{"id":12857,"date":"2026-08-14T18:08:02","date_gmt":"2026-08-14T18:08:02","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/fundos-viraram-a-mao-e-mercado-pode-reagir-fortemente\/"},"modified":"2026-08-14T21:22:10","modified_gmt":"2026-08-14T21:22:10","slug":"fundos-viraram-a-mao-e-mercado-pode-reagir-fortemente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/fundos-viraram-a-mao-e-mercado-pode-reagir-fortemente\/","title":{"rendered":"FUNDOS VIRARAM A M\u00c3O E MERCADO PODE REAGIR FORTEMENTE"},"content":{"rendered":"<p>Se a semana passada terminou com fogueira, esta come&ccedil;ou com o mercado administrando o calor. Depois do salto de 5.65% na sexta-feira (7\/8), que levou o contrato futuro com vencimento para outubro\/26 a 16.45 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; ent&atilde;o a m&aacute;xima de 10 meses &mdash;, a segunda-feira foi de consolida&ccedil;&atilde;o quase educada, com o mercado digerindo os ganhos e Londres marcando o maior n&iacute;vel em 15 meses no a&ccedil;&uacute;car branco, embalado pela estimativa de que a produ&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia e do Reino Unido cair&aacute; a 14.98 milh&otilde;es de toneladas, o menor volume em 11 anos, cortesia da seca e do calor que transformaram os campos de beterraba europeus em paisagem de faroeste.<\/p>\n<p>Na ter&ccedil;a-feira, o mercado resolveu que consolidar era pouco: o outubro\/26 fechou a 16.73 centavos e o mar&ccedil;o\/27 a 17.71, ampliando o carregamento entre os vencimentos para quase 1.00 centavo &mdash; o mercado pagando pr&ecirc;mio para quem carrega a&ccedil;&uacute;car adiante, sinal de que a preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; com o hoje, e sim com o amanh&atilde;.<\/p>\n<p>A quarta-feira trouxe o roteiro cl&aacute;ssico de todo rali (uma alta forte e r&aacute;pida nos pre&ccedil;os) que se preze: o contrato renovou a m&aacute;xima intradi&aacute;ria da semana a 17.11 centavos &mdash; maior n&iacute;vel em 15 meses &mdash; e fechou em queda de 1.85%, a 16.42, com realiza&ccedil;&atilde;o de lucros de quem comprou embaixo e n&atilde;o resistiu &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de passar o recibo. Durou pouco.<\/p>\n<p>Na quinta, o mercado recuperou o f&ocirc;lego e fechou a 16.60 centavos, alta de 1.09%, confirmando que o tombo de quarta foi trope&ccedil;o de corredor, n&atilde;o les&atilde;o de atleta.<\/p>\n<p>Por tr&aacute;s da tela, os fundamentos seguem fazendo o trabalho pesado. As consultorias de mercado passaram a semana revisando d&eacute;ficits como quem revisa or&ccedil;amento de obra: sempre para cima. A Green Pool praticamente dobrou sua proje&ccedil;&atilde;o de d&eacute;ficit global 2026\/27, de 1.76 milh&atilde;o para 3.3 milh&otilde;es de toneladas, e outra consultoria mais que triplicou a sua, de 550 mil para 1.7 milh&atilde;o.<\/p>\n<p>A cereja do bolo veio na sexta-feira, com a Czarnikow estimando d&eacute;ficit de 900 mil toneladas em 2026\/27 &mdash; produ&ccedil;&atilde;o mundial de 178.3 milh&otilde;es de toneladas contra consumo de 179.2 milh&otilde;es &mdash; e, mais importante, projetando aprofundamento do desequil&iacute;brio para 2.9 milh&otilde;es de toneladas em 2027\/28, diante da menor disponibilidade de cana e beterraba na &Iacute;ndia, Uni&atilde;o Europeia e Tail&acirc;ndia. &Eacute; prudente lembrar que o consumo mundial &eacute; de aproximadamente 500,000 toneladas por dia, portanto um d&eacute;ficit de 2-3 milh&otilde;es, muito embora jogue lenha na fogueira, n&atilde;o representa grande coisa.<\/p>\n<p>Para chegar l&aacute;, a consultoria cortou a estimativa do Centro-Sul brasileiro de 39.5 para 38.6 milh&otilde;es de toneladas, culpando as chuvas intensas de junho e julho que reduziram o teor de a&ccedil;&uacute;car da cana, al&eacute;m de ajustes para baixo nas premissas de moagem e mix. Curiosamente, foram as revis&otilde;es positivas em China (+300 mil toneladas), Paquist&atilde;o (+400 mil), Indon&eacute;sia e Estados Unidos (+200 mil cada) que impediram um n&uacute;mero ainda mais apertado &mdash; a R&uacute;ssia, na contram&atilde;o, perdeu 200 mil toneladas. E a UNICA confirmou com n&uacute;mero oficial o que o mercado j&aacute; precificava: a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car do Centro-Sul despencou 26.3% em junho, para 3.903 milh&otilde;es de toneladas, com parte da cana migrando para o etanol atra&iacute;da pelo petr&oacute;leo firme.