{"id":12411,"date":"2026-03-14T00:00:00","date_gmt":"2026-03-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/petroleo-acima-de-100-dolares-e-o-acucar-nao-reage\/"},"modified":"2026-03-13T21:38:46","modified_gmt":"2026-03-13T21:38:46","slug":"petroleo-acima-de-100-dolares-e-o-acucar-nao-reage","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/petroleo-acima-de-100-dolares-e-o-acucar-nao-reage\/","title":{"rendered":"PETR\u00d3LEO ACIMA DE 100 D\u00d3LARES E O A\u00c7\u00daCAR N\u00c3O REAGE"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a semana com o vencimento maio\/26 cotado a 14.41 centavos de d&oacute;lar por libra peso, acumulando um ganho de 32 pontos na semana, equivalentes a 7 d&oacute;lares por tonelada, rea&ccedil;&atilde;o muito modesta se levarmos em considera&ccedil;&atilde;o dois aspectos relevantes: o tamanho da posi&ccedil;&atilde;o dos fundos tida como vulner&aacute;vel e o quadro geopol&iacute;tico que inspira cuidados com o mercado de energia. Todos os demais meses ao longo da curva de pre&ccedil;os que se estende at&eacute; outubro de 2028 apresentaram alta acumulada na semana entre 32 e 52 pontos (de 7 a 11.50 d&oacute;lares por tonelada)<\/p>\n<p>A Archer Consulting divulgou seus n&uacute;meros para a safra do Centro-Sul 2026\/27 apontando para uma produ&ccedil;&atilde;o em torno de 625 milh&otilde;es de toneladas de cana, com produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima de 40 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car e um mix levemente mais voltado ao etanol, algo perto de 52%. Isso significa que o setor come&ccedil;a a safra caminhando sobre uma linha bastante sens&iacute;vel: qualquer movimento relevante no petr&oacute;leo, na gasolina ou no c&acirc;mbio pode alterar rapidamente o direcionamento da produ&ccedil;&atilde;o. Em outras palavras, o mercado de a&ccedil;&uacute;car est&aacute; cada vez menos olhando apenas para o a&ccedil;&uacute;car e cada vez mais para o tanque de combust&iacute;vel.<\/p>\n<p>No campo dos fundamentos, h&aacute; um conjunto interessante de for&ccedil;as que podem empurrar o mercado em dire&ccedil;&otilde;es opostas. De um lado, petr&oacute;leo mais alto, custos agr&iacute;colas crescentes, poss&iacute;veis redu&ccedil;&otilde;es no mix a&ccedil;ucareiro e a enorme posi&ccedil;&atilde;o vendida dos fundos criam um ambiente prop&iacute;cio para movimentos de recupera&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os. De outro, o cen&aacute;rio macro continua sendo o grande ponto de interroga&ccedil;&atilde;o: uma desacelera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica global, um d&oacute;lar forte e at&eacute; mesmo uma eventual normaliza&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida das tens&otilde;es geopol&iacute;ticas poderiam retirar parte do pr&ecirc;mio de risco hoje embutido nas commodities.<\/p>\n<p>Quando ampliamos o olhar para o quadro global, fica claro porque o mercado continua t&atilde;o hesitante. A produ&ccedil;&atilde;o mundial de a&ccedil;&uacute;car cresce a um ritmo de cerca de 1.16% ao ano, enquanto o consumo avan&ccedil;a apenas 0.58% ao ano. Ou seja, o mundo continua produzindo a&ccedil;&uacute;car um pouco mais r&aacute;pido do que est&aacute; disposto a consumir. Esse descompasso ajuda a explicar porque, mesmo com epis&oacute;dios de tens&atilde;o energ&eacute;tica ou clim&aacute;tica, os pre&ccedil;os t&ecirc;m dificuldade em engrenar uma tend&ecirc;ncia de alta mais consistente.<\/p>\n<p>Mas existe um detalhe que o mercado frequentemente subestima: o com&eacute;rcio internacional de a&ccedil;&uacute;car depende de um n&uacute;mero muito pequeno de grandes exportadores. Brasil e Tail&acirc;ndia concentram enorme capacidade de exporta&ccedil;&atilde;o, enquanto na &Iacute;ndia as vendas externas dependem muito mais da pol&iacute;tica dom&eacute;stica e do equil&iacute;brio interno de oferta e demanda. Isso significa que, em um mercado estruturalmente ajustado, basta uma mudan&ccedil;a relativamente pequena nesses pa&iacute;ses para transformar rapidamente um cen&aacute;rio aparentemente confort&aacute;vel em um mercado muito mais apertado.<\/p>\n<p>Os fundos parecem dar de ombros para todo o estresse geopol&iacute;tico. O petr&oacute;leo chegou a bater 120 d&oacute;lares por barril e, ainda assim, o a&ccedil;&uacute;car sequer conseguiu testar 15 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Em um mercado realmente livre &mdash; como deveria ser &mdash; o aumento da gasolina empurraria o etanol para cima e o recado para o mercado de a&ccedil;&uacute;car seria cristalino: redu&ccedil;&atilde;o relevante na disponibilidade do produto. Mas esse mecanismo simplesmente n&atilde;o funciona quando o sinal de pre&ccedil;o &eacute; adulterado. Pelo relat&oacute;rio COT (Commitment of Traders) publicado pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o de 10 de mar&ccedil;o, os fundos especulativos estavam vendidos perto de 208,000 lotes a descoberto, enquanto no per&iacute;odo de uma semana liquidaram 33,500 lotes, movimento que resultou em uma alta de 45 pontos.