{"id":12985,"date":"2026-09-25T17:42:04","date_gmt":"2026-09-25T17:42:04","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-mundo-conta-com-o-brasil-o-brasil-conta-os-dias-de-moagem\/"},"modified":"2026-09-25T20:42:56","modified_gmt":"2026-09-25T20:42:56","slug":"o-mundo-conta-com-o-brasil-o-brasil-conta-os-dias-de-moagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/o-mundo-conta-com-o-brasil-o-brasil-conta-os-dias-de-moagem\/","title":{"rendered":"O MUNDO CONTA COM O BRASIL. O BRASIL CONTA OS DIAS DE MOAGEM"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a semana com o mar&ccedil;o de 2027 a 18.54 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, alta de 26 pontos, ou pouco menos de 6 d&oacute;lares por tonelada. N&atilde;o foi uma semana muito excitante, mas o pre&ccedil;o subiu enquanto a discuss&atilde;o sobre a safra brasileira ficou mais s&eacute;ria.<\/p>\n<p>A pergunta agora &eacute;: quanto a&ccedil;&uacute;car o Centro-Sul conseguir&aacute; produzir? Cana, ao que tudo indica, haver&aacute;. O problema &eacute; mo&ecirc;-la. Muitas usinas est&atilde;o fazendo as contas e concluindo que parte da mat&eacute;ria-prima ficar&aacute; no campo para a pr&oacute;xima safra. As estimativas de cana bisada variam de 35 a 50 milh&otilde;es de toneladas. &Eacute; cana demais para tratar como nota de rodap&eacute;.<\/p>\n<p>O leigo poder&aacute; sugerir que as usinas simplesmente estendam o per&iacute;odo de moagem. Parece uma &oacute;tima solu&ccedil;&atilde;o, especialmente para quem nunca precisou parar uma usina para manuten&ccedil;&atilde;o. Algumas unidades calculam que o servi&ccedil;o, quando feito internamente, exige pelo menos 120 dias. Terceirizar pode encurtar o prazo, mas custa mais caro. A manuten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desaparece por decis&atilde;o de um analista, assim como a chuva n&atilde;o para porque a planilha j&aacute; fechou.<\/p>\n<p>Por isso, aquela produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima de 40 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car, que figurava na m&eacute;dia das proje&ccedil;&otilde;es de duas dezenas de consultorias, come&ccedil;a a parecer exageradamente otimista. Nossa estimativa &eacute; de 39,2 milh&otilde;es de toneladas, mas provavelmente teremos de revis&aacute;-la para baixo. O Ita&uacute; BBA j&aacute; trabalha com 38,9 milh&otilde;es. E ainda h&aacute; a ATR: podemos ter um bom volume de cana e uma concentra&ccedil;&atilde;o menor de a&ccedil;&uacute;cares, caso as chuvas continuem atrapalhando a colheita e a matura&ccedil;&atilde;o. Tonelada de cana, por si s&oacute;, n&atilde;o ado&ccedil;a ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>Os n&uacute;meros mais recentes j&aacute; recomendam cautela. Segundo os dados do MAPA que acompanhamos, a moagem acumulada at&eacute; agosto cresceu 2,2% em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo per&iacute;odo do ano passado, mas a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car caiu 4,8% na segunda quinzena, com mais cana destinada ao etanol. A diferen&ccedil;a entre moer cana e produzir a&ccedil;&uacute;car, que &agrave;s vezes some nas apresenta&ccedil;&otilde;es mais animadas, voltou a aparecer.<\/p>\n<p>E o mundo depende cada vez mais do Brasil. No in&iacute;cio deste s&eacute;culo, respond&iacute;amos por aproximadamente 35% do a&ccedil;&uacute;car destinado ao mercado internacional. Hoje, essa participa&ccedil;&atilde;o est&aacute; perto de 60%. Se a oferta brasileira encolher, n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil encontrar substituto. A Tail&acirc;ndia enfrenta estimativas de queda de 12,5% na produ&ccedil;&atilde;o; na Europa, fala-se em redu&ccedil;&atilde;o de 15% na produ&ccedil;&atilde;o de beterraba. O El Ni&ntilde;o ainda amea&ccedil;a a cana asi&aacute;tica. Para o mercado de a&ccedil;&uacute;car branco, a combina&ccedil;&atilde;o tampouco parece especialmente tranquilizadora. Ser&aacute; que NY bate os 22 centavos de d&oacute;lar por libra peso?