{"id":12557,"date":"2026-04-24T21:24:31","date_gmt":"2026-04-24T21:24:31","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-acucar-respira-mas-ainda-falta-oxigenio\/"},"modified":"2026-04-25T00:25:39","modified_gmt":"2026-04-25T00:25:39","slug":"o-acucar-respira-mas-ainda-falta-oxigenio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/o-acucar-respira-mas-ainda-falta-oxigenio\/","title":{"rendered":"O A\u00c7\u00daCAR RESPIRA \u2014 MAS AINDA FALTA OXIG\u00caNIO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car em Nova York resolveu, nesta semana, dar uma pequena demonstra&ccedil;&atilde;o de dignidade &mdash; nada que leve algu&eacute;m a comemorar, mas suficiente para pelo menos trocar o semblante de vel&oacute;rio por um discreto levantar de sobrancelhas. O vencimento maio-26 encerrou a sexta-feira a 13.92 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando uma alta de 59 pontos na semana, o que equivale a aproximadamente 13 d&oacute;lares por tonelada. N&atilde;o &eacute; exatamente uma arrancada &eacute;pica, mas, considerando o hist&oacute;rico recente, j&aacute; serve como argumento para aquele otimista convicto dizer: &ldquo;eu avisei&rdquo;.<\/p>\n<p>Os demais vencimentos acompanharam o movimento, ainda que com menos entusiasmo. Do julho de 26 at&eacute; outubro de 28, as altas variaram entre 60 pontos nos contratos mais curtos e modestos 10 pontos nos mais longos. Traduzindo para d&oacute;lares por tonelada, estamos falando de algo entre 13 e 2 d&oacute;lares, respectivamente.<\/p>\n<p>Os fundos, como de costume, continuam sendo os protagonistas dessa novela &mdash; e, convenhamos, tamb&eacute;m os vil&otilde;es quando conv&eacute;m. De acordo com o COT (Commitment of Traders),&nbsp; o relat&oacute;rio dos comitentes mais recente, publicado pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), a ag&ecirc;ncia americana reguladora do mercado de commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o do dia 21 de abril, eles estavam vendidos em 156,138 lotes. Uma pequena varia&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior, &eacute; verdade, mas o n&uacute;mero continua suficientemente grande para manter qualquer tentativa de recupera&ccedil;&atilde;o sob constante vigil&acirc;ncia. &Eacute; como se o mercado estivesse tentando subir com um elefante sentado no cap&ocirc;.<\/p>\n<p>O comportamento recente dos fundos ajuda a explicar parte da frustra&ccedil;&atilde;o. Quando come&ccedil;aram a recomprar posi&ccedil;&otilde;es, ensaiando um movimento de al&iacute;vio para as usinas, o mercado f&iacute;sico respondeu com uma avalanche de fixa&ccedil;&otilde;es. Usinas de diversas origens &mdash; inclusive da Am&eacute;rica Central &mdash; aproveitaram o momento para travar pre&ccedil;os. Resultado: o rally morreu antes mesmo de ganhar nome.<\/p>\n<p>Esse tipo de din&acirc;mica refor&ccedil;a uma percep&ccedil;&atilde;o importante: o mercado continua pesado. N&atilde;o apenas pelos n&uacute;meros absolutos de produ&ccedil;&atilde;o ou estoques, mas pela disposi&ccedil;&atilde;o dos agentes f&iacute;sicos em vender qualquer sinal de alta. &Eacute; como se cada centavo adicional fosse visto n&atilde;o como oportunidade de valoriza&ccedil;&atilde;o, mas como chance de reduzir risco. E isso, naturalmente, limita o espa&ccedil;o para movimentos mais consistentes.<\/p>\n<p>Ainda assim, a semana trouxe um elemento novo &mdash; e talvez o &uacute;nico capaz de gerar algum otimismo mais estrutural no curto prazo. A aprova&ccedil;&atilde;o do E32 pelo governo brasileiro, elevando a mistura de etanol na gasolina para 32%, surge como um fator de suporte relevante. A expectativa &eacute; de um aumento no consumo da ordem de 900 milh&otilde;es a 1 bilh&atilde;o de litros. N&atilde;o resolve todos os problemas do mundo, mas ajuda. E, neste momento, qualquer ajuda &eacute; bem-vinda.