{"id":13005,"date":"2026-10-02T17:39:24","date_gmt":"2026-10-02T17:39:24","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-chao-estava-escorregadio\/"},"modified":"2026-10-02T20:39:47","modified_gmt":"2026-10-02T20:39:47","slug":"o-chao-estava-escorregadio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/o-chao-estava-escorregadio\/","title":{"rendered":"O CH\u00c3O ESTAVA ESCORREGADIO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York deu um salto espetacular nesta semana. O contrato mar&ccedil;o\/27 encerrou a sexta-feira cotado a 19.91 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando alta de 141 pontos &mdash; pouco mais de US$ 31 por tonelada. Nada mal para um mercado que, n&atilde;o faz muito tempo, parecia condenado ao purgat&oacute;rio.<\/p>\n<p>E os consumidores industriais que acreditaram no bl&aacute;-bl&aacute;-bl&aacute; de que o mercado iria buscar os 12 centavos de d&oacute;lar por libra-peso porque esse seria o &ldquo;ch&atilde;o&rdquo; determinado pela paridade com o etanol agora chupam o dedo. Parece que o ch&atilde;o estava um pouco escorregadio. Quem deixou de fixar esperando pelos 12, 13 ou mesmo 14 centavos continua precisando comprar a&ccedil;&uacute;car. S&oacute; que agora a conversa &eacute; perto dos 20. O mercado tem dessas delicadezas.<\/p>\n<p>Os vencimentos seguintes, que contemplam a safra 2027\/28 do Centro-Sul &mdash; de maio\/27 a mar&ccedil;o\/28 &mdash; tamb&eacute;m fecharam confortavelmente no azul, acumulando ganhos entre 59 e 119 pontos na semana, equivalentes a aproximadamente US$ 13-26 por tonelada.<\/p>\n<p>Uma coisa chama a aten&ccedil;&atilde;o: as usinas est&atilde;o aproveitando essas altas para adicionar fixa&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;os para a safra do ano que vem. H&aacute; muitas unidades com percentual de fixa&ccedil;&atilde;o j&aacute; acima de 50%. &Eacute; uma atitude respons&aacute;vel, especialmente porque a conversa hoje aponta para uma safra de cana bastante grande em 2027\/28. Mercado em alta &eacute; &oacute;timo para alimentar narrativas; para quem produz a&ccedil;&uacute;car, tamb&eacute;m serve para fixar pre&ccedil;o. Conv&eacute;m n&atilde;o esquecer esse pequeno detalhe.<\/p>\n<p>H&aacute; outro aspecto particularmente interessante nesse movimento. A volumosa entrega f&iacute;sica registrada na expira&ccedil;&atilde;o do contrato outubro\/26 poderia, pela cartilha, ser interpretada como um sinal baixista. Afinal, costuma-se dizer que a entrega na bolsa &eacute; o &uacute;ltimo recurso do vendedor: se h&aacute; muito a&ccedil;&uacute;car sendo entregue, seria porque faltaram compradores dispostos a pagar melhor no mercado f&iacute;sico. Conceitualmente, faz sentido. O problema &eacute; que o mercado tem o p&eacute;ssimo h&aacute;bito de n&atilde;o ler a cartilha.<\/p>\n<p>Vale olhar para a hist&oacute;ria recente. Entre as maiores entregas do vencimento outubro tivemos 2,62 milh&otilde;es de toneladas em 2020, 2,82 milh&otilde;es em 2023 &mdash; recorde hist&oacute;rico &mdash; e aproximadamente 1,70 milh&atilde;o em 2024. Nos tr&ecirc;s epis&oacute;dios, o que se viu posteriormente foi um mercado mais firme. Ou seja, aquilo que, em princ&iacute;pio, deveria representar um sinal de fraqueza acabou antecedendo movimentos de alta. E, pelo menos at&eacute; agora, parece que estamos assistindo novamente ao mesmo filme.<\/p>\n<p>A explica&ccedil;&atilde;o pode estar justamente no basis. Uma entrega volumosa transfere uma quantidade expressiva de a&ccedil;&uacute;car para as m&atilde;os dos recebedores. Se, apesar desse volume, a demanda f&iacute;sica permanecer firme, o basis &mdash; o pr&ecirc;mio ou desconto do a&ccedil;&uacute;car f&iacute;sico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; bolsa &mdash; tende a se valorizar. E, se o comprador nomear os navios mais cedo do que se esperava, o basis pode valorizar.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, 2020 foi um exemplo interessante. Poucos dias depois daquela gigantesca entrega de aproximadamente 2,62 milh&otilde;es de toneladas, a demanda spot continuava firme e o a&ccedil;&uacute;car VHP para embarque em outubro chegou a ser negociado a apenas 40 pontos de desconto para mar&ccedil;o, n&iacute;vel considerado elevado diante do tamanho da entrega.