PRODUTOR: CONTINUE APROVEITANDO ESSAS ALTAS E PROTEJA-SE

Mercado de Café – Comentário Semanal 13 – 16 de julho de 2.026

 

 

PRODUTOR: CONTINUE APROVEITANDO ESSAS ALTAS E PROTEJA-SE

 

A volatilidade no vencimento set-26 continuou nessa semana. A amplitude chegou novamente a 7.445 pontos entre o fechamento anterior, a máxima negociada na semana, a nova mínima e a leve recuperação na sexta-feira (fechamento anterior / máxima / mínima / nova máxima / fechamento atual respectivamente @ 334,25 / 352,40 / 310,05 / 324,40 / 320,30 centavos de dólar por libra-peso)!

 

Londres set-26 seguiu o ritmo de NY e oscilou entre a máxima e o fechamento atual em 330 US$/tonelada. Após voltar a negociar rapidamente acima dos 4.000 US$/tonelada o set-26 encerrou a 3.877 US$/tonelada.

 

Como de costume, toda essa alta não foi repassada para o produtor e o diferencial de compra tanto no café arábica quanto no café conilon voltou a abrir. O café arábica voltou a ser negociado com diferencial de compra/venda acima dos 70 pontos e o café conilon acima dos 400 US$/tonelada!

 

Novamente o mercado interno voltou a negociar, no spot, acima dos 1.900 R$/saca para o café arábica tipo 6 peneira 17/18 ou melhor e o café conilon, em alguns negócios pontuais, acima dos 1.200 R$/saca.

 

Para operações com entrega futura, contra o vencimento set-27 e set-28 o mercado chegou a dar oportunidades novamente para o produtor vender acima dos 1.800 R$/saca o café arábica tipo 6 e acima dos 1.200 R$/saca para o café conilon. Esses preços representam café arábica acima dos 330 US$/saca e café conilon acima dos 210 US$/saca!

 

Esses preços em US$/saca continuam sendo preços históricos, acima das médias dos últimos 5 anos, e ainda remuneradores para o produtor. Café arábica acima dos 320 US$/saca e café conilon acima dos 200 US$/saca!

 

Essa alta do mercado “fora de hora”, quando ninguém estava esperando, está permitindo uma janela de oportunidade para fixação de preços, para o produtor realizar operações de hedge – a meu ver – muito interessantes para os próximos 2 anos. Claro, o produtor não precisa “fazer tudo agora” mas realizar hedge em parte da sua produção estimada nesse momento é pelo menos prudente! E se o mercado, de repente, realizar e voltar para os 240/220 centavos de dólar por libra-peso em NY e Londres voltar a negociar abaixo dos 3.000 US$/tonelada? Produtor: considere essas oportunidades e “faça alguma coisa”...

 

Com a safra agora em pleno vapor a disponibilidade de café já nas próximas semanas não é mais questão de tempo. Já existem milhares de sacas colhidas e sendo preparadas, processadas, e em breve o fluxo comercial deverá se normalizar.

 

Conforme estimado pela Archer Consulting, e confirmado pela Cecafé*,  o Brasil encerrou o ano safra 25/26 exportando 38,50 milhões de sacas x 45,80 milhões de sacas na safra 24/25. Para a safra atual 26/27, considerando uma produção em apenas 70 milhões de sacas e o consumo interno em 21,50 milhões de sacas, então o Brasil tem disponibilidade para exportar no próximo período julho-26/junho-27 entre 48-52 milhões de sacas! Praticamente uma “Colômbia”!

 

Ou seja, durante os próximos 6-12 meses não existe / não existirá falta de café no mundo. Em breve já teremos competição da América Central, África, e já a partir de novembro novamente Vietnam e Indonésia.

 

Poderemos sim ter restrição na oferta de café arábica tipo 6 peneira 17/18 e acima – com o mercado ajustando e pagando ágios por essa qualidade. Porém teremos café tipo “moka, grinders, rio” em abundância. Como sempre, o mercado irá ajustar o preço para que a “Oferta x demanda” trabalhem em sintonia pagando ágio para os cafés de qualidade e forçando o desconto para cafés inferiores – inclusive para abrir novos mercados.

