{"id":12905,"date":"2026-08-28T22:50:12","date_gmt":"2026-08-28T22:50:12","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-topo-so-se-conhece-pelo-retrovisor\/"},"modified":"2026-08-29T01:51:59","modified_gmt":"2026-08-29T01:51:59","slug":"o-topo-so-se-conhece-pelo-retrovisor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/o-topo-so-se-conhece-pelo-retrovisor\/","title":{"rendered":"O TOPO S\u00d3 SE CONHECE PELO RETROVISOR"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira com o vencimento outubro\/26 a 17.56 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, apenas 4 pontos abaixo do fechamento da semana anterior, enquanto o mar&ccedil;o\/27 fechou a 18.58 centavos, 5 pontos acima. Ou seja: depois de tanta emo&ccedil;&atilde;o, a semana terminou praticamente no zero a zero nos primeiros vencimentos. O movimento interessante ficou na ponta longa da curva: os vencimentos de maio\/28 a mar&ccedil;o\/29 &mdash; que representam a safra 2028\/2029 do Centro-Sul &mdash; fecharam em queda de aproximadamente 3 a 7 d&oacute;lares por tonelada, pressionados pelas usinas que aproveitaram os n&iacute;veis atuais para fixar pre&ccedil;os justamente nesse per&iacute;odo. Firmeza na frente, vendedor na ponta longa: a curva contou a hist&oacute;ria de quem est&aacute; fazendo o dever de casa.<\/p>\n<p>E emo&ccedil;&atilde;o n&atilde;o faltou no meio do caminho. Depois de renovar as m&aacute;ximas do ciclo com alta acumulada de 27% em tr&ecirc;s semanas, o outubro\/26 come&ccedil;ou a segunda-feira com forte realiza&ccedil;&atilde;o de lucros, despencando para 17.26 centavos (queda de 1.99%), pressionado por vendas de hedge de usinas brasileiras e pela acelera&ccedil;&atilde;o da colheita no Centro-Sul com a tr&eacute;gua das chuvas. A ter&ccedil;a-feira estendeu a corre&ccedil;&atilde;o &mdash; fechamento a 17.27 centavos, depois de oscilar entre 17.13 e 17.74 &mdash; com um detalhe que merecia aten&ccedil;&atilde;o: volume expressivo de 179,695 lotes e contrato em aberto crescendo 15,470 lotes, sinal de vendedores novos entrando no mercado, e n&atilde;o apenas comprados embolsando ganhos. Em Londres, o branco outubro\/26 recuou a 517.00 d&oacute;lares por tonelada, mantendo o pr&ecirc;mio do branco na casa dos 134 d&oacute;lares.<\/p>\n<p>Quem apostou que a festa tinha acabado, por&eacute;m, saiu do preg&atilde;o de quinta-feira com cara de quem errou a porta. Depois de testar o suporte t&eacute;cnico perto de 17.10 na ter&ccedil;a e reagir cerca de 2% na quarta, o mercado disparou na quinta-feira e rompeu com folga a resist&ecirc;ncia dos 18 centavos, fechando a 18.19 centavos (+3.4%), acompanhado pelo branco em Londres a 524.30 d&oacute;lares por tonelada (+2.0%). Na sexta-feira, o outubro\/26 foi al&eacute;m: atingiu os 18.66 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; exatamente o alvo apontado por n&oacute;s h&aacute; dois meses &mdash; antes de devolver os ganhos e encerrar a semana nos 17.56. O embalo contagiou o mar&ccedil;o\/27, que chegou a negociar na m&aacute;xima dos &uacute;ltimos dois anos, a 19.62 centavos, antes de fechar a 18.58. Alvo atingido, lucro realizado: o mercado fez o que costuma fazer quando chega aonde todos esperavam.<\/p>\n<p>E &eacute; justamente a&iacute; que a an&aacute;lise t&eacute;cnica ganha protagonismo. Como destaca nosso colaborador Marcelo Moreira, o indicador estoc&aacute;stico &mdash; oscilador que mede se o mercado est&aacute; esticado demais na compra ou na venda &mdash; encerrou a semana emitindo sinal de \"venda\" no curto prazo, coerente com a realiza&ccedil;&atilde;o vista ap&oacute;s o toque nos 18.66. Caso a corre&ccedil;&atilde;o prossiga, os pr&oacute;ximos suportes a observar est&atilde;o em 17.28, 16.22 e 15.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Abaixo deles, entram em cena dois pontos de refer&ecirc;ncia que todo participante do mercado acompanha de perto: as m&eacute;dias m&oacute;veis de 100 e 200 dias, hoje em 15.14 e 14.95 centavos, respectivamente. Vale a did&aacute;tica: a m&eacute;dia m&oacute;vel nada mais &eacute; do que o pre&ccedil;o m&eacute;dio dos &uacute;ltimos 100 ou 200 preg&otilde;es, funcionando como o \"ch&atilde;o\" estrutural da tend&ecirc;ncia &mdash; enquanto o mercado negocia acima delas, a alta de fundo segue viva; se forem rompidas para baixo, o quadro muda de corre&ccedil;&atilde;o para revers&atilde;o. Para que a tend&ecirc;ncia altista continue de p&eacute;, alerta Marcelo, esses dois suportes precisam ser respeitados. No sentido oposto, as resist&ecirc;ncias