{"id":11530,"date":"2025-04-11T18:59:59","date_gmt":"2025-04-11T18:59:59","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/quando-o-inesperado-vira-rotina\/"},"modified":"2025-04-11T22:03:38","modified_gmt":"2025-04-11T22:03:38","slug":"quando-o-inesperado-vira-rotina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/quando-o-inesperado-vira-rotina\/","title":{"rendered":"QUANDO O INESPERADO VIRA ROTINA"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car passou por mais uma semana de forte instabilidade, refletindo a conflu&ecirc;ncia de vari&aacute;veis ex&oacute;genas que desafiam qualquer tentativa de previsibilidade. Uma vari&aacute;vel atende pelo nome de Donald Trump que colocou o planeta de cabe&ccedil;a para baixo sem que ningu&eacute;m tenha a menor ideia do que do que vai acontecer daqui para a frente.<\/p>\n<p>NY encerrou a semana com o contrato de a&ccedil;&uacute;car para vencimento em maio\/25 cotado a 17.99 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, uma queda de 85 pontos (quase 18 d&oacute;lares por tonelada) em rela&ccedil;&atilde;o ao fechamento da semana anterior. Mesma contra&ccedil;&atilde;o teve o contrato com vencimento para julho\/25 fechando a 17.83 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O real teve pequena desvaloriza&ccedil;&atilde;o contra o d&oacute;lar de 0.5% na semana fechando a 5.8724. Os valores do a&ccedil;&uacute;car em NY convertidos em reais por tonelada recuaram mais de 100 reais por tonelada para os meses da 25\/26; 60 reais por tonelada para os meses da 26\/27. Fazer hedge com os pre&ccedil;os que vimos recentemente n&atilde;o faz mal a ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>O petr&oacute;leo tipos WTI e Brent, que serve de refer&ecirc;ncia para a Petrobras, al&eacute;m da gasolina e o diesel, s&atilde;o os grandes perdedores do m&ecirc;s at&eacute; agora, com quedas entre 9 e 14%. A defasagem entre o pre&ccedil;o da gasolina no mercado externo e o pre&ccedil;o na refinaria imposto pela Petrobras, permitiria a redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o em cerca de 11%. O impacto dessa redu&ccedil;&atilde;o seria ben&eacute;fico para governo pois baixaria a infla&ccedil;&atilde;o. Dif&iacute;cil saber se isso vai acontecer dada a volatilidade do mercado de c&acirc;mbio de das commodities energ&eacute;ticas.<\/p>\n<p>No canavial, o in&iacute;cio da safra 2025\/26 carrega consigo mais d&uacute;vidas do que certezas. Em conversas com diversas usinas, o sentimento da maioria &eacute; de preocupa&ccedil;&atilde;o. A qualidade da cana vem abaixo do esperado: algumas unidades j&aacute; reportam perdas na ATR de at&eacute; 10 kg\/tonelada inferiores aos registrados no mesmo per&iacute;odo do ano passado. Soma-se a isso um TCH tamb&eacute;m mais fraco, o que significa menos toneladas de cana por hectare colhido. Em um caso espec&iacute;fico, a combina&ccedil;&atilde;o desses dois fatores representa uma perda de 24% na produtividade nas primeiras semanas de moagem.<\/p>\n<p>Ainda que esse n&uacute;mero possa melhorar ao longo da safra, a perda consolidada, segundo estimativas internas, pode girar em torno de 5% &mdash; o que, em rela&ccedil;&atilde;o ao volume processado na safra passada (620 milh&otilde;es de toneladas), nos colocaria em algo pr&oacute;ximo a 589 milh&otilde;es de toneladas neste novo ciclo. Um n&uacute;mero que coincide, curiosamente, com proje&ccedil;&otilde;es divulgadas publicamente por outros agentes de mercado. O n&uacute;mero da Archer Consulting permanece inalterado, ou seja, 596.75 milh&otilde;es de toneladas de cana. A m&eacute;dia da estimativa de cerca de 20 consultorias do mercado &eacute; de 605 milh&otilde;es de toneladas de cana.<\/p>\n<p>Esses elementos ajudam a explicar o comportamento recente do spread entre os vencimentos de maio e julho. Mesmo com uma queda expressiva nos pre&ccedil;os do a&ccedil;&uacute;car na tela de Nova York o spread se valorizou. Isso n&atilde;o &eacute; trivial. Quando os pre&ccedil;os caem e o spread aperta, &eacute; sinal de que o mercado est&aacute; mais preocupado com a disponibilidade imediata do produto do que com a dire&ccedil;&atilde;o geral dos pre&ccedil;os. &Eacute; o t&iacute;pico movimento de quem est&aacute; vendido e come&ccedil;a a cobrir posi&ccedil;&atilde;o por medo de n&atilde;o receber o volume prometido no prazo.