{"id":9,"date":"2024-08-09T15:08:34","date_gmt":"2024-08-09T18:08:34","guid":{"rendered":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/?page_id=9"},"modified":"2026-03-31T18:14:07","modified_gmt":"2026-03-31T21:14:07","slug":"home","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/","title":{"rendered":"Home"},"content":{"rendered":"<p class=\"article-editor-paragraph\">Coment&aacute;rio Semanal &ndash; de 30 de mar&ccedil;o a 03 de abril de 2026.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Na semana encurtada pelo feriado de P&aacute;scoa, o mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY fechou na quinta-feira com o vencimento maio\/26 cotado a 14.96 centavos de d&oacute;lar por libra peso, um mergulho de 79 pontos no acumulado da semana, equivalentes a pouco mais de 17 d&oacute;lares por tonelada. Os demais meses tamb&eacute;m sofreram quedas expressivas de 19 a 78 pontos. O que pode ter alimentado essa queda? Algoritmos? Leia mais adiante.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">A semana contou com o Evento de Abertura de Safra promovido pela Alvean e Evolua (obrigado pelo convite, Julio) em S&atilde;o Paulo, sempre se destacando pelo alto n&iacute;vel das apresenta&ccedil;&otilde;es. Poder&iacute;amos resumi-las em duas partes, a seguir:<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">No curto prazo, o etanol brasileiro ganhou um piso de pre&ccedil;os estruturalmente mais alto em 2026, e a gasolina na bomba j&aacute; reflete essa realidade, independentemente do que a Petrobras decida. O a&ccedil;&uacute;car no NY No.11 ainda n&atilde;o precifica adequadamente o equil&iacute;brio de oferta &mdash; um reajuste de R$0,40\/litro na gasolina seria suficiente para mudar isso. A demanda global m&iacute;nima gira em torno de 39-40 milh&otilde;es de toneladas, e os spreads de calend&aacute;rio devem cumprir seu papel de transportar estoques excedentes do terceiro trimestre ao primeiro trimestre, evitando destrui&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o. Fundos ainda carregam posi&ccedil;&atilde;o vendida relevante, e o risco de El Ni&ntilde;o no 3&ordm; trimestre coloca safras asi&aacute;ticas no radar. NY No.11 deve oscilar entre 14.50 e 17.50 centavos de d&oacute;lar por libra peso, com vi&eacute;s de baixa no terceiro trimestre e press&atilde;o altista caso o Brasil acelere o consumo de etanol.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">No m&eacute;dio prazo, o Brasil virou grande demais para ser ignorado &mdash; suas decis&otilde;es de mix e log&iacute;stica movem a percep&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;o justo no mercado global. O mix a&ccedil;&uacute;car tende a crescer nos pr&oacute;ximos anos dado o baixo estoque mundial e a competi&ccedil;&atilde;o com o etanol de milho, amplificando o impacto das escolhas dos produtores. A efici&ecirc;ncia log&iacute;stica brasileira permite que o mercado opere com estoques menores, mas isso aumenta a vulnerabilidade a choques de oferta. Com 80% do mercado global de a&ccedil;&uacute;car bruto, a velocidade de resposta do Brasil aos sinais de pre&ccedil;o ser&aacute; determinante para a gest&atilde;o de risco de cada grupo produtor. No horizonte, conflitos geopol&iacute;ticos podem sustentar pre&ccedil;os de energia elevados e acelerar a ado&ccedil;&atilde;o global do etanol.