{"id":10898,"date":"2024-09-21T00:00:00","date_gmt":"2024-09-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/na-contramao-do-mercado\/"},"modified":"2024-09-20T21:28:32","modified_gmt":"2024-09-20T21:28:32","slug":"na-contramao-do-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/na-contramao-do-mercado\/","title":{"rendered":"NA CONTRAM\u00c3O DO MERCADO"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a sexta-feira com o vencimento outubro\/24 cotado a 22.65 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, 347 pontos de alta em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior, equivalentes a 76.50 d&oacute;lares por tonelada, ap&oacute;s ter negociado na m&aacute;xima de 23.13 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Vale destacar que o volume negociado na ter&ccedil;a-feira foi acima de 455,000 contratos, o segundo maior volume de negocia&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria deste s&eacute;culo, perdendo apenas para o dia 12 de fevereiro de 2020, com mais de 516,000 contratos.<\/p>\n<p>E os fundos viraram a m&atilde;o: com base no relat&oacute;rio do CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities, publicado hoje (sexta-feira), mas tendo como base a ter&ccedil;a-feira passada, os fundos especulativos estavam long 2,571 lotes. De ter&ccedil;a para c&aacute;, a posi&ccedil;&atilde;o em aberto n&atilde;o teve nenhuma altera&ccedil;&atilde;o substancial.<\/p>\n<p>Quem nos acompanha j&aacute; conhece nossa vis&atilde;o sobre o mercado de a&ccedil;&uacute;car. Quando o mercado atingiu 17,50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, afirmamos que aquelas eram as m&iacute;nimas e que o mercado ainda n&atilde;o havia precificado os problemas iminentes, como a seca que afetava (e ainda afeta) os canaviais, um mix de produ&ccedil;&atilde;o menor de a&ccedil;&uacute;car e, ap&oacute;s os inc&ecirc;ndios, a percep&ccedil;&atilde;o de que a safra do pr&oacute;ximo ano tamb&eacute;m poderia ser comprometida em termos de volume. Naquele momento, destacamos que esses n&iacute;veis representavam uma excelente oportunidade de compra para as safras futuras, especialmente para os consumidores industriais que costumam fixar sua mat&eacute;ria-prima em d&oacute;lares por tonelada. Dissemos ainda que o mercado negociaria acima de 20 centavos de d&oacute;lar por libra-peso antes do final do ano.<\/p>\n<p>O que aconteceu no mercado nesta semana, no entanto, est&aacute; fora do escopo da nossa an&aacute;lise. H&aacute; uma diferen&ccedil;a clara entre um mercado construtivo, que era e continua sendo nossa vis&atilde;o para o a&ccedil;&uacute;car &mdash; um mercado que sustenta os pre&ccedil;os e se consolida &agrave; medida que os fundamentos se confirmam &mdash; e um mercado impulsionado pelo p&acirc;nico, como o que estamos presenciando agora. A pergunta que todos gostariam de ver respondida &eacute;: qual foi o gatilho para esse aumento brusco nos pre&ccedil;os? Podemos apenas conjecturar.<\/p>\n<p>Seriam os fundos os respons&aacute;veis? N&atilde;o acreditamos, pois os fundos especulativos estavam vendidos a descoberto em cerca de 20.000 lotes na semana passada, um volume que, mesmo se coberto, seria insuficiente para causar esse frisson no mercado. Entre as ter&ccedil;as-feiras dos dias 10 e 17 de setembro, o mercado subiu 150 pontos, enquanto os fundos passaram para 2.600 lotes comprados. A velocidade com que o mercado reagiu nesse per&iacute;odo foi de um ponto para cada 150 lotes comprados pelos fundos. Al&eacute;m disso, &eacute; comum vermos os fundos construindo suas posi&ccedil;&otilde;es gradualmente, em vez de atuarem de forma tresloucada, a menos que algo inesperado tenha impactado os fundamentos. Mas ser&aacute; que isso realmente aconteceu?