OS FUNDAMENTOS CONTINUAM OS MESMOS!

Mercado de Café – Comentário Semanal 28 set – 02 outubro de 2.026

 

 

OS FUNDAMENTOS CONTINUAM OS MESMOS!

 

Comparando apenas o fechamento da semana anterior contra o fechamento dessa sexta-feira o mercado em NY parece ter sido “sem graça”, com uma alta de apenas 1.000 pontos. Fechamento anterior 278,60 centavos de dólar por libra-peso x fechamento atual 288,75 centavos de dólar por libra-peso. Porém tivemos mais uma semana extremamente volátil com o vencimento dez-26 chegando a variar +/- 6.610 pontos entre o fechamento da semana anterior e entre as máximas e mínimas diárias durante os 5 pregões: fechamento anterior 278,60 centavos de dólar por libra-peso. segunda-feira: mínima 277,05 c/lb / máxima 291,50 c/lb; terça-feira: mínima 281,80 c/lb / máxima 293,40; quarta-feira:  mínima 289,05 c/lb / máxima 298,80 c/lb; quinta-feira: mínima 283,30 c/lb / máxima 290,90 c/lb; sexta-feira: mínima 288,10 c/lb / máxima 290,50 c/lb!

 

Em Londres o vencimento nov-26 foi mais comedido. Encerrou a semana anterior a 3.367 US$/tonelada e, mesmo conseguiu por 2x romper a média-móvel dos 200 dias (encerrou a 3.504 US$/tonelada) e a  testar a próxima resistência da média-móvel dos 50 dias a 3.576 US$/tonelada encerrou a 3.469 US$/tonelada.

 

O R$ encerrou a 5.2166 R$/US$ e oscilou entre a máxima a 5,17 R$/US$ e a mínima a 5,25 R$/US$ com a volatilidade das eleições. Segunda-feira será mais um dia com grandes expectativas já na abertura do mercado pois o R$ poderá abrir com “gap de alta” ou “gap de baixa” em função do resultado das eleições do final de semana.

 

E NY e Londres deverão responder logo após as 9 hrs (horário Brasil) assim que o mercado local abrir refletindo o resultado das eleições. Lembrar que essas correções entre cotação em US$ não tem correlação direta 1x1 (o famoso “ índice beta”) com a variação da moeda local.

  • Indice Beta: é uma medida estatística que compara a volatilidade dos movimentos de preço de uma ação específica com o mercado geral. De forma simplificada, ele indica quanto o preço de um ativo específico irá se mover em relação aos movimentos do mercado. Um beta de 1.0 indica que o preço do ativo se moverá com o mercado. Um beta menor que 1.0 sugere que o ativo será menos volátil que o mercado, enquanto um beta maior que 1.0 indica que o ativo será mais volátil.

 

Creio que a alta dessa semana em NY e Londres ocorreu em função da “briga” entre os fundos + especuladores comprados x vendidos defendendo suas posições. Pois do lado fundamental nada mudou por enquanto!

 

Entre os dias 27 de agosto e 22 de setembro (quando NY iniciou o movimento de baixa perdendo os 320 centavos de dólar por libra-peso) o vencimento dez-26 chegou a cair -5.000 pontos. Durante esse período o indicador estocástico entrou em posição “sobrevendido”. Nesse período os fundos vendidos voltaram a pressionar o mercado e os fundos comprados continuam fazendo de tudo para defenderem suas posições.

Imaginem o desespero dos gestores do fundos com posição comprada desde o início do mês de julho-26 quando as chuvas começaram a prejudicar a safra brasileira 26/27 levando o mercado dos 240 centavos de dólar por libra-peso até os 342,80 centavos de dólar por libra-peso!

 

Durante esse movimento de “briga” entre os comprados x vendidos, os comprados conseguiram levar o dez-26 novamente a romper a resistência das médias-móveis dos 100 e 200 dias. Notar no gráfico acima que a próxima resistência está a 302,65 centavos de dólar por libra-peso e depois o próximo objetivo poderá ser o fechamento do “gap” nos 320 centavos de dólar por libra-peso.  Porém, notar que nos últimos 3 pregões o mercado continuou brigando para não perder esses suportes nos 287 centavos de dólar por libra-peso! O indicador estocástico voltou a indicar “mercado sobrecomprado”. Então creio que nos próximos dias, se o dez-26 perder esses suportes o mercado voltará a entrar em tendencia de baixa indo buscar – em um primeiro momento – novamente os 267 centavos de dólar por libra-peso e depois os 240 centavos de dólar por libra-peso.

 

Novamente do lado dos fundamentos nada mudou! A safra brasileira 26/27 pode não ter sido “recorde” mas foi grande. Notícias existem e comprovadas que existem armazéns lotados. Muitos produtores ainda segurando café da safra passada e ainda com produto disponível para vender da safra atual. Sabemos que tivemos problemas com qualidade e que café peneira 17/18, café “cereja descascado” terão procura e prêmios sobre as demais qualidades. Porém o Brasil tem disponível pelo menos 80-85 milhões de sacas para abastecer tanto o mercado interno quanto o mercado externo durante os próximos 8 meses (considerando 10 milhões de sacas como estoque de passagem e 73 milhões de sacas a produção da safra atual recém colhida 26/27). Considerando que o Brasil encerrará a safra 26/27 com o mesmo estoque de passagem em 10 milhões de sacas e um consumo interno em 22 milhões de sacas, então o Brasil poderá exportar e abastecer o mercado mundial com 49-51 milhões de sacas!