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">---<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Toda vez que o pre&ccedil;o de uma commodity despenca, surge &mdash; com a pontualidade de um rel&oacute;gio su&iacute;&ccedil;o quebrado &mdash; a mesma proposta: \"precisamos criar um mecanismo para segurar os pre&ccedil;os\". Pode ser uma cota de exporta&ccedil;&atilde;o, um fundo de estabiliza&ccedil;&atilde;o, um acordo entre produtores, uma reten&ccedil;&atilde;o de oferta. O nome muda. O resultado, n&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">A l&oacute;gica por tr&aacute;s da ideia &eacute; sedutora: se o pre&ccedil;o est&aacute; baixo demais porque h&aacute; excesso de oferta, basta reduzir a oferta. Simples, elegante, e &mdash; na pr&aacute;tica &mdash; quase sempre desastroso. O primeiro problema &eacute; estrutural: commodities agr&iacute;colas s&atilde;o produzidas por milhares de agentes independentes, espalhados por v&aacute;rios pa&iacute;ses. Para um mecanismo de controle funcionar, voc&ecirc; precisa que todos cooperem simultaneamente, por um per&iacute;odo prolongado, abrindo m&atilde;o de receita no curto prazo em nome de um benef&iacute;cio coletivo futuro. Isso &eacute; pedir muito da natureza humana, e ainda mais da natureza de um produtor com d&iacute;vida vencendo.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Tem ainda o problema do free rider: enquanto os disciplinados seguram estoque ou cortam produ&ccedil;&atilde;o, o oportunista vende tudo e fica com o mercado. O incentivo para trair o acordo &eacute; exatamente proporcional ao tamanho do acordo &mdash; quanto mais eficaz parecer o mecanismo, maior a tenta&ccedil;&atilde;o de furar. E h&aacute; um terceiro elemento, talvez o mais subestimado: o sinal de pre&ccedil;o. Pre&ccedil;o baixo n&atilde;o &eacute; s&oacute; um problema, &eacute; tamb&eacute;m uma mensagem. Ele diz ao mercado que a produ&ccedil;&atilde;o est&aacute; excessiva e o ajuste &eacute; necess&aacute;rio. Quando voc&ecirc; interfere nessa mensagem, atrasa o ajuste. E quando ele finalmente vem &mdash; e sempre vem &mdash;, &eacute; maior, mais abrupto e mais doloroso do que seria se o mercado tivesse operado livremente.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">A OPEP &eacute; o exemplo mais citado como contraprova, mas raramente o mais lido. A organiza&ccedil;&atilde;o funciona de forma imperfeita, intermitente e com enormes custos internos. Ao longo de sua hist&oacute;ria, os acordos foram descumpridos sistematicamente por membros que precisavam de caixa. A OPEP s&oacute; tem alguma efic&aacute;cia real quando a Ar&aacute;bia Saudita decide, sozinha, absorver o custo do corte &mdash; o que &eacute; menos \"cartel funcionando\" e mais \"um pa&iacute;s bancando o preju&iacute;zo dos outros\". E mesmo com todo esse poder concentrado &mdash; reservas gigantescas, infraestrutura estatal, poucos produtores relevantes &mdash;, a OPEP n&atilde;o consegue manter o petr&oacute;leo num patamar remunerador de forma sustentada. Imaginem replicar isso no a&ccedil;&uacute;car, com Brasil, &Iacute;ndia e Tail&acirc;ndia, entre outros tentando chegar a um consenso na mesma sala.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Os mecanismos de estabiliza&ccedil;&atilde;o que tiveram algum sucesso &mdash; e foram poucos &mdash; compartilhavam caracter&iacute;sticas que raramente existem no mundo real: n&uacute;mero reduzido de produtores, forte presen&ccedil;a estatal, produto sem substitutos pr&oacute;ximos e disposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de longo prazo para sustentar o esquema mesmo sob press&atilde;o. O Acordo Internacional do A&ccedil;&uacute;car tentou isso. O do caf&eacute; tamb&eacute;m. Ambos terminaram da mesma forma: colapso quando os interesses divergiram, o que era apenas uma quest&atilde;o de tempo.