{"id":11714,"date":"2025-06-13T00:00:00","date_gmt":"2025-06-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/petroleo-dispara-acucar-patina\/"},"modified":"2025-06-13T21:03:59","modified_gmt":"2025-06-13T21:03:59","slug":"petroleo-dispara-acucar-patina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/petroleo-dispara-acucar-patina\/","title":{"rendered":"PETR\u00d3LEO DISPARA, A\u00c7\u00daCAR PATINA"},"content":{"rendered":"<p>O contrato futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY com vencimento em julho de 2025 fechou a semana cotado a 16.08 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma queda de 43 pontos &mdash; o equivalente a 9.50 d&oacute;lares por tonelada. Os contratos de outubro e mar&ccedil;o tamb&eacute;m recuaram: 34 e 29 pontos, respectivamente, ou 7.50 e 6.40 d&oacute;lares por tonelada. J&aacute; os vencimentos entre maio de 2026 e mar&ccedil;o de 2027 &mdash; que representam a safra 2026\/27 do Centro-Sul &mdash; ca&iacute;ram entre 11 e 26 pontos, o que equivale a uma retra&ccedil;&atilde;o entre 5.70 e 2.40 d&oacute;lares por tonelada. Nada desprez&iacute;vel para uma semana em que o petr&oacute;leo, teoricamente, deveria ter puxado os pre&ccedil;os do a&ccedil;&uacute;car para cima.<\/p>\n<p>A sexta-feira come&ccedil;ou com tens&atilde;o geopol&iacute;tica: Israel bombardeou Teer&atilde; e o petr&oacute;leo reagiu como se mandava o figurino &mdash; subiu at&eacute; 14% no overnight. Em tese, esse movimento deveria ter contaminado positivamente o a&ccedil;&uacute;car, via etanol. Afinal, petr&oacute;leo em alta encarece a gasolina e torna o etanol mais competitivo. Mas, como sempre, no Brasil as leis do mercado s&atilde;o frequentemente reescritas por decreto. A l&oacute;gica econ&ocirc;mica costuma parar na porta do Pal&aacute;cio do Planalto, onde o governo insiste em usar a Petrobras como instrumento de pol&iacute;tica populista. A f&oacute;rmula &eacute; conhecida: represar pre&ccedil;os para conter a infla&ccedil;&atilde;o &mdash; como se maquiar o term&ocirc;metro resolvesse a febre.<\/p>\n<p>O fator que mais pesou nesta sexta-feira foi que o mercado carregava mais de 36 mil lotes em aberto de puts (op&ccedil;&otilde;es de venda) com pre&ccedil;os de exerc&iacute;cio entre 16 e 17 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, todas com vencimento na pr&oacute;xima segunda-feira.<\/p>\n<p>Muitos players &mdash; incluindo usinas, tradings e consumidores industriais &mdash; haviam vendido essas op&ccedil;&otilde;es de venda no dinheiro, buscando capturar pr&ecirc;mios generosos, na esperan&ccedil;a de que o mercado n&atilde;o sustentaria n&iacute;veis t&atilde;o baixos. Mas o mercado n&atilde;o perdoa otimismo mal precificado: com a aproxima&ccedil;&atilde;o do vencimento, esses vendedores de puts come&ccedil;aram a despejar contratos futuros para se proteger, pressionando ainda mais os pre&ccedil;os. Resultado? A famosa espiral descendente, em que o hedge vira gatilho da pr&oacute;pria queda.<\/p>\n<p>Para piorar, os tailandeses continuam fixando exporta&ccedil;&otilde;es atrasadas, despejando mais volume no mercado f&iacute;sico. E, como se n&atilde;o bastasse, os fundos especulativos voltaram ao jogo com gosto: segundo a CFTC (Commodity Futures Trading Commission), s&oacute; na semana de 3 a 10 de junho, os fundos adicionaram mais de 11,500 lotes &agrave; sua posi&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida vendida, agora somando 92,356 lotes &mdash; o equivalente a 4.7 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>E, ironicamente, quem poderia jogar uma boia de salva&ccedil;&atilde;o no mercado seria... a UNICA. Mas a entidade resolveu divulgar os dados da segunda quinzena de maio s&oacute; na segunda-feira. Timing perfeito. O mercado precisando de dados frescos, e a informa&ccedil;&atilde;o ficando para depois do fechamento das op&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>E essa segunda promete emo&ccedil;&otilde;es: enquanto finalizo este coment&aacute;rio, circulam relatos de um contra-ataque do Ir&atilde; a Israel, com m&iacute;sseis cruzando o Oriente M&eacute;dio. A expectativa &eacute; de nova disparada no petr&oacute;leo, com impacto nos combust&iacute;veis f&oacute;sseis &mdash; e talvez, quem sabe, no etanol. Desde que, claro, a Petrobras n&atilde;o volte a ser tratada como um balc&atilde;o de subs&iacute;dios disfar&ccedil;ado de estatal.