FUNDOS VENDEM, BRENT DESABA E BRASÍLIA ESPERA

Mais uma semana de forte realização em NY. O dólar mais forte, que se traduz em mais reais na exportação de açúcar, torna natural a pressão de venda no mercado futuro. Os fundos também tiveram sua parcela nessa queda. De acordo com o COT (Commitment of Traders), relatório publicado pela CFTC (Commodity Futures Trading Commission), agência americana que regula os mercados de commodities, com base na posição da última terça-feira, eles liquidaram 34.705 lotes, mas ainda carregam 146.031 lotes, o equivalente a 7.4 milhões de toneladas de açúcar. Em duas semanas, os fundos liquidaram 79.393 lotes enquanto o mercado futuro desabou 219 pontos. Na média, a cada 344 lotes vendidos (17.500 toneladas), o mercado cedeu um ponto. Mantida essa proporção, zerar a posição dos fundos empurraria o mercado mais 400 pontos para baixo.

O vencimento março/27 encerrou a sexta-feira cotado a 18.25 centavos de dólar por libra-peso, uma queda acumulada de 111 pontos em relação à semana anterior, o equivalente a quase 25 dólares por tonelada. Todos os demais meses também fecharam no vermelho, com retração média de 22 dólares por tonelada para os vencimentos da safra 2027/28 (maio a março) e de 8 dólares por tonelada para a safra seguinte.

Realização de preços é sempre bem-vinda. Permite aos participantes embolsar os lucros e abre espaço para que novos entrantes aproveitem preços mais baixos, depois de termos visitado os 21 centavos de dólar por libra-peso.

Não é novidade que, para o ritmo de alta prosseguir, o quadro fundamentalista precisa endossar essa perspectiva. A safra indiana começou melhor do que se esperava, o que derruba, ao menos inicialmente, a sensação de que o país poderia repetir a fraca performance do ano passado. O El Niño, por sua vez, ainda promete mais preocupação neste mês. No Brasil, as usinas estão apreensivas com o volume esperado da próxima safra, que contará com a cana bisada. Não por acaso, o volume de negócios nos meses que cobrem essa safra subiu bem, sinal de que as usinas aceleram as fixações.

No front externo, a semana trouxe também um terremoto político. Os democratas conquistaram o controle do Congresso depois de virar cadeiras republicanas na Câmara e no Senado, resultado lido como uma pesada reprovação ao presidente Donald Trump. No Senado, os democratas já têm 54 cadeiras projetadas e, na Câmara, a maior maioria desde 2008. Para o mercado, a leitura imediata foi de alívio: as bolsas subiram na quarta-feira depois que Trump reconheceu a vitória democrata nas duas casas, reduzindo o risco de ambiguidade política. Nos juros, porém, um Congresso de oposição tende a frear a expansão fiscal da Casa Branca, o que em tese tira pressão da inflação e do FED, mas o petróleo ainda caro e a economia aquecida mantêm o banco central em modo de cautela. Juro americano mais alto por mais tempo é dólar forte, e dólar forte, como vimos, pesa sobre o açúcar em NY.

Aqui dentro, o mercado continua em compasso de espera. Desde a reeleição, a forte queda da bolsa, o salto do dólar para a casa dos R$ 5.50 e a elevação dos juros futuros anteciparam a cobrança por medidas concretas de ajuste fiscal. Enquanto o pacote não chega, o real segue refém da desconfiança, e as usinas colhem o lado bom dessa moeda fraca: mais reais por tonelada exportada e um incentivo adicional para acelerar as fixações da próxima safra.

Na análise técnica, Marcelo Moreira observa que o recuo de 5.73% na semana, e de 10.00% nos últimos quinze dias, veio acompanhado de um real estável, oscilando entre 5.45 e 5.52 por dólar. O grande destaque da semana, porém, foi o petróleo: o Brent desabou 17%, saindo de 117 para 97 dólares por barril, e arrastou o açúcar consigo.

Com isso, o março/27 perdeu o importante suporte dos 19.44 centavos de dólar por libra-peso, que até então também funcionava como resistência, e na sequência rompeu também o suporte seguinte, nos 18.85 centavos. O próximo ponto de apoio está na média móvel de 100 dias, a 17.90 centavos de dólar por libra-peso. Abaixo dela, o mercado encontra suporte em 17.65 centavos, piso da Banda de Bollinger calculada sobre a média móvel de 50 dias, e, por fim, um suporte de peso na média móvel de 200 dias, a 16.73 centavos. A pergunta que fica é se o mercado volta a entrar em tendência de baixa. Se os 16.73 centavos não segurarem, o próximo objetivo técnico só aparece nos 15.40 centavos de dólar por libra-peso.

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Tenham todos um excelente final de semana

Arnaldo Luiz Corrêa

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