<\/p>\n<p>A &Iacute;ndia completa o quadro. A restri&ccedil;&atilde;o &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es vai, em princ&iacute;pio, at&eacute; 30 de setembro, e o novo ano-safra come&ccedil;a em 1&ordm; de outubro com estoques iniciais menores. A possibilidade de o pa&iacute;s voltar a exportar volumes relevantes na pr&oacute;xima temporada parece remota. &Eacute; nesse ambiente que surgem estimativas de d&eacute;ficit global entre 2 milh&otilde;es e 3,5 milh&otilde;es de toneladas. Como de costume, os n&uacute;meros exatos ser&atilde;o conhecidos depois que o mercado j&aacute; tiver cobrado a conta.<\/p>\n<p>Os fundos continuam comprados. Na posi&ccedil;&atilde;o de 22 de setembro, estavam l&iacute;quidos comprados em 146.790 contratos, equivalentes a cerca de 7,46 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car. Reduziram a exposi&ccedil;&atilde;o, mas continuam longe de assistir ao mercado da arquibancada. Isso ajuda a sustentar os pre&ccedil;os, embora tamb&eacute;m possa provocar corre&ccedil;&otilde;es quando resolverem realizar lucros. Fundo comprado &eacute; companhia agrad&aacute;vel na alta; na sa&iacute;da, &agrave;s vezes esquece de avisar.<\/p>\n<p>H&aacute; argumentos baixistas, naturalmente. Os estoques ainda s&atilde;o confort&aacute;veis em alguns mercados, a China aumentou ligeiramente os seus, e o mix brasileiro poderia voltar ao a&ccedil;&uacute;car. Tamb&eacute;m pesariam um petr&oacute;leo mais fraco, um d&oacute;lar mais forte ou uma realiza&ccedil;&atilde;o mais agressiva dos fundos. O problema para essa tese &eacute; que, por enquanto, o receio crescente nas usinas n&atilde;o &eacute; escolher entre a&ccedil;&uacute;car e etanol, mas saber se haver&aacute; tempo para moer toda a cana. N&atilde;o adianta mudar o mix de uma cana que ficou no campo.<\/p>\n<p>Ainda &eacute; cedo para decretar uma quebra da produ&ccedil;&atilde;o brasileira ou anunciar uma alta sem escalas. Mas a dist&acirc;ncia entre a cana dispon&iacute;vel e o a&ccedil;&uacute;car que efetivamente chegar&aacute; ao mercado merece aten&ccedil;&atilde;o. O mercado costuma ser muito generoso com proje&ccedil;&otilde;es feitas no conforto do escrit&oacute;rio. Com usina parada, chuva no canavial e comprador precisando de a&ccedil;&uacute;car, o senso de humor dele muda bastante.<\/p>\n<p>Segundo nosso colaborador Marcelo Moreira, os suportes do mar&ccedil;o de 2027 est&atilde;o em 17,71, 16,71, 16,08 e 14,86 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. As resist&ecirc;ncias aparecem em 18,63, 19,28, 19,90 e 20,57 centavos. Com o fechamento a 18,54, a primeira delas est&aacute; logo ali.<\/p>\n<p>Anote a&iacute;: nos dias 17 e 18 de novembro, a Archer Consulting promove o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos de Commodities Agr&iacute;colas &mdash; presencial, em S&atilde;o Paulo, das 9 &agrave;s 17 horas, em local a ser informado posteriormente. Refer&ecirc;ncia no mercado h&aacute; 20 anos, o curso j&aacute; formou mais de 3,000 profissionais e &eacute; ferramenta essencial para quem quer transformar a teoria dos derivativos em decis&otilde;es concretas de prote&ccedil;&atilde;o de margem. Reserve sua vaga com <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a semana com o mar&ccedil;o de 2027 a 18.54 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, alta de 26 pontos, ou pouco menos de 6 d&oacute;lares por tonelada. N&atilde;o foi uma semana muito excitante, mas o pre&ccedil;o subiu enquanto a discuss&atilde;o sobre a safra brasileira ficou mais s&eacute;ria. 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