<\/p>\n<p>Mesmo antes do aumento da tens&atilde;o geopol&iacute;tica, algumas mudan&ccedil;as j&aacute; estavam no radar. Usinas do Centro-Oeste (Goi&aacute;s, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) come&ccedil;aram a migrar sua prefer&ecirc;ncia de produ&ccedil;&atilde;o para o etanol, diante da redu&ccedil;&atilde;o das margens no a&ccedil;&uacute;car. Um sinal claro de que o mix pode come&ccedil;ar a mudar.<\/p>\n<p>O cen&aacute;rio para esta semana, portanto, &eacute; de potencial turbul&ecirc;ncia. Uma combina&ccedil;&atilde;o de conflito armado, n&uacute;meros fracos da safra e comportamento agressivo dos fundos pode ser o gatilho de uma reviravolta. Ainda n&atilde;o acreditamos numa recupera&ccedil;&atilde;o imediata. Mas &agrave; medida que os dados da safra forem sendo consolidados &mdash; mostrando queda no TCH e no ATR &mdash; &eacute; poss&iacute;vel que o mercado comece a reprecificar o cen&aacute;rio e os fundos tendo que sair de suas posi&ccedil;&otilde;es vendidas, recomprando-as.<\/p>\n<p>Minha aposta? Entre a segunda quinzena de julho e, no mais tardar, a primeira semana de agosto, poderemos ver uma rea&ccedil;&atilde;o. A pergunta &eacute;: ainda resta muito a&ccedil;&uacute;car tailand&ecirc;s para fixar? E os fundos, manter&atilde;o essa postura agressiva ou v&atilde;o come&ccedil;ar a desmontar posi&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p>Como me disse um trader experiente: &ldquo;n&atilde;o existe safra igual a outra&rdquo;. Verdade. Mas esta tem semelhan&ccedil;as curiosas com 2023 &mdash; quando t&iacute;nhamos fundamentos fracos e pre&ccedil;os fortes. Agora, temos fundamentos fortes e pre&ccedil;os fracos. Ambas movidas pelos fundos. Em 2023, os fundamentos venceram. E agora?<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira destaca que o contrato Julho\/25, que iniciou a semana negociando a 16.75 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, encerrou a 16.08 centavos. As cota&ccedil;&otilde;es ao longo da semana foram: abertura anterior a 16.49, m&aacute;xima a 16.75, m&iacute;nima a 16.07 e fechamento a 16.08 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. No curto prazo, o Julho\/25 precisa urgentemente superar os 16.26 centavos (piso da banda de Bollinger dos &uacute;ltimos 50 dias). Caso contr&aacute;rio, o mercado continuar&aacute; mirando os 15.32 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; m&iacute;nima dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos registrada em 18 de novembro de 2022. As pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias est&atilde;o em 16.69, 17.00 e 17.65 centavos. J&aacute; os suportes se encontram em 15.90, 15.47 e 15.32 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O indicador estoc&aacute;stico voltou a encerrar a semana em territ&oacute;rio sobrevendido, o que pode abrir espa&ccedil;o para um repique nos pre&ccedil;os no curto prazo. O spread entre Outubro\/25 e Mar&ccedil;o\/26 fechou a 55\/56 pontos.<\/p>\n<p>Quer saber tudo sobre &ldquo;Aspectos Econ&ocirc;micos e Jur&iacute;dicos dos Contratos de Parceria, Arrendamento e Fornecimento de Cana&rdquo;? As vagas s&atilde;o limitadas. A Archer Education promove um curso inteiramente on-line sobre o assunto. Para mais informa&ccedil;&otilde;es: <a href=\"https:\/\/lnkd.in\/dCU8fAb3\">https:\/\/lnkd.in\/dCU8fAb3<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana a todos.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O contrato futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY com vencimento em julho de 2025 fechou a semana cotado a 16.08 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma queda de 43 pontos &mdash; o equivalente a 9.50 d&oacute;lares por tonelada. 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