ESSE “MORTO” NÃO MORRE – MAIS UM SUSPIRO...

Mercado de Café – Comentário Semanal 05 – 09 outubro de 2.026

 

 

ESSE “MORTO” NÃO MORRE – MAIS UM SUSPIRO...

 

A semana começou animada com os fundos + especuladores comprados voltando a dar mais um folego no mercado e, infelizmente, iludindo os produtores!

 

O dez-26 encerrou a semana anterior a 288,75 centavos de dólar por libra-peso e nos 3 primeiros pregões chegou a atingir a máxima dos últimos 40 dias @ 308.35 centavos de dólar por libra-peso.

 

Os “comprados” fizeram um grande esforço e conseguiram segurar o dez-26 acima das médias-móveis dos 100 e 200 dias (ao redor dos 287 centavos de dólar por libra-peso) e a acionar alguns “stops” de compra entre 300-303 centavos de dólar por libra-peso. O movimento técnico teve grande ajuda da valorização do R$! Com a vitória no primeiro turno da direita o R$ valorizou +4,50% na semana e encerrou abaixo dos 5,00 R$/US$ @ 4,98 R$/US$. Alguns bancos agora já projetam o R$ valorizando ainda mais podendo atingir 4,80-4,50 R$/US$ em breve!

 

O objetivo final de médio-longo prazo para os “comprados” no dez-26 continua @ 319,80 centavos de dólar por libra-peso (porém creio que o Dez-26 irá expirar sem que esse gap seja fechado). E para os “vendidos”, no curto-médio prazo |@ 275 / 260 / 240 / 200 centavos de dólar por libra-peso!

 

Mais uma vez, os vendidos entraram na briga e chegaram a derrubar o dez-26 até os 284,25 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira. A semana encerrou com os “vendidos” vencedores com o dez-26 negociando novamente abaixo das médias-móveis dos 100 e 200 dias (ao redor dos 287 centavos de dólar por libra-peso) e encerrando praticamente “em cima” desse suporte!

 

Esse movimento entre a máxima da semana na quarta-feira e a mínima da semana na sexta-feira representou 31,87 US$/saca x 5,00 R$/saca = 159,39 R$/saca.

 

Ou seja, com a alta dos 3 primeiros dias o produtor teve novamente a oportunidade para vender produto spot e a realizar novas vendas/travas para as próximas safras 27/28 e 28/29 para o café arábica acima dos 1.700 R$/saca. Com a correção na sexta-feira o mercado voltou novamente a negociar o café arábica tipo 6 peneira 17-18 abaixo dos 1.600 R$/saca e o café conilon entre 925-970 R$/saca.

 

O mercado está “brigando” feio no patamar dos 300 centavos de dólar por libra-peso. Próximo dia 12 de novembro teremos o vencimento das opções no vencimento dez-26. Aparentemente o strike da briga poderá ser o “strike” dos 300 centavos de dólar por libra-peso (posição em aberto nas opções de compra e venda respectivamente 4.200 e 3.100 lotes). E, para baixo, a partir do strike 295 centavos de dólar por libra-peso nas opções de venda “put*” (strikes 295 / 290 / 280 / 275 e 270)  existe respectivamente  1.000, 2.200, 2.200, 2.100 e 2.100 lotes em aberto.

 

Nos últimos comentários semanais venho demonstrando o superavit abundante do café no curto e médio prazo. Não faz sentido o mercado voltar a negociar acima dos 300-350-400 centavos de dólar por libra-peso com um mercado tão bem abastecido pelos próximos 3-8 meses! O Brasil continua exportando bem (em setembro-26 exportou 3,90 milhões de sacas e a previsão agora para o mês de outubro deverá ficar entre 4,80-5,20 milhões de sacas). Nesses primeiros 4 meses da safra brasileira 26/27 o Brasil terá exportado 16,10 milhões de sacas x 13,80 milhões de sacas mesmo período safra anterior. Em breve o mercado internacional já terá acesso a 90 milhões de sacas – com o inicio da colheita no Vietnam!

 

Os estoques mundiais já estão aumentando e deverão continuar a aumentar durante as próximas 3 safras! Lembrando que o estoque de passagem da safra 25/26 para a safra 26/27 estava nas mínimas dos últimos 5 anos em apenas 8,10 milhões de sacas! A previsão para o estoque de passagem da safra 26/27 para a safra 27/28 está estimada agora em +27 milhões de sacas. E, tudo correndo bem, os estoques de passagem das safras 27/28 para 28/29 e 28/29 para 29/30 deverão continuar aumentando para respectivamente +49 milhões de sacas e +77 milhões de sacas! E deverá superar as 100 milhões de sacas a partir do final da safra 29/30!

