{"id":8646,"date":"2017-06-23T00:00:00","date_gmt":"2017-06-23T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.archerconsulting.com.br\/novo\/artigos\/artigo4813\/"},"modified":"2017-06-23T00:00:00","modified_gmt":"2017-06-23T03:00:00","slug":"artigo4813","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/artigo4813\/","title":{"rendered":"O MERCADO DE A\u00c7\u00daCAR E A ANTIFRAGILIDADE"},"content":{"rendered":"<!--:pt--><p>Sempre que nos deparamos com mercados de grandes oscila&ccedil;&otilde;es, como tem ocorrido recentemente com as commodities lideradas por caf&eacute; e a&ccedil;&uacute;car, vem &agrave; mem&oacute;ria o famoso risco de cauda. Essa denomina&ccedil;&atilde;o faz refer&ecirc;ncia a eventos cuja probabilidade de ocorr&ecirc;ncia &eacute; muito pequena.<\/p>\n<p>Num mercado cujo retorno obede&ccedil;a a uma distribui&ccedil;&atilde;o normal, o risco de cauda &eacute; aquele evento considerado muito improv&aacute;vel porque est&aacute; al&eacute;m de tr&ecirc;s desvios padr&atilde;o, algo como 0,3% de chance de ocorr&ecirc;ncia. Para ilustrar, &eacute; a probabilidade hoje de o contrato futuro de a&ccedil;&uacute;car com vencimento para outubro\/2017 negociar a 24 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Para efeito do que eu gostaria de demonstrar logo a seguir vou usar algo entre 2,5 e 3,0 desvios.<\/p>\n<p>Exatamente por ter essa pequena probabilidade &eacute; que esquecemos desse risco. No entanto, alguns gestores de risco com abordagem mais moderna recomendam que se fa&ccedil;a o hedge do risco de cauda dentro da premissa de que o mercado n&atilde;o segue uma distribui&ccedil;&atilde;o normal e a cauda pode ser mais gorda do que pens&aacute;vamos, ou seja, com maior possibilidade de ocorr&ecirc;ncia. J&aacute; volto ao assunto.<\/p>\n<p>O ensa&iacute;sta, trader e analista de risco liban&ecirc;s radicado nos EUA, Nassim Nicholas Taleb, autor do livro <em>A L&oacute;gica do Cisne Negro<\/em>, tem ponderado, em mais uma de suas geniais investidas heterodoxas sobre riscos e incertezas, acerca do conceito de antifragilidade. Fr&aacute;gil &eacute; aquilo que se quebra facilmente, que se despeda&ccedil;a, que se danifica com facilidade, sem solidez. O oposto de fr&aacute;gil &eacute; robusto, forte, s&oacute;lido.<\/p>\n<p>Taleb, cujo semin&aacute;rio sobre o tema atendi em NY em fevereiro pr&oacute;ximo passado, defende que como somos impossibilitados de prever grandes oscila&ccedil;&otilde;es no mercado, a utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito de antifragilidade nos ajuda a tomar posi&ccedil;&otilde;es no mercado que seriam beneficiadas por um eventual caos. Em outras palavras, a antifragilidade (um neologismo, diga-se de passagem) &eacute; aquela estrutura na qual algu&eacute;m se beneficia monetariamente de uma situa&ccedil;&atilde;o de caos, de um evento improv&aacute;vel.<\/p>\n<p>Olhemos agora o mercado de a&ccedil;&uacute;car. Quem ousaria imaginar, h&aacute; quatro meses, gozando da plenitude de suas faculdades mentais, que o contrato futuro de a&ccedil;&uacute;car fosse negociar abaixo dos 13 centavos de d&oacute;lar por libra-peso? O vencimento julho\/2017, encerrou nesta sexta-feira, a 12.97 centavos de d&oacute;lar por libra-peso ap&oacute;s ter negociado na m&iacute;nima de 12.76 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, a mais baixa cota&ccedil;&atilde;o desde fevereiro de 2016, e o menor valor em reais por tonelada desde setembro de 2015.<\/p>\n<p>J&aacute; discorremos aqui sobre as diversas raz&otilde;es, com suas diferentes magnitudes, que ajudaram o mercado a despencar de maneira t&atilde;o forte. A entrega f&iacute;sica de a&ccedil;&uacute;car no vencimento do contrato futuro de mar&ccedil;o por um grande produtor escancarou a fragilidade do mercado f&iacute;sico e foi um divisor de &aacute;guas em sua trajet&oacute;ria. Seguiram-se a ela eventos que aceleraram a queda: os fundos decidiram ir vendidos (e hoje est&atilde;o 94.000 lotes vendidos), o f&iacute;sico deu quase nenhum sinal de recupera&ccedil;&atilde;o, a importa&ccedil;&atilde;o de etanol ocorreu num momento delicado e o pre&ccedil;o do barril do petr&oacute;leo reverteu uma poss&iacute;vel tend&ecirc;ncia que havia de menos cana alocada para a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car. Quase uma tempestade perfeita.