<\/p>\n<p>Pouca coisa mudou nesta semana que justificasse um movimento t&atilde;o acentuado. Na semana passada, por exemplo, o mercado estava relativamente calmo, como se estivesse calculando os efeitos da seca nesta fase final da safra e o impacto dos inc&ecirc;ndios na cana plantada para a pr&oacute;xima safra. Al&eacute;m disso, h&aacute; um n&uacute;mero crescente de washouts (ajustes de posi&ccedil;&otilde;es entre comprador e vendedor, liquidando a diferen&ccedil;a sem movimentar o produto) ocorrendo, que, segundo um corretor experiente de mercado f&iacute;sico, n&atilde;o deve ter ultrapassado 200.000 toneladas. Isso n&atilde;o &eacute; suficiente para justificar um movimento de pre&ccedil;os t&atilde;o intenso. No fim, s&atilde;o apenas conjecturas.<\/p>\n<p>De um lado os nefelibatas que apostam em safra de 620 milh&otilde;es de toneladas de cana e produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car acima dos 42 milh&otilde;es de toneladas e do outro, os pragm&aacute;ticos, que preferem agir com a l&oacute;gica e com a raz&atilde;o, que fazem as contas na ponta do l&aacute;pis e observam uma sucess&atilde;o de eventos que vai colocar tanto a moagem quanto a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car em n&iacute;veis bem abaixo do que o mercado previra originalmente.<\/p>\n<p>Opera&ccedil;&otilde;es estruturadas podem ter sido o gatilho dessa alta? Considerando que as op&ccedil;&otilde;es venceram no come&ccedil;o da semana e as usinas t&ecirc;m pouca fixa&ccedil;&atilde;o para fazer para mar&ccedil;o\/25, parece improv&aacute;vel que essa tenha sido a causa, muito embora os acumuladores (sempre eles) come&ccedil;am a dar calafrios &agrave;queles que usaram essa estrutura para maio\/25 em diante. Acho improv&aacute;vel que tenha afetado o mercado.<\/p>\n<p>Bem, se n&atilde;o foram os fundos, se n&atilde;o foram os fundamentos mudando drasticamente nem opera&ccedil;&otilde;es t&oacute;xicas com derivativos idem, o que nos sobra?<\/p>\n<p>Mercados em alta vertiginosa, quase desenhando um gr&aacute;fico parab&oacute;lico, ou em quedas abruptas, como a que vimos no final do ano passado, sempre t&ecirc;m um protagonista oculto. Algu&eacute;m que foi pego na contram&atilde;o do mercado, ou seja, aquele sujeito que estava pesadamente vendido e, de repente, come&ccedil;a a suar frio quando o cen&aacute;rio externo aponta para uma alta nos pre&ccedil;os futuros na Bolsa. Nos meios acad&ecirc;micos, esse movimento &eacute; apelidado de forma elegante como \"get-me-out\" (me tira daqui!), mas n&oacute;s, reles mortais, chamamos isso de p&acirc;nico mesmo.<\/p>\n<p>Quando enormes posi&ccedil;&otilde;es vendidas come&ccedil;am a derreter, a chamada de margem d&aacute; uma bela bagun&ccedil;ada no fluxo de caixa. E qual &eacute; o rem&eacute;dio? Recomprar a posi&ccedil;&atilde;o a qualquer custo via futuros ou op&ccedil;&otilde;es, o que faz com que a volatilidade das calls (op&ccedil;&otilde;es de compra) suba como um foguete. Afinal, nada como o desespero para deixar o mercado agitado. As chances de que essa tenha sido a causa,eu diria que &eacute; de 8:10.