 23\/24 &eacute; de 17.75 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. A m&eacute;dia dos fechamentos dos meses correspondentes &agrave; safra do Centro-Sul na sexta-feira foi de 26.25 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Uma chamada de margem m&eacute;dia de 187 d&oacute;lares por tonelada. Agora multiplique isso - conservadoramente - por 16 milh&otilde;es de toneladas (assumindo que v&aacute;rios contratos j&aacute; tiveram troca de futuros via EFP). Estamos falando em um enxugamento de US$ 3 bilh&otilde;es. Uma chamada dessa magnitude &eacute; dolorosa.<\/p>\n<p>Dessa forma, para atenuar o sangramento, essas empresas entram no mercado futuro comprando calls (op&ccedil;&otilde;es de compra) objetivando diminuir a chamada de margem caso o mercado continue subindo. Os pr&ecirc;mios das op&ccedil;&otilde;es sobem dada a demanda por esse instrumento. O fato de a volatilidade ter dobrado demonstra que o mercado agiu movido por um p&acirc;nico incontido.<\/p>\n<p>O lineup de 1.6 milh&atilde;o de toneladas em Santos pode ser explicado pelo fato de os compradores de a&ccedil;&uacute;car precisarem carregar o produto que compraram das usinas o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel para atender seus compradores finais, aproveitar o mercado invertido e tamb&eacute;m o pr&ecirc;mio de branco muito elevado, para aqueles que v&atilde;o converter o a&ccedil;&uacute;car bruto em refinado.<\/p>\n<p>Agora, o que pode justificar, um mercado que acredita piamente na falta de a&ccedil;&uacute;car, ter uma entrega f&iacute;sica de 940,000 toneladas como a ocorrida agora na expira&ccedil;&atilde;o do maio? Todos n&oacute;s aprendemos que entregar fisicamente um produto contra a expira&ccedil;&atilde;o de um contrato futuro na bolsa &eacute; o &uacute;ltimo recurso do vendedor. Ele s&oacute; entrega na bolsa quando ningu&eacute;m paga melhor do que&hellip;.. a bolsa.<\/p>\n<p>Existem outros pontos que merecem aten&ccedil;&atilde;o. Como essa movimenta&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica tem muito a ver com o jogo dos spreads, ou seja, a habilidade de cada trading de operar o mercado aproveitando oportunidades na diferen&ccedil;a entre os pre&ccedil;os de dois meses negociados (os spreads) ao longo do tempo, o ato de entregar ou receber a&ccedil;&uacute;car na bolsa pode eventualmente ser apenas uma parte de uma estrat&eacute;gia mais abrangente. Tamb&eacute;m colabora com a entrega f&iacute;sica a diferen&ccedil;a do demurrage (taxa cobrada sobre o per&iacute;odo que ultrapassou a estadia do navio) e as condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis de entrega por meio da bolsa (carregamento di&aacute;rio menor).<\/p>\n<p>O mercado vai precisar de not&iacute;cias fresquinhas para poder continuar sua trajet&oacute;ria de alta. Veremos como se comporta nessa semana aqui em NY.<\/p>\n<p>Anote na sua agenda. A Archer Consulting vai realizar o <strong>Curso Avan&ccedil;ado de Op&ccedil;&otilde;es<\/strong> sobre Futuros - Commodities Agr&iacute;colas (presencial) nos dias <strong>27 (ter&ccedil;a) e 28 de junho (quarta) de 2023<\/strong>, das 09:00 &agrave;s 17:00 horas, no Mont Blanc Premium, em <strong>Ribeir&atilde;o Preto<\/strong>. Incorporamos novos m&oacute;dulos, com estrat&eacute;gias, gest&atilde;o dos livros, delta hedging, descomplicando as gregas, entre outros assuntos. Para mais informa&ccedil;&otilde;es contate <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a> As vagas s&atilde;o limitadas.<\/p>\n<p>Tenham todos um excelente final de semana e para os que est&atilde;o vindo para NY, excelente viagem.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>\n<div id=\"acfifjfajpekbmhmjppnmmjgmhjkildl\" class=\"acfifjfajpekbmhmjppnmmjgmhjkildl\">&nbsp;<\/div><!--:-->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma semana de cota&ccedil;&otilde;es recordes no mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY, com todos os efeitos colaterais que estresses como esse provocam nas empresas. O bicho-pap&atilde;o atende pelo nome de chamada de margem. E ela tem sido bem assustadora. J&aacute; chegou &agrave; cifra de US$ 3 bilh&otilde;es. 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