 

As chuvas recentes prejudicaram o final da colheita do “café de chão” porém foram muito bem vindas e benéficas para o pegamento da florada da próxima safra do café conilon e favorecendo em muito as condições para a próxima florada e também para o pegamento da florada para a próxima safra do café arábica.

 

O mercado já está de olha na próxima safra brasileira 27/28 – que poderá ser recorde mesmo e superar pela primeira vez as 80 milhões de sacas – e ao mesmo tempo acompanhando de perto o inicio da colheita no Vietnam (iniciando já agora no mês de outubro).

 

Como mencionado no comentário semanal anterior, nos próximos 3-4 meses o mundo terá acesso a mais 90-95 milhões de sacas das “outras origens” e em mais 6-7 meses o Brasil já estará colhendo mais 20-25 milhões de sacas do café conilon já a partir de abril-maio-27!

 

Ou seja, não existe nesse momento nenhum fator altista para o curto-médio-longo prazo – SALVO ALGUM EVENTO CAMBIAL BASE BRASIL E/OU ALGUM EVENTO CLIMÁTICO SEVERO OCORRER NAS PROXIMAS SEMANAS NAS OUTRAS ORIGENS (AFETANDO A COLHEITA NO VIETNAM / INDONÉSIA / ÁFRICA / AMÉRICA CENTRAL / COLOMBIA / E CLARO, EVENTUAL SECA PREJUDICANDO A PRÓXIMA SAFRA BRASILEIRA 27/28).

 

As exportações brasileiras continuam abastecendo o mercado mundial. Em set-26 o Brasil deverá ter exportado novamente entre 4,00-4,20 milhões de sacas. E nos próximos 3 meses, se repetir o mesmo desempenho que tivemos durante out-dez-24, então o Brasil poderá exportar 4,70 milhões de sacas por mês (lembrando que no último trimestre 24 o Brasil exportou nos meses out-nov-dez-24 respectivamente 5,20 milhões de sacas, 4,90 milhões de sacas e 3,90 milhões de sacas).

 

Também notar que a partir de janeiro-27 as novas regras europeias (as tarifas disfarçadas de “medidas protetivas anti-desmatamento” entrarão em vigor). Desta forma poderemos ter uma aceleração nos embarques durante esse trimestre. Já existem tradings comprando apenas produto que atendam as exigências europeias! Então, poderemos ver também um certo prêmio de curto prazo para produtos “padrão EUDR” e um certo desconto para produtos sem certificação – e isso poderá abrir o diferencial de compra para os “produtos de segunda classe”.

 

Creio que esse rallie de alta precisa ser aproveitado pelo produtor pois, novamente o mercado está dando oportunidade para o produtor vender seu café arábica tipo 6 acima dos 1.700 R$/saca e café conilon novamente próximo dos 1.000 R$/saca tanto no spot quanto para as próximas 2 safras contra os vencimentos set-27 e set-28!

 

Se o Brasil confirmar a safra 26/27 >= 73 milhões de sacas e a próxima safra 27/28 >= 80 milhões de sacas e tudo correr bem nas demais origens, e mantendo o consumo mundial crescendo base os 2% ao ano, então, como já demonstrado, o estoque de segurança mundial continuará sua recomposição podendo ultrapassar 100 milhões de sacas daqui a 4 anos!

 

 

Produtor: como sempre Proteja-se!

Faça sua gestão de riscos! Cuidado: Não alavanque sua posição. Proteja-se contra as quedas, contra o “pior cenário” pois o “cisne negro” poderá te pegar no curto-médio prazo!

 

Boa semana a todos!

 

PS: As sugestões / eventuais estruturas apresentadas são ilustrativas e não constituem recomendação de investimento; cada operação deve ser calibrada ao custo, fluxo de caixa e apetite de risco de cada produtor / cooperativa / tradings / especulador.

 

 

Marcelo Fraga Moreira*

* Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 35 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.

 

Call* = opção de compra
Put* = opção de venda
Compra Call-Spread* = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto
Venda Call-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo e comprando a Opção com preço de exercício mais alto
Compra Put-Spread* = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo
Venda Put-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo
CFTC* = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities
IBGE* = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Cecafé* = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
SECEX* = Secretaria comércio exterior
CNC* = Conselho Nacional do Café
USDA* = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos
FNC* = Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia
FAS* = Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA
OIC* = Organização Internacional do Café
GCA* = Green Coffee Association
ABIC* = Associação Brasileira da Indústria de Café
Sincal* = Associação dos Produtores do Brasil
NDF* = (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com vencimento para aquele mês
PIB* = Produto Interno Bruto
FED* = Banco Central Americano
NOAA* = Departamento Nacional da Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos
EUROSTAT* = Serviço de Estatística da União Europeia responsável pela publicação de estatísticas e indicadores de elevada qualidade a nível europeu que permite a comparação entre países e regiões
OPEP* = A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
FOMO* = é caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”. O investidor fica com receio em perder uma oportunidade no mercado e sai “comprando ou vendendo” para não ficar de fora da “oportunidade” divulgada na mídia
COOXUPÉ* = Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé
Coccamig* = Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais
COPOM* = Comitê de Política Monetária, órgão do Banco Central responsável pelo estabelecimento das diretrizes da taxa de juros
BASIS* = disparidade de preço causada pela diferença geográfica entre os pontos de entrega da commodity, calculada pela diferença entre o preço físico e o preço futuro
Bandas de Bollinger* = indicador de volatilidade utilizado para identificar níveis de sobrecompra ou sobrevenda no mercado
PMI* = Purchasing Manager’s Index – indicador que mede a atividade econômica de um país a partir de pesquisas mensais com gerentes de compras
Vicofa* = Associação do Café e Cacau do Vietnam

 

 

 

 

 

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