{"id":12391,"date":"2026-03-06T17:58:58","date_gmt":"2026-03-06T17:58:58","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/todos-os-sinais-apontam-para-alta-menos-o-mercado\/"},"modified":"2026-03-06T21:00:46","modified_gmt":"2026-03-06T21:00:46","slug":"todos-os-sinais-apontam-para-alta-menos-o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/todos-os-sinais-apontam-para-alta-menos-o-mercado\/","title":{"rendered":"TODOS OS SINAIS APONTAM PARA ALTA \u2014 MENOS O MERCADO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de energia vive um momento de forte tens&atilde;o. A escalada da guerra envolvendo os Estados Unidos e o Ir&atilde; elevou significativamente o risco geopol&iacute;tico no Golfo P&eacute;rsico e reacendeu preocupa&ccedil;&otilde;es sobre o fluxo de petr&oacute;leo na regi&atilde;o. O estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente um quinto de todo o petr&oacute;leo comercializado no mundo, voltou ao centro das aten&ccedil;&otilde;es. A possibilidade de interrup&ccedil;&otilde;es log&iacute;sticas ou restri&ccedil;&otilde;es ao tr&aacute;fego mar&iacute;timo fez com que o pr&ecirc;mio de risco da energia aumentasse rapidamente.<\/p>\n<p>O reflexo desse cen&aacute;rio foi imediato nos pre&ccedil;os. Apenas no acumulado do m&ecirc;s de mar&ccedil;o, o diesel sobe 39%, enquanto o petr&oacute;leo tipo WTI avan&ccedil;a 34% e o Brent registra alta de 26%. A gasolina sobe 16,5% e o g&aacute;s natural 11,3%. Quando observamos o acumulado do ano, o movimento impressiona ainda mais: o diesel j&aacute; acumula alta de 111%, o g&aacute;s natural sobe 63%, o petr&oacute;leo tipo WTI avan&ccedil;a 57%, o Brent 54% e a gasolina registra valoriza&ccedil;&atilde;o de 36%.<\/p>\n<p>Para o mercado de a&ccedil;&uacute;car, um ambiente de energia mais cara costuma ser altamente construtivo. Combust&iacute;veis f&oacute;sseis mais caros tendem a elevar a competitividade do etanol, fortalecendo a paridade energ&eacute;tica e incentivando as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produ&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;vel. Em tese, esse processo reduz a disponibilidade de a&ccedil;&uacute;car para exporta&ccedil;&atilde;o e deveria pressionar os pre&ccedil;os internacionais para cima.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, surgiu uma not&iacute;cia relevante do lado da oferta global. A &Iacute;ndia divulgou sua segunda estimativa de produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car para a safra 2025\/26, reduzindo a proje&ccedil;&atilde;o para 28.3 milh&otilde;es de toneladas, j&aacute; considerando o desvio de a&ccedil;&uacute;car para etanol. Na estimativa anterior, o n&uacute;mero era de 29.6 milh&otilde;es de toneladas. Diante dessa revis&atilde;o e da grande diferen&ccedil;a entre o pre&ccedil;o dom&eacute;stico indiano e o pre&ccedil;o internacional, tudo indica que dificilmente a &Iacute;ndia ser&aacute; exportadora relevante de a&ccedil;&uacute;car nesta temporada. O mercado interno, dependendo da qualidade, varia entre 18.25 e 20.25 centavos de d&oacute;lar por libra peso.<\/p>\n<p>Com energia disparando e produ&ccedil;&atilde;o indiana revisada para baixo, seria natural esperar uma rea&ccedil;&atilde;o mais consistente do mercado de a&ccedil;&uacute;car em Nova York. No entanto, o comportamento recente do mercado parece desafiar essa l&oacute;gica. Como se estivesse vivendo em uma gal&aacute;xia distante, o a&ccedil;&uacute;car praticamente n&atilde;o reagiu.<\/p>\n<p>O contrato com vencimento em maio de 2026 encerrou a semana cotado a 14.09 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma alta de apenas 17 pontos na semana, o equivalente a menos de quatro d&oacute;lares por tonelada. O contrato julho terminou a semana a 14.17 centavos, com ganho de 27 pontos, algo pr&oacute;ximo de seis d&oacute;lares por tonelada. Em outras palavras, diante de tantas not&iacute;cias potencialmente altistas, o mercado fez muito pouco.<\/p>\n<p>No mercado dom&eacute;stico brasileiro surge ainda outro fator que pode ganhar relev&acirc;ncia nas pr&oacute;ximas semanas. A defasagem entre o pre&ccedil;o da gasolina praticado pela Petrobras nas refinarias e o pre&ccedil;o internacional j&aacute; se aproxima de 29%. Caso ocorra um reajuste dessa magnitude, o efeito imediato seria fortalecer ainda mais a competitividade do etanol. Isso tenderia a incentivar as usinas do Centro-Sul a maximizar a produ&ccedil;&atilde;o de etanol no in&iacute;cio da safra, reduzindo naturalmente a quantidade de a&ccedil;&uacute;car dispon&iacute;vel para exporta&ccedil;&atilde;o. J&aacute; existe grande preocupa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao poss&iacute;vel desabastecimento de diesel. Usinas est&atilde;o preocupadas.