{"id":11593,"date":"2025-05-03T00:00:00","date_gmt":"2025-05-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/entre-versoes-e-fatos\/"},"modified":"2025-05-02T21:29:36","modified_gmt":"2025-05-02T21:29:36","slug":"entre-versoes-e-fatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/entre-versoes-e-fatos\/","title":{"rendered":"ENTRE VERS\u00d5ES E FATOS"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em mais uma semana encurtada por feriado, o mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a sexta-feira com o vencimento julho\/25 cotado a 17.27 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, ap&oacute;s ter quebrado os 17.00 centavos durante a sess&atilde;o, amargando um preju&iacute;zo de 91 pontos na semana, equivalentes a 20 d&oacute;lares por tonelada. Os demais vencimentos que v&atilde;o de outubro\/25 at&eacute; mar&ccedil;o\/28 encerraram a semana em territ&oacute;rio negativo entre 30 e 84 pontos de queda (entre 7 e 18 d&oacute;lares por tonelada). Como manda o figurino, as perdas foram maiores nos contratos mais curtos e suavizadas nos mais longos &mdash; o velho \"quanto mais longe, menos p&acirc;nico\".<\/p>\n<p>Os fatos, muitas vezes, n&atilde;o t&ecirc;m tanta import&acirc;ncia quanto as vers&otilde;es. Em determinados momentos, a narrativa constru&iacute;da em torno das vers&otilde;es pode induzir o mercado a comportamentos err&aacute;ticos, desconectados da l&oacute;gica e alheios aos fundamentos. Veja que interessante: a UNICA divulgou os n&uacute;meros da moagem da primeira quinzena de abril e, &agrave; primeira vista, os dados surpreenderam positivamente. O volume mo&iacute;do foi 3% superior ao do mesmo per&iacute;odo do ano passado, o ATR m&eacute;dio veio consideravelmente acima das expectativas e o mix de produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car tamb&eacute;m superou o percentual registrado no ano anterior. Esperando n&uacute;meros bem piores, o mercado reagiu de forma negativa. Com base exclusivamente nesses dados da UNICA, &eacute; razo&aacute;vel afirmar que o mercado exagerou na rea&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Vale lembrar que, historicamente, a primeira quinzena de abril representa, em m&eacute;dia, apenas 2% do total de cana mo&iacute;da ao longo da safra, considerando os &uacute;ltimos cinco anos. Projetar o comportamento da safra inteira com base nesses 2% iniciais &eacute; como julgar um livro inteiro pela contracapa.<\/p>\n<p>No entanto, em um ambiente de escassez de not&iacute;cias concretas, o mercado muitas vezes se agarra a qualquer narrativa que justifique movimentos de curto prazo &mdash; ainda que fr&aacute;geis do ponto de vista estrutural. E, nesse contexto, os fundos encontraram terreno f&eacute;rtil para ampliar suas posi&ccedil;&otilde;es vendidas, ainda que apenas 1,735 lotes fossem adicionados &agrave; posi&ccedil;&atilde;o atual, elevando-a a 46,495 lotes (2.36 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car equivalente), de acordo com os n&uacute;meros do COT (Commitment Of Trades), relat&oacute;rio dos comitentes, publicado hoje pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira passada. Nada revolucion&aacute;rio, mas suficiente para empurrar o mercado um pouco mais para baixo.<\/p>\n<p>Outro fator que pode ter refor&ccedil;ado a narrativa vigente no mercado &eacute; a entrega f&iacute;sica volumosa de a&ccedil;&uacute;car no vencimento do contrato de maio, ocorrido na quarta-feira, que totalizou cerca 1.5 milh&atilde;o de toneladas. Como ocorre com frequ&ecirc;ncia, esse volume indica que, naquele momento, entregar na bolsa se apresentava como a melhor alternativa &mdash; reflexo direto de uma demanda f&iacute;sica enfraquecida. No entanto, como os livros de posi&ccedil;&otilde;es dos participantes n&atilde;o s&atilde;o p&uacute;blicos, &eacute; imposs&iacute;vel afirmar com precis&atilde;o os reais motivos por tr&aacute;s dessa entrega. Pode ter sido uma estrat&eacute;gia de rolagem, compensa&ccedil;&atilde;o ou simplesmente uma acomoda&ccedil;&atilde;o log&iacute;stica. Por exemplo, um player que j&aacute; havia recebido a&ccedil;&uacute;car anteriormente pode ter voltado a receber agora para encerrar compromissos pendentes.