<\/p>\n<p>Relatos de algumas usinas indicam que algumas tradings est&atilde;o tentando antecipar a entrega de contratos com vencimento em maio por at&eacute; duas ou tr&ecirc;s semanas. Em paralelo, j&aacute; h&aacute; registro de nomea&ccedil;&atilde;o de navios antes do per&iacute;odo habitual, o que refor&ccedil;a a tese de que o mercado f&iacute;sico est&aacute; aquecido, pelo menos no curto prazo, e que h&aacute; um receio real quanto &agrave; capacidade de entrega por parte de usinas do Centro-Sul. Por outro lado, consumidores industriais atrasam a retirada de a&ccedil;&uacute;car das usinas que por sua vez acham at&eacute; conveniente que isso ocorra, pois, a produ&ccedil;&atilde;o est&aacute; lenta.<\/p>\n<p>Essa percep&ccedil;&atilde;o pode se intensificar nas pr&oacute;ximas semanas, &agrave; medida que nos aproximamos da data de vencimento do contrato de maio. A divulga&ccedil;&atilde;o dos dados da primeira quinzena de abril pela UNICA ser&aacute; um ponto de inflex&atilde;o importante. Caso os n&uacute;meros confirmem uma safra lenta, de baixa produtividade inicial, poderemos ver uma rea&ccedil;&atilde;o mais intensa no mercado futuro, com potencial de valoriza&ccedil;&atilde;o especialmente nos spreads de curto prazo.<\/p>\n<p>Em resumo, estamos diante de um mercado onde o comportamento do pre&ccedil;o &agrave; vista (ou de curto prazo) n&atilde;o conversa mais com o clima de desvaloriza&ccedil;&atilde;o generalizada que predomina no macro. A raz&atilde;o &eacute; simples: a preocupa&ccedil;&atilde;o com a oferta imediata est&aacute; ganhando for&ccedil;a. E, como bem sabemos, em mercados de commodities, percep&ccedil;&atilde;o de escassez &eacute; um gatilho poderoso &mdash; &agrave;s vezes at&eacute; mais do que a escassez em si. Segundo um executivo atuante na &aacute;rea de consumo, hoje existem dois tipos de traders no mercado: os que n&atilde;o sabem o que est&aacute; acontecendo e os mentirosos.<\/p>\n<p>--<\/p>\n<p>Em 2008, o autor Stephen Weir lan&ccedil;ou o livro As Piores Decis&otilde;es da Hist&oacute;ria. A obra traz um cat&aacute;logo de desastres impulsionados por l&iacute;deres que, tomados por ira, inveja, gan&acirc;ncia, lux&uacute;ria, orgulho ou pura e simples estupidez &mdash; ou, como preferem os mais cl&aacute;ssicos, os sete pecados capitais &mdash; cometeram erros de propor&ccedil;&otilde;es &eacute;picas. Est&atilde;o l&aacute; Nero, que abrindo espa&ccedil;o para um novo pal&aacute;cio, acabou destruindo Roma, que ardia em chamas. O jovem Churchill, com o fiasco de Gallipoli, com mais de 400,000 mortes. Mao, com seu &ldquo;Grande Salto para a Frente&rdquo;, tirando todos os agricultores das pr&oacute;prias terras para iniciar uma revolu&ccedil;&atilde;o industrial insustent&aacute;vel, que causou a morte por inani&ccedil;&atilde;o de 20 a 40 milh&otilde;es de pessoas; e at&eacute; o bug do mil&ecirc;nio, que desperdi&ccedil;ou centenas de bilh&otilde;es de d&oacute;lares e que gerou mais p&acirc;nico que problema. E, claro, a famosa Enron, que ensinou ao mundo como transformar contabilidade criativa em cat&aacute;strofe financeira.<\/p>\n<p>Tenho absoluta convic&ccedil;&atilde;o de que, na pr&oacute;xima edi&ccedil;&atilde;o, Stephen vai reservar um cap&iacute;tulo inteiro ao festival de trapalhadas promovido por Donald Trump. Ainda n&atilde;o conseguimos medir o tamanho do estrago causado por suas &ldquo;decis&otilde;es estrat&eacute;gicas&rdquo;, mas, considerando o hist&oacute;rico do personagem, d&aacute; para apostar que o preju&iacute;zo vir&aacute; com juros, corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria e uma pitada de caos geopol&iacute;tico. Quando a pol&iacute;tica &eacute; conduzida como reality show e o ego do protagonista ocupa mais espa&ccedil;o que o or&ccedil;amento federal, o roteiro dificilmente termina bem.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira est&aacute; fora esta semana por raz&otilde;es particulares. Dessa forma, a an&aacute;lise t&eacute;cnica voltar&aacute; na pr&oacute;xima semana.<\/p>\n<p>Um excelente final de semana a todos<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car passou por mais uma semana de forte instabilidade, refletindo a conflu&ecirc;ncia de vari&aacute;veis ex&oacute;genas que desafiam qualquer tentativa de previsibilidade. 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