{"id":12194,"date":"2025-11-22T00:00:00","date_gmt":"2025-11-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-pior-ja-passou\/"},"modified":"2025-11-21T22:13:25","modified_gmt":"2025-11-21T22:13:25","slug":"o-pior-ja-passou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/o-pior-ja-passou\/","title":{"rendered":"O PIOR J\u00c1 PASSOU"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de entrar no panorama do mercado, uma nota necess&aacute;ria: pela primeira vez em duas d&eacute;cadas &mdash; tirando, claro, o per&iacute;odo de f&eacute;rias &mdash; deixamos de publicar o coment&aacute;rio semanal. Os leitores mais atentos notaram a aus&ecirc;ncia, e fa&ccedil;o aqui o registro apropriado: estive submetido a uma cirurgia no ombro direito, o que, sob efeito anest&eacute;sico, inviabilizou escrever na semana passada. A recupera&ccedil;&atilde;o segue bem, e tudo deve voltar &agrave; normalidade nas pr&oacute;ximas semanas.<\/p>\n<p>Agora, ao mercado.<\/p>\n<p>O a&ccedil;&uacute;car entrou em novembro com um humor digno de filme noir: tudo escuro, todo mundo pessimista e ningu&eacute;m querendo ser o primeiro a acender a luz. O sentimento baixista voltou a n&iacute;veis raros &mdash; NY retornou ao suporte cl&aacute;ssico de 14 centavos de d&oacute;lar por libra peso, uma regi&atilde;o visitada apenas durante a pandemia. Em reais, a queda de R$ 1.180 por tonelada em doze meses mostra um mercado que n&atilde;o apenas trope&ccedil;ou: despencou.<\/p>\n<p>Mas, em duas semanas, houve uma rea&ccedil;&atilde;o importante. O mar&ccedil;o\/26 fechou esta sexta-feira a 14.66 centavos de d&oacute;lar por libra peso uma alta de 53 pontos em rela&ccedil;&atilde;o a duas semanas atr&aacute;s. E fa&ccedil;o aqui a compara&ccedil;&atilde;o com esse intervalo porque, como j&aacute; explicado, na semana passada este escriba estava impossibilitado de escrever.<\/p>\n<p>Uma observa&ccedil;&atilde;o interessante dessas duas semanas &eacute; que a valoriza&ccedil;&atilde;o dos contratos longos &mdash; maio\/27 at&eacute; mar&ccedil;o\/28 &mdash; foi maior do que a valoriza&ccedil;&atilde;o dos vencimentos curtos &mdash; maio\/26 at&eacute; mar&ccedil;o\/27. Em outras palavras, existe mais gente olhando com carinho os pre&ccedil;os baixos da safra 27\/28 do que da 26\/27, e isso tem motivo. Quando comparamos os pre&ccedil;os m&eacute;dios: 26\/27 (maio\/26 a mar&ccedil;o\/27): m&eacute;dia de 14,50 centavos de d&oacute;lar por libra peso e 27\/28 (maio\/27 a mar&ccedil;o\/28): m&eacute;dia de 15,32 centavos de d&oacute;lar por libra peso.<\/p>\n<p>O mercado est&aacute; pagando um pr&ecirc;mio de 82 pontos, algo pr&oacute;ximo a US$ 18 por tonelada, para a curva 27\/28 em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; 26\/27. Esse pr&ecirc;mio n&atilde;o surge por acaso. Ele parece refletir a percep&ccedil;&atilde;o de que pre&ccedil;os ruins e prolongados para a safra 26\/27 podem comprometer: expans&atilde;o de &aacute;rea, renova&ccedil;&atilde;o de canaviais, uso adequado de fertilizantes e defensivos,e, por consequ&ecirc;ncia, a produ&ccedil;&atilde;o futura.<\/p>\n<p>J&aacute; vivemos esse filme antes: pre&ccedil;os ruins demais por tempo demais comprometem a safra seguinte. O mercado, ao pagar um pr&ecirc;mio pela 27\/28, parece enxergar esse risco &mdash; e precific&aacute;-lo.<\/p>\n<p>Voltando &agrave; estrutura do mercado: a incerteza mais desconfort&aacute;vel permanece sendo a posi&ccedil;&atilde;o dos fundos. O CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities) divulgou os dados at&eacute; 7 de outubro, faltando seis semanas inteiras de informa&ccedil;&otilde;es &mdash; justamente no per&iacute;odo de maior volatilidade recente. Ainda assim, o &uacute;ltimo dado dispon&iacute;vel trouxe um detalhe revelador.<\/p>\n<p>Na soma das duas semanas publicadas pelo CFTC, os fundos recompraram cerca de 34 mil lotes, e o mercado subiu 97 pontos &mdash; de 15.66 centavos de d&oacute;lar por libra peso dia 23 de setembro a 16.63 dia 7 de outubro, algo como 350 contratos por ponto. Duas semanas antes, em 16 de setembro, uma recompra de volume semelhante (31 mil lotes) gerou apenas 6 pontos de alta. A explica&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca era clara: a liquidez vinha das usinas atrasadas nas fixa&ccedil;&otilde;es, que serviam de contraparte. Mas, agora, isso n&atilde;o aconteceu. As usinas n&atilde;o ofereceram a mesma liquidez. Surge, ent&atilde;o, a pergunta: ainda h&aacute; fixa&ccedil;&otilde;es relevantes por fazer? Ainda &eacute; cedo para afirmar &mdash; faltam seis semanas de dados &mdash; mas o comportamento do mercado sugere que talvez n&atilde;o.