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que, ao conversar com diversas usinas, o sentimento predominante &eacute; de preocupa&ccedil;&atilde;o com a produtividade. H&aacute; relatos consistentes de queda significativa na tonelada de cana por hectare e no rendimento de ATR. Por isso, a leitura mais cautelosa e fundamentada ainda parece ser a mais prudente.<\/p>\n<p>A baixa de 16.97 centavos de d&oacute;lar por libra-peso ocorrida no preg&atilde;o desta sexta-feira j&aacute; &eacute; a m&iacute;nima de quase 4 anos. Naquele 15 de julho de 2021, o d&oacute;lar negociava a R$ 5.1118.<\/p>\n<p>Se por um lado temos os fundos posicionados firmemente na venda a descoberto, a demanda fraca no mercado f&iacute;sico, a incerteza provocada pelo cen&aacute;rio macro (tamb&eacute;m conhecido como Donald Trump) e os n&uacute;meros da UNICA bem melhores do que esperado, fatores que contribuem para um mercado baixista e an&ecirc;mico; do outro lado, os pre&ccedil;os deprimidos do a&ccedil;&uacute;car come&ccedil;am a tornar o etanol uma alternativa mais atraente &mdash; especialmente com o desconto atual de apenas 250 pontos frente a NY. Dependendo da log&iacute;stica, do fluxo de caixa e dos incentivos fiscais locais, algumas usinas podem reconsiderar a velocidade da mudan&ccedil;a no mix pr&oacute;-a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>Como j&aacute; dissemos antes (e provavelmente diremos de novo): ainda &eacute; muito cedo. Mas &eacute; dif&iacute;cil imaginar o mercado sustentando cota&ccedil;&otilde;es abaixo de 17 centavos por muito tempo. A m&eacute;dia dos contratos das safras 26\/27 e 27\/28 encerrou a 17,02 centavos. Esse patamar pode ser uma excelente oportunidade para consumidores industriais fixarem compras &mdash; ou, ao menos, venderem op&ccedil;&otilde;es de venda &ldquo;no dinheiro&rdquo; com pre&ccedil;o de exerc&iacute;cio em 17 centavos, coletando cerca de 114 pontos de pr&ecirc;mio. Se forem exercidos, estar&atilde;o comprados a 15,86 centavos &mdash; um n&iacute;vel que s&oacute; vimos na pandemia da Covid-19. Se isso n&atilde;o &eacute; um bom neg&oacute;cio, &eacute; pelo menos uma boa hist&oacute;ria para contar.<\/p>\n<p>H&aacute; rumores de que algumas usinas est&atilde;o recomprando seus hedges &mdash; o que, sejamos francos, n&atilde;o combina com quem se diz comprometido com uma pol&iacute;tica de risco s&eacute;ria. Uma alternativa mais sensata seria comprar calls fora-do-dinheiro no n&iacute;vel em que foi feita a fixa&ccedil;&atilde;o. Hedgear n&atilde;o &eacute; desfazer: &eacute; proteger.<\/p>\n<p>Falando em fixa&ccedil;&atilde;o, nossa primeira estimativa sobre o volume de a&ccedil;&uacute;car j&aacute; fixado pelas usinas brasileiras para exporta&ccedil;&atilde;o na safra 2026\/2027 (a safra do ano que vem) publicado na semana passada, dava conta que at&eacute; o dia 31 de mar&ccedil;o de 2025, era de 5 milh&otilde;es de toneladas, com pre&ccedil;o m&eacute;dio de R$ 2.429,63 por tonelada, j&aacute; incluindo o pr&ecirc;mio de polariza&ccedil;&atilde;o. Tomando como refer&ecirc;ncia uma estimativa de 36 milh&otilde;es de toneladas de exporta&ccedil;&atilde;o total para aquele per&iacute;odo, o volume representa aproximadamente 13,89% do total previsto.<\/p>\n<p>An&aacute;lise T&eacute;cnica &ndash; por Marcelo: Com a entrega mencionada acima o mercado sentiu o peso da press&atilde;o vendedora. O vencimento, julho\/25, chegou a negociar na m&iacute;nima de 16.97 centavos, exatamente no suporte inferior da banda de Bollinger dos 50 dias. Caso esse suporte seja rompido, o pr&oacute;ximo objetivo t&eacute;cnico passa a ser a m&iacute;nima do ano (para o contrato): 16,43 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, registrada em 17 de janeiro de 2025. As resist&ecirc;ncias mais pr&oacute;ximas est&atilde;o localizadas em 17.64\/18.12 e 18.43 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Por fim, o spread V5\/H6 voltou a se alargar, encerrando a semana em 39 pontos.<\/p>\n<p>--<\/p>\n<p>&Uacute;LTIMA CHANCE!! 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