{"id":11814,"date":"2025-07-18T17:09:12","date_gmt":"2025-07-18T17:09:12","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/expansao-de-area-o-milagre-que-nao-veio\/"},"modified":"2025-07-18T20:10:11","modified_gmt":"2025-07-18T20:10:11","slug":"expansao-de-area-o-milagre-que-nao-veio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/expansao-de-area-o-milagre-que-nao-veio\/","title":{"rendered":"EXPANS\u00c3O DE \u00c1REA: O MILAGRE QUE N\u00c3O VEIO"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a semana em alta. O contrato com vencimento em outubro\/25 fechou a sexta-feira cotado a 16.79 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, ap&oacute;s ter sido negociado ligeiramente acima da marca dos 17 centavos ao longo do preg&atilde;o. A varia&ccedil;&atilde;o representa uma valoriza&ccedil;&atilde;o semanal de 22 pontos, o equivalente a aproximadamente 5 d&oacute;lares por tonelada. Os demais contratos tamb&eacute;m registraram ganhos, embora mais modestos, com varia&ccedil;&otilde;es positivas entre 1 e 15 pontos, refletindo uma curva ainda levemente inclinada, com os vencimentos mais pr&oacute;ximos mostrando maior for&ccedil;a relativa em compara&ccedil;&atilde;o aos vencimentos mais longos.<\/p>\n<p>No c&acirc;mbio, o real teve uma leve deprecia&ccedil;&atilde;o de 0,41% na semana, encerrando a sexta-feira cotado a R$ 5.5852 por d&oacute;lar. Essa movimenta&ccedil;&atilde;o cambial, somada &agrave; alta em Nova York, resultou em ganhos nos pre&ccedil;os em reais por tonelada para as principais safras negociadas: a safra 2025\/26 do Centro-Sul apresentou valoriza&ccedil;&atilde;o de R$ 38\/ton, a 2026\/27 de R$ 22\/ton e a 2027\/28 de R$ 16\/ton. A continuidade desse movimento depender&aacute; da sustenta&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar em n&iacute;veis elevados e do comportamento da curva de NY, que ainda &eacute; influenciada por movimentos de fixa&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os por parte das usinas.<\/p>\n<p>A semana foi marcada por muita discuss&atilde;o em torno dos n&uacute;meros divulgados pela UNICA na segunda-feira. Continuamos acreditando que nossa estimativa de moagem de 581 milh&otilde;es de toneladas no Centro-Sul est&aacute; se consolidando. Como j&aacute; destacamos no coment&aacute;rio anterior, esse n&uacute;mero deve marcar o ponto de inflex&atilde;o na trajet&oacute;ria dos pre&ccedil;os, provavelmente a partir de mais duas quinzenas de produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Quem acompanha o mercado de commodities h&aacute; algum tempo sabe que &eacute; sempre bom desconfiar das chamadas verdades absolutas. O exerc&iacute;cio de buscar contrapontos que nos provem errados &eacute; n&atilde;o apenas saud&aacute;vel, mas necess&aacute;rio &mdash; principalmente quando se quer permanecer no jogo. O mercado n&atilde;o perdoa arrog&acirc;ncia anal&iacute;tica; o cemit&eacute;rio est&aacute; lotado de especialistas que nunca erravam.<\/p>\n<p>Do nosso lado, seguimos c&eacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; possibilidade matem&aacute;tica de o Centro-Sul processar 605 milh&otilde;es de toneladas de cana e produzir 41,5 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car, como aponta a m&eacute;dia de cerca de 20 analistas. Os fundos, por sua vez, continuam alheios &agrave; diferen&ccedil;a entre um p&eacute; de cana e um p&eacute; de jaca &mdash; e talvez nem saibam que jaca tem espinho. Ainda assim, reduziram sua posi&ccedil;&atilde;o vendida em 10.346 lotes na semana, totalizando agora 121.902 contratos. O curioso &eacute; que essa redu&ccedil;&atilde;o de 8% na posi&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida vendida n&atilde;o teve praticamente nenhum impacto nos pre&ccedil;os, contrariando a nossa expectativa. Mercado &eacute; isso: quando voc&ecirc; acha que entendeu, ele muda de ideia.<\/p>\n<p>Mas voltemos &agrave; cana: o que pode dar errado na nossa estimativa? Dois anos atr&aacute;s, o mercado tamb&eacute;m desfilava confiante &mdash; e acabou trope&ccedil;ando nas pr&oacute;prias proje&ccedil;&otilde;es. Por isso, conv&eacute;m manter os dois p&eacute;s no ch&atilde;o e olhar com aten&ccedil;&atilde;o os pontos de fragilidade. O maior risco hoje est&aacute; concentrado na &aacute;rea colhida. A produtividade, de fato, vem se recuperando de forma consistente, mas, se a &aacute;rea plantada estiver superdimensionada, os volumes projetados podem virar p&oacute; &mdash; ou melhor, virar fuma&ccedil;a.