<\/p>\n<p>A &Iacute;ndia, como sempre, reservou-se o papel de fiel da balan&ccedil;a. As mon&ccedil;&otilde;es seguem 12% abaixo da m&eacute;dia, mas a not&iacute;cia da semana &eacute; que o governo indiano estuda restringir o uso de cana para etanol na safra que come&ccedil;a em novembro, depois que cerca de 3 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car &mdash; aproximadamente 10% da produ&ccedil;&atilde;o &mdash; foram desviadas para o biocombust&iacute;vel na safra atual. A decis&atilde;o pode sair at&eacute; o fim de setembro, com milho e arroz como mat&eacute;rias-primas alternativas. Se confirmada, a medida devolveria a&ccedil;&uacute;car &agrave; oferta indiana e seria o primeiro contrapeso relevante &agrave; narrativa de d&eacute;ficit que sustenta os pre&ccedil;os &mdash; motivo suficiente para n&atilde;o apostar todas as fichas em alta cont&iacute;nua e ininterrupta.<\/p>\n<p>Por aqui, o governo publicou o Decreto n&ordm; 13.092, instituindo subven&ccedil;&atilde;o de R$ 270 milh&otilde;es (R$ 12 por tonelada de cana) para produtores independentes do Nordeste afetados pelo tarifa&ccedil;o americano e por eventos clim&aacute;ticos &mdash; al&iacute;vio pontual e regional, sem efeito sobre o balan&ccedil;o export&aacute;vel do Centro-Sul.<\/p>\n<p>No macro, o petr&oacute;leo passou a semana fazendo o que sabe: dando sustos. O Brent encadeou altas at&eacute; a casa dos US$ 89 com o impasse entre Estados Unidos e Ir&atilde; sobre o Estreito de Hormuz, recuou a US$ 88.35 na quinta com rumores de acordo, e voltou a subir na sexta a US$ 88.40 depois que Teer&atilde; reafirmou que o estreito seguir&aacute; fechado enquanto durar o conflito &mdash; contrariando a Casa Branca, que alega \"controle total\" da via. O d&oacute;lar, discreto coadjuvante, subiu a R$ 5.2200, melhorando marginalmente a conta em reais de quem exporta.<\/p>\n<p>Na an&aacute;lise t&eacute;cnica, o Marcelo Moreira observa que o outubro\/26, ap&oacute;s negociar na m&aacute;xima da semana a 17.11 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, encerrou a 16.60 centavos. No curto prazo, as resist&ecirc;ncias continuam a 16.64, 17.11, 17.34, 17.77 e, finalmente, os 18.18 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Os suportes aparecem a 16.33, 16.22, 15.49, 15.00 e 14.89 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Os fundos n&atilde;o-indexados viraram a m&atilde;o e est&atilde;o comprados em 25,000 lotes (com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira) pela primeira vez desde dezembro de 2024. A combina&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias positivas como redu&ccedil;&atilde;o de safra, incertezas clim&aacute;ticas e pol&iacute;ticas restritivas deram o tom ao mercado. Come&ccedil;am a preocupar as opera&ccedil;&otilde;es com derivativos do tipo knock-in, knock-out e os acumuladores (sempre eles!) que podem trazer mais volatilidade nos pre&ccedil;os no momento do ajuste e corre&ccedil;&atilde;o dessas posi&ccedil;&otilde;es. Mas ainda h&aacute; tempo. Isso sem contar alguma trading que aparentemente est&aacute; com o p&eacute; trocado.<\/p>\n<p>Para quem faz hedge, a li&ccedil;&atilde;o da semana cabe num par&aacute;grafo: mercado que renova m&aacute;xima de 15 meses, corrige 1.85% e recupera no dia seguinte &eacute; mercado forte &mdash; mas mercado forte tamb&eacute;m &eacute; aquele que pune quem espera o pico perfeito.<\/p>\n<p>O escalonamento de fixa&ccedil;&otilde;es nos rallies segue sendo a estrat&eacute;gia de quem prefere dormir tranquilo: os n&iacute;veis atuais, combinados com o c&acirc;mbio acima de R$ 5.2200, entregam valores em reais por tonelada que h&aacute; doze meses seriam motivo de festa na usina. E com a &Iacute;ndia podendo mudar as regras do jogo at&eacute; setembro, ter parte do dever de casa feito antes da decis&atilde;o de Nova D&eacute;lhi n&atilde;o &eacute; pessimismo &mdash; &eacute; gest&atilde;o de risco.<\/p>\n<p>Por outro lado, o clima azedo das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais no Brasil se aproximando deve trazer maior volatilidade ao c&acirc;mbio. Se ele quebrar os R$ 5.2500 a coisa pode desandar.<\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a semana passada terminou com fogueira, esta come&ccedil;ou com o mercado administrando o calor. 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