{"id":12527,"date":"2026-04-17T19:14:05","date_gmt":"2026-04-17T19:14:05","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/ny-abaixo-do-custo-de-producao-a-conta-vai-chegar\/"},"modified":"2026-04-17T22:15:36","modified_gmt":"2026-04-17T22:15:36","slug":"ny-abaixo-do-custo-de-producao-a-conta-vai-chegar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/ny-abaixo-do-custo-de-producao-a-conta-vai-chegar\/","title":{"rendered":"NY ABAIXO DO CUSTO DE PRODU\u00c7\u00c3O: A CONTA VAI CHEGAR"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car continua a escrever cap&iacute;tulos recheados de apreens&atilde;o que poucos analistas ousariam imaginar h&aacute; alguns meses. Uma combina&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo em alta, real valorizado e ao mesmo tempo NY colapsando como se n&atilde;o houvesse suporte.<\/p>\n<p>O futuro de NY n&atilde;o consegue ultrapassar a barreira dos 14 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, n&iacute;vel que n&atilde;o remunera 10 de cada 10 produtores de a&ccedil;&uacute;car no planeta. Com o aumento dos insumos, do pre&ccedil;o do diesel (que representa aproximadamente 5% do custo total do a&ccedil;&uacute;car) e o real valorizado, o custo de produ&ccedil;&atilde;o do a&ccedil;&uacute;car VHP posto na usina (custo caixa) hoje &eacute; de 16.25 centavos de d&oacute;lar por libra peso, quase 300 pontos acima do n&iacute;vel de fechamento de NY, que encerrou a sexta-feira cotado a 13.33 centavos de d&oacute;lar por libra peso, uma queda de 43 pontos acumulada na semana (quase 9.50 d&oacute;lares por tonelada)<\/p>\n<p>Em commodities, normalmente o custo de produ&ccedil;&atilde;o para o produto que est&aacute; no campo e precisa ser colhido e processado, n&atilde;o tem a menor import&acirc;ncia. Produziu, vai ter que colher e processar e vender independentemente do valor de mercado. Isso ocorre porque h&aacute; contas a pagar e compromissos assumidos anteriormente. Custo de produ&ccedil;&atilde;o afeta a pr&oacute;xima safra. Com o encolhimento da receita das usinas proveniente da queda dos pre&ccedil;os, a d&uacute;vida &eacute; se vai sobrar caixa para investir na renova&ccedil;&atilde;o de 1\/6 do canavial e na utiliza&ccedil;&atilde;o de fertilizantes e adubos num produto que n&atilde;o paga nem o custo de produ&ccedil;&atilde;o. A conta vir&aacute; em 2027.<\/p>\n<p>Por tr&aacute;s dessa in&eacute;rcia aparente do mercado de a&ccedil;&uacute;car em NY, h&aacute; for&ccedil;as que trabalham em sentidos opostos com vigor not&aacute;vel. Do lado que pesa sobre os pre&ccedil;os, o ambiente geopol&iacute;tico criado pela pol&iacute;tica tarif&aacute;ria americana segue como fonte de ansiedade para todos os mercados de commodities. O d&oacute;lar enfraqueceu de forma acelerada nas &uacute;ltimas duas semanas, o que, na pr&aacute;tica, significa que o real se valorizou &mdash; e isso d&oacute;i direto na veia das usinas brasileiras. O fechamento de sexta-feira foi de R$ 4.9797 uma queda na semana de 0.68%.<\/p>\n<p>Quando o c&acirc;mbio cede, a receita em reais encolhe mesmo que o pre&ccedil;o em centavos de d&oacute;lar por libra-peso se mantenha est&aacute;vel, criando um efeito silencioso, mas perverso sobre a lucratividade do setor. A valoriza&ccedil;&atilde;o do real n&atilde;o &eacute; passageira de fim de semana: ela reflete uma combina&ccedil;&atilde;o de d&oacute;lar estruturalmente mais fraco no mundo e percep&ccedil;&otilde;es de risco que se redistribuem de forma n&atilde;o trivial entre os pa&iacute;ses emergentes.<\/p>\n<p>Some-se a isso a posi&ccedil;&atilde;o dos fundos especulativos, que segundo o COT (Commitment of Traders) divulgado hoje pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o do dia 14 de abril, estavam vendidos a descoberto 147,214 lotes (7.5 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car) &mdash; uma aposta direcional de queda que n&atilde;o &eacute; pequena nem t&iacute;mida. A participa&ccedil;&atilde;o dos fundos hoje &eacute; de mais de 15% da posi&ccedil;&atilde;o em aberto, ou seja, ainda existe espa&ccedil;o para eles atuarem mais.