<\/p>\n<p>Para piorar o quadro, na vis&atilde;o de um <em>trader<\/em> do mercado, muitas opera&ccedil;&otilde;es de balc&atilde;o que continham n&iacute;veis de desaparecimento foram acionadas. Ou seja, empresas que usavam os chamados acumuladores como instrumento de hedge contavam ter um volume de toneladas de a&ccedil;&uacute;car com pre&ccedil;os fixados em NY que acabou n&atilde;o se efetivando, uma vez que novas baixas foram atingidas que limitavam o volume das fixa&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;o ou acionaram gatilhos que cancelavam essas estruturas. Coisa de louco.<\/p>\n<p>Voltando a cauda gorda. No in&iacute;cio da segunda quinzena de fevereiro, quando o mercado ainda estava acima de 20 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, se algu&eacute;m tivesse gasto US$ 100 mil na compra de puts (op&ccedil;&otilde;es de venda) de pre&ccedil;o de exerc&iacute;cio de 15 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, com vencimento para em outubro\/2017, financiando essa compra com a venda de apenas 137 lotes da call (op&ccedil;&atilde;o de compra) de pre&ccedil;o de exerc&iacute;cio de 22 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, que representam apenas 7.000 toneladas de a&ccedil;&uacute;car, teria hoje baseado no fechamento da semana, US$ 10,8 milh&otilde;es no bolso, suficientes para compensar toda a queda para um volume de 70.000 toneladas. Um belo seguro.<\/p>\n<p>Dir&atilde;o os leitores que &eacute; muito f&aacute;cil falar depois do fato consumado, n&atilde;o &eacute; mesmo? Pois &eacute;, ocorre que cada vez mais a gest&atilde;o de risco eficiente procura proteger a empresa n&atilde;o apenas contra eventos improv&aacute;veis. Muito melhor e mais eficiente do que ter uma estrutura robusta &eacute; ter uma estrutura antifr&aacute;gil, aquela em que se est&aacute; fortalecido num momento de caos. O duro &eacute; que as empresas preferem exatamente o oposto. Os tais acumuladores feitos aos borbot&otilde;es e muitas vezes sem nenhum crit&eacute;rio ou pleno conhecimento dos riscos, simplesmente potencializam o desastre exatamente quando o desastre ocorre. O portador troca o atropelamento por uma bicicleta pelo de um caminh&atilde;o betoneira.<\/p>\n<p>Quando o mercado cai despudoradamente como agora, o p&acirc;nico se instaura e quaisquer argumentos l&oacute;gicos se dissipam. &Eacute; preciso ter serenidade. Pre&ccedil;os baixos como os de agora n&atilde;o conseguem se sustentam no longo prazo. O custo de produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car no Centro-Sul &eacute; de 13,73 centavos de d&oacute;lar por libra-peso FOB. O custo da Tail&acirc;ndia &eacute; de 15,49 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Se no ano passado, mesmo com bons pre&ccedil;os, o que se viu foi uma renova&ccedil;&atilde;o de apenas 12% do canavial nas empresas bem capitalizadas, nesses n&iacute;veis &eacute; de se esperar que tenhamos uma renova&ccedil;&atilde;o mais baixa.<\/p>\n<p>Ainda trabalham a favor de uma queda em dire&ccedil;&atilde;o aos 12 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, a posi&ccedil;&atilde;o vendida dos fundos, a recompra dos hedges por parte das usinas, o petr&oacute;leo pr&oacute;ximo dos 40 d&oacute;lares por barril, a extrema press&atilde;o nas commodities (a&ccedil;&uacute;car, caf&eacute; e suco de laranja lideram as quedas no acumulado do ano) e uma piora do real em rela&ccedil;&atilde;o ao d&oacute;lar. Tanto no a&ccedil;&uacute;car quanto no caf&eacute;, os fundos est&atilde;o pesadamente vendidos e fazendo grandes estragos.<\/p>\n<p>O etanol anidro hoje remunera melhor do que o a&ccedil;&uacute;car, equivalente a NY + 23 pontos.