{"id":11248,"date":"2024-12-13T19:13:04","date_gmt":"2024-12-13T19:13:04","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/volatilidade-instabilidade-e-vulnerabilidade\/"},"modified":"2024-12-13T22:19:02","modified_gmt":"2024-12-13T22:19:02","slug":"volatilidade-instabilidade-e-vulnerabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/volatilidade-instabilidade-e-vulnerabilidade\/","title":{"rendered":"VOLATILIDADE, INSTABILIDADE E VULNERABILIDADE"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York registrou uma queda significativa ao longo da semana, com o contrato para vencimento mar&ccedil;o-25 encerrando a 20.73 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, uma retra&ccedil;&atilde;o de 101 pontos ou aproximadamente 22 d&oacute;lares por tonelada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior. Os demais vencimentos, de maio\/25 a mar&ccedil;o\/26, que servem de par&acirc;metro de fixa&ccedil;&atilde;o para a safra 25\/26 do Centro-Sul tamb&eacute;m fecharam em baixa, variando de 93 a 57 pontos, o que equivale a quedas de 20.50 a 12.50 d&oacute;lares por tonelada, respectivamente. Os contratos com vencimento entre maio\/26 e mar&ccedil;o\/27, que refletem a safra 26\/27 do Centro-Sul, tamb&eacute;m apresentaram quedas, variando entre 42 e 21 pontos, equivalentes a retra&ccedil;&otilde;es de 9,20 d&oacute;lares por tonelada e 1,60 d&oacute;lares por tonelada, respectivamente. Essa movimenta&ccedil;&atilde;o reflete uma press&atilde;o vendedora no mercado, influenciada n&atilde;o apenas por ajustes t&eacute;cnicos, mas tamb&eacute;m por fundamentos relacionados &agrave; oferta de a&ccedil;&uacute;car do Brasil.<\/p>\n<p>&Eacute; interessante observar a volatilidade dos pre&ccedil;os do a&ccedil;&uacute;car ao longo dos &uacute;ltimos meses. Em agosto, os pre&ccedil;os estavam deprimidos, alcan&ccedil;ando m&iacute;nimas de 17.52 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Contudo, mesmo nesse patamar, a convers&atilde;o para reais por tonelada, ajustada pela infla&ccedil;&atilde;o, revelou um pre&ccedil;o bastante remunerador de R$ 2,625 por tonelada.<\/p>\n<p>J&aacute; em setembro, houve uma recupera&ccedil;&atilde;o expressiva dos pre&ccedil;os devido ao temor inicial de que a seca e os inc&ecirc;ndios em &aacute;reas de canaviais, especialmente no estado de S&atilde;o Paulo, provocassem uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica na safra. O medo era de uma \"morte s&uacute;bita\" da safra, com a previs&atilde;o de encerramento antecipado da moagem e uma produ&ccedil;&atilde;o total de cerca de 560 milh&otilde;es de toneladas. Naquele momento, o total mo&iacute;do acumulava 466 milh&otilde;es de toneladas, e poucos acreditavam na possibilidade de recupera&ccedil;&atilde;o. Esse cen&aacute;rio de incertezas levou os pre&ccedil;os futuros em Nova York a alcan&ccedil;arem 23.64 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Quando convertidos para reais por tonelada, os pre&ccedil;os chegaram a quase R$ 3.000, representando o n&iacute;vel mais alto registrado no per&iacute;odo e evidenciando o impacto direto das condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas sobre o mercado.<\/p>\n<p>As condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas favor&aacute;veis, com boas chuvas no final de outubro e durante novembro, somadas a um pico inesperado do d&oacute;lar em rela&ccedil;&atilde;o ao real, criaram um cen&aacute;rio oportuno para as usinas acelerarem suas fixa&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;os. Esse movimento foi incentivado n&atilde;o apenas pelos pre&ccedil;os remuneradores, mas tamb&eacute;m pela perspectiva de juros elevados, que influenciava a curva de pre&ccedil;os em reais para o pr&oacute;ximo ano, o NDF (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquida&ccedil;&atilde;o financeira.<\/p>\n<p>Em agosto, as usinas estavam fixadas menos de 30% do volume esperado para exporta&ccedil;&atilde;o na safra 25\/26. Esse percentual subiu para 38.5% em setembro, 45% em outubro e alcan&ccedil;ou 53.5% at&eacute; o final de novembro. &Eacute; importante destacar que, enquanto a fixa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de agosto foi de R$ 2.410 por tonelada, nos meses seguintes (setembro, outubro e novembro) essa m&eacute;dia superou R$ 2.600 por tonelada, refletindo uma estrat&eacute;gia acertada das usinas em aproveitar aquele momento favor&aacute;vel.<\/p>\n<p>A press&atilde;o vendedora gerada pelas fixa&ccedil;&otilde;es, combinada com a percep&ccedil;&atilde;o de uma moagem no Centro-Sul melhor do que o esperado, contribu&iacute;ram para o movimento de baixa nos pre&ccedil;os. No acumulado da &uacute;ltima semana de novembro, a moagem j&aacute; alcan&ccedil;ava 603 milh&otilde;es de toneladas de cana. Considerando a m&eacute;dia hist&oacute;rica dos &uacute;ltimos cinco anos, excluindo o &uacute;ltimo ano excepcional, a proje&ccedil;&atilde;o &eacute; de que a safra encerre com 618 milh&otilde;es de toneladas mo&iacute;das. Caso essa estimativa se confirme, ser&aacute; a segunda maior moagem da hist&oacute;ria, ficando atr&aacute;s apenas da safra recorde 23\/24. Est&aacute; explicado.