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Se h&aacute; energia a investir, que seja em frentes que realmente movem o jogo. A Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do A&ccedil;&uacute;car &mdash; a ISO &mdash; &eacute; um exemplo de oportunidade desperdi&ccedil;ada. N&atilde;o por falta de representatividade: a organiza&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne 87 pa&iacute;ses que respondem por 87% da produ&ccedil;&atilde;o mundial de a&ccedil;&uacute;car, re&uacute;ne-se duas vezes por ano e j&aacute; trabalha, ao menos nominalmente, com temas de sa&uacute;de e bioenergia. O problema &eacute; que desde 1992 a pr&oacute;pria ISO renunciou a qualquer papel regulat&oacute;rio e se contentou com uma postura discreta de f&oacute;rum consultivo. A plataforma existe. O peso diplom&aacute;tico existe. O que falta &eacute; que o setor sucroenerg&eacute;tico &mdash; especialmente o Brasil, maior exportador mundial &mdash; use essa tribuna com muito mais agressividade para contestar narrativas que prejudicam o consumo global de a&ccedil;&uacute;car. A mais urgente delas: exigir que organismos como a OMS investiguem com o mesmo rigor aplicado ao a&ccedil;&uacute;car os reais efeitos do xarope de milho de alta frutose &mdash; substituto amplamente utilizado pela ind&uacute;stria aliment&iacute;cia e cujas liga&ccedil;&otilde;es com obesidade e doen&ccedil;as metab&oacute;licas seguem, conveniente e misteriosamente, sem a mesma exposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">No front dom&eacute;stico, h&aacute; outra distor&ccedil;&atilde;o estrutural que sufoca o setor sem que se fale suficientemente sobre ela: a pol&iacute;tica de paridade de pre&ccedil;os da Petrobras. Enquanto o etanol tiver seu teto implicitamente definido pela competitividade com a gasolina, e essa gasolina for precificada por crit&eacute;rios pol&iacute;ticos e n&atilde;o de mercado, JAMAIS teremos um mercado futuro de etanol na B3 com a liquidez que o setor precisa. E aqui chegamos a uma verdade que n&atilde;o admite meio-termo: sem mercado livre, n&atilde;o existe instrumento de hedge eficiente. E sem hedge eficiente, n&atilde;o h&aacute; empresa de commodities que se sustente no longo prazo &mdash; independentemente do tamanho, da efici&ecirc;ncia operacional ou da qualidade da gest&atilde;o. O risco n&atilde;o gerenciado, cedo ou tarde, apresenta a conta.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">O caminho, portanto, n&atilde;o passa por acordos de cavalheiros para reduzir oferta &mdash; mecanismo do qual n&atilde;o se conhece um &uacute;nico caso bem-sucedido nos &uacute;ltimos cem anos. Passa por remover distor&ccedil;&otilde;es, fortalecer institui&ccedil;&otilde;es, contestar narrativas injustas e construir mercados com profundidade real. O mercado, no fim, n&atilde;o funciona porque seja justo ou bonito &mdash; funciona porque &eacute; o &uacute;nico mecanismo capaz de processar informa&ccedil;&atilde;o de milh&otilde;es de agentes simultaneamente, sem depender de coordena&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria. Hedge bem-feito, gest&atilde;o de custo rigorosa e paci&ecirc;ncia estrat&eacute;gica seguem sendo, at&eacute; hoje, as &uacute;nicas ferramentas que funcionam de forma consistente. N&atilde;o t&ecirc;m o apelo pol&iacute;tico de um \"mecanismo de estabiliza&ccedil;&atilde;o\", mas t&ecirc;m uma vantagem inestim&aacute;vel: funcionam.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">H&aacute; um ponto relevante trazido por um leitor que &eacute; trader de commodities e trabalha para um fundo que ajuda a enriquecer &mdash; e, em certa medida, ajustar &mdash; a leitura sobre o comportamento recente dos fundos, sobre meu coment&aacute;rio na semana passada. Segundo ele, uma parcela significativa dos gestores de fundos reportados no CFTC &mdash; algo entre 80% e 85% &mdash; &eacute; composta por CTAs (gestores quantitativos) e algoritmos. Esses participantes n&atilde;o &ldquo;pensam&rdquo; em termos de fundamentos, energia ou balan&ccedil;o global de a&ccedil;&uacute;car. Reagem, essencialmente, a sinais t&eacute;cnicos: cruzamentos de m&eacute;dias, rompimentos e padr&otilde;es sistem&aacute;ticos. O recente movimento de compra, portanto, estaria muito mais associado ao acionamento desses modelos &mdash; como a quebra de m&eacute;dias relevantes &mdash; do que a uma mudan&ccedil;a de convic&ccedil;&atilde;o sobre os fundamentos. A gente sabe disso, mas insiste em fechar os olhos. Voc&ecirc; est&aacute; brigando com rob&ocirc;s!!