{"id":12925,"date":"2026-09-04T18:19:54","date_gmt":"2026-09-04T18:19:54","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/tres-pilares-sustentam-o-mercado\/"},"modified":"2026-09-04T21:21:17","modified_gmt":"2026-09-04T21:21:17","slug":"tres-pilares-sustentam-o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/tres-pilares-sustentam-o-mercado\/","title":{"rendered":"TR\u00caS PILARES SUSTENTAM O MERCADO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou mais uma semana com o p&eacute; direito. O contrato outubro\/26 fechou negociado a 18.02 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, alta de 46 pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sexta-feira anterior, depois de ter testado, no melhor momento da semana, a m&aacute;xima dos &uacute;ltimos dezesseis meses. O mar&ccedil;o\/27 acompanhou o embalo e subiu 42 pontos, encerrando um pouco abaixo dos 19 centavos &mdash; algo como 9 d&oacute;lares a mais por tonelada. Os vencimentos que correspondem &agrave; safra 27\/28 do Centro-Sul fecharam, na m&eacute;dia, entre 28 e 30 pontos de valoriza&ccedil;&atilde;o, aproximadamente 6.50 d&oacute;lares por tonelada, enquanto a 28\/29 se saiu um pouco melhor: 48 pontos na m&eacute;dia, ou 10.50 d&oacute;lares por tonelada. Ou seja, a curva subiu inteira, do primeiro ao &uacute;ltimo vag&atilde;o.<\/p>\n<p>Os fundos, como era de se esperar, n&atilde;o ficaram assistindo de fora. O relat&oacute;rio do CFTC divulgado na sexta-feira, com a posi&ccedil;&atilde;o de 1&ordm; de setembro, mostra que eles adicionaram mais 28,500 lotes comprados, elevando a posi&ccedil;&atilde;o total para 132,496 lotes &mdash; aproximadamente 6.7 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car. E repare no padr&atilde;o de comportamento: o mercado varia positivamente, vem uma tomada de lucro, ele volta com for&ccedil;a, vem outra tomada de lucro, e ele volta com for&ccedil;a de novo. &Eacute; a assinatura cl&aacute;ssica de um mercado construtivo, que corrige sem perder a dire&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Essa constru&ccedil;&atilde;o est&aacute; calcada em tr&ecirc;s grandes pilares. O primeiro &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o de maior infla&ccedil;&atilde;o no mundo, que provoca uma corrida &mdash; de certa forma inevit&aacute;vel &mdash; para as commodities. Basta olhar o desempenho no acumulado do ano: o grupo de energia lidera com folga, com o &oacute;leo de aquecimento subindo 360%, a gasolina 200%, o petr&oacute;leo Brent 122% e o WTI 96%. Entre as softs, o algod&atilde;o acumula alta de 19% e o a&ccedil;&uacute;car, de 17%. Quando o dinheiro foge da infla&ccedil;&atilde;o, ele costuma se esconder atr&aacute;s de coisas que se plantam, se extraem ou se queimam.<\/p>\n<p>O segundo pilar &eacute; o clima. O El Ni&ntilde;o ainda pode fazer novas v&iacute;timas: espera-se quebra na safra tailandesa e na europeia &mdash; a Fran&ccedil;a deve produzir mais de 20% abaixo da m&eacute;dia de cinco anos por conta da seca e do calor, e a produ&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia somada ao Reino Unido est&aacute; projetada no menor n&iacute;vel em onze anos. O resultado da conta &eacute; falta de disponibilidade de a&ccedil;&uacute;car. Por aqui, esperam-se chuvas neste m&ecirc;s de setembro no Centro-Sul, atrapalhando o ritmo de colheita, e algumas usinas j&aacute; trabalham com um n&uacute;mero de cana bisada para o ano que vem em torno de 37 milh&otilde;es de toneladas &mdash; um n&uacute;mero, convenhamos, bastante espantoso. Os n&uacute;meros da primeira quinzena de agosto ajudam a entender o nervosismo: a moagem cresceu 2%, mas a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car caiu 7.9%, para 3.31 milh&otilde;es de toneladas, enquanto o etanol subiu 6%. No acumulado da safra, o a&ccedil;&uacute;car recua 11.7% e o etanol avan&ccedil;a 14.7%, com estoques do biocombust&iacute;vel quase 23% maiores que os do ano passado.<\/p>\n<p>O terceiro pilar &eacute; mais silencioso, mas merece aten&ccedil;&atilde;o: as posi&ccedil;&otilde;es vendidas a descoberto de op&ccedil;&otilde;es de compra. Se o mercado continuar subindo e essas calls chegarem ao ponto em que seus detentores precisem cobrir a posi&ccedil;&atilde;o, teremos combust&iacute;vel adicional para o rali &mdash; daqueles que aparecem de repente e sem pedir licen&ccedil;a. Ainda &eacute; muito cedo para afirmar que isso vai ocorrer, mas o risco existe e pode trazer vulnerabilidade para quem est&aacute; do lado errado do balc&atilde;o.