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das quest&otilde;es j&aacute; mencionadas, um fator adicional que pressionou o mercado foi a postura dos fundos especulativos, que decidiram \"recolher o trem de pouso\" e zerar suas posi&ccedil;&otilde;es na bolsa. Essa retirada de participa&ccedil;&atilde;o reduziu o suporte que os pre&ccedil;os vinham encontrando, aumentando ainda mais a press&atilde;o vendedora. Em tempo: os fundos est&atilde;o long 2,300 lotes. Nada. Absolutamente nada.<\/p>\n<p>Os indicadores t&eacute;cnicos tamb&eacute;m desempenharam um papel relevante (veja coment&aacute;rio do Marcelo Moreira abaixo). O mercado quebrou v&aacute;rias m&eacute;dias m&oacute;veis importantes, acionando gatilhos autom&aacute;ticos para novas vendas, o que intensificou o movimento de baixa. Essa combina&ccedil;&atilde;o de fatores t&eacute;cnicos e a sa&iacute;da dos fundos criou um cen&aacute;rio de maior volatilidade, ampliando as quedas observadas ao longo da semana.<\/p>\n<p>O que podemos esperar daqui para frente? Como mencionamos anteriormente, o mercado estar&aacute; focado na percep&ccedil;&atilde;o do tamanho da pr&oacute;xima safra, que se inicia em abril de 2025. Os impactos da seca e dos inc&ecirc;ndios ocorridos levantaram estimativas de uma redu&ccedil;&atilde;o de 5% a 7,5% na produ&ccedil;&atilde;o da safra 2025\/26, dependendo da gravidade das perdas.<\/p>\n<p>Se assumirmos que a safra atual termina com 618 milh&otilde;es de toneladas e aplicarmos uma redu&ccedil;&atilde;o de 5%, a pr&oacute;xima safra pode atingir cerca de 585 milh&otilde;es de toneladas, n&uacute;mero que parece refletir o consenso atual do mercado. No entanto, qualquer estimativa inferior a isso poder&aacute; trazer instabilidade e sustentar os pre&ccedil;os em n&iacute;veis mais altos. Por outro lado, uma produ&ccedil;&atilde;o acima de 600 milh&otilde;es de toneladas provavelmente ser&aacute; interpretada como um sinal baixista, pressionando os pre&ccedil;os para baixo.<\/p>\n<p>Ainda assim, h&aacute; fundamentos que trazem perspectivas construtivas para o mercado no longo prazo. O consumo global de a&ccedil;&uacute;car tem crescido em um ritmo superior ao da produ&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos cinco anos. Nossas proje&ccedil;&otilde;es indicam que o consumo dever&aacute; superar a produ&ccedil;&atilde;o a partir da safra 2028\/29, criando um cen&aacute;rio estruturalmente mais apertado para o mercado.<\/p>\n<p>Outro ponto cr&iacute;tico a ser observado &eacute; o papel da &Iacute;ndia nos pr&oacute;ximos anos. Com um crescimento de consumo estimado em 1 milh&atilde;o de toneladas por ano, a grande quest&atilde;o &eacute; se a &Iacute;ndia se tornar&aacute; um importador l&iacute;quido dentro de 3 ou 4 safras. Essa possibilidade pode alterar significativamente o equil&iacute;brio global de oferta e demanda, impactando diretamente os pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Por fim, o Brasil continua consolidando sua posi&ccedil;&atilde;o como principal fornecedor global de a&ccedil;&uacute;car, o que, apesar de sua robustez, introduz maior volatilidade &ndash; ou melhor, vulnerabilidade &ndash; para os consumidores finais. Nesse contexto, a expectativa &eacute; que o mercado continue a oscilar entre os fundamentos de oferta e demanda no curto prazo e uma vis&atilde;o estrutural mais construtiva no longo prazo.<\/p>\n<p>---<\/p>\n<p>An&aacute;lise T&eacute;cnica (Marcelo Moreira): O mercado finalmente cedeu, encerrando a semana abaixo dos principais suportes de curto prazo. Ap&oacute;s atingir a m&aacute;xima semanal de 21.90 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, o vencimento mar&ccedil;o\/25 fechou em 20.72 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Os n&iacute;veis de refer&ecirc;ncia foram: fechamento anterior 21.81, m&aacute;xima 21.90, m&iacute;nima 20.57 e fechamento atual 20.72 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Agora, os suportes rompidos se tornam novas resist&ecirc;ncias em 20.77, 20.85, 21.81 e 22.85 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Os pr&oacute;ximos suportes est&atilde;o em 20.21 e 18.75 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O vencimento julho\/25 fechou em 18.63 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Assim como mar&ccedil;o\/25, rompeu suportes importantes e encerrou abaixo das m&eacute;dias m&oacute;veis de 100 e 50 dias. Suas novas resist&ecirc;ncias est&atilde;o em 18.85, 18.94, 19.47 e 20.09 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, enquanto os pr&oacute;ximos suportes se encontram em 18.00, 17.61 e 17.00 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Aten&ccedil;&atilde;o ao spread V5\/H6, que voltou a abrir para -15 pontos!<\/p>\n<p>---<\/p>\n<p>Est&aacute; esperando o que? 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