{"id":13025,"date":"2026-10-09T18:59:55","date_gmt":"2026-10-09T18:59:55","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/doce-em-dolar-amargo-em-reais\/"},"modified":"2026-10-09T21:59:58","modified_gmt":"2026-10-09T21:59:58","slug":"doce-em-dolar-amargo-em-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/doce-em-dolar-amargo-em-reais\/","title":{"rendered":"DOCE EM D\u00d3LAR, AMARGO EM REAIS"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira com o mar&ccedil;o\/27 cotado a 20.27 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, alta de 35 pontos na semana, quase US$ 8 por tonelada. O saldo &eacute; modesto e n&atilde;o conta a viagem. Na segunda-feira o contrato rompeu os 20 centavos de d&oacute;lar por libra peso e fechou a 20.73; na quarta tocou 21.24, maior n&iacute;vel desde fevereiro de 2025; na quinta devolveu 68 pontos de uma s&oacute; vez e na sexta-feira ganhou apenas 13 pontos. O elevador que na semana passada chegava ao vig&eacute;simo andar subiu at&eacute; o vig&eacute;simo primeiro, espiou a vista e voltou.<\/p>\n<p>Os fundos foram os principais protagonistas dessa escalada de pre&ccedil;os. Segundo o COT (Commitment of Traders) publicado nesta sexta-feira pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira passada, os fundos estavam comprados 212,559 contratos um acr&eacute;scimo de 60,442 contratos em apenas uma semana.<\/p>\n<p>N&atilde;o foi a maior compra semanal do ano: na semana encerrada em 11 de agosto os fundos compraram 116,888 contratos, quando descobriram que estavam do lado errado e viraram a m&atilde;o de vendidos para comprados. O interessante &eacute; que agora o mercado sobe com mais for&ccedil;a e com menos volume, poss&iacute;vel sinal de que falta vendedor do outro lado. Leia-se: as usinas j&aacute; est&atilde;o bem adiantadas nas fixa&ccedil;&otilde;es da pr&oacute;xima safra. Fica o alerta. Muito se fala da cana bisada e do volume extraordin&aacute;rio de a&ccedil;&uacute;car que ela promete para o ano que vem. Pode ser. Mas a&ccedil;&uacute;car j&aacute; fixado n&atilde;o volta &agrave; tela para pressionar pre&ccedil;o, e qualquer ruptura clim&aacute;tica ou geopol&iacute;tica pode manter acesa a chama dos pre&ccedil;os remuneradores.<\/p>\n<p>Outro sinal de alerta: mesmo depois de uma semana de compras desse tamanho, os fundos det&ecirc;m apenas 18% da posi&ccedil;&atilde;o em aberto total, muito aqu&eacute;m dos quase 25% que carregavam em fevereiro deste ano, quando apostavam, com a mesma convic&ccedil;&atilde;o, na ponta vendida. N&atilde;o h&aacute; pressa nem risco desmedido que os obrigue a liquidar uma posi&ccedil;&atilde;o vencedora como essa.<\/p>\n<p>Os fundos, &eacute; verdade, tiveram ajuda: a chuva que atrasa a moagem no Centro-Sul, a mon&ccedil;&atilde;o indiana 12.6% abaixo da m&eacute;dia, a Tail&acirc;ndia com produ&ccedil;&atilde;o projetada em cerca de 10 milh&otilde;es de toneladas (17% menor), a beterraba europeia com produtividade tamb&eacute;m 17% inferior &agrave; do ano passado e o d&eacute;ficit global de 0.2 milh&atilde;o de toneladas que a ISO projeta para 2026\/27. A &Iacute;ndia completou o quadro: a ISMA declarou que exportar em 2026\/27 est&aacute; &ldquo;fora de quest&atilde;o&rdquo; e que o pa&iacute;s deve recorrer ao 1 milh&atilde;o de toneladas de a&ccedil;&uacute;car bruto j&aacute; liberado para importa&ccedil;&atilde;o. No Paquist&atilde;o, o governo tentou exportar 107,739 toneladas de a&ccedil;&uacute;car branco pedindo cerca de US$ 660 por tonelada, num mercado que paga entre US$ 505 e US$ 515. N&atilde;o apareceu um &uacute;nico lance, o que surpreendeu apenas o vendedor.