{"id":11834,"date":"2025-07-25T17:05:02","date_gmt":"2025-07-25T17:05:02","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/entre-o-possivel-e-o-provavel\/"},"modified":"2025-07-25T20:06:11","modified_gmt":"2025-07-25T20:06:11","slug":"entre-o-possivel-e-o-provavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/entre-o-possivel-e-o-provavel\/","title":{"rendered":"ENTRE O POSS\u00cdVEL E O PROV\u00c1VEL"},"content":{"rendered":"<p>Desde o ano 2000, observa-se uma queda significativa no volume de contratos futuros de a&ccedil;&uacute;car negociados na bolsa de Nova York durante o m&ecirc;s de julho. Trata-se de um reflexo t&iacute;pico do per&iacute;odo de f&eacute;rias de ver&atilde;o no hemisf&eacute;rio norte, que reduz a atividade dos agentes de mercado. Em 2023, por exemplo, o volume negociado em julho foi 61% inferior ao de junho. Na m&eacute;dia dos &uacute;ltimos 25 anos, a retra&ccedil;&atilde;o no m&ecirc;s chega a 42%.<\/p>\n<p>Essa contra&ccedil;&atilde;o de liquidez amplifica os efeitos de qualquer movimento mais expressivo no mercado e favorece &ndash; e muito &ndash; a atua&ccedil;&atilde;o dos fundos especulativos. Em um ambiente mais raso, as ordens de venda pressionam com mais intensidade os pre&ccedil;os, provocando rea&ccedil;&otilde;es desproporcionais.<\/p>\n<p>Nesta semana, o desempenho dos pre&ccedil;os em Nova York foi claramente negativo. O contrato com vencimento em outubro\/25 encerrou a sexta-feira cotado a 16,29 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma queda semanal de 50 pontos, o equivalente a 11 d&oacute;lares por tonelada. Os demais vencimentos, de mar&ccedil;o\/26 a mar&ccedil;o\/28, registraram perdas entre 8 e 48 pontos (2 a 11 d&oacute;lares por tonelada). Os vencimentos mais curtos recuaram mais do que os contratos de prazos mais longos, refletindo maior sensibilidade no curto prazo.<\/p>\n<p>O mais curioso &eacute; que essa queda nos pre&ccedil;os ocorreu mesmo na aus&ecirc;ncia de mudan&ccedil;as relevantes no mercado de energia e apesar da valoriza&ccedil;&atilde;o do real frente ao d&oacute;lar &mdash; dois fatores que, em tese, poderiam ter oferecido algum suporte &agrave;s cota&ccedil;&otilde;es do a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>A explica&ccedil;&atilde;o mais plaus&iacute;vel recai sobre a atua&ccedil;&atilde;o dos fundos especulativos, que seguem pressionando o mercado com ordens agressivas de venda. De acordo com o relat&oacute;rio <em>Commitment of Traders<\/em> (COT), divulgado nesta sexta-feira pela CFTC (<em>Commodity Futures Trading Commission<\/em>), os fundos aumentaram sua posi&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida vendida em 6.223 lotes no per&iacute;odo entre 15 e 22 de julho. Com isso, a posi&ccedil;&atilde;o vendida totalizou 128.125 lotes.<\/p>\n<p>Considerando que o mercado continuou caindo ap&oacute;s a &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira &mdash; data de corte do relat&oacute;rio &mdash;, n&atilde;o seria surpresa se essa posi&ccedil;&atilde;o j&aacute; tiver ultrapassado os 135 mil lotes, o que representaria o maior n&iacute;vel desde o in&iacute;cio do ano. Esse movimento refor&ccedil;a o papel dos fundos na atual din&acirc;mica de press&atilde;o sobre os pre&ccedil;os, especialmente em um ambiente de liquidez reduzida, indefini&ccedil;&otilde;es no cen&aacute;rio macro e leituras contradit&oacute;rias do mix de a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>&Eacute; nesse cen&aacute;rio que ressurge uma discuss&atilde;o cl&aacute;ssica e sempre &uacute;til ao bom senso: o que &eacute; <em>poss&iacute;vel<\/em> nem sempre &eacute; <em>prov&aacute;vel<\/em>. A pr&oacute;xima divulga&ccedil;&atilde;o da UNICA poder&aacute; ser decisiva para ajustar o tom do mercado. Afinal, embora ainda seja <em>poss&iacute;vel<\/em> imaginar uma safra de 40 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car, seria <em>improv&aacute;vel<\/em> &mdash; para n&atilde;o dizer ilus&oacute;rio &mdash; ignorar a quase impossibilidade matem&aacute;tica de se alcan&ccedil;ar esse n&uacute;mero com a atual &aacute;rea efetivamente dispon&iacute;vel para corte.