<\/p>\n<p>No campo das usinas brasileiras, o diagn&oacute;stico &eacute; de fixa&ccedil;&atilde;o ainda muito aqu&eacute;m do desej&aacute;vel para esta &eacute;poca do ano. Subestimamos &mdash; e o uso da primeira pessoa do plural &eacute; intencional, pois o mercado como um todo incorreu no mesmo erro &mdash; o quanto as usinas estavam pouco fixadas. Com os pre&ccedil;os abaixo do n&iacute;vel de conforto operacional e o c&acirc;mbio desfavor&aacute;vel, as usinas que n&atilde;o aproveitaram as janelas de pre&ccedil;os mais elevados ao longo de 2025 est&atilde;o agora diante de uma conta dif&iacute;cil. Fixar pre&ccedil;os amargando um desconfort&aacute;vel preju&iacute;zo operacional.<\/p>\n<p>Nesse cen&aacute;rio digno de filme de terror &mdash; daqueles em que o espectador sabe que o personagem n&atilde;o devia abrir a porta, mas ele abre mesmo assim &mdash; as usinas tendem a privilegiar a produ&ccedil;&atilde;o de etanol, que no momento remunera melhor do que o a&ccedil;&uacute;car. O detalhe desagrad&aacute;vel &eacute; que vivemos sob os ausp&iacute;cios de algu&eacute;m que, a julgar pelas decis&otilde;es recentes, parece ter conseguido uma licen&ccedil;a m&eacute;dica generosa do hosp&iacute;cio e resolvido gerir a pol&iacute;tica energ&eacute;tica nas horas vagas. O resultado &eacute; um mercado de combust&iacute;veis que oscila com a serenidade de um sism&oacute;grafo em dia movimentado, transformando qualquer tentativa de planejar or&ccedil;amento anual em exerc&iacute;cio de futurologia amadora. Para coroar o enredo, a reabertura do estreito de Hormuz derrubou o petr&oacute;leo com a delicadeza de um piano caindo do d&eacute;cimo andar, rearranjando de uma tacada s&oacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre etanol e a&ccedil;&uacute;car &mdash; e, de quebra, as premissas de quem havia fechado modelos na semana anterior achando que tinha entendido o filme.<\/p>\n<p>A Archer estima para a safra 26\/27 uma moagem de 625 milh&otilde;es de toneladas de cana, com mix a&ccedil;&uacute;car na casa de 47.8% e produ&ccedil;&atilde;o total de a&ccedil;&uacute;car em torno de 39.1 milh&otilde;es de toneladas, considerando ATR\/TC de 137.50. A quest&atilde;o da ATR merece aten&ccedil;&atilde;o especial. A curva hist&oacute;rica mostra que a safra 26\/27 pode iniciar com n&iacute;veis de ATR aqu&eacute;m das safras anteriores. ATR mais baixa no come&ccedil;o da safra comprime a receita por tonelada de cana e reduz a margem de manobra para ajustes no mix entre a&ccedil;&uacute;car e etanol. Se os pre&ccedil;os de NY n&atilde;o melhorarem no segundo semestre e o etanol hidratado tamb&eacute;m n&atilde;o contribuir com cota&ccedil;&otilde;es mais robustas, o resultado financeiro de boa parte do setor vai exigir criatividade cont&aacute;bil ou paci&ecirc;ncia dos acionistas.<\/p>\n<p>Falando em etanol, o cen&aacute;rio de demanda pelo ciclo Otto segue favor&aacute;vel. O consumo de combust&iacute;veis cresceu 2,7% nos &uacute;ltimos doze meses, e o hidratado segue competitivo como alternativa &agrave; gasolina. O ponto de tens&atilde;o est&aacute; no lado Petrobras: o represamento do pre&ccedil;o da gasolina pela estatal, que hoje opera com desconto de quase 40% em rela&ccedil;&atilde;o ao pre&ccedil;o internacional, &eacute; um fator que distorce a equa&ccedil;&atilde;o de demanda e penaliza o etanol por tabela. &Eacute; uma anomalia que n&atilde;o se sustenta indefinidamente, mas a pol&iacute;tica de pre&ccedil;os da empresa &eacute; ref&eacute;m de considera&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o muito al&eacute;m do equil&iacute;brio de mercado. Por ora, o setor convive com a distor&ccedil;&atilde;o e torce para que a janela de ajuste apare&ccedil;a antes que o estrago seja irrevers&iacute;vel.<\/p>\n<p>No cen&aacute;rio internacional, tr&ecirc;s pa&iacute;ses merecem leitura atenta. A produ&ccedil;&atilde;o indiana n&atilde;o deve superar 28 milh&otilde;es de toneladas, com usinas de Maharashtra e Karnataka encerrando antes do previsto &mdash; segundo ano seguido de d&eacute;ficit. O FOB indiano, na casa de US$ 450 por tonelada, est&aacute; suficientemente acima do custo dos concorrentes para limitar o impacto real no mercado global. Na pr&aacute;tica, o volume export&aacute;vel da &Iacute;ndia &eacute; menor do que os n&uacute;meros brutos sugerem.