<\/p>\n<p>Os n&uacute;meros do Centro-Sul explicam parte do nervosismo. At&eacute; 15 de setembro, a moagem acumulada somava 443.71 milh&otilde;es de toneladas, 1.5% abaixo do ano passado, na primeira queda desta safra. A produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car, de 26.07 milh&otilde;es de toneladas, recuava 14.4%, enquanto a de etanol, com 22.94 bilh&otilde;es de litros, crescia 8.7%. S&oacute; na primeira quinzena de setembro a moagem caiu 34.2% e o a&ccedil;&uacute;car, 41.6%. A cana que a chuva n&atilde;o deixou colher fica para 2027\/28, safra que j&aacute; prometia ser grande. E o Brent, que voltou a superar US$ 100 na quinta-feira com os ataques a petroleiros no Oriente M&eacute;dio, d&aacute; &agrave; usina mais um motivo para manter o mix no etanol. Os dados da segunda quinzena de setembro ainda n&atilde;o sa&iacute;ram e ser&atilde;o o pr&oacute;ximo teste para o pr&ecirc;mio de risco embutido nos pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Acima dos 21 centavos, por&eacute;m, o comprador f&iacute;sico recuou. Compreende-se: quem achou caro a 14 centavos de d&oacute;lar por libra peso n&atilde;o haveria de achar barato a 21 centavos de d&oacute;lar por libra peso. E mercado que sobe 40% desde julho tem o direito de parar para respirar.<\/p>\n<p>O acontecimento da semana, no entanto, foi o c&acirc;mbio. Depois do primeiro turno da elei&ccedil;&atilde;o, com vit&oacute;ria acachapante da direita, o d&oacute;lar caiu 4.4% na semana e encerrou a sexta-feira cotado a R$ 4.9866. Feita a conta, o mar&ccedil;o\/27 valia cerca de R$ 2,292 por tonelada na sexta-feira anterior e vale hoje R$ 2,228. Nova York subiu 1.7% e a receita em reais caiu 2.8%. &Eacute; o tipo de alta que se comemora em ingl&ecirc;s e se lamenta em portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira, que na semana passada avisou que um real forte depois da elei&ccedil;&atilde;o ajudaria Nova York a romper os 20.65 centavos (rompeu j&aacute; na segunda-feira), p&otilde;e o dedo na mesma ferida com um horizonte mais longo. O mar&ccedil;o\/27 negociou a 21.24 centavos, m&aacute;xima da semana e, para este vencimento, dos &uacute;ltimos dois anos, vindo de 17.60&ndash;17.70. No mesmo per&iacute;odo, o d&oacute;lar saiu de R$ 6.35 para R$ 5.00. Pelo fechamento de hoje, o a&ccedil;&uacute;car equivale a R$ 2,228 por tonelada, contra R$ 2,420 no &uacute;ltimo bimestre de 2024. Em d&oacute;lar, o contrato vale 15% mais; em reais, quase 8% menos. Segundo Marcelo, o mar&ccedil;o\/27 tem suportes em 19.85, 19.77 e 18.93 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e resist&ecirc;ncias em 20.92 e 21.24.<\/p>\n<p>A li&ccedil;&atilde;o &eacute; antiga e segue ignorada: usina n&atilde;o paga folha em centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Quem fixou Nova York e deixou o c&acirc;mbio para depois fez metade do hedge, e a metade que faltou foi justamente a que mais se mexeu. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o real ainda vai dar trabalho. A receita continua a mesma: fixar em degraus, aproveitar os repiques para a regi&atilde;o de 20.80 a 21.00 centavos, onde est&aacute; a primeira resist&ecirc;ncia apontada pelo Marcelo, proteger o piso com puts em vez de vender tudo de uma vez e tratar o d&oacute;lar com a mesma disciplina dedicada &agrave; tela. Hedge continua sendo o que sempre foi: seguro de margem.<\/p>\n<p>E por falar em hedge, n&atilde;o se esque&ccedil;a que nos dias 17 e 18 de novembro, a Archer Consulting promove o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos de Commodities Agr&iacute;colas &mdash; presencial, em S&atilde;o Paulo, das 9 &agrave;s 17 horas, em local a ser informado posteriormente. Refer&ecirc;ncia no mercado h&aacute; 20 anos, o curso j&aacute; formou mais de 3,000 profissionais e &eacute; ferramenta essencial para quem quer transformar a teoria dos derivativos em decis&otilde;es concretas de prote&ccedil;&atilde;o de margem. Reserve sua vaga com <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Segunda-feira &eacute; feriado no Brasil . Aproveite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira com o mar&ccedil;o\/27 cotado a 20.27 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, alta de 35 pontos na semana, quase US$ 8 por tonelada. O saldo &eacute; modesto e n&atilde;o conta a viagem. 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