Mercado de Café – Comentário Semanal 14 – 18 setembro de 2.026
O “ÓTIMO” É INIMIGO DO “BOM”!
Mais uma semana com o mercado trabalhando em baixa e, infelizmente, confirmando a tendencia de baixa para os próximos 18 meses.
O vencimento dez-26 teve seu “último negócio” na sexta-feira @ 277,20 centavos de dólar por libra-peso. Semana passada fechou @ 285,70 centavos de dólar por libra-peso. Iniciou a segunda-feira negociando na máxima do período @ 291,50 centavos de dólar por libra-peso. E os próximos 4 pregões da semana a força vendedora voltou a pressionar o mercado levando o dez-26 a negociar na mínima do período @ 274,60 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento respectivamente @ 285,70 / 291,50 / 274,60 / 277,20 centavos de dólar por libra-peso). Uma queda no dez-26 em -1.430 pontos ou 18,91 US$/saca x 5.15 R$/US$ = -97,42 R$/saca!
Em Londres o vencimento nov-26 acompanhou NY e encerrou a 3.396 US$/tonelada. Semana anterior encerrou @ 3.525 US$/tonelada – uma queda equivalente a -40 R$/saca! Londres continua um pouco mais reticente para “cair” com notícias vinda do Vietnam ainda com relação as recentes chuvas que caíram sobre as regiões e se existe algum dano nas lavouras.
O vencimento nov-26 brigou a semana toda para não perder o suporte dos 3.400 US$/tonelada – e infelizmente também perdeu esse suporte com a ajuda de NY. Café arábica tipo rio voltou a negociar abaixo dos 1.300 R$/saca e já correm notícias no mercado onde muitas torrefadoras já estariam substituindo café conilon pelo café arábica rio.
O mercado interno voltou a negociar abaixo dos 1.600 R$/saca para o café arábica tipo 6 peneira 17/18 e 930-950 R$/saca para o café conilon. Para vencimentos mais longos, com entrega set-27 e set-28 o mercado comprador já está indicando preços abaixo dos 1.400 R$/saca para o café arábica tipo 6 e abaixo dos 900 R$/saca para o café conilon!
Produtor atenção pois para esses vencimentos mais longos o diferencial de compra sendo oferecido pelos compradores está muito descontado, a meu ver. Porém, se a próxima safra brasileira 27/28 vier mesmo >= 80 milhões de sacas e a produção mundial não tiver nenhum percalço, então possivelmente veremos um diferencial de compra lá frente trabalhando ao redor dos -70/-80 pontos!
Na semana a OIC* divulgou noticias projetando uma safra mundial 26/27 em apenas 183,60 milhões de sacas e o consumo ainda em 180 milhões de sacas. Interessante pois o USDA* está projetando uma produção mundial em 190 milhões de sacas! Muitas consultorias ainda apostam na safra brasileira entre 72-77 milhões de sacas – então, o superavit mundial para esse ano safra 26/27 poderá ficar entre +3/+15 milhões de sacas. Esse superavit final poderá sim “fazer preço” nos próximos meses pois hoje +/- 10 milhões de sacas no quadro de “oferta x demanda” mundial ainda impactam o índice “estoque mundial x consumo mundial” – podendo variar entre +10% até +16% = +19 milhões de sacas ou +29 milhões de sacas como estoque de passagem no final da safra 26/27 para a próxima safra 27/28!
As chuvas dos últimos dias foram benéficas para o parque cafeeiro – tanto arábica quanto conilon. Tivemos as chuvas de granizo na terça feira – castigando vários municípios ao redor do município/cidade de Patrocinio. Infelizmente muitos produtores tiveram suas lavouras castigadas pelo evento - porém o mercado não precificou esses danos pontuais como “relevantes”.
Novamente produtor: invista na sua lavoura e faça seu seguro, seu hedge tanto contra a queda de preços quanto contra eventuais sinistros climáticos. Procure empresas seguradores sérias, com histórico como “boas pagadoras em caso de sinistro” e muito cuidado com as letras “pequenas/minúsculas” nas cláusulas contratuais. Procure um bom corretor de seguros e, similar ao seguro do seu carro, invista em uma apólice de seguros contra qualquer potencial sinistro: seca, geada, chuvas de granizo, pragas... Com essas mudanças climáticas, El-Nino dentre outros, lembre-se que a sua “indústria” ocorre a céu aberto e todo o seu risco / investimento / patrimônio está sujeito a esses eventos climáticos.
O Brasil continua abastecendo o mercado internacional e, com base nos dados das emissões da Cecafé agora em setembro-26, por enquanto, o Brasil poderá exportar entre 4,20-4,40 milhões de sacas! Em set-25 o Brasil exportou 3,75 milhões de sacas e em set-24 o Brasil exportou 4,60 milhões de sacas! Nos 3 primeiros meses da safra 26/27 então o Brasil terá exportado 11,38 milhões de sacas x 9,40 milhões de sacas similar período safra 25/26.
Conforme mencionado no comentário anterior, a partir de janeiro-27 a Europa estará implementando as novas regras “antidesmatamento”. Então poderemos ver uma aceleração nos embarques já a partir da segunda quinzena de outubro até o final de novembro-26 (as cargas / contêiners precisam chegar nos portos europeus até o dia 31 de dezembro-26) com tradings disputando espaço nos navios e possivelmente encarecendo os fretes tanto rodoviários quanto marítimos durante esse período. Produtor e cooperativas atenção e procurem já travar seus fretes / custos logísticos para não correrem riscos desnecessários no mercado spot!