<\/p>\n<p>Diante desse cen&aacute;rio conturbado, surge a pergunta que realmente importa: como construir um or&ccedil;amento minimamente racional para uma safra que come&ccedil;a em um ambiente t&atilde;o conturbado, no qual o mercado de energia balan&ccedil;a violentamente e o c&acirc;mbio oscila como uma porta em dia de vendaval? O custo de produ&ccedil;&atilde;o do a&ccedil;&uacute;car VHP tende a ser severamente pressionado pelo aumento do diesel, dos adubos e dos fertilizantes e deve &mdash; pelos c&aacute;lculos preliminares que fizemos &mdash; alcan&ccedil;ar algo pr&oacute;ximo de 17 centavos de d&oacute;lar por libra-peso FOB Santos. Em outras palavras, come&ccedil;amos a safra sob um conjunto de distor&ccedil;&otilde;es que tornam qualquer planejamento um exerc&iacute;cio cada vez mais arriscado.<\/p>\n<p>Lula parece disposto a recorrer novamente ao velho expediente que acompanha sua med&iacute;ocre trajet&oacute;ria pol&iacute;tica: manipular pre&ccedil;os em nome da conveni&ecirc;ncia eleitoral. De olho nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es, a tend&ecirc;ncia &eacute; tentar segurar o pre&ccedil;o da gasolina, que j&aacute; apresenta uma defasagem pr&oacute;xima de 38% em rela&ccedil;&atilde;o ao mercado internacional e come&ccedil;a a flertar com o risco de desabastecimento de diesel, cuja diferen&ccedil;a para a paridade externa j&aacute; se aproxima de R$ 2,00 por litro, mesmo ap&oacute;s cortes de impostos.<\/p>\n<p>Todos sabem &mdash; especialmente quem vive de commodities &mdash; que quando artificialismos s&atilde;o introduzidos na forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os, as consequ&ecirc;ncias acabam sendo inevitavelmente dr&aacute;sticas. Ainda assim, insiste-se em repetir as mesmas sandices tentadas no passado, inclusive no governo Dilma, esperando resultados diferentes. N&atilde;o &eacute; um problema de compreens&atilde;o econ&ocirc;mica; &eacute; simplesmente a velha irresponsabilidade travestida de pol&iacute;tica p&uacute;blica. No fim, quem paga a conta &eacute; sempre o consumidor. Combust&iacute;vel subsidiado sangra o caixa da Petrobras e, por tabela, distorce toda a cadeia produtiva. As usinas tamb&eacute;m pagam o pre&ccedil;o ao ver frustrada qualquer tentativa de equilibrar caixa em um momento em que o a&ccedil;&uacute;car j&aacute; apresenta desempenho lament&aacute;vel. E que se diga, para n&atilde;o parecer seletivo: tratar combust&iacute;vel com populismo n&atilde;o &eacute; monop&oacute;lio da esquerda. Bolsonaro tamb&eacute;m interferiu na pol&iacute;tica de pre&ccedil;os da Petrobras durante seu governo. O denominador comum continua sendo o mesmo: a mediocridade persistente da nossa classe pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Um pouco de humor: Em Ribeir&atilde;o Preto tive a impress&atilde;o de que o setor est&aacute; vivendo duas revolu&ccedil;&otilde;es silenciosas. A primeira &eacute; a da &ldquo;canetinha&rdquo;: nunca vi tanta gente do mercado aparecer de repente mais magra &mdash; ou seja, a disciplina alimentar virou pol&iacute;tica oficial da ind&uacute;stria. A segunda &eacute; a revolu&ccedil;&atilde;o capilar: v&aacute;rios traders surgiram com cabeleiras vigorosas que, curiosamente, n&atilde;o ocupavam aquele mesmo territ&oacute;rio alguns meses atr&aacute;s. Pelo visto, al&eacute;m de a&ccedil;&uacute;car, etanol e hedge, o setor tamb&eacute;m est&aacute; descobrindo novos instrumentos para gerir peso&hellip; e risco de calv&iacute;cie.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira, nota que o vencimento maio-26 conseguiu fechar acima da m&eacute;dia m&oacute;vel dos 50 dias (14.12 centavos de d&oacute;lar por libra-peso). Agora encontra resist&ecirc;ncias a 14.80 e 15.41 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. E suportes a 14.12 e 13,60 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Esse &eacute; o momento de aprender como se proteger em um ambiente de mercado como este. Est&atilde;o abertas as inscri&ccedil;&otilde;es para o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos &ndash; Commodities Agr&iacute;colas. O curso presencial ser&aacute; realizado nos dias 24 e 25 de mar&ccedil;o de 2026, em S&atilde;o Paulo. As vagas s&atilde;o limitadas. Informa&ccedil;&otilde;es e inscri&ccedil;&otilde;es pelo e-mail priscilla@archerconsulting.com.br.<\/p>\n<p>Tenham todos um excelente final de semana.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a semana com o vencimento maio\/26 cotado a 14.41 centavos de d&oacute;lar por libra peso, acumulando um ganho de 32 pontos na semana, equivalentes a 7 d&oacute;lares por tonelada, rea&ccedil;&atilde;o muito modesta se levarmos em considera&ccedil;&atilde;o dois aspectos relevantes: o tamanho da posi&ccedil;&atilde;o dos fundos tida como [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":10052,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-12411","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acucar","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12411"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12411\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10052"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}