<\/p>\n<p>Se a medida for confirmada e entrar em vigor a partir de 1&ordm; de junho, como previsto, o impacto pode ser significativo para o balan&ccedil;o do etanol &mdash; e, por consequ&ecirc;ncia, para o mix das usinas. Mais etanol significa, em tese, menos a&ccedil;&uacute;car dispon&iacute;vel. E menos a&ccedil;&uacute;car dispon&iacute;vel, em um mundo ideal, significaria pre&ccedil;os mais altos. Claro, o mercado nem sempre vive nesse mundo ideal, mas a dire&ccedil;&atilde;o do efeito &eacute; clara.<\/p>\n<p>Enquanto isso, no campo da oferta, o evento da Canaplan esta semana em Ribeir&atilde;o Preto trouxe um n&uacute;mero de safra que merece aten&ccedil;&atilde;o: 635 milh&otilde;es de toneladas de cana para o Centro-Sul. N&atilde;o &eacute; apenas o n&uacute;mero em si que chama aten&ccedil;&atilde;o, mas quem est&aacute; dizendo isso. A Canaplan tem reputa&ccedil;&atilde;o de ser conservadora. Quando ela come&ccedil;a a falar em n&uacute;meros mais elevados, o mercado tende a escutar &mdash; e, mais importante, a ajustar suas expectativas.<\/p>\n<p>Esse dado acende uma luz amarela &mdash; talvez at&eacute; um laranja bem carregado &mdash; sobre a trajet&oacute;ria de pre&ccedil;os em Nova York. Uma safra robusta, combinada com um mercado j&aacute; pressionado por vendas f&iacute;sicas e pela posi&ccedil;&atilde;o dos fundos, cria um ambiente pouco favor&aacute;vel para altas mais agressivas. Em outras palavras, o mercado at&eacute; pode subir, mas provavelmente vai ter que pedir licen&ccedil;a a cada degrau.<\/p>\n<p>No c&acirc;mbio, tivemos uma semana relativamente tranquila. O real fechou praticamente est&aacute;vel, com leve valoriza&ccedil;&atilde;o de 0.23%, encerrando a 4.9796 por d&oacute;lar. Nada que mude drasticamente o cen&aacute;rio, mas suficiente para manter o radar ligado. Afinal, em um mercado onde margens j&aacute; est&atilde;o comprimidas, qualquer movimento cambial pode fazer diferen&ccedil;a na decis&atilde;o de fixa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No plano macro, seguimos ref&eacute;ns de vari&aacute;veis que fogem completamente ao controle do mercado de a&ccedil;&uacute;car. As decis&otilde;es de Donald Trump em rela&ccedil;&atilde;o aos conflitos internacionais continuam sendo um fator de incerteza relevante. Se haver&aacute; avan&ccedil;o em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; paz ou escalada adicional, ningu&eacute;m sabe ao certo. O que sabemos &eacute; que essa indefini&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m a volatilidade viva &mdash; e, convenhamos, ela parece bastante confort&aacute;vel nesse papel.<\/p>\n<p>Do ponto de vista t&eacute;cnico, h&aacute; sinais interessantes, ainda que longe de configurar uma virada definitiva. Nosso colaborador Marcelo Moreira destaca que o vencimento maio 26 voltou a testar as m&iacute;nimas dos &uacute;ltimos anos &mdash; o que, por si s&oacute;, j&aacute; seria suficiente para tirar o sono de muita gente &mdash; mas conseguiu reagir e superar a m&eacute;dia m&oacute;vel dos nove dias. Esse movimento, ainda que modesto, trouxe algum f&ocirc;lego ao mercado e abriu espa&ccedil;o para uma nova tentativa de ataque &agrave; regi&atilde;o dos 14 centavos por libra-peso, que j&aacute; ganhou status de resist&ecirc;ncia quase folcl&oacute;rica.