{"id":12371,"date":"2026-02-28T00:00:00","date_gmt":"2026-02-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/sem-pedir-licenca\/"},"modified":"2026-02-27T21:47:16","modified_gmt":"2026-02-27T21:47:16","slug":"sem-pedir-licenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/sem-pedir-licenca\/","title":{"rendered":"SEM PEDIR LICEN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a semana com o vencimento maio\/26 cotado a 13.92 centavos de d&oacute;lar por libra peso, uma alta esquel&eacute;tica de 6 pontos na semana. Sexta foi a expira&ccedil;&atilde;o do contrato com vencimento para mar\/26, e a entrega f&iacute;sica atingiu 807,000 toneladas. O spread mar\/maio encerrou com um desconto anualizado de 14.89% fazendo todo o sentido para quem entregou e eventualmente poder receber de volta em maio bem mais barato. O momento sugere que o recebedor j&aacute; tem destino para esse a&ccedil;&uacute;car. Mas, sempre &eacute; perigoso analisar entregas e recebimentos sem olhar o livro comercial dos participantes.<\/p>\n<p>Os fundos n&atilde;o-indexados apresentam uma posi&ccedil;&atilde;o vendida a descoberto de 257,863 lotes (equivalentes a 13 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car), segundo COT (Commitment of Traders) publicado hoje pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities com base na posi&ccedil;&atilde;o do dia 24\/2 (ter&ccedil;a-feira). No per&iacute;odo de uma semana eles recompraram 8,000 lotes e o mercado subiu 53 pontos. Isso d&aacute; 150 lotes para cada ponto de alta. Um viva para a coragem dos fundos.<\/p>\n<p>Entender o mercado de commodities exige compreender quem realmente forma o pre&ccedil;o internacional &mdash; e como cada grande produtor reage aos est&iacute;mulos econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>O Brasil exporta cerca de 80% de sua produ&ccedil;&atilde;o. Na pr&aacute;tica, &eacute; o fornecedor global, aqui entendido como o mundo livre do a&ccedil;&uacute;car, pois 2\/3 da produ&ccedil;&atilde;o mundial &eacute; consumida dentro dos pa&iacute;ses. O pre&ccedil;o dom&eacute;stico em situa&ccedil;&otilde;es como essa deriva da paridade com Nova York, mas nem sempre isso &eacute; verdadeiro, pois depende do crescimento da economia e do poder de compra que faz com que o consumo migre para produtos processados.<\/p>\n<p>Se o mercado de a&ccedil;&uacute;car mundial colapsa, o Brasil possui um amortecedor relevante: o mix a&ccedil;&uacute;car-etanol. A decis&atilde;o depender&aacute; da rela&ccedil;&atilde;o entre o contrato n&ordm; 11, o petr&oacute;leo e o c&acirc;mbio. Se o petr&oacute;leo estiver firme e o real relativamente desvalorizado, o etanol ganha competitividade e parte da cana migra. Esse mecanismo funciona como v&aacute;lvula de ajuste relativamente r&aacute;pida. No entanto, como sabemos o real tem se fortalecido e o impacto de um petr&oacute;leo mais firme muitas vezes &eacute; neutralizado pela valoriza&ccedil;&atilde;o da moeda brasileira.<\/p>\n<p>A Tail&acirc;ndia, por sua vez, exporta aproximadamente 60% da sua produ&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m &eacute; altamente exposta ao mercado internacional, mas seu ajuste ocorre de maneira distinta. N&atilde;o h&aacute; grande flexibilidade industrial como no Brasil. O sinal de pre&ccedil;o chega diretamente ao produtor rural. E hoje a mandioca (cassava) oferece retorno superior ao da cana.<\/p>\n<p>Correndo o risco de soar como um disco quebrado, caso Nova York permane&ccedil;a ao longo deste ano na faixa de 14 a 15 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, haver&aacute; certamente uma migra&ccedil;&atilde;o consistente de &aacute;rea na Tail&acirc;ndia. O agricultor responde &agrave; margem. Al&eacute;m da poss&iacute;vel troca de cultura, pre&ccedil;os deprimidos significam menos investimento em fertilizantes e defensivos, menor renova&ccedil;&atilde;o de canaviais e praticamente nenhuma expans&atilde;o de &aacute;rea, a mesma coisa no Brasil. O efeito &eacute; silencioso, mas cumulativo.