{"id":9963,"date":"2022-03-11T20:05:09","date_gmt":"2022-03-11T20:05:09","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/Comentario_Semanal_de_07_a_11_de_marco_de_2022\/"},"modified":"2022-03-11T20:05:09","modified_gmt":"2022-03-11T20:05:09","slug":"comentario_semanal_de_07_a_11_de_marco_de_2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/en\/comentario_semanal_de_07_a_11_de_marco_de_2022\/","title":{"rendered":"Coment\u00e1rio Semanal \u2013 de 07 a 11 de mar\u00e7o de 2022."},"content":{"rendered":"<!--:pt--><p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY sofreu uma semana de grande volatilidade. Um observador mais atento notou que toda vez que as cota&ccedil;&otilde;es do vencimento maio\/22 se aproximavam dos 20 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, surgia uma forte onda de vendas que pressionava o mercado em dire&ccedil;&atilde;o novamente aos 19 centavos, onde ele parece querer pertencer.<\/p>\n<p>A press&atilde;o de venda veio em parte das fixa&ccedil;&otilde;es do Brasil, mas certamente foi acompanhada por outras origens que aproveitaram os bons n&iacute;veis de pre&ccedil;o para travar sua rentabilidade, &ldquo;a &Iacute;ndia &eacute; uma delas&rdquo;, como disse um calejado trader.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, como terceiro maior consumidor de energia do planeta, a &Iacute;ndia importa mais de 80% do petr&oacute;leo que consome. Esse per&iacute;odo de turbul&ecirc;ncia na Europa de Leste elevou os gastos do pa&iacute;s na importa&ccedil;&atilde;o e real&ccedil;ou sua vulnerabilidade energ&eacute;tica preocupando o governo quanto a um eventual choque do petr&oacute;leo. Evidentemente que a &Iacute;ndia vai procurar envidar esfor&ccedil;os para acelerar a produ&ccedil;&atilde;o de etanol.<\/p>\n<p>Como disse um executivo do mercado de etanol, a guerra da R&uacute;ssia escancarou a fragilidade dos pa&iacute;ses e revelou a necessidade de uma reordena&ccedil;&atilde;o da matriz energ&eacute;tica no mundo. O etanol certamente vai ganhar destaque nesse rearranjo e o Brasil tem &aacute;rea e condi&ccedil;&otilde;es de crescer de maneira sustent&aacute;vel se houver pesado investimento no parque industrial e a imperiosa seguran&ccedil;a jur&iacute;dica para os investidores. Essa &uacute;ltima &eacute; nosso calcanhar de Aquiles.<\/p>\n<p>&Eacute; muito cedo para dizer para onde vamos daqui. Petr&oacute;leo, gr&atilde;os, trigo e Putin s&atilde;o componentes inst&aacute;veis numa equa&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas inc&oacute;gnitas. O que parece ser consensual, pelo menos, &eacute; o retorno da infla&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel mundial, pressionando os Bancos Centrais e elevarem os juros e deixando um flanco aberto para a estagfla&ccedil;&atilde;o (baixo crescimento, ou at&eacute; mesmo recess&atilde;o combinado com taxa de juros altas).<\/p>\n<p>Especificamente para as commodities, a eleva&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo - que em um m&ecirc;s subiu 19% e no acumulado do ano est&aacute; rondando os 45% vai acarretar em aumento no frete mar&iacute;timo e na composi&ccedil;&atilde;o do basis. Isto &eacute;, como os importadores de commodities v&atilde;o pagar um frete mais caro para receber os produtos no destino esse adicional vai ter que ser compensado com o aumento no desconto que eles se prop&otilde;em a oferecer aos vendedores. A menos que haja falta do produto.<\/p>\n<p>Em mercados com escassez, o importador engole seco e paga o frete, pois se n&atilde;o fizer assim fica sem o produto. Mas, em mercados cujo balan&ccedil;o da oferta e demanda mundial &eacute; equilibrado, que &eacute; o caso do a&ccedil;&uacute;car, s&atilde;o os vendedores (usinas) que acabam pagando a conta. No entanto, as usinas j&aacute; est&atilde;o fixadas em 76.75% da safra 22\/23 (veja abaixo), o que pode parecer &ndash; pelo menos a princ&iacute;pio &ndash; que esse &ocirc;nus fica com os compradores (tradings, refinarias, importadores)<\/p>\n<p>Tudo indica que o mercado de a&ccedil;&uacute;car tende a se mover para o custo e carrego, consistindo em press&atilde;o maior nos vencimentos mais curtos fazendo com que estes fiquem mais baratos do que os vencimentos seguintes. Explicando melhor: juros altos inibem forma&ccedil;&atilde;o de estoques, inibem o consumo, assim os compradores tendem a postergar suas compras e os vendedores s&atilde;o for&ccedil;ados a dar descontos maiores para se livrar da mercadoria. Se a gente pensava que 2022 ia ser mais tranquilo que 2021, &eacute; melhor pensar de novo.