a superar est&atilde;o agora em 17.56, 17.95 e 18.66 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Os fundamentos que sustentaram a recupera&ccedil;&atilde;o no meio da semana vieram de todos os lados. No Centro-Sul, as chuvas de quinta-feira atrasaram a colheita e as usinas seguem priorizando etanol, favorecidas pela recupera&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o do combust&iacute;vel &mdash; combina&ccedil;&atilde;o que aperta a disponibilidade de a&ccedil;&uacute;car para exporta&ccedil;&atilde;o no curto prazo. Na Europa, o Observat&oacute;rio do Mercado do A&ccedil;&uacute;car da UE cortou a proje&ccedil;&atilde;o da safra 2026\/27 para 13.4 milh&otilde;es de toneladas, queda de 19% ante os 16.5 milh&otilde;es da safra anterior, cortesia das ondas de calor e da estiagem que castigaram a beterraba. E a &Iacute;ndia &mdash; sempre ela! &mdash; protagonizou o vaiv&eacute;m da semana: a ISMA (Associa&ccedil;&atilde;o Indiana dos Fabricantes de A&ccedil;&uacute;car e Bioenergia) insiste que a oferta dom&eacute;stica est&aacute; \"fundamentalmente s&oacute;lida\", analistas revisaram a expectativa de importa&ccedil;&atilde;o efetiva para no m&aacute;ximo 500,000 toneladas ante a cota de 1 milh&atilde;o com tarifa zero, mas os pre&ccedil;os internos bateram recordes acima de \u20b9 60\/kg em Maharashtra (equivalentes a 28.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso), e o prazo para as usinas solicitarem a cota encerrou-se justamente nesta sexta-feira, com cronograma apertado de carta de cr&eacute;dito e obriga&ccedil;&atilde;o de refino at&eacute; 31 de outubro (mas devem estender at&eacute; 30 de novembro). Ou seja: ningu&eacute;m sabe ao certo quanto a&ccedil;&uacute;car a &Iacute;ndia vai de fato comprar, e o mercado detesta n&atilde;o saber.<\/p>\n<p>No complexo energ&eacute;tico, a semana foi de digest&atilde;o amarga: o Brent caiu 2.3% na segunda-feira e despencou 5.8% na ter&ccedil;a, a 86.85 d&oacute;lares por barril, devolvendo boa parte do pr&ecirc;mio geopol&iacute;tico do Estreito de Ormuz &mdash; mesmo com as novas san&ccedil;&otilde;es americanas contra empresas ligadas ao Ir&atilde;, recebidas com ceticismo por um mercado que sabe que o petr&oacute;leo iraniano acaba na China. O c&acirc;mbio, por sua vez, encerrou a semana de lado, com o d&oacute;lar fechando a R$ 5.1855 com valoriza&ccedil;&atilde;o de 0.93% na semana, sem oferecer al&iacute;vio nem susto ao a&ccedil;&uacute;car em moeda local.<\/p>\n<p>Os fundos aumentaram suas posi&ccedil;&otilde;es compradas em 26,233 lotes agora acumulando um long de 103,970 lotes equivalentes a quase 5.3 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>Para quem faz hedge, a li&ccedil;&atilde;o da semana &eacute; cristalina: o mercado tocou o alvo dos 18.66 e devolveu mais de um centavo no mesmo preg&atilde;o &mdash; quem aproveitou a for&ccedil;a para travar parte do volume descoberto dormiu tranquilo; quem tentou adivinhar o topo aprendeu, mais uma vez, que topo s&oacute; se conhece pelo retrovisor. E as usinas que fixaram a safra 2028\/2029 nos n&iacute;veis atuais mostraram exatamente o esp&iacute;rito da coisa: escalonar fixa&ccedil;&otilde;es nas fortes subidas de pre&ccedil;o, manter a trava dupla USD\/BRL para quem fixa pre&ccedil;o internacional e acompanhar de perto os suportes t&eacute;cnicos apontados. Perseguir o topo &eacute; esporte de risco; proteger margem &eacute; seguro de sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>E por falar em gest&atilde;o de risco: nos dias 17 e 18 de novembro, a Archer Consulting promove o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos de Commodities Agr&iacute;colas &mdash; presencial, em S&atilde;o Paulo, das 9 &agrave;s 17 horas, em local a ser informado posteriormente. Refer&ecirc;ncia no mercado h&aacute; anos, o curso j&aacute; formou mais de 3,000 profissionais e &eacute; ferramenta essencial para quem quer transformar a teoria dos derivativos em decis&otilde;es concretas de prote&ccedil;&atilde;o de margem &mdash; exatamente o tipo de preparo que separa quem dormiu tranquilo nesta semana de quem passou o preg&atilde;o roendo as unhas. Reserve a data com priscilla@archerconsulting.com.br<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira com o vencimento outubro\/26 a 17.56 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, apenas 4 pontos abaixo do fechamento da semana anterior, enquanto o mar&ccedil;o\/27 fechou a 18.58 centavos, 5 pontos acima. 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