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, o mercado chegou a beliscar 13.96. Segundo Marcelo, esse fechamento mant&eacute;m viva a possibilidade de um movimento em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; m&eacute;dia m&oacute;vel dos 50 dias, situada na faixa de 14,30. Acima disso, o mercado come&ccedil;a a flertar com os 15 centavos &mdash; e a&iacute;, convenhamos, muda-se o humor, muda-se o discurso e aparecem at&eacute; aqueles que juravam, h&aacute; duas semanas, que o mercado s&oacute; tinha uma dire&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Outro ponto relevante destacado por Marcelo &eacute; o gap formado nos dias 7 e 8 de abril, entre 14,51 e 14,57. Como bons &ldquo;buracos&rdquo; de mercado, esses n&iacute;veis tendem a exercer uma atra&ccedil;&atilde;o quase magn&eacute;tica sobre os pre&ccedil;os. Se os fundos resolverem aliviar parte da posi&ccedil;&atilde;o vendida, esse intervalo deve ser o primeiro alvo natural &mdash; n&atilde;o por romantismo gr&aacute;fico, mas porque mercado tem mem&oacute;ria, e &agrave;s vezes ela cobra.<\/p>\n<p>Mas aqui cabe um alerta: contar exclusivamente com a boa vontade dos fundos &eacute; uma estrat&eacute;gia que, historicamente, cobra seu pre&ccedil;o. Eles n&atilde;o t&ecirc;m compromisso com narrativa, nem com coer&ecirc;ncia, muito menos com a paz de esp&iacute;rito de quem acompanha o mercado. Se houver oportunidade, eles compram. Se n&atilde;o houver, continuam vendidos &mdash; e eventualmente vendem mais. Algoritmos e rob&ocirc;s n&atilde;o tem cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No fundo, o mercado de a&ccedil;&uacute;car segue preso entre for&ccedil;as opostas. De um lado, pre&ccedil;os baixos que come&ccedil;am a flertar com n&iacute;veis economicamente desconfort&aacute;veis para muitos produtores. Do outro, uma oferta potencialmente elevada e um fluxo constante de vendas que limita qualquer tentativa de recupera&ccedil;&atilde;o mais robusta. No meio disso tudo, os fundos observam, reagem e, muitas vezes, amplificam os movimentos.<\/p>\n<p>&Eacute; um equil&iacute;brio delicado, quase inst&aacute;vel. Qualquer mudan&ccedil;a marginal &mdash; seja no clima, no c&acirc;mbio, na pol&iacute;tica energ&eacute;tica ou no comportamento dos agentes &mdash; pode alterar significativamente a trajet&oacute;ria dos pre&ccedil;os. E &eacute; justamente essa sensibilidade que mant&eacute;m o mercado em estado permanente de tens&atilde;o.<\/p>\n<p>Diante desse cen&aacute;rio, talvez a melhor defini&ccedil;&atilde;o seja a de um mercado que tenta reagir, mas ainda n&atilde;o encontrou convic&ccedil;&atilde;o. H&aacute; sinais positivos, sem d&uacute;vida. Mas eles convivem com fatores de risco igualmente relevantes. &Eacute; como um paciente que saiu da UTI, mas ainda est&aacute; longe de receber alta.<\/p>\n<p>E, como todo bom mercado que se preze, o a&ccedil;&uacute;car tamb&eacute;m tem seu lado m&iacute;stico. Porque, depois de analisar fundamentos, fluxo, t&eacute;cnico, macro e comportamento dos agentes, ainda sobra aquele elemento inexplic&aacute;vel que insiste em contrariar todas as proje&ccedil;&otilde;es. Por isso, n&atilde;o custa nada seguir a recomenda&ccedil;&atilde;o tradicional: acenda a vela para o seu santo predileto. Porque, neste momento, mais do que nunca, o a&ccedil;&uacute;car est&aacute; precisando &mdash; e muito &mdash; de f&eacute;.<\/p>\n<p>As inscri&ccedil;&otilde;es para o Curso Presencial &ldquo;A Intelig&ecirc;ncia da Comercializa&ccedil;&atilde;o de Etanol no Mercado de Combust&iacute;veis&rdquo; est&atilde;o abertas. O curso vai ocorrer dias 20 e 21 de maio no Hotel Travel Inn Paulista Wall Street, em S&atilde;o Paulo &ndash; SP, das 09 &agrave;s 17 horas. Saiba mais acessando o link a seguir: &nbsp;<a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5511963700000\">https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5511963700000<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car em Nova York resolveu, nesta semana, dar uma pequena demonstra&ccedil;&atilde;o de dignidade &mdash; nada que leve algu&eacute;m a comemorar, mas suficiente para pelo menos trocar o semblante de vel&oacute;rio por um discreto levantar de sobrancelhas. 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