<\/p>\n<p>A 28&ordf;. Edi&ccedil;&atilde;o do Curso Intensivo de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos &ndash; Commodities Agr&iacute;colas (em portugu&ecirc;s) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (ter&ccedil;a), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 &agrave;s 17 horas, em S&atilde;o Paulo - SP, no Hotel Paulista Wall Street. <strong>Faltando 3 meses para o curso, 1\/3 das vagas j&aacute; est&atilde;o preenchidas. N&atilde;o deixe para a &uacute;ltima hora.<\/strong><\/p>\n<p>Caso voc&ecirc; queira receber nossos coment&aacute;rios semanais de a&ccedil;&uacute;car diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link <a href=\"http:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/cadastro\/\">http:\/\/archerconsulting.com.br\/cadastro\/<\/a>.<\/p>\n<p>Bom final de semana a todos.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p><!--:--><!--:en--><p>Whenever we come across markets with great fluctuations, as it has happened recently with commodities headed by coffee and sugar, the famous tail risk comes to mind. This denomination refers to events whose probability of occurrence is small.<br \/> <br \/>On a market whose return obeys a normal distribution, the tail risk is that event considered very unlikely, because it is beyond three standard deviations, something around 0.3% of chance to occur. For example, it is the probability today that the futures sugar contract for October\/2017 will trade at 24 cents per pound. For the purpose of showing what I would like to demonstrate I will&nbsp;next use something between 2.5 and 3.0 deviations.<br \/> <br \/>Because this small probability exists, we forget about this risk. However, some risk managers with a more modern approach recommend that the hedge of the tail risk be made within the premise that the market does not follow a normal distribution and the tail can be fatter than what we thought, that is, with a greater possibility of occurrence. I will get back to that soon.<br \/> <br \/>The Lebanese essayist, trader and risk analyst living in the USA, Nassim Nicholas Taleb, author of the book \"The Black Swan\", has pondered, in another one of his heterodox attacks about risks and uncertainties, about the concept of anti-fragility. Fragile is what breaks easily, what shatters, what damages easily, without solidity. The opposite of fragile is robust, strong, and solid.<br \/> <br \/>Taleb, whose seminar about the theme I attended in NY last February, defends that since we cannot predict large fluctuations on the market, the use of the concept of anti-fragility helps us take stands on the market which would benefit from an eventual chaos. In other words, anti-fragility (a neologism, by the way) is that structure in which someone benefits monetarily from a chaotic situation, from an unlikely event.<br \/> <br \/>Let's look at the sugar market. Who would dare imagine, four months ago, in their right minds, that the futures sugar market would trade below 13 cents per pound? July 2017 closed this Friday at 12.97 cents per pound after having traded at the 12.76-cent-per-pound low, the lowest quotation since February 2016, and the smallest value in real per ton since September 2015.<br \/> <br \/>We have already spoken here about the various reasons, with their different magnitudes, which helped the market plummet so strongly. The physical sugar delivery at the maturity of March futures contract by a great producer has flung open the weakness of the physical market and was a game changer in its trajectory. This was followed by events which sped up the fall: the funds decided to go short (and today they are 94,000 lots short), the physical hardly gave any signs of recovery, ethanol import occurred at a delicate moment and the oil barrel price reversed a possible trend there was of less sugarcane allocated for the sugar production. It is almost like a perfect storm.