<\/p>\n<p>No notici&aacute;rio internacional, a &Iacute;ndia continuou sendo o personagem principal da temporada. Depois de ver os pre&ccedil;os dom&eacute;sticos dispararem a n&iacute;veis recordes &mdash; em Maharashtra houve neg&oacute;cio acima de 60 r&uacute;pias o quilo, 60% acima de julho &mdash;, o governo reagiu com o arsenal completo: quota de importa&ccedil;&atilde;o de 1 milh&atilde;o de toneladas de a&ccedil;&uacute;car bruto isenta de imposto (a primeira em cerca de dez anos), limites de estoque para intermedi&aacute;rios e consumidores industriais, quotas quinzenais de venda e fiscaliza&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica nos armaz&eacute;ns. O pre&ccedil;o ex-usina j&aacute; cedeu perto de 20%, mas o recado ao mercado mundial ficou dado: a &Iacute;ndia est&aacute; fora do jogo exportador e pode, dependendo da mon&ccedil;&atilde;o, virar compradora relevante. De quebra, com o a&ccedil;&uacute;car valendo tanto no mercado interno, desviar cana para o etanol virou mau neg&oacute;cio por l&aacute; &mdash; o programa de mistura que se cuide.<\/p>\n<p>Do lado da demanda, nem tudo &eacute; euforia. A China deve importar cerca de 4.5 milh&otilde;es de toneladas, contra 5.3 milh&otilde;es no ciclo passado, embalada por uma safra dom&eacute;stica perto de 13 milh&otilde;es de toneladas; a Indon&eacute;sia limitou a quota industrial de 2026 a aproximadamente 3.1 milh&otilde;es de toneladas, a menor em sete anos, em nome da autossufici&ecirc;ncia. E o Paquist&atilde;o, fiel ao seu estilo, decidiu exportar 108 mil toneladas do a&ccedil;&uacute;car que havia importado meses atr&aacute;s &mdash; o eterno ciclo exporta-importa-exporta que j&aacute; virou folclore no mercado. S&atilde;o contrapesos reais &agrave; narrativa de d&eacute;ficit &mdash; que as consultorias de mercado j&aacute; estimam em at&eacute; 3.2 milh&otilde;es de toneladas para 2026\/27 &mdash;, mas, por enquanto, o mercado prefere olhar para o lado da oferta.<\/p>\n<p>No c&acirc;mbio, o d&oacute;lar teve pequena desvaloriza&ccedil;&atilde;o de 0.16% at&eacute; o momento em que este relat&oacute;rio era escrito, come&ccedil;ando a semana em 5.1379 e devendo encerrar ao redor de 5.1300. Traduzindo em reais com o NDF, a safra 26\/27 &mdash; da qual restam apenas outubro e mar&ccedil;o &mdash; subiu 17 reais por tonelada; a 27\/28 ficou praticamente inalterada; e a 28\/29 melhorou 30 reais. Os valores m&eacute;dios dessas tr&ecirc;s safras ficaram, respectivamente, em 2,236, 2,334 e 2,403 reais por tonelada. Para quem precisa fixar, a curva em reais continua oferecendo n&iacute;veis historicamente confort&aacute;veis &mdash; e hedge bom &eacute; aquele que se faz enquanto ainda d&aacute; tempo, n&atilde;o depois que o mercado virou.<\/p>\n<p>Na an&aacute;lise t&eacute;cnica, nosso colaborador Marcelo Moreira observa que o outubro\/26 iniciou a semana em forte alta, com o aux&iacute;lio do petr&oacute;leo e das not&iacute;cias sobre a redu&ccedil;&atilde;o da safra brasileira, al&eacute;m das novidades vindas da &Iacute;ndia. O indicador estoc&aacute;stico, que havia encerrado a semana anterior apontando venda, reverteu e ajudou a empurrar o contrato a testar a m&aacute;xima dos &uacute;ltimos dezesseis meses, a 18.77 centavos. Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de lucro, o outubro negociou na m&iacute;nima semanal de 17.62 e encerrou a 18.02 &mdash; com o estoc&aacute;stico voltando a fechar indicando venda para a pr&oacute;xima semana. No curto prazo, os suportes importantes est&atilde;o em 17.92, 17.65, 17.16, 16.22, 15.93 e 15.32 (a m&eacute;dia m&oacute;vel de 200 dias); as resist&ecirc;ncias, em 18.48, 18.67 e 18.77.<\/p>\n<p>Por fim, uma nota de calend&aacute;rio: segunda-feira &eacute; feriado nos Estados Unidos (Dia do Trabalho) e tamb&eacute;m no Brasil (Independ&ecirc;ncia). A semana que vem, portanto, ser&aacute; mais curta &mdash; e semana curta, com liquidez menor e fundos carregando 6.7 milh&otilde;es de toneladas compradas, costuma amplificar qualquer solavanco. Se as quest&otilde;es geopol&iacute;ticas resolverem contribuir com volatilidade adicional, poderemos ter dias mais conturbados. Aperte os cintos e revise o hedge.<\/p>\n<p>E por falar em hedge: nos dias 17 e 18 de novembro, a Archer Consulting promove o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos de Commodities Agr&iacute;colas &mdash; presencial, em S&atilde;o Paulo, das 9 &agrave;s 17 horas, em local a ser informado posteriormente. Refer&ecirc;ncia no mercado h&aacute; anos, o curso j&aacute; formou mais de 3,000 profissionais e &eacute; ferramenta essencial para quem quer transformar a teoria dos derivativos em decis&otilde;es concretas de prote&ccedil;&atilde;o de margem &mdash; exatamente o tipo de preparo que separa quem dormiu tranquilo nesta semana de quem passou o preg&atilde;o roendo as unhas. Reserve a data com <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Bom feriado e bom descanso<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou mais uma semana com o p&eacute; direito. O contrato outubro\/26 fechou negociado a 18.02 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, alta de 46 pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sexta-feira anterior, depois de ter testado, no melhor momento da semana, a m&aacute;xima dos &uacute;ltimos dezesseis meses. 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