{"id":12817,"date":"2026-07-31T17:10:38","date_gmt":"2026-07-31T17:10:38","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/um-tiro-no-pe\/"},"modified":"2026-07-31T20:12:22","modified_gmt":"2026-07-31T20:12:22","slug":"um-tiro-no-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/um-tiro-no-pe\/","title":{"rendered":"UM TIRO NO P\u00c9"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova Iorque encerrou a sexta-feira com o contrato outubro\/26 cotado a 14.65 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. No acumulado da semana, a perda foi de apenas 12 pontos, equivalente a pouco mais de US$ 2.50 por tonelada. Os vencimentos de mar&ccedil;o\/27 a mar&ccedil;o\/29 acompanharam o movimento, com queda m&eacute;dia de 11 pontos, ou aproximadamente US$ 2.30 por tonelada. Foi, portanto, mais uma semana de pouca inspira&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O mercado continua sem um catalisador suficientemente forte para alterar a percep&ccedil;&atilde;o dos participantes. O petr&oacute;leo permanece err&aacute;tico, alternando altas e baixas conforme surgem novas declara&ccedil;&otilde;es, amea&ccedil;as ou mudan&ccedil;as de tom do presidente dos Estados Unidos. A volatilidade &eacute; elevada, mas j&aacute; se tornou parte da rotina dos mercados.<\/p>\n<p>O principal problema continua sendo o etanol. Com base no fechamento da B3, o produto negocia com desconto de aproximadamente 170 pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; paridade com Nova Iorque, sinal claro das dificuldades enfrentadas pelo combust&iacute;vel renov&aacute;vel para sustentar pre&ccedil;os. Isso ocorre mesmo ap&oacute;s o refor&ccedil;o regulat&oacute;rio recente: o CNPE aprovou o E32, inicialmente por 180 dias, com possibilidade de renova&ccedil;&atilde;o, e vetou a utiliza&ccedil;&atilde;o do biodiesel importado na mistura obrigat&oacute;ria. S&atilde;o medidas que ampliam estruturalmente a demanda por etanol, mas ainda n&atilde;o foram suficientes para reverter o quadro.<\/p>\n<p>No mercado f&iacute;sico de a&ccedil;&uacute;car, a situa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m inspira cautela. A demanda permanece desaquecida e j&aacute; aparecem ofertas de compra ao redor de 50 pontos abaixo de Nova Iorque, evidenciando a falta de apetite dos compradores e a press&atilde;o sobre os pr&ecirc;mios f&iacute;sicos. O cen&aacute;rio internacional ajuda a explicar essa frouxid&atilde;o. A Indon&eacute;sia reduziu as importa&ccedil;&otilde;es industriais para 3.0&ndash;3.1 milh&otilde;es de toneladas, o menor volume em sete anos. A China dever&aacute; importar 4.5 milh&otilde;es de toneladas em 2026\/27, com o Brasil respondendo por aproximadamente 80% desse total, mas continua comprando apenas em janelas pontuais.<\/p>\n<p>Na outra ponta, alguns fatores limitam as quedas. A &Iacute;ndia mant&eacute;m as exporta&ccedil;&otilde;es suspensas at&eacute; setembro de 2026, enquanto os pre&ccedil;os dom&eacute;sticos acumulam alta de 12% no m&ecirc;s. Ao mesmo tempo, o direcionamento de a&ccedil;&uacute;car para a produ&ccedil;&atilde;o de etanol est&aacute; travado por pre&ccedil;os que n&atilde;o s&atilde;o reajustados h&aacute; quatro anos. Por enquanto, portanto, o pa&iacute;s continua fora do fluxo exportador.<\/p>\n<p>Na Uni&atilde;o Europeia, calor e seca amea&ccedil;am as lavouras de beterraba na Fran&ccedil;a, Alemanha e Pol&ocirc;nia. Os pre&ccedil;os europeus subiram entre 6% e 9% desde junho, fortalecendo o pr&ecirc;mio do a&ccedil;&uacute;car branco e acrescentando algum suporte ao mercado internacional.<\/p>\n<p>Os fundos, entretanto, ampliaram em 32,000 lotes suas posi&ccedil;&otilde;es vendidas. Com base no relat&oacute;rio referente &agrave; ter&ccedil;a-feira, estavam aproximadamente 120,000 lotes l&iacute;quidos vendidos, um posicionamento que ajuda a manter a press&atilde;o sobre as cota&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m aumenta o potencial de uma corre&ccedil;&atilde;o caso surja algum fato novo relevante.