{"id":12637,"date":"2026-05-23T00:00:00","date_gmt":"2026-05-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-preco-oscila-pouco-mas-o-humor-oscila-muito\/"},"modified":"2026-05-22T21:28:33","modified_gmt":"2026-05-22T21:28:33","slug":"o-preco-oscila-pouco-mas-o-humor-oscila-muito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/o-preco-oscila-pouco-mas-o-humor-oscila-muito\/","title":{"rendered":"O PRE\u00c7O OSCILA POUCO, MAS O HUMOR OSCILA MUITO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova Iorque encerrou esta sexta-feira com o contrato julho\/26 cotado a 14.68 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, depois de ter beliscado os 14.91 ao longo do preg&atilde;o. Na semana, a perda acumulada foi de apenas 10 pontos &mdash; o equivalente a modestos 2.20 d&oacute;lares por tonelada &mdash; enquanto os demais vencimentos, de outubro\/26 at&eacute; mar&ccedil;o\/29, fecharam de maneira bastante espalhada: alguns ca&iacute;ram 13 pontos, outros subiram 12, dependendo do vencimento.<\/p>\n<p>O mercado futuro claramente j&aacute; operava em ritmo de feriado prolongado nos Estados Unidos por conta do Memorial Day na segunda-feira. Volume reduzido, pouca convic&ccedil;&atilde;o, operadores olhando mais para previs&atilde;o do tempo, petr&oacute;leo e geopol&iacute;tica do que propriamente para a&ccedil;&uacute;car. Aquela cl&aacute;ssica sexta-feira americana antes de feriado: todo mundo aparentemente trabalhando, mas emocionalmente j&aacute; dentro do avi&atilde;o.<\/p>\n<p>O a&ccedil;&uacute;car continua completamente &agrave; merc&ecirc; de fatores ex&oacute;genos. Temos uma guerra que &ldquo;est&aacute; para acabar&rdquo; h&aacute; tanto tempo que j&aacute; parece s&eacute;rie da Netflix renovada automaticamente. Toda semana surge algu&eacute;m dizendo que agora vai, mas o mercado j&aacute; reage com o mesmo entusiasmo de quem recebe liga&ccedil;&atilde;o de banco oferecendo &ldquo;oportunidade imperd&iacute;vel&rdquo;. Enquanto isso, o clima segue dominando as conversas entre produtores, tradings e usinas.<\/p>\n<p>O tempo seco em boa parte do Centro-Sul permitiu que a moagem continue praticamente em plena capacidade, ajudando a manter a sensa&ccedil;&atilde;o de oferta confort&aacute;vel. Mas dependendo da regi&atilde;o, a conversa muda. Paran&aacute; e noroeste paulista, por exemplo, registraram chuvas importantes que interromperam moagem em algumas unidades. Ainda &eacute; cedo para medir impacto efetivo, mas tamb&eacute;m &eacute; cedo demais para decretar safra perfeita. Em a&ccedil;&uacute;car, abril e maio fazem propaganda; agosto e setembro &eacute; que entregam o produto. &Eacute; s&oacute; lembrar o ano passado.<\/p>\n<p>O El Ni&ntilde;o continua no radar e j&aacute; virou presen&ccedil;a obrigat&oacute;ria em qualquer conversa de mercado. Ainda n&atilde;o h&aacute; elementos suficientes para cravar quebra relevante de safra, perda importante de ATR ou redu&ccedil;&atilde;o expressiva de disponibilidade export&aacute;vel, mas ignorar risco clim&aacute;tico nessa altura seria t&atilde;o prudente quanto fazer hedge com acumulador vendido por provedores de OTC excessivamente simp&aacute;ticos.<\/p>\n<p>Por enquanto, os n&uacute;meros divulgados pela UNICA e estimados pelo mercado vieram dentro das expectativas. A moagem segue forte e o mix a&ccedil;ucareiro gira em torno de 40%. Nada particularmente explosivo, nem para cima nem para baixo. E isso ajuda a explicar por que o mercado permanece anestesiado. Falta um gatilho convincente para tirar o a&ccedil;&uacute;car dessa faixa deprimida de pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>O etanol segue pressionado e hoje praticamente trabalha na paridade com o a&ccedil;&uacute;car. Em outros momentos isso poderia automaticamente estimular aumento do mix a&ccedil;ucareiro, mas atualmente a conta n&atilde;o fecha de maneira t&atilde;o simples. Com d&oacute;lar ao redor de R$ 5.02 e custos industriais, agr&iacute;colas, financeiros e log&iacute;sticos bastante pressionados, o custo total FOB Santos do VHP gira pr&oacute;ximo de 18 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Sim, 18 centavos. Ou seja: estamos negociando a&ccedil;&uacute;car aproximadamente 300 pontos abaixo do custo total estimado de produ&ccedil;&atilde;o FOB Santos. &Eacute; uma diferen&ccedil;a brutal.