<\/p>\n<p>Para ilustrar: uma diferen&ccedil;a de apenas 100 mil hectares na estimativa equivale a uma varia&ccedil;&atilde;o de cerca de 7 milh&otilde;es de toneladas de cana no volume total. Em 2023, a &aacute;rea efetivamente colhida foi de 7,977 milh&otilde;es de hectares &mdash; ou seja, praticamente 8 milh&otilde;es. &Eacute; comum vermos um crescimento marginal da &aacute;rea ano a ano, algo na casa de 0,5%. Mas, nos &uacute;ltimos dias, surgiram rumores de que essa &aacute;rea teria crescido 2%. Um salto ambicioso &mdash; para n&atilde;o dizer otimista demais.<\/p>\n<p>E por que essa hip&oacute;tese n&atilde;o se sustenta? Para que essa nova &aacute;rea estivesse dispon&iacute;vel agora, ela precisaria ter sido incorporada ao sistema h&aacute; dois anos e plantada no ano passado. O problema &eacute; que o ano passado foi marcado por uma seca severa, que restringiu drasticamente as janelas de plantio. Para piorar, os inc&ecirc;ndios em diversas regi&otilde;es comprometeram ainda mais o potencial de expans&atilde;o. Ou seja, estamos falando de um crescimento de &aacute;rea que teria sido parido por um deserto em chamas &mdash; uma narrativa que desafia at&eacute; o mais criativo dos roteiristas agr&iacute;colas.<\/p>\n<p>Outro ponto cr&iacute;tico pouco discutido: no ano passado, cerca de 1,8 milh&atilde;o de hectares colhidos apresentaram produtividade inferior a 65 toneladas por hectare &mdash; muito abaixo da m&eacute;dia hist&oacute;rica. Essas &aacute;reas exigem renova&ccedil;&atilde;o urgente. Para isso, o &iacute;ndice de renova&ccedil;&atilde;o precisaria subir dos atuais 14% para cerca de 16%, o que naturalmente reduz ainda mais a &aacute;rea dispon&iacute;vel para colheita neste ano.<\/p>\n<p>Em outras palavras, tudo leva a crer que a &aacute;rea efetivamente dispon&iacute;vel em 2025 ser&aacute; menor que a do ano passado. Estimamos que essa redu&ccedil;&atilde;o pode chegar a at&eacute; 1,5 milh&atilde;o de hectares, impactando diretamente a produ&ccedil;&atilde;o final. A CONAB refor&ccedil;a essa leitura: sua estimativa, baseada em informa&ccedil;&otilde;es das pr&oacute;prias usinas, aponta para uma &aacute;rea de 7,820 milh&otilde;es de hectares &mdash; abaixo dos 7,977 milh&otilde;es colhidos em 2023.<\/p>\n<p>Ou seja, todos os sinais dispon&iacute;veis &mdash; dados oficiais, percep&ccedil;&atilde;o de campo e bom senso estat&iacute;stico &mdash; caminham para n&uacute;meros mais compat&iacute;veis com nossas proje&ccedil;&otilde;es. A produtividade pode at&eacute; surpreender positivamente, mas com uma &aacute;rea menor, o volume total n&atilde;o acompanha. Fica aqui o alerta: o maior risco agora &eacute; tratar como certeza um aumento de &aacute;rea que, na pr&aacute;tica, s&oacute; existe na planilha de alguns analistas mais entusiasmados.<\/p>\n<p>Segundo nosso analista Marcelo Moreira, o contrato com vencimento em outubro\/25 encerrou a semana cotado a 16.82 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Nos &uacute;ltimos 15 dias, ap&oacute;s atingir a m&iacute;nima dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos em 15.44 centavos, o mercado acumulou uma impressionante alta de quase 9%. Na sexta-feira, o outubro\/25 chegou a negociar acima da importante m&eacute;dia m&oacute;vel de 50 dias (16.93), alcan&ccedil;ando a m&aacute;xima de 17.02 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. No curto prazo, o contrato precisa superar novamente a m&eacute;dia m&oacute;vel dos 50 dias para buscar os pr&oacute;ximos alvos t&eacute;cnicos em 17.70, 17.86 e, eventualmente, 18.20 centavos. Os suportes mais relevantes se encontram em 16.50, 16.00 e 15.69 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Outro ponto de aten&ccedil;&atilde;o &eacute; o estoc&aacute;stico de 14 dias, que voltou a apontar condi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;sobrecompra&rdquo;. Como o movimento recente foi praticamente em linha reta, n&atilde;o se descarta uma realiza&ccedil;&atilde;o de lucros nos pr&oacute;ximos preg&otilde;es. Por fim, o spread outubro\/25 x mar&ccedil;o\/26, que chegou a negociar na faixa de 79\/80 pontos, voltou a se estreitar, encerrando a semana em 60 pontos.<\/p>\n<p>Marque na sua agenda: vem a&iacute; o <strong>Curso Avan&ccedil;ado de Op&ccedil;&otilde;es sobre Futuros em Commodities Agr&iacute;colas<\/strong> &ndash; dias <strong>23 e 24 de setembro<\/strong>, presencial em S&atilde;o Paulo, atendido por mais de 3,500 profissionais. Dois dias intensos de conte&uacute;do t&eacute;cnico e estrat&eacute;gico para quem leva hedge a s&eacute;rio. Garanta j&aacute; sua vaga &ndash; mais informa&ccedil;&otilde;es com <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana a todos.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a semana em alta. 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