{"id":12024,"date":"2025-09-19T16:57:27","date_gmt":"2025-09-19T16:57:27","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/modo-panico-ligado\/"},"modified":"2025-09-19T19:59:04","modified_gmt":"2025-09-19T19:59:04","slug":"modo-panico-ligado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/modo-panico-ligado\/","title":{"rendered":"MODO P\u00c2NICO LIGADO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a sexta-feira com o contrato de outubro\/25 cotado a 15.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, uma queda de 29 pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sexta-feira anterior &mdash; o equivalente a 6,40 d&oacute;lares por tonelada. Os demais vencimentos, at&eacute; maio\/2028, tamb&eacute;m n&atilde;o escaparam: retra&ccedil;&otilde;es entre 28 e 36 pontos, ou seja, 6 a 8 d&oacute;lares por tonelada a menos no bolso.<\/p>\n<p>Em resumo: o mercado entrou em modo p&acirc;nico. &Eacute; aquele momento em que os fundamentos tiram f&eacute;rias, a l&oacute;gica some do mapa e a histeria coletiva assume o comando. Pre&ccedil;os passam a refletir mais medo do que realidade, decis&otilde;es s&atilde;o tomadas como quem apaga inc&ecirc;ndio com copo d&rsquo;&aacute;gua, e gestores confundem improviso com estrat&eacute;gia &mdash; depois, se der certo, chamam de compet&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A pergunta que todos fazem &eacute; &ldquo;o que deu errado para que os pre&ccedil;os em NY n&atilde;o se elevassem?&rdquo;. Acredito que pelas in&uacute;meras conversas que tivemos com participantes do mercado alguns pontos foram subavaliados. A recupera&ccedil;&atilde;o da ATR, segundo um experiente agr&ocirc;nomo, ocorreu porque as primeiras canas no in&iacute;cio da moagem eram de &aacute;reas que foram parcialmente atingidas pela seca e inc&ecirc;ndios do ano passado, mas depois da &uacute;ltima quinzena de julho as canas de replantio e as chuvas normais ajudaram a recuperar a ATR.<\/p>\n<p>Muitas usinas, na esperan&ccedil;a de capturar pre&ccedil;os melhores, embarcaram seus a&ccedil;&uacute;cares a partir de maio, mas deixaram as fixa&ccedil;&otilde;es para depois. O problema &eacute; que a &ldquo;recupera&ccedil;&atilde;o&rdquo; esperada nunca chegou. Cansadas de esperar por um milagre, o mercado entrou naquele momento cl&aacute;ssico do &ldquo;me tira daqui&rdquo;, e essa debandada acabou servindo de presente para os fundos, que aproveitaram para ampliar ainda mais suas posi&ccedil;&otilde;es vendidas.<\/p>\n<p>De maio at&eacute; agora, os fundos engordaram suas vendas a descoberto em mais de 120 mil contratos!!! &Eacute; quase como se dissessem: &ldquo;j&aacute; que voc&ecirc;s desistiram de acreditar na alta, n&oacute;s acreditamos&hellip; mas na queda.&rdquo;<\/p>\n<p>Hoje, o CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities publicou a posi&ccedil;&atilde;o dos especuladores com base no fechamento do dia 16 de setembro e eles est&atilde;o 151,051 short, recomprando 31,557 lotes no per&iacute;odo de 9 a 16 de setembro. A pequena altera&ccedil;&atilde;o nos pre&ccedil;os corrobora com o que dissemos acima, ou seja, ao recomprarem a posi&ccedil;&atilde;o, as usinas atrasadas deram liquidez.<\/p>\n<p>Outro fator que colaborou com a queda recente foi o desempenho da moagem nas &uacute;ltimas quatro quinzenas. Comparando os acumulados, at&eacute; agora o Centro-Sul moeu 403,9 milh&otilde;es de toneladas de cana contra 424,2 milh&otilde;es no mesmo per&iacute;odo da safra anterior. Parece queda, mas o diabo mora nos detalhes: quando olhamos s&oacute; para as quatro &uacute;ltimas quinzenas, no ano passado elas representavam 43,4% do acumulado at&eacute; ent&atilde;o; j&aacute; nesta safra, elas respondem por 49%. Em outras palavras, a moagem ganhou ritmo, sem trope&ccedil;os clim&aacute;ticos &mdash; e o mercado, sempre nervoso, resolveu ler isso como mais oferta vindo pela frente.<\/p>\n<p>O mix at&eacute; o momento est&aacute; em 52,76% de a&ccedil;&uacute;car, mas a tend&ecirc;ncia &eacute; de uma leve queda. H&aacute; quem comente que muitas usinas devem encerrar a moagem no final de outubro e que a previs&atilde;o de moagem em mar&ccedil;o, de 14 milh&otilde;es de toneladas de cana, ser&aacute; majoritariamente alcooleira. Traduzindo: o a&ccedil;&uacute;car vai perder espa&ccedil;o para o etanol &mdash; mas, at&eacute; l&aacute;, o mercado j&aacute; ter&aacute; passado por mais alguns cap&iacute;tulos de ansiedade coletiva.<\/p>\n<p>Assumindo uma moagem total de 595 milh&otilde;es de toneladas de cana, com ATR m&eacute;dia de 135,32 e mix de 52%, chegamos a uma produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car encostando nos 40 milh&otilde;es de toneladas (39,9 para ser mais preciso). Se o mix cair para 51,5%, o n&uacute;mero recua para 39,5 milh&otilde;es. Agora, se aquelas 14 milh&otilde;es de toneladas projetadas para mar&ccedil;o\/26 realmente vierem, mais alcooleiras, a produ&ccedil;&atilde;o cai ainda mais: para 39,3 milh&otilde;es de toneladas. E, caso a moagem total n&atilde;o passe de 590 milh&otilde;es de toneladas, mantendo tudo o mais constante, a produ&ccedil;&atilde;o ficaria pouco acima dos 39 milh&otilde;es de toneladas.