<br \/> <br \/>To make matters even worse, in a market trader's view, a lot of counter operations which had disappearance levels were triggered. That is, companies that used the so-called accumulators as hedge tool counted on having a volume of tons of sugar with fixed prices in NY which ended up not coming into being, since new lows were achieved and limited the volume of price fixations or set off triggers which canceled these structures. It's crazy stuff.&nbsp;<br \/> <br \/>Back to the fat tail - early in February second fortnight, when the market was still above 20 cents per pound, if someone had spent US$100 thousand on the purchase of puts at the exercise price of 15 cents per pound, maturing in October\/2017, financing this purchase with the sale of just 137 lots of the call at the exercise price of 22 cents per pound, which represents only 7,000 tons of sugar,&nbsp;based on the week's closing now he would have US$10.8 million in the pocket, enough to compensate for all the fall for a volume of 70,000 tons. That's a huge insurance.<br \/> <br \/>The readers will say that is it easy to talk after the accepted fact, right? Well, it so happens that more and more efficient risk management seeks to protect the company not only from unlikely events. Much better and more efficient than to have a robust structure is to have an anti-fragile structure, the one when you are strengthened at a chaotic moment. The hard thing is that companies prefer exactly the opposite. The so-called accumulators done uncontrollably, and many times without any criterion or full knowledge about the risks, simply maximize the disaster exactly when the disaster occurs. The holder exchanges being run over by a bike for being run over by a concrete mixer truck.&nbsp;<br \/> <br \/>When the market falls shamelessly like now, panic sets in and any logic argument dissipates. It takes serenity. Low prices such as the ones now cannot sustain themselves in the long run. The production cost of sugar in the Center-South is 13.73 cents per FOB pound. Thailand's cost is 15.49 cents per pound. If last year, even with good prices, what we saw was a renewal of only 12 of the sugarcane field at the well-capitalized companies, at these levels it is expected that we will have a lower renewal.&nbsp;<br \/> <br \/>Working for a fall towards 12 cents per pound are the short position of the funds, the repurchase of hedges by the mills, oil close to 40 dollars per barrel, the extreme pressure on the commodities (sugar, coffee, and orange juice lead the falls in the yearly accumulated) and real worsening against the dollar. Both in sugar and in coffee, the funds are heavily short and doing great damage.<br \/> <br \/>Anhydrous ethanol today pays better than sugar, NY + 23 points equivalent.&nbsp;<br \/> <br \/>Arche Consulting 28th Intensive Course on Futures, Options and Derivatives - Agricultural Commodities (in Portuguese) will be held on September 19 (Tuesday), 20 (Wednesday) and 21 (Thursday) 2017 from 9:00 am to 5:00 pm in S&atilde;o Paulo, SP at the Hotel Paulista Wall Street. The course is 3 months out and already 1\/3 of the openings have been filled. Don't leave it to the last minute.&nbsp;<br \/> <br \/>If you want to get our weekly comment on sugar straight through your email, just sign up on our site by logging onto&nbsp;<a href=\"http:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/cadastro\/\">http:\/\/archerconsulting.com.br\/cadastro\/<\/a>.<br \/> <br \/>Have a nice weekend.<br \/> <br \/>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p><!--:-->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que nos deparamos com mercados de grandes oscila&ccedil;&otilde;es, como tem ocorrido recentemente com as commodities lideradas por caf&eacute; e a&ccedil;&uacute;car, vem &agrave; mem&oacute;ria o famoso risco de cauda. Essa denomina&ccedil;&atilde;o faz refer&ecirc;ncia a eventos cuja probabilidade de ocorr&ecirc;ncia &eacute; muito pequena. 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