<\/p>\n<p>E aqui reside o ponto central: essas decis&otilde;es tomadas em 2026 n&atilde;o aparecem imediatamente na estat&iacute;stica global. Elas se materializam com for&ccedil;a um ou dois anos &agrave; frente. Em minha avalia&ccedil;&atilde;o, a safra 27\/28 pode refletir duramente um per&iacute;odo prolongado de pre&ccedil;os baixos em 2026. E pode ser explosivo.<\/p>\n<p>J&aacute; a &Iacute;ndia &eacute; um animal diferente. Na m&eacute;dia dos &uacute;ltimos anos, o volume dispon&iacute;vel (n&atilde;o necessariamente exportado) para o mercado internacional raramente passou de 10% da produ&ccedil;&atilde;o. O mercado interno neste momento &eacute; o verdadeiro formador de pre&ccedil;o local que ser&aacute; &ndash; obviamente - influenciado pelas pol&iacute;ticas de pre&ccedil;os m&iacute;nimos e remunerados implantadas pelo governo indiano.<\/p>\n<p>O valor da cana &eacute; definido politicamente e as exporta&ccedil;&otilde;es dependem de autoriza&ccedil;&atilde;o governamental. Em outras palavras, quem decide se a &Iacute;ndia exporta n&atilde;o &eacute; o mercado &mdash; &eacute; o governo. Se houver preocupa&ccedil;&atilde;o com infla&ccedil;&atilde;o ou abastecimento interno, as exporta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o restringidas. Se houver excedentes confort&aacute;veis, cotas s&atilde;o liberadas.<\/p>\n<p>Portanto, a forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;o global repousa sobre tr&ecirc;s din&acirc;micas distintas: Brasil reage via mix a&ccedil;&uacute;car-etanol. Tail&acirc;ndia reage via &aacute;rea plantada. &Iacute;ndia reage via pol&iacute;tica p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Se a &Iacute;ndia estiver ausente das exporta&ccedil;&otilde;es e a Tail&acirc;ndia reduzir &aacute;rea por falta de est&iacute;mulo econ&ocirc;mico, o peso do ajuste recai quase integralmente sobre o Brasil. E o Brasil, embora flex&iacute;vel, tem limites f&iacute;sicos e econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>Pre&ccedil;o baixo por muito tempo corrige a si pr&oacute;prio. Mas n&atilde;o de forma suave. Ele corrige por meio da destrui&ccedil;&atilde;o de oferta futura.<\/p>\n<p>Se permanecermos este ano em n&iacute;veis deprimidos, o mercado pode estar plantando as sementes de um aperto relevante mais adiante. Em minha vis&atilde;o, &eacute; preciso enorme cautela ao projetar conforto estrutural para 2027. O que hoje parece excesso pode se transformar rapidamente em escassez. E quando o a&ccedil;&uacute;car resolve reagir, raramente pede licen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Marcelo Moreira observa que maio-26 conseguiu se segurar acima dos suportes a 13.85 e 13.46 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Agora encontra fortes resist&ecirc;ncias nas principais m&eacute;dias-m&oacute;veis dos 50, 100 e 200 dias, respectivamente a 14.21\/14.38 e finalmente a 15.53 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Caso os Estados Unidos declarem guerra contra o Iran nos pr&oacute;ximos dias poderemos ver uma recupera&ccedil;&atilde;o nos pre&ccedil;os com a ajuda de uma eventual explos&atilde;o nos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>Voc&ecirc; ainda n&atilde;o se inscreveu no Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos &ndash; Commodities Agr&iacute;colas? O curso presencial ocorre nos dias 24 e 25 de mar&ccedil;o de 2026, em S&atilde;o Paulo. Vagas limitadas. Informa&ccedil;&otilde;es: <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Tenham um excelente final de semana.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a semana com o vencimento maio\/26 cotado a 13.92 centavos de d&oacute;lar por libra peso, uma alta esquel&eacute;tica de 6 pontos na semana. 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