<\/p>\n<p>O mesmo racioc&iacute;nio vale para os que seguem sustentando, estoicamente, proje&ccedil;&otilde;es de 600 milh&otilde;es de toneladas de cana. &Eacute; poss&iacute;vel, claro. Assim como &eacute; poss&iacute;vel que chova em agosto no sert&atilde;o nordestino por dez dias seguidos. Mas, diante dos dados concretos de campo, torna-se cada vez menos prov&aacute;vel que esse otimismo resista a um simples exerc&iacute;cio de aritm&eacute;tica. Especialmente ap&oacute;s a leitura do relat&oacute;rio t&eacute;cnico de um profissional que realmente pisa na lavoura &mdash; logo abaixo.<\/p>\n<p>Em postagem nesta sexta-feira no LinkedIn, o especialista Jos&eacute; Crist&oacute;v&atilde;o Momesso alertou para um problema cr&iacute;tico que afeta a safra de cana-de-a&ccedil;&uacute;car de 2025: o aumento expressivo de impurezas vegetais na mat&eacute;ria-prima &mdash; incluindo palhas, ponteiros, canas doentes e colmos ocos &mdash; que v&ecirc;m comprometendo a efici&ecirc;ncia industrial e provocando preju&iacute;zos consider&aacute;veis. Segundo Crist&oacute;v&atilde;o, o impacto econ&ocirc;mico pode alcan&ccedil;ar at&eacute; R$ 2.000 por hectare em cana ou R$ 3.000 por hectare em a&ccedil;&uacute;car. Em uma simula&ccedil;&atilde;o com queda de 15% no TCH, as perdas diretas na regi&atilde;o Centro-Sul podem chegar a R$ 13,5 bilh&otilde;es (ou US$ 2,45 bilh&otilde;es), valor que ele classifica como conservador. Quando se somam a redu&ccedil;&atilde;o do ATR, o aumento dos custos industriais e as penaliza&ccedil;&otilde;es contratuais, o preju&iacute;zo total pode ultrapassar R$ 15 bilh&otilde;es (US$ 2,7 bilh&otilde;es).<\/p>\n<p>Entre os principais fatores identificados est&atilde;o: (a) solo compactado e falta de renova&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas; (b) manejo inadequado das soqueiras; (c) sintomas de &ldquo;murcha fisiol&oacute;gica&rdquo;, como colmos ocos, folhas secas e baixo perfilhamento; (d) presen&ccedil;a de pragas como <em>Sphenophorus<\/em> e falhas no controle da broca e de nematoides; (e) doen&ccedil;as como estria vermelha, cigarrinha-das-ra&iacute;zes e outras infec&ccedil;&otilde;es f&uacute;ngicas. Diante desse cen&aacute;rio, Crist&oacute;v&atilde;o recomenda uma revis&atilde;o urgente dos protocolos e pr&aacute;ticas agron&ocirc;micas, como &uacute;nica forma de evitar perdas ainda maiores. Podemos ter surpresas? Prov&aacute;vel ou poss&iacute;vel?<\/p>\n<p>Nosso analista Marcelo Moreira entende que o vencimento outubro\/25, ap&oacute;s negociar na m&aacute;xima da semana a 17.02 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e ultrapassar momentaneamente a m&eacute;dia m&oacute;vel dos 50 dias (que encerrou a 16.78 centavos de d&oacute;lar por libra-peso), finalizou a semana cotado a 16.29 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. As pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias est&atilde;o localizadas em 16.49, 16.78, 17.58 e 17.80 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. J&aacute; os suportes se encontram em 16.03 e 15.58 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Faltando praticamente dois meses antes do nosso pr&oacute;ximo curso, <strong>50% da capacidade est&aacute; tomada<\/strong>. N&atilde;o perca essa oportunidade. Depois, s&oacute; em 2026. 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