<\/p>\n<p>Em resumo, o mercado continua preso a uma faixa estreita, sem for&ccedil;a suficiente para definir uma dire&ccedil;&atilde;o. Uma ruptura exigir&aacute; um catalisador de maior import&acirc;ncia: uma surpresa clim&aacute;tica &mdash; com a Europa como candidata mais evidente &mdash;, uma mudan&ccedil;a significativa nos fundamentos da oferta e da demanda, como a libera&ccedil;&atilde;o de exporta&ccedil;&otilde;es pela &Iacute;ndia ou pelo Paquist&atilde;o, ou um evento macroecon&ocirc;mico capaz de alterar o posicionamento dos participantes. At&eacute; l&aacute;, o a&ccedil;&uacute;car dever&aacute; continuar navegando de lado, com epis&oacute;dios de volatilidade, mas sem tend&ecirc;ncia consistente.<\/p>\n<p>---<\/p>\n<p>A credibilidade de uma institui&ccedil;&atilde;o &eacute; constru&iacute;da ao longo de d&eacute;cadas, mas pode ser colocada em xeque por uma &uacute;nica decis&atilde;o equivocada. Quando uma entidade se transforma na principal fonte de estat&iacute;sticas de moagem, produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de um setor, ela deixa de prestar servi&ccedil;o apenas aos seus associados e passa a desempenhar papel essencial para todo o mercado. Quanto maior a transpar&ecirc;ncia, melhores ser&atilde;o a forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os, o planejamento das empresas, a gest&atilde;o de risco e a qualidade das decis&otilde;es.<\/p>\n<p>Por isso, causam profunda preocupa&ccedil;&atilde;o os rumores que circularam nesta semana de que informa&ccedil;&otilde;es anteriormente divulgadas a cada quinzena passariam a ser publicadas com atraso de 60 dias. Caso isso se confirme, o mercado inevitavelmente tentar&aacute; interpretar as raz&otilde;es da mudan&ccedil;a. Surgir&atilde;o suspeitas de que os n&uacute;meros poderiam revelar uma moagem mais acelerada, uma produ&ccedil;&atilde;o superior ao esperado, uma queda nas vendas ou um mix mais a&ccedil;ucareiro do que indicavam as estimativas.<\/p>\n<p>A estrat&eacute;gia produziria exatamente o efeito contr&aacute;rio ao eventualmente pretendido. O mercado n&atilde;o pune a informa&ccedil;&atilde;o; pune sua aus&ecirc;ncia. Quando os dados deixam de circular, o espa&ccedil;o &eacute; ocupado por rumores, especula&ccedil;&otilde;es e estimativas de qualidade duvidosa. A consequ&ecirc;ncia &eacute; previs&iacute;vel: aumento da volatilidade, eleva&ccedil;&atilde;o dos pr&ecirc;mios de risco e decis&otilde;es tomadas com base em incertezas, n&atilde;o em fatos. Se confirmado, seria um monumental tiro no p&eacute;.<\/p>\n<p>Basta imaginar a rea&ccedil;&atilde;o caso a CFTC &mdash; Commodity Futures Trading Commission, ag&ecirc;ncia norte-americana que regula os mercados de futuros e derivativos &mdash; decidisse retardar por dois meses a divulga&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o dos participantes. O aumento da incerteza seria imediato, com perda de refer&ecirc;ncias para a gest&atilde;o de risco e maior instabilidade dos pre&ccedil;os. Transpar&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; um detalhe operacional; &eacute; um dos pilares do funcionamento eficiente dos mercados.<\/p>\n<p>Esconder ou retardar informa&ccedil;&otilde;es nunca impediu uma tend&ecirc;ncia. Apenas adiou o inevit&aacute;vel e tornou o ajuste posterior mais brusco e doloroso. O mercado tem uma pletora de exemplos ruins. Os fundamentos acabam prevalecendo, independentemente da velocidade com que os n&uacute;meros s&atilde;o divulgados.<\/p>\n<p>Caso os rumores tenham fundamento, a decis&atilde;o ser&aacute; profundamente lament&aacute;vel. Mercados maduros n&atilde;o se fortalecem com menos informa&ccedil;&atilde;o, mas com mais. Transpar&ecirc;ncia gera confian&ccedil;a; confian&ccedil;a amplia a liquidez; e liquidez reduz a volatilidade. Qualquer movimento na dire&ccedil;&atilde;o oposta representa um retrocesso institucional e um desservi&ccedil;o a todos os participantes.