<\/p>\n<p>E &eacute; a&iacute; que chegamos ao ponto central: a valoriza&ccedil;&atilde;o do basis costuma ser uma das &uacute;ltimas pe&ccedil;as a se encaixar na consolida&ccedil;&atilde;o de um mercado efetivamente altista. Primeiro sobe a tela. Depois, se os fundamentos confirmarem o movimento, o f&iacute;sico come&ccedil;a a cobrar seu pre&ccedil;o. Isso n&atilde;o aconteceu em 2023 e por isso, esse escriba, estava sozinho acreditando que o mercado ia desabar. E desabou! &nbsp;Quando o basis valoriza, a alta deixa de ser apenas uma narrativa bonita contada pela tela de futuros e come&ccedil;a a aparecer onde realmente importa: no bolso de quem precisa comprar a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>E, por falar em tela, nosso colaborador Marcelo Moreira chama a aten&ccedil;&atilde;o para a for&ccedil;a t&eacute;cnica do movimento. O mar&ccedil;o\/27 chegou a negociar a 19.96 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, m&aacute;xima dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos. Segundo Marcelo, no curto prazo os suportes est&atilde;o em 19.86, 19.31, 19.00, 18.44 e 18.04 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. A resist&ecirc;ncia mais relevante aparece em 20.65 centavos. O indicador estoc&aacute;stico encerrou a semana ainda sinalizando &ldquo;compra&rdquo;, mantendo, portanto, a configura&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica positiva.<\/p>\n<p>Marcelo chama a aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m para o comportamento do real na abertura de segunda-feira, ap&oacute;s o resultado das elei&ccedil;&otilde;es do fim de semana. Uma valoriza&ccedil;&atilde;o expressiva da moeda brasileira poder&aacute; ajudar Nova York a testar &mdash; e eventualmente romper &mdash; a resist&ecirc;ncia dos 20.65 centavos. No sentido contr&aacute;rio, uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o mais forte do real poder&aacute; pressionar as cota&ccedil;&otilde;es e colocar &agrave; prova os primeiros suportes mencionados acima.<\/p>\n<p>Outro n&iacute;vel importante &eacute; a m&eacute;dia m&oacute;vel de 200 dias, atualmente localizada em 16.85 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Para a manuten&ccedil;&atilde;o da configura&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica construtiva, &eacute; importante que o mercado continue trabalhando acima dela.<\/p>\n<p>Depois de passar meses ouvindo onde estaria o ch&atilde;o do a&ccedil;&uacute;car, talvez esteja na hora de come&ccedil;ar a procurar o teto. E quem resolveu esperar pelo elevador no subsolo talvez descubra que ele j&aacute; est&aacute; chegando ao vig&eacute;simo andar.<\/p>\n<p>--<\/p>\n<p>&Eacute; triste constatar que, mais uma vez, muitos brasileiros ir&atilde;o &agrave;s urnas com a sensa&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o est&atilde;o escolhendo o melhor candidato, mas simplesmente aquele que consideram o menos ruim. &Eacute; uma cena que se repete elei&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s elei&ccedil;&atilde;o e que revela muito sobre a fragilidade do nosso sistema pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>Independentemente de quem ven&ccedil;a, tenho enorme dificuldade em enxergar perspectivas de uma transforma&ccedil;&atilde;o estrutural do pa&iacute;s. O Brasil n&atilde;o mudar&aacute; de patamar sem um investimento s&eacute;rio, consistente e de longo prazo em educa&ccedil;&atilde;o &mdash; e, sobretudo, sem o fortalecimento da cidadania e das institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Precisamos de um Congresso que coloque os interesses do pa&iacute;s acima das conveni&ecirc;ncias pol&iacute;ticas e pessoais, ou como disse uma candidata ao Senado num ato falho, &ldquo;os pol&iacute;ticos precisam roubar menos&rdquo;; de um Senado que exer&ccedil;a com independ&ecirc;ncia e rigor suas atribui&ccedil;&otilde;es constitucionais, inclusive na sabatina de indicados ao Supremo Tribunal Federal; e de um Judici&aacute;rio que reconhe&ccedil;a os limites institucionais de sua atua&ccedil;&atilde;o e esteja permanentemente sujeito ao escrut&iacute;nio e aos mecanismos de controle previstos pela pr&oacute;pria democracia.<\/p>\n<p>Sem institui&ccedil;&otilde;es fortes, equil&iacute;brio entre os Poderes, educa&ccedil;&atilde;o de qualidade e uma sociedade mais consciente de seus direitos e deveres, continuaremos discutindo nomes a cada quatro anos sem enfrentar as causas profundas dos nossos problemas.<\/p>\n<p>&Agrave;s vezes tenho a impress&atilde;o de que transformamos a Rep&uacute;blica num grande lupanar, onde os interesses particulares frequentemente parecem falar mais alto do que o interesse p&uacute;blico. &Eacute; uma imagem dura, certamente. Mas talvez mais triste seja perceber como nos acostumamos a ela.<\/p>\n<p>--<\/p>\n<p>Anote a&iacute;: nos dias 17 e 18 de novembro, a Archer Consulting promove o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos de Commodities Agr&iacute;colas &mdash; presencial, em S&atilde;o Paulo, das 9 &agrave;s 17 horas, em local a ser informado posteriormente. Refer&ecirc;ncia no mercado h&aacute; 20 anos, o curso j&aacute; formou mais de 3,000 profissionais e &eacute; ferramenta essencial para quem quer transformar a teoria dos derivativos em decis&otilde;es concretas de prote&ccedil;&atilde;o de margem. Reserve sua vaga com <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York deu um salto espetacular nesta semana. 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