<\/p>\n<p>Ou seja: o cen&aacute;rio &eacute; apertado, mas n&atilde;o &eacute; apocal&iacute;ptico. O problema &eacute; que, no mercado, quando os n&uacute;meros n&atilde;o atendem &agrave;s expectativas, o drama toma conta e os pre&ccedil;os passam a reagir mais como novela mexicana do que como planilha de Excel.<\/p>\n<p>Imagine um piloto tentando decolar um avi&atilde;o sem nunca ter passado por treinamento, sem simula&ccedil;&otilde;es, sem horas de voo. Voc&ecirc; entraria nessa aeronave? Certamente n&atilde;o. Ent&atilde;o por que permitir que a sua empresa encare a turbul&ecirc;ncia dos mercados sem uma pol&iacute;tica estruturada de gest&atilde;o de risco, sem treinamento adequado e sem ferramentas para mitigar perdas?<\/p>\n<p>Vamos a um exemplo. Volte o rel&oacute;gio para 1&ordm; de outubro de 2024. Naquele dia, olhando para a safra 26\/27, a m&eacute;dia simples dos fechamentos (maio, julho e outubro de 2026 e mar&ccedil;o de 2027) era de 18,23 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; 236 pontos acima do n&iacute;vel desta sexta. O d&oacute;lar, por sua vez, negociava a R$ 5,4368, ou seja, R$ 0,1100 melhor do que hoje. Se, naquele momento, a usina tivesse fixado seus a&ccedil;&uacute;cares para a safra 2026\/27, assumindo que o cupom cambial pagasse pelo menos 8%, a m&eacute;dia final seria de R$ 2.642 por tonelada. Se fizer a mesma opera&ccedil;&atilde;o hoje, conseguiria R$ 2.102 por tonelada. Em bom portugu&ecirc;s: R$ 540 por tonelada foram jogados pela janela por falta de uma pol&iacute;tica de risco.<\/p>\n<p>&ldquo;Ah, mas o mercado podia subir&rdquo;, dir&atilde;o alguns. Claro, mas como ningu&eacute;m tem bola de cristal, &eacute; prefer&iacute;vel travar uma margem de R$ 800 por tonelada na &eacute;poca, do que &ldquo;apostar&rdquo; na alta sem nenhum suporte fundamentalista. Ainda assim, dando o benef&iacute;cio da d&uacute;vida, a usina poderia ter comprado uma call (op&ccedil;&atilde;o de compra) 200-300 pontos acima do n&iacute;vel do mercado &mdash; naquele momento, uma op&ccedil;&atilde;o com strike de 21 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Assim, teria garantido participa&ccedil;&atilde;o na eventual alta caso o mercado continuasse subindo.<\/p>\n<p>&ldquo;Ah, mas isso custa dinheiro&rdquo;, dir&atilde;o outros. Evidente que custa. Voc&ecirc; est&aacute; pagando um seguro. Gest&atilde;o de risco n&atilde;o &eacute; luxo, &eacute; sobreviv&ecirc;ncia. Assim como a avia&ccedil;&atilde;o se apoia em treinamento rigoroso, protocolos e disciplina para evitar trag&eacute;dias, o mercado de commodities exige preparo para enfrentar choques e volatilidade. Ignorar isso &eacute; colocar sua empresa no ar com um piloto amador: cedo ou tarde, o avi&atilde;o vai cair &mdash; e, ao contr&aacute;rio da avia&ccedil;&atilde;o, aqui n&atilde;o existe caixa-preta para explicar o desastre depois. S&oacute; h&aacute; uma conclus&atilde;o poss&iacute;vel: voc&ecirc; morreu.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira: Finalmente o gap em aberto desde 17 de novembro de 2.022 a 15.28 centavos de d&oacute;lar por libra-peso fechou! O vencimento out-25 negociou na m&iacute;nima da semana a 15.16 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e fechou a 15.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso! Apesar de ter encerrado ainda abaixo do piso da Banda de Bollinger dos 50 dias (15.51 centavos de d&oacute;lar por libra-peso) as pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias est&atilde;o bem pr&oacute;ximas e qualquer movimento dos fundos poder&aacute; ser explosivo! Pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias a 15.51\/15.75\/16.24\/16.63\/17.00 e finalmente 17.44 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Com o vencimento outubro-25 se aproximando e a entrada da entressafra brasileira aten&ccedil;&atilde;o! O pr&oacute;ximo vencimento mar&ccedil;o-26 encerrou a 16.18 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias a 16.43\/16.89\/17.88 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (m&eacute;dia m&oacute;vel dos 200 dias)! Se romper a m&eacute;dia-m&oacute;vel dos 200 dias pr&oacute;ximo objetivo novamente nos 20 centavos de d&oacute;lar por libra peso.<\/p>\n<p>Semana que vem come&ccedil;a nosso Curso Avan&ccedil;ado. 25 profissionais v&atilde;o focar num assunto que &eacute; sempre atual: como mitigar riscos e a import&acirc;ncia da gest&atilde;o de risco.<\/p>\n<p>Bom final de semana a todos.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a sexta-feira com o contrato de outubro\/25 cotado a 15.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, uma queda de 29 pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sexta-feira anterior &mdash; o equivalente a 6,40 d&oacute;lares por tonelada. 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