<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Nesse contexto, continua ele, o papel do macro &mdash; especialmente petr&oacute;leo &mdash; perde protagonismo direto nesse tipo de fluxo. Para os algoritmos, ele importa apenas na medida em que altera o comportamento de pre&ccedil;os e, por consequ&ecirc;ncia, os sinais t&eacute;cnicos. Os fundos de &iacute;ndices de commodities agr&iacute;colas negociados em bolsa, que tamb&eacute;m contribu&iacute;ram para o fluxo comprador recente. Nesse caso, o racional n&atilde;o foi espec&iacute;fico do a&ccedil;&uacute;car, mas sim uma aloca&ccedil;&atilde;o mais ampla ligada a temas como infla&ccedil;&atilde;o de alimentos e fertilizantes &mdash; com compras generalizadas no complexo agr&iacute;cola, independentemente das particularidades de cada mercado.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Resta um elemento que alguns fundos discricion&aacute;rios ainda observam: o posicionamento dos comerciais no CFTC. A leitura de uma posi&ccedil;&atilde;o net mais vendida pode ser interpretada como indicativo de maior press&atilde;o de fixa&ccedil;&atilde;o na origem &agrave; frente &mdash; o que, por sua vez, ajuda a explicar a manuten&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es vendidas por parte desses agentes. Em suma, nem todo fluxo precisa de um &ldquo;gatilho fundamental&rdquo;. Em muitos casos, o pre&ccedil;o anda primeiro &mdash; e a explica&ccedil;&atilde;o vem depois.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Nosso colaborador Marcelo Moreira afirma que o mercado realizou o &ldquo;trabalho de casa&rdquo; voltando a trabalhar dentro do canal da banda de Bollinger dos 50 dias (topo\/media\/piso respectivamente a 15.78 \/14.36 \/12.95 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. No curto prazo ent&atilde;o o vencimento maio-26 encontra suportes a 14.53\/14.36\/13.63 e 12.95 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e resist&ecirc;ncias a 15.55\/15.78\/ 16.07\/16.34\/16.83 e finalmente 17.33 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">A segunda edi&ccedil;&atilde;o do Curso Introdu&ccedil;&atilde;o ao Mercado Sucroalcooleiro (totalmente on-line) vai ocorrer nos dias 23-24-25 de junho. Lembrando que esse curso veio substituir o Curso Essencial que foi temporariamente descontinuado. Quer saber mais? Mande um e-mail para <a class=\"article-editor-link article-editor-link\" href=\"mailto:diego.veiga@gmail.com\" rel=\"noopener noreferrer\">diego.veiga@gmail.com<\/a><\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph\">Uma boa P&aacute;scoa para todos<\/p>\n<p class=\"article-editor-paragraph article-editor-content__has-focus\">Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coment&aacute;rio Semanal &ndash; de 30 de mar&ccedil;o a 03 de abril de 2026. Na semana encurtada pelo feriado de P&aacute;scoa, o mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY fechou na quinta-feira com o vencimento maio\/26 cotado a 14.96 centavos de d&oacute;lar por libra peso, um mergulho de 79 pontos no acumulado da semana, equivalentes a pouco [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_header_footer","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-9","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/9","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9"}],"version-history":[{"count":502,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/9\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12465,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/9\/revisions\/12465"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}