{"id":11774,"date":"2025-07-04T19:11:03","date_gmt":"2025-07-04T19:11:03","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-cachorro-de-pavlov\/"},"modified":"2025-07-04T22:13:05","modified_gmt":"2025-07-04T22:13:05","slug":"o-cachorro-de-pavlov","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/o-cachorro-de-pavlov\/","title":{"rendered":"O CACHORRO DE PAVLOV"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Todo mundo conhece a experi&ecirc;ncia cl&aacute;ssica de Ivan Pavlov (1849-1936). O cientista russo tocava um sino antes de oferecer comida a um cachorro. Depois de algumas repeti&ccedil;&otilde;es, bastava o som do sino para o c&atilde;o come&ccedil;ar a salivar. Um reflexo condicionado. Est&iacute;mulo, resposta. Simples, eficaz, previs&iacute;vel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agora, transfira esse experimento para o mercado do a&ccedil;&uacute;car. Substitua o cachorro por gestores de risco. O sino? S&atilde;o os pre&ccedil;os de mercado. E a comida? Oportunidades de fixa&ccedil;&atilde;o em patamares altamente rent&aacute;veis, como aqueles que vimos num passado recente combinando pre&ccedil;os robustos em NY e real desvalorizado contra a moeda americana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pois bem: o sino tocou. Tocou alto e claro quando o a&ccedil;&uacute;car estava a 22.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Tocou de novo na &eacute;poca dos inc&ecirc;ndios e seca. E mais uma vez em 22 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Em valores nominais (sem corrigir pelo IPCA) vimos o mercado bater 2,900 reais por tonelada, depois 2,800 e depois ainda 2,500 pre&ccedil;os bem remuneradores. Mas, ao contr&aacute;rio do c&atilde;o de Pavlov, os respons&aacute;veis pela gest&atilde;o de risco das usinas n&atilde;o salivaram. N&atilde;o travaram. N&atilde;o reagiram. O reflexo condicionado foi substitu&iacute;do por um comportamento mais... filos&oacute;fico: &ldquo;vamos esperar mais um pouco&rdquo; &mdash; frase que j&aacute; deveria vir com contraindica&ccedil;&atilde;o no r&oacute;tulo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agora, com o mercado rondando os 16 centavos &mdash; e o outubro\/25 fechando a semana em 16.37 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (queda de 32 pontos ou US$ 7.00 por tonelada), o arrependimento &eacute; coletivo. O mar&ccedil;o\/26 encerrou a 17.06 centavos, queda semanal de 30 pontos (ou US$ 6.60 por tonelada). O sino continua tocando &mdash; agora como alarme de inc&ecirc;ndio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&Eacute; dif&iacute;cil acreditar que ainda existam gestores convictos de que repetir o mesmo comportamento resultar&aacute; em algo diferente. J&aacute; passou da hora de retirar a subjetividade das decis&otilde;es de fixa&ccedil;&atilde;o. Nenhum executivo tem bola de cristal &mdash; se tivesse, bastaria comprar na baixa e vender na alta duas vezes por semana. O que falta, de fato, &eacute; pol&iacute;tica de risco. &Eacute; processo. &Eacute; disciplina. Um sistema com gatilhos claros, baseado em m&eacute;tricas objetivas &mdash; seja o EBIT, seja qualquer outro indicador econ&ocirc;mico que reflita a realidade da empresa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A sensa&ccedil;&atilde;o de desgaste quando o mercado age de forma err&aacute;tica &eacute; vis&iacute;vel. Os fundos est&atilde;o regendo a orquestra desafinada com os fundamentos. Mas, quem se importa? A cacofonia machuca os ouvidos mais sens&iacute;veis. Os fundos provavelmente carregam uma posi&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida vendida pr&oacute;xima dos 120 mil contratos. &Eacute; o que tudo indica, embora o feriado de 4 de julho tenha adiado a divulga&ccedil;&atilde;o oficial dos dados pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; que os fundos parecem confort&aacute;veis aumentando suas apostas na queda, mesmo com margens j&aacute; bastante comprimidas. Ou seja, botar o mercado para cima &eacute; ilimitado, mas para baixo esbarra no custo de produ&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses e tem o momento desestimula cuidados culturais e acaba sinalizando que o mercado encontrou um ch&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que, neste