<\/p>\n<p>Falando sobre fixa&ccedil;&atilde;o das usinas, apuramos que em fevereiro 3.25 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car foram fixadas pelas usinas ao pre&ccedil;o m&eacute;dio de R$ 2,176 por tonelada FOB Santos. A bolsa de NY negociou 3.2 milh&otilde;es de contratos futuros de a&ccedil;&uacute;car durante o m&ecirc;s, 42% acima do volume do m&ecirc;s anterior e 30% acima da m&eacute;dia mensal dos &uacute;ltimos doze meses. O valor m&eacute;dio acumulado de fixa&ccedil;&atilde;o na safra 22\/23 &eacute; de 16.90 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, sem pr&ecirc;mio de polariza&ccedil;&atilde;o, equivalentes a R$ 2,178 por tonelada FOB Santos, ou R$ 0,9479 por libra-peso, ambas incluindo o pr&ecirc;mio de polariza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o d&aacute; para deixar de comentar a lamban&ccedil;a promovida pelo governo federal. O presidente se empenhou, mas n&atilde;o conseguiu. Mas, nada garante que ele n&atilde;o v&aacute; tentar de novo. &nbsp;&Eacute; o vale tudo para tentar a reelei&ccedil;&atilde;o e nada como lan&ccedil;ar m&atilde;o de um recurso inquestionavelmente ineficiente e v&aacute;rias vezes testado pela imensa maioria dos populistas ignaros que o antecederam: o congelamento do pre&ccedil;o dos combust&iacute;veis. &Eacute; um total contrassenso para quem se elegeu sob a &eacute;gide do liberalismo. &nbsp;<\/p>\n<p>Quem tem mais de 40 anos e j&aacute; assistiu a essa &oacute;pera bufa antes, sabe que tal expediente nunca funcionou no Pa&iacute;s sem que provocasse desabastecimento, desarranjo na cadeia produtiva e desest&iacute;mulo na produ&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da ind&uacute;stria afetada por esse recurso abjeto, al&eacute;m de trazer excepcional inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica &agrave;queles que aqui cogitam investir.<\/p>\n<p>Cada vez que um governante opta por usar congelamento de pre&ccedil;os para agradar setores da sociedade (leia-se eleitores em ano de elei&ccedil;&otilde;es) ele passa o seguinte recado para os potenciais investidores, aquela gente horr&iacute;vel que quer investir em novas refinarias, por exemplo: &ldquo;n&atilde;o venham colocar seu dinheiro aqui, pois eu mudo as regras quando melhor me aprouver&rdquo;. E n&atilde;o apenas isso, ele distorce o pre&ccedil;o justo do hidratado e prejudica o planejamento das usinas que perdem a refer&ecirc;ncia do valor do produto. Um desastre.<\/p>\n<p>Ouviu-se durante a semana nas conversas entre executivos profundamente irritados com o assunto que - se implementado fosse - o congelamento poderia durar at&eacute; tr&ecirc;s meses. Pelos nossos c&aacute;lculos preliminares, uma a&ccedil;&atilde;o desastrosa como essa traria uma perda na receita das usinas de R$ 4 bilh&otilde;es, apenas com o hidratado. N&atilde;o custa lembrar que quando o etanol bateu R$ 4,5600 o litro em outubro, houve movimenta&ccedil;&atilde;o dentro do governo (vinda sabe-se l&aacute; de onde, ironia minha) para que se diminu&iacute;sse o percentual de etanol na mistura com a gasolina. O lobby contra o setor &eacute; bem eficiente. E, quando o setor abaixa a cabe&ccedil;a para n&atilde;o confrontar o governo diante de suas perip&eacute;cias populistas, paga a conta. Mas, n&atilde;o paga sozinho.<\/p>\n<p>A conta da diferen&ccedil;a entre o pre&ccedil;o que a Petrobras paga pelo combust&iacute;vel importado e o pre&ccedil;o menor que ela repassa &agrave;s refinarias ser&aacute; bancada pelo Tesouro. E o dinheiro do Tesouro &eacute; aquele dos cidad&atilde;os pagadores de impostos. A estatal brasileira do petr&oacute;leo, por conta dessa pol&iacute;tica, pode se colocar em risco de ser novamente processada (como no Petrol&atilde;o) pela SEC (Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios dos Estados Unidos), ag&ecirc;ncia independente que protege e regula o mercado acion&aacute;rio americano. Se a empresa for obrigada a ressarcir (como no Petrol&atilde;o) se comprovada gest&atilde;o temer&aacute;ria e danos causados aos acionistas. Adivinha quem vai pagar a conta? N&oacute;s, os contribuintes.<\/p>\n<p>Essa ideia obtusa nivela o atual presidente ao outro postulante, aquele que sempre tratou a Petrobras como se fosse a casa da sogra, mas tamb&eacute;m trope&ccedil;a no racioc&iacute;nio l&oacute;gico remetendo-nos &agrave; sapi&ecirc;ncia daquela inolvid&aacute;vel presidente, nossa pensadora mais estulta, de cujos arroubos intervencionistas o atual presidente pareceu se espelhar. N&atilde;o existe maior prova de insanidade do que querer fazer sempre a mesma coisa esperando que o resultado seja diferente. Dessa forma, o supremo mandat&aacute;rio engrossa a horda de parvos que j&aacute; ocuparam a cadeira presidencial. No fundo, s&atilde;o todos farinhas do mesmo saco.<\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p><!--:-->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY sofreu uma semana de grande volatilidade. 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