{"id":11410,"date":"2025-02-28T18:22:35","date_gmt":"2025-02-28T18:22:35","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/acucar-de-mais-transparencia-de-menos\/"},"modified":"2025-02-28T21:23:33","modified_gmt":"2025-02-28T21:23:33","slug":"acucar-de-mais-transparencia-de-menos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/acucar-de-mais-transparencia-de-menos\/","title":{"rendered":"A\u00c7\u00daCAR DEMAIS, TRANSPAR\u00caNCIA DE MENOS"},"content":{"rendered":"<p>O mercado encerrou a semana com uma queda acentuada no vencimento Mar&ccedil;o\/25, que expirou a 19.54 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, registrando uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o de 39 d&oacute;lares por tonelada no acumulado da semana. O contrato Maio\/25, que passa a ser o primeiro vencimento a partir de segunda-feira, fechou a 18.75 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, um recuo de 116 pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior, representando uma retra&ccedil;&atilde;o superior a 25 d&oacute;lares por tonelada.<\/p>\n<p>Embora o mercado j&aacute; apresentasse um vi&eacute;s mais baixista desde o evento de Dubai, a intensidade da queda foi acentuada por a&ccedil;&otilde;es supostamente vindas da ICE (Intercontinental Exchange, a bolsa de futuros de caf&eacute;, a&ccedil;&uacute;car, cacau, algod&atilde;o e suco de laranja em Nova York). Essas interven&ccedil;&otilde;es teriam influenciado a liquida&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es e o enfraquecimento dos spreads. J&aacute; vou comentar.<\/p>\n<p>Sobre esse cen&aacute;rio, um experiente trader comentou: \"Nunca vi tamanho absurdo em toda minha vida.\" Situa&ccedil;&otilde;es como essa n&atilde;o s&atilde;o in&eacute;ditas&mdash;j&aacute; houve precedentes protagonizados pela ICE, incluindo um caso marcante que impactou uma trading brasileira em janeiro de 2008.<\/p>\n<p>Mercados organizados operam sob o princ&iacute;pio da transpar&ecirc;ncia nas regras, garantindo um ambiente previs&iacute;vel e seguro para todos os participantes. No contexto das bolsas de futuros, a entrega f&iacute;sica de uma commodity deve ser vista como um &uacute;ltimo recurso para o vendedor, seja porque n&atilde;o encontrou um comprador melhor ou porque optou por atrasar a entrega intencionalmente, apostando que o ganho obtido com o spread invertido compensar&aacute; os custos adicionais, como o demurrage &mdash; taxa cobrada pela perman&ecirc;ncia do navio no porto al&eacute;m do per&iacute;odo estipulado no contrato.<\/p>\n<p>Circulam rumores de que a ICE pretende votar, em breve, novas regras para o mercado de a&ccedil;&uacute;car, visando restringir a entrega de grandes volumes. No entanto, ainda n&atilde;o h&aacute; uma defini&ccedil;&atilde;o clara do que a bolsa considera um \"grande volume\". A medida envolveria um aumento nos custos de demurrage como forma de desestimular essas opera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em tese, qualquer nova regulamenta&ccedil;&atilde;o s&oacute; poderia ser aplicada a um vencimento futuro que ainda n&atilde;o tenha posi&ccedil;&otilde;es em aberto, isso &eacute;, mar&ccedil;o de 2028, evitando impactos retroativos que poderiam prejudicar os participantes do mercado.<\/p>\n<p>Segundo um expert em regras da Bolsa, quando uma empresa deseja entregar ou receber um volume superior ao limite estabelecido pela ICE, de 5.000 contratos (equivalente a 254.000 toneladas), &eacute; necess&aacute;rio solicitar uma autoriza&ccedil;&atilde;o especial da bolsa. No entanto, circulam rumores &mdash; ainda n&atilde;o confirmados &mdash; de que a ICE teria negado essa autoriza&ccedil;&atilde;o a uma das maiores empresas agroindustriais do mundo, sediada na &Aacute;sia, que pretendia receber uma quantidade significativa de a&ccedil;&uacute;car nesta expira&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Diante desse cen&aacute;rio, surgem algumas perguntas: a) A empresa solicitou a autoriza&ccedil;&atilde;o dentro de um prazo adequado? B) Por que a regra teria sido aplicada de forma diferente para participantes distintos?<\/p>\n<ol>\n<li>c) Mesmo que a ICE suspeitasse de alguma irregularidade, as regras n&atilde;o deveriam ser seguidas de forma clara e previs&iacute;vel?<\/li>\n<\/ol>\n<p>Independentemente das raz&otilde;es por tr&aacute;s dessa poss&iacute;vel decis&atilde;o, o efeito pr&aacute;tico no mercado foi evidente. Os rumores sobre essa restri&ccedil;&atilde;o ajudaram a derrubar o spread mar&ccedil;o\/maio, pois o comprador, sem poder receber o a&ccedil;&uacute;car conforme planejado, precisou realocar sua posi&ccedil;&atilde;o comprada para vencimentos mais distantes, pressionando os spreads mais pr&oacute;ximos. Mas, afinal, o que pode ser considerado um grande volume? Vamos analisar.