momento, os fundos est&atilde;o confort&aacute;veis e lucrando com suas posi&ccedil;&otilde;es vendidas. Mas h&aacute; um ponto que merece aten&ccedil;&atilde;o. Nas &uacute;ltimas quatro semanas, os fundos aumentaram suas posi&ccedil;&otilde;es vendidas em mais de 50 mil lotes &mdash; sa&iacute;ram de um short de 61.500 contratos para 113.000. Durante esse per&iacute;odo, o mercado caiu 145 pontos. Ou seja, para derrubar o mercado 100 pontos, eles precisaram vender cerca de 35.500 lotes. Isso mostra que &eacute; necess&aacute;rio um volume expressivo de vendas para provocar uma queda de 100 pontos nos pre&ccedil;os.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agora, vejamos o cen&aacute;rio inverso. Em 13 de maio, os fundos recompraram 9.845 lotes e, com isso, o mercado subiu 78 pontos. Em outras palavras, para uma alta de 100 pontos, s&atilde;o necess&aacute;rios apenas 12.600 lotes comprados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isso nos leva a uma conclus&atilde;o importante: derrubar o mercado exige uma quantidade maior de lotes talvez porque o n&iacute;vel de pre&ccedil;os pr&oacute;ximo ao custo de produ&ccedil;&atilde;o do mais competitivo dos produtores (Brasil) acende um alerta para a disponibilidade do produto para as safras futuras. Precisa ter coragem ficar vendido a&ccedil;&uacute;car abaixo do custo de produ&ccedil;&atilde;o do Centro-Sul. J&aacute; a recompra de posi&ccedil;&otilde;es (short covering) tem um impacto mais direto e potente sobre os pre&ccedil;os do que a venda.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, se os fundos decidirem zerar os 113.000 contratos que est&atilde;o vendidos, &eacute; razo&aacute;vel estimar que o mercado possa subir pelo menos 400 pontos &mdash; considerando a m&eacute;dia de impacto observada. Isso revela a vulnerabilidade da posi&ccedil;&atilde;o vendida atual e o potencial de movimento caso haja uma confirma&ccedil;&atilde;o dos fundamentos, ou seja, menor moagem e menor disponibilidade de a&ccedil;&uacute;car do centro sul. Fizemos a mesma analogia no final de 2023 e todos lembram o que aconteceu com o mercado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enquanto isso, os custos de produ&ccedil;&atilde;o sobem. Estimamos que o a&ccedil;&uacute;car FOB Santos gira hoje em torno de 15.25 centavos por libra-peso, podendo chegar a 16 centavos para algumas usinas. Nenhum pa&iacute;s concorrente chega perto desse n&iacute;vel de custo, o que refor&ccedil;a o Brasil como produtor mais competitivo. Mas custo baixo n&atilde;o garante suporte eterno. Se o pre&ccedil;o de tela n&atilde;o remunera, o corte de cuidados no campo vem &mdash; e a conta chega na safra seguinte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E aqui voltamos &agrave; analogia do Pavlov. Os pre&ccedil;os estavam gritando. Os fundamentos apontavam para prote&ccedil;&atilde;o. O mercado ofereceu, diversas vezes, oportunidades claras de fixa&ccedil;&atilde;o. Mas a resposta dos gestores de risco foi a de sempre: hesita&ccedil;&atilde;o, expectativa, procrastina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Talvez o problema n&atilde;o seja o sino, nem o mercado. Talvez falte condicionamento. Ou mem&oacute;ria. Ou uma coleira que d&ecirc; choque toda vez que algu&eacute;m disser &ldquo;vamos esperar s&oacute; mais um pouco&rdquo;. O cachorro de Pavlov aprendeu em tr&ecirc;s tentativas, quantas ser&atilde;o necess&aacute;rias para os gestores do a&ccedil;&uacute;car?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Marque na sua agenda: vem a&iacute; o <strong>Curso Avan&ccedil;ado de Op&ccedil;&otilde;es sobre Futuros em Commodities Agr&iacute;colas<\/strong> &ndash; dias <strong>23 e 24 de setembro<\/strong>, presencial em S&atilde;o Paulo, atendido por mais de 3,500 profissionais. Dois dias intensos de conte&uacute;do t&eacute;cnico e estrat&eacute;gico para quem leva hedge a s&eacute;rio. Garanta j&aacute; sua vaga &ndash; mais informa&ccedil;&otilde;es com <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Bom final de semana a todos.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo mundo conhece a experi&ecirc;ncia cl&aacute;ssica de Ivan Pavlov (1849-1936). 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