<\/p>\n<p>Mesmo com todos esses elementos construtivos, o mercado segue pressionado pela atua&ccedil;&atilde;o dos fundos. De acordo com o relat&oacute;rio COT (Commitment of Traders), divulgado pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), os fundos permanecem agressivamente vendidos, com uma posi&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida de aproximadamente 241,377 contratos considerando os dados at&eacute; 3 de mar&ccedil;o. Esse posicionamento ajuda a explicar parte da dificuldade do mercado em reagir.<\/p>\n<p>Outra poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o &eacute; que algumas usinas do Centro-Sul do Brasil e produtores da Am&eacute;rica Central possam ter aproveitado repetidamente as aproxima&ccedil;&otilde;es do mercado &agrave; regi&atilde;o de 14 centavos por libra para fixar seus volumes de exporta&ccedil;&atilde;o, criando uma oferta recorrente nessa faixa de pre&ccedil;o. A desvaloriza&ccedil;&atilde;o do real tamb&eacute;m contribuiu para limitar uma rea&ccedil;&atilde;o mais expressiva. Na sexta-feira o c&acirc;mbio chegou a R$ 5.3200 por d&oacute;lar e, no momento em que este coment&aacute;rio &eacute; escrito, o real acumula uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o de cerca de 2,5% na semana.<\/p>\n<p>Quando observamos os pre&ccedil;os convertidos em reais, contudo, a situa&ccedil;&atilde;o j&aacute; apresenta melhora. Considerando uma m&eacute;dia aritm&eacute;tica simples das curvas de Nova York convertidas para a moeda brasileira, a safra 2026\/27 apresentou valoriza&ccedil;&atilde;o aproximada de 123 reais por tonelada na semana. A safra 2027\/28 melhorou cerca de 136 reais por tonelada, enquanto a 2028\/29 avan&ccedil;ou aproximadamente 113 reais por tonelada.<\/p>\n<p>Isso sugere que possivelmente j&aacute; tenhamos observado os n&iacute;veis mais baixos de pre&ccedil;os em reais por tonelada. Ainda assim, os valores atuais continuam bastante distantes da m&eacute;dia hist&oacute;rica. Se tomarmos a cota&ccedil;&atilde;o do a&ccedil;&uacute;car em Nova York, convert&ecirc;-la para reais e ajust&aacute;-la pela infla&ccedil;&atilde;o dos &uacute;ltimos quinze anos, chegamos a um valor equivalente pr&oacute;ximo de 2.600 reais por tonelada.<\/p>\n<p>O quadro atual, portanto, &eacute; curioso. Temos um choque geopol&iacute;tico elevando os pre&ccedil;os da energia, uma revis&atilde;o para baixo da produ&ccedil;&atilde;o indiana, um ambiente potencialmente mais favor&aacute;vel ao etanol e um c&acirc;mbio que melhora a remunera&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras. Quase todos os fundamentos apontam para um cen&aacute;rio mais construtivo para o a&ccedil;&uacute;car. Ainda assim, o mercado continua se comportando com uma apatia dif&iacute;cil de explicar.<\/p>\n<p>Quando um mercado insiste em ignorar os fundamentos por muito tempo, normalmente &eacute; apenas uma quest&atilde;o de tempo at&eacute; que a realidade se imponha. Resta saber quando &mdash; e com que intensidade &mdash; isso ir&aacute; acontecer.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira observa que o vencimento maio-26 teve uma semana pressionada e s&oacute; conseguiu reagir no &uacute;ltimo preg&atilde;o, acompanhando a alta do petr&oacute;leo. Os pre&ccedil;os negociados ao longo da semana foram, respectivamente, fechamento anterior em 13,92 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, m&aacute;xima de 14,29, m&iacute;nima de 13,61 e fechamento atual em 14,09 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O contrato chegou a negociar brevemente acima da m&eacute;dia m&oacute;vel de 50 dias, situada em 14,16 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Caso essa m&eacute;dia seja rompida de forma consistente, os pr&oacute;ximos objetivos t&eacute;cnicos estariam em 14,94 e 15,44 centavos por libra. Por outro lado, os suportes relevantes permanecem em 13,86 e 13,40 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Esse &eacute; o momento de aprender como se proteger em um ambiente de mercado como este. Est&atilde;o abertas as inscri&ccedil;&otilde;es para o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos &ndash; Commodities Agr&iacute;colas. O curso presencial ser&aacute; realizado nos dias 24 e 25 de mar&ccedil;o de 2026, em S&atilde;o Paulo. As vagas s&atilde;o limitadas. Informa&ccedil;&otilde;es e inscri&ccedil;&otilde;es pelo e-mail priscilla@archerconsulting.com.br.<\/p>\n<p>Tenham todos um excelente final de semana.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de energia vive um momento de forte tens&atilde;o. A escalada da guerra envolvendo os Estados Unidos e o Ir&atilde; elevou significativamente o risco geopol&iacute;tico no Golfo P&eacute;rsico e reacendeu preocupa&ccedil;&otilde;es sobre o fluxo de petr&oacute;leo na regi&atilde;o. 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