<\/p>\n<p>Outro ponto relevante: entre 7 de outubro e 11 de novembro, o mercado caiu 238 pontos. Usando uma m&eacute;trica conservadora de 400 contratos por ponto, isso implicaria que, em tese, os fundos adicionaram cerca de 95 mil lotes &agrave; posi&ccedil;&atilde;o vendida nesse per&iacute;odo. Ou seja, quando o CFTC atualizar tudo, n&atilde;o ser&aacute; surpresa se os fundos estiverem pr&oacute;ximos de 220 mil lotes vendidos. Ser&aacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Do lado das usinas, segundo fontes do mercado, ainda restam cerca de dois milh&otilde;es de toneladas para fixa&ccedil;&atilde;o\/rolagem &mdash; press&atilde;o adicional num mercado que j&aacute; tem pouca sustenta&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica.<\/p>\n<p>A safra brasileira adiciona nuances importantes. A 2025\/26 deve fechar ao redor de 595 milh&otilde;es de toneladas, com a&ccedil;&uacute;car pr&oacute;ximo de 40 milh&otilde;es. Para 2026\/27, trabalhamos com um intervalo de 590 a 640 milh&otilde;es, mas ainda &eacute; cedo para estimar ATR, TCH e mix &mdash; o mercado, naturalmente, escolhe temer o pior.<\/p>\n<p>L&aacute; fora, a &Iacute;ndia teve mon&ccedil;&otilde;es melhores que o esperado, atraso de safra, pre&ccedil;os internos equivalentes a 19&ndash;20 centavos de d&oacute;lar por libra peso e um poss&iacute;vel corte de 800 mil toneladas no a&ccedil;&uacute;car destinado ao etanol. A China deve recompor estoques e disp&otilde;e de 2 milh&otilde;es de toneladas em armaz&eacute;ns alfandegados. A Tail&acirc;ndia pode superar 11 milh&otilde;es de toneladas e iniciar fixa&ccedil;&otilde;es contra mar&ccedil;o\/26.<\/p>\n<p>Entre os fatores macro: petr&oacute;leo fraco, Real mais firme e energia sem sustenta&ccedil;&atilde;o continuam pesando. Entre os baixistas, somam-se a expectativa de safra 26\/27 robusta e a rolagem das usinas. Entre os altistas: a vulnerabilidade estrutural da posi&ccedil;&atilde;o dos fundos, a produ&ccedil;&atilde;o abaixo de 40 milh&otilde;es nesta safra, os impactos clim&aacute;ticos sobre a pr&oacute;xima cana e a chance real de que a 26\/27 venha abaixo de 600 milh&otilde;es de toneladas.<\/p>\n<p>O resumo &eacute; direto: o mercado continua pressionado, mas a estrutura de pre&ccedil;os mais longos e a rea&ccedil;&atilde;o recente indicam que talvez o pessimismo esteja se alongando mais do que a realidade comporta. Falta apenas aquele momento cl&aacute;ssico em que algu&eacute;m admite que &ldquo;j&aacute; foi longe demais&rdquo; &mdash; e os fundos come&ccedil;am a virar a m&atilde;o.<\/p>\n<p>At&eacute; l&aacute;, seguimos acompanhando um mercado que cai n&atilde;o por excesso de vendedores, mas pela falta de compradores dispostos a testar onde, afinal, termina esse po&ccedil;o.<\/p>\n<p>Para nosso colaborador Marcelo Moreira, o vencimento mar&ccedil;o-26 encerrou a semana a 14.77 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O mercado tentou por v&aacute;rias vezes negociar abaixo do suporte psicol&oacute;gico dos 14 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e conseguiu (apesar dos vencimentos maio e julho-26 chegarem a negociar nas m&iacute;nimas do ano respectivamente no dia 10 de novembro-25 a 13.70 e 13.65 centavos de d&oacute;lar por libra-peso). No curto prazo o vencimento mar&ccedil;o-26 encontra suportes importantes a 14.54 \/ 14.46 e 13.72 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e resist&ecirc;ncias a 15.05, 15.49 e 16.23 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Coloque na sua agenda. O Curso Avan&ccedil;ado da de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos &ndash; Commodities Agr&iacute;colas presencial ocorre dias 24 e 25 de mar&ccedil;o de 2026 em S&atilde;o Paulo. Quer saber mais? Mande um e-mail para <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Antes de entrar no panorama do mercado, uma nota necess&aacute;ria: pela primeira vez em duas d&eacute;cadas &mdash; tirando, claro, o per&iacute;odo de f&eacute;rias &mdash; deixamos de publicar o coment&aacute;rio semanal. 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