Voltando ao mercado: infelizmente o mercado do café confirmou e entrou novamente em tendencia de baixa. Todos os vencimentos dez-26 até março-27 encerraram a semana abaixo das médias móveis dos 50, 100, e 200 dias!
Com a perda do suporte no dez-26 em NY nos 285 centavos de dólar por libra-peso o objetivo final, no médio prazo, está apenas nos 235 centavos de dólar por libra-peso. Esse nível de preço ocorreu entre os dias 6-10 de junho 2026 – deixando um “gap” entre 235-237 centavos de dólar por libra-peso!
Londres nov-26, perdendo o suporte nos 3.350 US$/tonelada, poderá testar os 3.000-2.800 US$/tonelada!
Produtor atenção pois esses níveis de preços em NY e Londres liquidam preços novamente abaixo dos 1.300 R$/saca para o café arábica tipo 6 peneira 17/18 (então possivelmente abaixo dos 1.000 R$/saca para o café arábica rio) e abaixo dos 850/800 R$/saca para o café conilon!
No curto prazo, por enquanto, não existe nenhum fator “altista”, a não ser algum evento climático severo que possa vir a ocorrer (como a chuva de granizo da terça-feira passada).
No médio-longo prazo (com o Brasil produzindo nas safras 26/27, 27/28, 28/29 respectivamente 73 / 80 / 90 milhões de sacas) o estoque mundial poderá passar das 27-29 milhões de sacas para até 80 milhões de sacas nos próximos 3 anos! Aumentando o índice “estoque x consumo” dos atuais +10% / +16% para acima dos +40%!
Então, produtor, como sempre: PROTEJA-SE!
Preços futuros “hoje” e para set-27 e set-28 acima dos 1.550 R$/saca pode não ser “ótimo” mas ainda dará uma margem positiva para o produtor e estará cobrindo o custo de produção para muitos produtores.
Aprendam a utilizar as ferramentas de hedge / proteção!
Se vender a preços futuros compre uma “call-spread*” para participar em eventuais altas / problemas climáticos;
Se preferir “não fazer nada” então compra uma “put*”, uma “put-spread*” (investindo um seguro contra a queda dos preços) e durma tranquilo.
Gráfico NY set-27:

Infelizmente continuo com minha visão baixista para os próximos meses - e para os próximos 2-3 anos - com NY voltando a testar os 200 centavos de dólar por libra-peso (café arábica tipo 6, peneira 17-18 testando os 1.200-1.00 R$/saca) e Londres podendo buscar 2.500 US$/tonelada (voltando a negociar abaixo dos 700 R$/saca)!
Você produtor, vai esperar o mercado cair para 1.200-1.000 R$/saca para começar a “pensar” em se proteger??
Novamente, ficar apenas “olhando e torcendo” por preços melhores é um risco, uma aposta direcional que precisa / deveria ser mitigado.
Produtor: estamos à disposição para conversar e apresentar nosso trabalho de consultoria dedicado e exclusivo para assessorá-lo nas suas operações comerciais e de hedge! Tendo interesse entre em contato conosco!
Quer saber mais? Mande um e-mail para priscilla@archerconsulting.com.br
Boa semana a todos!
PS: As sugestões / eventuais estruturas apresentadas são ilustrativas e não constituem recomendação de investimento; cada operação deve ser calibrada ao custo, fluxo de caixa e apetite de risco de cada produtor / cooperativa / tradings / especulador.
Marcelo Fraga Moreira*
* Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 35 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.
Call* = opção de compra
Put* = opção de venda
Compra Call-Spread* = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto
Venda Call-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo e comprando a Opção com preço de exercício mais alto
Compra Put-Spread* = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo
Venda Put-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo
CFTC* = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities
IBGE* = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Cecafé* = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
SECEX* = Secretaria comércio exterior
CNC* = Conselho Nacional do Café
USDA* = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos
FNC* = Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia
FAS* = Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA
OIC* = Organização Internacional do Café
GCA* = Green Coffee Association
ABIC* = Associação Brasileira da Indústria de Café
Sincal* = Associação dos Produtores do Brasil
NDF* = (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com vencimento para aquele mês
PIB* = Produto Interno Bruto
FED* = Banco Central Americano
NOAA* = Departamento Nacional da Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos
EUROSTAT* = Serviço de Estatística da União Europeia responsável pela publicação de estatísticas e indicadores de elevada qualidade a nível europeu que permite a comparação entre países e regiões
OPEP* = A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
FOMO* = é caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”. O investidor fica com receio em perder uma oportunidade no mercado e sai “comprando ou vendendo” para não ficar de fora da “oportunidade” divulgada na mídia
COOXUPÉ* = Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé
Coccamig* = Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais
COPOM* = Comitê de Política Monetária, órgão do Banco Central responsável pelo estabelecimento das diretrizes da taxa de juros
BASIS* = disparidade de preço causada pela diferença geográfica entre os pontos de entrega da commodity, calculada pela diferença entre o preço físico e o preço futuro
Bandas de Bollinger* = indicador de volatilidade utilizado para identificar níveis de sobrecompra ou sobrevenda no mercado
PMI* = Purchasing Manager’s Index – indicador que mede a atividade econômica de um país a partir de pesquisas mensais com gerentes de compras
Vicofa* = Associação do Café e Cacau do Vietnam