 

Já existem produtores preocupados com a próxima safra 27/28, porém também creio que é muito cedo para “cravar” uma safra 27/28 abaixo das 70 milhões de sacas. A expectativa para a próxima safra 27/28 é para o Brasil estar colhendo sua safra recorde em função da entrada em produção de muitas áreas novas e renovados durante os últimos 2-3 anos. Será que iremos atingir 70-75-80 milhões de saca ou voltar a produção para apenas 65-60 milhões de sacas?

 

Como mencionado aqui nos últimos “comentários semanais”, com o Brasil produzindo acima dos 70 milhões de sacas já a partir da safra atual e durante as próximas 2-3 safras - e o consumo mundial crescendo dentro dos 2% ao ano - então, já a partir da próxima safra 27/28 o mundo voltará a ter estoques totais acima das 30 milhões de sacas e um “índice estoque mundial x consumo mundial” novamente em níveis “confortáveis”, acima dos 18%!

 

Na safra atual 26/27 o mundo poderá ter um superavit entre produção x consumo entre 7-13 milhões de sacas e na safra 27/28 novamente um outro superavit entre 10-17 milhões de sacas! A recomposição dos estoques mundiais, por enquanto, irá ocorrer durante os próximos 2-4 anos – salvo algum evento climático severo.

 

Então, produtor, como sempre PROTEJA-se!

 

No curto prazo o vencimento set-26 encontra suporte nos 302, 286, 260 e 244 centavos de dólar por libra-peso! Notar que no gráfico semanal do set-26 abaixo o indicador “estocástico” segue no território ‘sobre-comprado” indicando possível realização nos próximos dias.

 

 

Tudo correndo bem creio que em breve o mercado interno voltará a negociar ao redor dos 1.500/1.400 R$/saca para o café arábica tipo 6 peneira 17/18 e ao redor dos 1.000/900 R$/saca para o café conilon.

 

Produtor: aproveite esses preços / essa semana ainda para considerar operações para as próximas 2-3 safras – procurando conversar com seu comprador para “travar” o seu “basis / diferencial de compra” entre -35/-50 pontos (entre 46-66 US$/saca) e você produtor poder executar a sua fixação com base no vencimento Nova Iorque correspondente e, à sua opção.

 

Produtor: estamos à disposição para conversar e apresentar nosso trabalho de consultoria dedicado e exclusivo para assessorá-lo nas suas operações comerciais e de hedge! Tendo interesse entre em contato conosco!

 

Quer saber mais? Mande um e-mail para priscilla@archerconsulting.com.br

 

 

Boa semana a todos!

 

Marcelo Fraga Moreira*

* Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.

 

Call* = opção de compra
Put* = opção de venda
Compra Call-Spread* = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto
Venda Call-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo e comprando a Opção com preço de exercício mais alto
Compra Put-Spread* = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo
Venda Put-Spread* = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo
CFTC* = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities
IBGE* = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Cecafé* = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
SECEX* = Secretaria comércio exterior
CNC* = Conselho Nacional do Café
USDA* = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos
FNC* = Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia
FAS* = Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA
OIC* = Organização Internacional do Café
GCA* = Green Coffee Association
ABIC* = Associação Brasileira da Indústria de Café
Sincal* = Associação dos Produtores do Brasil
NDF* = (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com vencimento para aquele mês
PIB* = Produto Interno Bruto
FED* = Banco Central Americano
NOAA* = Departamento Nacional da Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos
EUROSTAT* = Serviço de Estatística da União Europeia responsável pela publicação de estatísticas e indicadores de elevada qualidade a nível europeu que permite a comparação entre países e regiões
OPEP* = A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
FOMO* = é caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”. O investidor fica com receio em perder uma oportunidade no mercado e sai “comprando ou vendendo” para não ficar de fora da “oportunidade” divulgada na mídia
COOXUPÉ* = Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé
Coccamig* = Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais
COPOM* = Comitê de Política Monetária, órgão do Banco Central responsável pelo estabelecimento das diretrizes da taxa de juros
BASIS* = disparidade de preço causada pela diferença geográfica entre os pontos de entrega da commodity, calculada pela diferença entre o preço físico e o preço futuro
Bandas de Bollinger* = indicador de volatilidade utilizado para identificar níveis de sobrecompra ou sobrevenda no mercado
PMI* = Purchasing Manager’s Index – indicador que mede a atividade econômica de um país a partir de pesquisas mensais com gerentes de compras
Vicofa* = Associação do Café e Cacau do Vietnam

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