<\/p>\n<p>Em 1997, uma cooperativa de usinas produtoras de a&ccedil;&uacute;car entregou 264.160 toneladas de a&ccedil;&uacute;car contra o contrato de maio\/97 no porto de Paranagu&aacute;. Para se ter ideia do tamanho da brincadeira, esse volume representava 3.5% da posi&ccedil;&atilde;o em aberto da &eacute;poca e 58% do volume m&eacute;dio mensal das exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras de a&ccedil;&uacute;car nos &uacute;ltimos 12 meses. Um verdadeiro tsunami de a&ccedil;&uacute;car. Agora, o detalhe curioso (ou c&ocirc;mico?): a bolsa (era NYBOT na &eacute;poca) n&atilde;o moveu um m&uacute;sculo para questionar essa entrega, apesar de o limite j&aacute; ser 5.000 contratos, o mesmo de hoje. Quem se incomodou foi o CFTC (Commodity Futures Trading Commission), o xerife dos mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es nos Estados Unidos. E como foi a abordagem? Nada de formalidades ou papelada excessiva&mdash;apenas um recado bem-humorado, mas bem direto: \"Make sure you don&rsquo;t hit the headlines!\" (Certifique-se de n&atilde;o virar manchete!).<\/p>\n<p>Ou seja, a preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era exatamente com o impacto no mercado, mas sim com o barulho que isso poderia causar. A diferen&ccedil;a entre aquela &eacute;poca e agora? Parece que hoje algumas regras valem para uns, mas n&atilde;o vale para outros.<\/p>\n<p>Trazendo essa l&oacute;gica para os dias atuais, 3.5% da posi&ccedil;&atilde;o em aberto equivale hoje a 33.600 contratos, ou cerca de 1,7 milh&atilde;o de toneladas de a&ccedil;&uacute;car. J&aacute; os 58% do volume m&eacute;dio mensal das exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras nos &uacute;ltimos 12 meses representam aproximadamente 1,8 milh&atilde;o de toneladas. Em outras palavras, o volume que a empresa asi&aacute;tica supostamente estaria pronta para receber n&atilde;o era nada de extraordin&aacute;rio &mdash; ao menos, n&atilde;o mais do que j&aacute; se viu no passado.<\/p>\n<p>A fun&ccedil;&atilde;o da ICE n&atilde;o &eacute; fiscalizar gargalos log&iacute;sticos, inferir se algum player quer espremer o mercado, decidir se um volume &eacute; \"grande demais\" ou pequeno demais, nem bancar a s&iacute;ndica do mercado questionando se uma empresa pretende usar qualquer tipo de subterf&uacute;gio. Se h&aacute; algo de errado, mudem-se as regras.<\/p>\n<p>O problema aqui &eacute; que, se os rumores forem verdadeiros, estamos diante de um caso cl&aacute;ssico de inseguran&ccedil;a regulat&oacute;ria. Um mercado futuro precisa operar sob regras claras, previs&iacute;veis e aplic&aacute;veis a todos. Quando decis&otilde;es extraoficiais come&ccedil;am a afetar opera&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas, a mensagem que fica &eacute;: as regras podem mudar no meio do jogo. E isso, definitivamente, n&atilde;o combina com mercados organizados.<\/p>\n<p>Agora, imagine se aquela mesma cooperativa resolvesse, nos dias de hoje, entregar um volume de 33.600 contratos&mdash;um n&uacute;mero absolutamente compat&iacute;vel com a realidade atual do mercado. Afinal, o que define um \"grande volume\" de entrega? Parece que a resposta depende menos de crit&eacute;rios objetivos e mais da vontade do burocrata de plant&atilde;o. A falta de concorr&ecirc;ncia no mercado de futuros acaba deixando os players &agrave; merc&ecirc; de decis&otilde;es arbitr&aacute;rias, onde quem deveria garantir a transpar&ecirc;ncia do mercado, acaba ditando suas pr&oacute;prias regras.<\/p>\n<p>No final das contas, a entrega total foi de 34.386 lotes, equivalentes a 1.747.000 toneladas de a&ccedil;&uacute;car. O movimento at&iacute;pico no mercado favoreceu os fundos especulativos, que ganharam uma sobrevida com essa queda repentina. O relat&oacute;rio COT (Commitment of Traders), publicado pelo CFTC, com base na posi&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira, mostrava que os especuladores estavam vendidos em apenas 53,270 contratos, liquidando quase 50,000 lotes. Portanto, a vulnerabilidade que esper&aacute;vamos da posi&ccedil;&atilde;o vendida dos fundos esvaiu-se.<\/p>\n<p>Nosso colaborador, Marcelo Moreira, O contrato Maio-25, que atingiu a m&aacute;xima do ano em 19.98 centavos de d&oacute;lar por libra-peso em 25 de fevereiro, encerrou a 18.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Ap&oacute;s cinco preg&otilde;es acima do topo da Banda de Bollinger de 50 dias, a realiza&ccedil;&atilde;o veio rapidamente, influenciada pelo vencimento do contrato Mar&ccedil;o-25 e rumores de que uma grande trading teria sido for&ccedil;ada a liquidar parte de sua posi&ccedil;&atilde;o comprada para atender aos requisitos da bolsa. Os principais suportes foram rompidos, com os pr&oacute;ximos n&iacute;veis em 18.21 e 17.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, enquanto as resist&ecirc;ncias est&atilde;o em 19.20, 19.42 e 19.66 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.&nbsp; O pr&oacute;ximo movimento depender&aacute; do tamanho da entrega contra Mar&ccedil;o-25 e da rapidez na nomea&ccedil;&atilde;o dos navios pelo recebedor. Haver&aacute; demanda para todo o volume entregue? As usinas antecipar&atilde;o a moagem? Poderemos ter um ac&uacute;mulo de entregas f&iacute;sicas tamb&eacute;m contra Maio-25? O spread V5\/H6 voltou a abrir, fechando a semana em 35 pontos.<\/p>\n<p>Quer entender mais sobre o mercado de commodities? N&atilde;o perca o Curso Essencial Plus de Commodities, inteiramente online, que ocorre de 24 a 27 de mar&ccedil;o. Clique aqui <a href=\"https:\/\/archereducation.com.br\/commodities\/\">https:\/\/archereducation.com.br\/commodities\/<\/a> E logo depois, o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos (presencial, em abril). 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