<\/p>\n<p>O governo federal pratica algo semelhante &mdash; e amplamente criticado por economistas e agentes do mercado &mdash; quando interfere na forma&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os dos combust&iacute;veis, pressionando a estatal do petr&oacute;leo a retardar ou evitar reajustes por raz&otilde;es essencialmente pol&iacute;ticas e eleitorais. O resultado &eacute; a distor&ccedil;&atilde;o dos sinais de mercado, que compromete a aloca&ccedil;&atilde;o de recursos, reduz a utiliza&ccedil;&atilde;o de instrumentos de hedge, como os contratos futuros de etanol negociados na B3, e penaliza diretamente os produtores do biocombust&iacute;vel.<\/p>\n<p>Quando o pre&ccedil;o de uma commodity deixa de refletir seus fundamentos, toda a cadeia passa a trabalhar com refer&ecirc;ncias artificiais. Investimentos s&atilde;o postergados, mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o perdem utilidade e a incerteza aumenta. Em um ambiente no qual se tenta administrar o pre&ccedil;o, surge tamb&eacute;m a tenta&ccedil;&atilde;o de administrar a informa&ccedil;&atilde;o. Em ambos os casos, o mercado acaba cobrando a conta.<\/p>\n<p>A li&ccedil;&atilde;o vale para qualquer governo, independentemente de sua orienta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica: quando uma empresa estatal &eacute; utilizada como instrumento de pol&iacute;tica de curto prazo, em vez de atuar segundo crit&eacute;rios t&eacute;cnicos e econ&ocirc;micos, toda a cadeia produtiva paga o pre&ccedil;o. Mercados funcionam melhor quando os pre&ccedil;os s&atilde;o livres, a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; transparente e as decis&otilde;es se apoiam nos fundamentos, n&atilde;o em conveni&ecirc;ncias pol&iacute;ticas moment&acirc;neas. Fora do mercado livre, n&atilde;o h&aacute; salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira observa que o vencimento outubro\/26 voltou a testar e respeitou o suporte em 14.37 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O indicador estoc&aacute;stico virou e encerrou a semana sinalizando compra, enquanto o fechamento da sexta-feira ocorreu sobre a m&eacute;dia m&oacute;vel de 50 dias.<\/p>\n<p>As pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias est&atilde;o em 14.70 e 14.91 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, correspondentes, respectivamente, &agrave;s m&eacute;dias m&oacute;veis de 200 e 100 dias. Caso o mercado rompa 14.91, os pr&oacute;ximos objetivos estar&atilde;o em 15.36 e 15.85 centavos. Os suportes permanecem em 14.37 e 13.96 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Nos dias 29 e 30 de setembro de 2026, ter&ccedil;a e quarta-feira, das 9h &agrave;s 17h, ser&aacute; realizado em S&atilde;o Paulo o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos &mdash; Commodities Agr&iacute;colas, em formato presencial. Esta ser&aacute; a &uacute;ltima turma do ano para os profissionais que desejam aprofundar seus conhecimentos, tomar decis&otilde;es mais consistentes, aprimorar estrat&eacute;gias de hedge e elevar seu n&iacute;vel de atua&ccedil;&atilde;o no mercado de commodities agr&iacute;colas.<\/p>\n<p>N&atilde;o deixe para depois um investimento capaz de representar um salto qualitativo em sua carreira. Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; custo, &eacute; investimento. Garanta sua inscri&ccedil;&atilde;o. Mais informa&ccedil;&otilde;es: <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova Iorque encerrou a sexta-feira com o contrato outubro\/26 cotado a 14.65 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. No acumulado da semana, a perda foi de apenas 12 pontos, equivalente a pouco mais de US$ 2.50 por tonelada. 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