<\/p>\n<p>A Tail&acirc;ndia encerra a safra 25\/26 com moagem estimada entre 96 e 98 milh&otilde;es de toneladas de cana, e o interessante &eacute; que este &eacute; o primeiro ano em que as usinas tailandesas est&atilde;o autorizadas a processar caldo de cana para etanol &mdash; mais de 1 milh&atilde;o de toneladas j&aacute; foram desviadas para essa finalidade. Para a safra 26\/27, o quadro &eacute; ainda mais delicado: a doen&ccedil;a da folha branca avan&ccedil;a, a tens&atilde;o com Camboja e Myanmar reduz disponibilidade de m&atilde;o de obra, e agricultores est&atilde;o migrando para mandioca.<\/p>\n<p>A Uni&atilde;o Europeia tamb&eacute;m contribui para o lado do suporte de pre&ccedil;os. A produ&ccedil;&atilde;o 2025\/26 cai para 15.2 milh&otilde;es de toneladas com &aacute;rea de beterraba reduzida em 10.6%. Ap&oacute;s o colapso de pre&ccedil;os de 35% em 2025, processadores europeus est&atilde;o cortando &aacute;rea de forma emergencial, o que sinaliza uma oferta mais apertada nos pr&oacute;ximos ciclos.<\/p>\n<p>A volatilidade impl&iacute;cita permanece acima da m&eacute;dia hist&oacute;rica, sinal de que o mercado est&aacute; comprando prote&ccedil;&atilde;o nos dois sentidos &mdash; calls e puts. Isso &eacute; coerente com um ambiente de incerteza elevada onde os participantes n&atilde;o t&ecirc;m convic&ccedil;&atilde;o de dire&ccedil;&atilde;o, mas t&ecirc;m certeza de que o movimento quando vier poder&aacute; ser expressivo. Nesse tipo de mercado, a disciplina de hedge supera qualquer estrat&eacute;gia direcional. Para as usinas, call spread ou estrutura 1x2 seguem como op&ccedil;&otilde;es tecnicamente coerentes com o cen&aacute;rio de pre&ccedil;os baixos, mas com potencial de recupera&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica. O fence tamb&eacute;m est&aacute; na mesa para quem precisa de prote&ccedil;&atilde;o contra nova queda sem abrir m&atilde;o totalmente da valoriza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O resumo de tudo isso &eacute; desconfort&aacute;vel na sua honestidade: o mercado est&aacute; barato em termos hist&oacute;ricos, os fundamentos de m&eacute;dio prazo apontam para oferta mais apertada em 26\/27, mas no curto prazo a for&ccedil;a vendedora dos fundos, o c&acirc;mbio desfavor&aacute;vel e o ru&iacute;do geopol&iacute;tico mant&ecirc;m os pre&ccedil;os sob press&atilde;o. O n&iacute;vel de 14 centavos de d&oacute;lar por libra peso n&atilde;o &eacute; um ch&atilde;o garantido &mdash; &eacute; um campo de batalha. E batalhas, como todo participante de mercado eventualmente aprende, n&atilde;o terminam no hor&aacute;rio previsto.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira aponta que o vencimento maio\/26 tocou a m&iacute;nima dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos em 13.22 centavos de d&oacute;lar por libra peso. O mercado segue travado abaixo da m&eacute;dia m&oacute;vel de 50 dias (14.30 centavos de d&oacute;lar por libra peso), com os pr&oacute;ximos suportes mapeados em 13.00 e 12.81 centavos. No m&eacute;dio prazo, ainda h&aacute; espa&ccedil;o para recupera&ccedil;&atilde;o, com o mercado podendo buscar o fechamento do gap aberto entre os dias 7 e 8 de abril &mdash; intervalo entre 14.51 e 14.57 centavos de d&oacute;lar por libra peso &mdash; o que reabriria o caminho para uma eventual retomada da tend&ecirc;ncia de alta. Superado esse gap, as resist&ecirc;ncias seguintes ficam em 15.13 e 15.80 centavos de d&oacute;lar por libra peso.<\/p>\n<p>As inscri&ccedil;&otilde;es para o Curso Presencial &ldquo;A Intelig&ecirc;ncia da Comercializa&ccedil;&atilde;o de Etanol no Mercado de Combust&iacute;veis&rdquo; est&atilde;o abertas. O curso vai ocorrer dias 20 e 21 de maio no Hotel Travel Inn Paulista Wall Street, em S&atilde;o Paulo &ndash; SP, das 09 &agrave;s 17 horas. Saiba mais acessando o link a seguir: &nbsp;<a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5511963700000\">https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5511963700000<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car continua a escrever cap&iacute;tulos recheados de apreens&atilde;o que poucos analistas ousariam imaginar h&aacute; alguns meses. 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