 

O crescimento do consumo mundial continua projetado em +2% ao ano. E, as projeções para os próximos 3-5 anos continuam sendo uma produção mundial superior ao consumo mundial em pelo menos +20 milhões de sacas por ano (motivo pelo aumento considerável nos estoques mundiais descritos acima).

 

Novamente, o único risco para esse crescimento não ocorrer será algum efeito climático. O El-Ninõ, por enquanto, não prejudicou a próxima safra brasileira 27/28. As chuvas recentes continuam favorecendo o desenvolvimento da safra no maior produtor mundial! E, com a entrada das novas áreas plantadas nos últimos 3 anos a próxima safra brasileira, por enquanto, tem tudo para vir entre 75-80 milhões de sacas (conilon deverá voltar a produzir 22-25 milhões de sacas e o arábica 53-55 milhões de sacas).

 

Então, realmente não tem como encontrar algum evento altista no curto-médio-longo prazo.

 

Minha recomendação continua a mesma:

 

Produtor: aproveite esse patamar de preços ao redor dos 280 US$/saca no café arábica e dos 180 US$/tonelada no café conilon e faça seu hedge contra eventual queda nos preços. Pra isso que existem as opções de venda “Put* - o seu seguro contra queda na sua produção/preços. Vai te custar alguma coisa! Mas veja que apenas nessa semana você já deixou na mesa 150 R$/saca...

 

Atenção ao risco cambial – pois como já mencionado anteriormente o preço para o produtor tem 3 componentes: cotação em NY em centavos de dólar por libra-peso (e US$/tonelada em Londres) + o efeito cambio R$/US$ + o diferencial de compra/venda (basis)... A única variável aqui onde o produtor e o mercado não conseguem fazer o hedge é justamente no “basis*”. Então, atenção em NY e no câmbio R$/US$. 

 

 

Produtor: faça sua gestão de riscos! Cuidado: Não alavanque sua posição. Proteja-se contra as quedas, contra o “pior cenário” pois o “cisne negro” poderá te pegar no curto-médio prazo!

 

Boa semana a todos!

 

PS: As sugestões / eventuais estruturas apresentadas são ilustrativas e não constituem recomendação de investimento; cada operação deve ser calibrada ao custo, fluxo de caixa e apetite de risco de cada produtor / cooperativa / tradings / especulador.

 

 

Marcelo Fraga Moreira*

* Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 35 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.

 

Call* = opção de compra
Put* = opção de venda
Compra Call-Spread* = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto
Venda Call-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo e comprando a Opção com preço de exercício mais alto
Compra Put-Spread* = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo
Venda Put-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo
CFTC* = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities
IBGE* = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Cecafé* = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
SECEX* = Secretaria comércio exterior
CNC* = Conselho Nacional do Café
USDA* = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos
FNC* = Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia
FAS* = Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA
OIC* = Organização Internacional do Café
GCA* = Green Coffee Association
ABIC* = Associação Brasileira da Indústria de Café
Sincal* = Associação dos Produtores do Brasil
NDF* = (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com vencimento para aquele mês
PIB* = Produto Interno Bruto
FED* = Banco Central Americano
NOAA* = Departamento Nacional da Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos
EUROSTAT* = Serviço de Estatística da União Europeia responsável pela publicação de estatísticas e indicadores de elevada qualidade a nível europeu que permite a comparação entre países e regiões
OPEP* = A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
FOMO* = é caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”. O investidor fica com receio em perder uma oportunidade no mercado e sai “comprando ou vendendo” para não ficar de fora da “oportunidade” divulgada na mídia
COOXUPÉ* = Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé
Coccamig* = Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais
COPOM* = Comitê de Política Monetária, órgão do Banco Central responsável pelo estabelecimento das diretrizes da taxa de juros
BASIS* = disparidade de preço causada pela diferença geográfica entre os pontos de entrega da commodity, calculada pela diferença entre o preço físico e o preço futuro
Bandas de Bollinger* = indicador de volatilidade utilizado para identificar níveis de sobrecompra ou sobrevenda no mercado
PMI* = Purchasing Manager’s Index – indicador que mede a atividade econômica de um país a partir de pesquisas mensais com gerentes de compras
Vicofa* = Associação do Café e Cacau do Vietnam

 

Compartilhe

Filtre por palavra chave

Assine nossa newsletter

pt_BRPT
Acessar o conteúdo