<\/p>\n<p>Isso ajuda a explicar por que o mercado parece desconfort&aacute;vel mesmo sem conseguir reagir. Em algum momento, pre&ccedil;os persistentemente abaixo do custo acabam produzindo consequ&ecirc;ncias. O problema &eacute; que mercado de commodities tem uma impressionante capacidade de permanecer irracional por mais tempo do que muita empresa consegue permanecer solvente, como diria Keynes.<\/p>\n<p>A &Iacute;ndia tamb&eacute;m trouxe algum ingrediente adicional nesta semana. A preocupa&ccedil;&atilde;o fiscal provocou desvaloriza&ccedil;&atilde;o moment&acirc;nea da r&uacute;pia frente ao d&oacute;lar, embora posteriormente a moeda tenha retornado para n&iacute;veis pr&oacute;ximos de 95.60. Hoje, o mercado do a&ccedil;&uacute;car em Maharashtra e Uttar Pradesh varia entre 18 e 19.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, muito pr&oacute;ximo do equivalente ao a&ccedil;&uacute;car branco negociado na ESALQ quando fazemos as devidas convers&otilde;es.<\/p>\n<p>O a&ccedil;&uacute;car cristal branco PVU no mercado dom&eacute;stico brasileiro tamb&eacute;m trabalha pr&oacute;ximo de 18 centavos equivalentes. Em outras palavras: boa parte da ind&uacute;stria global parece atualmente presa numa situa&ccedil;&atilde;o em que quase ningu&eacute;m produz com conforto econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>O cen&aacute;rio segue desanimador no curto prazo porque falta um gatilho claro de recupera&ccedil;&atilde;o. No m&eacute;dio prazo, entretanto, existem dois fatores que podem mudar completamente o humor do mercado. O primeiro deles &eacute; o clima. O El Ni&ntilde;o continua sendo o maior potencial disruptivo tanto para o Brasil quanto para partes importantes da &Aacute;sia. Qualquer deteriora&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica mais consistente pode rapidamente alterar expectativas de produ&ccedil;&atilde;o, ATR e disponibilidade export&aacute;vel. O segundo gatilho &eacute; o petr&oacute;leo. O Brent deve encerrar a semana pr&oacute;ximo de US$ 104 por barril e, mesmo j&aacute; estando em n&iacute;vel elevado, ainda enxergamos potencial para pre&ccedil;os significativamente maiores dependendo da evolu&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica. Vale lembrar que o Brent j&aacute; variou mais de 71% neste ano, volatilidade extremamente relevante para qualquer commodity energ&eacute;tica e, naturalmente, para o a&ccedil;&uacute;car tamb&eacute;m. Petr&oacute;leo mais alto fortalece etanol, melhora arbitragem energ&eacute;tica e altera completamente a din&acirc;mica de precifica&ccedil;&atilde;o do setor sucroenerg&eacute;tico.<\/p>\n<p>Na an&aacute;lise t&eacute;cnica, Marcelo Moreira destacou que o julho\/26 voltou a respeitar a m&eacute;dia m&oacute;vel dos 200 dias, atualmente pr&oacute;xima de 14.84 centavos. A m&eacute;dia m&oacute;vel dos 50 dias encerrou a semana em 14.74 e segue convergindo para a dos 200 dias. Traduzindo: o mercado agora tem duas resist&ecirc;ncias importantes praticamente na mesma regi&atilde;o. Se conseguir romper essas m&eacute;dias com consist&ecirc;ncia, abre espa&ccedil;o t&eacute;cnico para tentar novamente os 15.50 centavos e eventualmente at&eacute; 16 centavos por libra-peso. Por enquanto, os suportes seguem em 14.45, 13.99 e 13.65 centavos. O a&ccedil;&uacute;car continua andando numa corda bamba, tentando decidir se o pior j&aacute; passou ou se ainda estamos apenas assistindo ao trailer do problema. E, como normalmente acontece nesses per&iacute;odos, o pre&ccedil;o oscila pouco, mas o humor oscila muito. Em commodities, ali&aacute;s, humor &agrave;s vezes vale mais do que matem&aacute;tica. Se matem&aacute;tica resolvesse tudo, n&atilde;o existiria trader quebrado dirigindo Porsche financiado.<\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova Iorque encerrou esta sexta-feira com o contrato julho\/26 cotado a 14.68 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, depois de ter beliscado os 14.91 ao longo do preg&atilde;o. 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