<\/p>\n<p>Os spreads que, como gosto de dizer, s&atilde;o a manifesta&ccedil;&atilde;o no mercado futuro daquilo que os operadores do mercado f&iacute;sico percebem, demonstraram que as casas comerciais trouxeram para mais perto as disponibilidades que tinham no futuro. Isso se faz por meio da compra de spreads. O spread mar&ccedil;o\/maio valorizou quase 20 d&oacute;lares por tonelada. Ou seja, a preocupa&ccedil;&atilde;o do mercado &eacute; que n&atilde;o apenas a safra do Centro-Sul do pr&oacute;ximo ano possa ser menos, mas tamb&eacute;m que pode come&ccedil;ar mais tarde. O spread maio\/julho valorizou 13 d&oacute;lares por tonelada. A posi&ccedil;&atilde;o em aberto no outubro\/24 saltou quase 12,000 lotes indicando que a trading que comprou (o spread outubro\/mar&ccedil;o) vai querer receber o a&ccedil;&uacute;car na expira&ccedil;&atilde;o do contrato no pr&oacute;ximo dia 30. N&oacute;s dissemos aqui que esse semestre iria ser de muita volatilidade. Por enquanto est&aacute; se confirmando.<\/p>\n<p>Causou surpresa a rapidez com que a Bolsa decidiu alterar as margens desta vez. Curioso, n&atilde;o? Especialmente se lembrarmos que, no ano passado, quando o mercado rondava os 28 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, ela n&atilde;o teve essa mesma pressa. Por que ser&aacute; que agora a dilig&ecirc;ncia apareceu com tanta efici&ecirc;ncia? Algum novo senso de responsabilidade repentino? Ou talvez as circunst&acirc;ncias atuais tenham motivado uma preocupa&ccedil;&atilde;o... bem espec&iacute;fica. Perguntas no ar.<\/p>\n<p>An&aacute;lise T&eacute;cnica (Marcelo Moreira): O vencimento Out-24 encerrou a 22.66 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Com essa disparada nos pre&ccedil;os muitos &ldquo;stops&rdquo; foram acionados e o desespero dos vendidos gerou uma distor&ccedil;&atilde;o no curto prazo. Nos &uacute;ltimos 7 preg&otilde;es o Out-24 chegou a subir 469 pontos ou 103.40 d&oacute;lares por tonelada. &nbsp;Todos os pr&oacute;ximos vencimentos out-24\/dez-24\/mar&ccedil;o-25\/maio-25\/ julho-25 encerraram a semana muito acima do topo da Banda de Bollinger dos 50 dias. Essa oportunidade deveria ser aproveitada para as usinas protegerem a safra 25\/26. Aten&ccedil;&atilde;o: No curto prazo poderemos ver o mercado corrigindo 200 ou 300 pontos buscando voltar a negociar &ldquo;dentro do canal&rdquo; da Banda de Bollinger! Ent&atilde;o, aproveitem essa &ldquo;distor&ccedil;&atilde;o&rdquo;!<\/p>\n<p>Marque na sua agenda e prepare-se para elevar seu conhecimento! O Curso Avan&ccedil;ado de Futuros e Op&ccedil;&otilde;es &ndash; Commodities Agr&iacute;colas est&aacute; de volta, e ser&aacute; presencial nos dias 29 e 30 de outubro, em S&atilde;o Paulo. 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As informa&ccedil;&otilde;es contidas neste relat&oacute;rio s&atilde;o consideradas confi&aacute;veis na data na qual este relat&oacute;rio foi publicado. Entretanto, as informa&ccedil;&otilde;es aqui contidas n&atilde;o s&atilde;o por parte da <strong>Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos Ltda. <\/strong>garantia de exatid&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es prestadas ou julgamento sobre a qualidade delas, e n&atilde;o devem ser consideradas como tal. As opini&otilde;es contidas neste relat&oacute;rio s&atilde;o baseadas em julgamentos e estimativas, estando, portanto, sujeitas a mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&reg; 2024 Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos Ltda. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a sexta-feira com o vencimento outubro\/24 cotado a 22.65 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, 347 pontos de alta em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior, equivalentes a 76.50 d&oacute;lares por tonelada, ap&oacute;s ter negociado na m&aacute;xima de 23.13 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. 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