{"id":11012,"date":"2024-10-05T00:00:00","date_gmt":"2024-10-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/um-otimo-sinal-para-o-futuro\/"},"modified":"2024-10-04T22:45:07","modified_gmt":"2024-10-04T22:45:07","slug":"um-otimo-sinal-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/um-otimo-sinal-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"UM \u00d3TIMO SINAL PARA O FUTURO"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a participa&ccedil;&atilde;o importante dos fundos especulativos, que segundo o COT (Commitment Of Trades), relat&oacute;rio dos comitentes, publicado hoje pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira, estavam long (comprados) 72,000 lotes, adicionando 15,560 lotes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior, o mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY acabou por encerrar a semana com o vencimento mar&ccedil;o-25 cotado 23.01 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, valorizando 39 pontos no acumulado da semana, equivalentes a 8.60 d&oacute;lares por tonelada.<\/p>\n<p>Os fundamentos do mercado de a&ccedil;&uacute;car permanecem positivos, mas a recente e r&aacute;pida eleva&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os em NY reflete, em grande parte, a movimenta&ccedil;&atilde;o dos fundos especulativos e o ajuste dos livros das tradings, que fortaleceram os spreads diante da expectativa de uma combina&ccedil;&atilde;o de eventos que podem tornar o cen&aacute;rio ainda mais vol&aacute;til. Explico: nas &uacute;ltimas quatro semanas, os spreads subiram significativamente, com o contrato mar&ccedil;o-maio ganhando 98 pontos e o maio-julho apreciando 59 pontos, o que indica que o mercado acredita em um in&iacute;cio tardio da pr&oacute;xima safra e na poss&iacute;vel escassez de a&ccedil;&uacute;car dispon&iacute;vel nesse per&iacute;odo.<\/p>\n<p>Essa volatilidade &eacute; refor&ccedil;ada pela incerteza sobre o tamanho da safra atual, com estimativas variando entre analistas que projetam uma moagem de cana acima de 600 milh&otilde;es de toneladas e a maioria prevendo algo entre 585-590 milh&otilde;es. Al&eacute;m disso, h&aacute; o comportamento do mix de produ&ccedil;&atilde;o e o imprevis&iacute;vel impacto da seca e dos inc&ecirc;ndios nos canaviais, um fator dif&iacute;cil de calcular.<\/p>\n<p>Um experiente executivo do setor ressalta que \"400 mil hectares foram queimados, dos quais, pelo menos, 40% com soqueiras que n&atilde;o brotaram. Isso inevitavelmente levar&aacute; a uma redu&ccedil;&atilde;o de &aacute;rea plantada. Outro ponto cr&iacute;tico &eacute; a falta de mudas, e a cana est&aacute; consideravelmente atrasada. A pr&oacute;xima safra, que deve come&ccedil;ar mais tarde (em abril), ver&aacute; a cana muito curta. A quebra no pr&oacute;ximo ano ser&aacute; significativa.\"<\/p>\n<p>Com base na produ&ccedil;&atilde;o deste ano no Centro-Sul, que foi de 79 toneladas de cana por hectare, estima-se uma perda de 5-6% na produ&ccedil;&atilde;o para o pr&oacute;ximo ano. Considerando a m&eacute;dia de produ&ccedil;&atilde;o das &uacute;ltimas cinco safras, &eacute; poss&iacute;vel projetar - ainda que de forma aproximada - uma estimativa de 560 milh&otilde;es de toneladas para a pr&oacute;xima safra.<\/p>\n<p>&Eacute; exatamente por essa l&oacute;gica que o mercado se orienta, e n&atilde;o &agrave; toa os spreads &ndash; que refletem o sentimento dos participantes do mercado f&iacute;sico no mercado futuro &ndash; est&atilde;o se fortalecendo. Agora, o leitor mais atento pode estar pensando: se o sentimento &eacute; de firmeza no mercado, por que n&atilde;o simplesmente comprar o futuro?<\/p>\n<p>A quest&atilde;o &eacute; que as tradings operam volumes imensos, e apostar na dire&ccedil;&atilde;o do mercado envolve riscos elevados, muito caixa e uma vulnerabilidade consider&aacute;vel. &Eacute; mais seguro e financeiramente saud&aacute;vel (menos chamadas de margem!) negociar o spread, uma opera&ccedil;&atilde;o que se aproveita da valoriza&ccedil;&atilde;o dos vencimentos mais curtos, causada pela escassez, em rela&ccedil;&atilde;o aos vencimentos mais distantes. Afinal, ningu&eacute;m gosta de surpresas desagrad&aacute;veis com a volatilidade.<\/p>\n<p>Quando olhamos para o pr&oacute;ximo ano e assumimos uma safra menor, podemos adicionar outros ingredientes ao caldeir&atilde;o. A &Iacute;ndia, por exemplo, &eacute; sempre uma inc&oacute;gnita &ndash; capaz de surpreender. E se o petr&oacute;leo WTI cair abaixo de 70 d&oacute;lares por barril e o pre&ccedil;o do a&ccedil;&uacute;car no mercado externo alcan&ccedil;ar 23 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, &eacute; bem prov&aacute;vel que nossos amigos indianos fiquem mais do que contentes em vender seu produto no mercado internacional.<\/p>\n<p>O Brasil despejou quase 38 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car no mercado internacional nos &uacute;ltimos doze meses, elevando sua participa&ccedil;&atilde;o nas exporta&ccedil;&otilde;es globais de 37,5% para 56%. Essa depend&ecirc;ncia do a&ccedil;&uacute;car brasileiro traz uma consequ&ecirc;ncia natural: maior volatilidade. Se o Brasil pega um resfriado, o mercado global de a&ccedil;&uacute;car acaba com pneumonia. Por isso, a aten&ccedil;&atilde;o aos fatores como o risco de \"morte s&uacute;bita\" da safra atual e as perspectivas para a pr&oacute;xima s&atilde;o cruciais, pois ambos podem impactar drasticamente os pre&ccedil;os internacionais.<\/p>\n<p>Recentemente, quando o mercado de Nova York estava negociando a 18,50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, alguns analistas internacionais chegaram a profetizar que os pre&ccedil;os cairiam para 17 centavos. Nossa recomenda&ccedil;&atilde;o naquela &eacute;poca foi clara: n&atilde;o ficar vendido nesses n&iacute;veis, j&aacute; que os fundamentos eram (e continuam sendo) construtivos. Incentivamos os consumidores industriais a fixarem pre&ccedil;os para as safras seguintes. Agora, convencer compradores a fixarem na baixa e vendedores na alta sempre &eacute; um desafio. No entanto, os encantadores de serpente com suas teorias mirabolantes costumam conseguir o oposto &ndash; fazer com que vendam na baixa e comprem na alta. O mercado &eacute; um verdadeiro teste de nervos, e o racional nem sempre prevalece.<\/p>\n<p>Em nossa opini&atilde;o o mercado subiu muito r&aacute;pido e deveria se consolidar nesse n&iacute;vel antes de mudar de patamar, mas &eacute; verdade que o n&iacute;vel de incerteza que atinge os tomadores de decis&atilde;o subiu bastante. Temos que ficar de olho nos pr&oacute;ximos n&uacute;meros da UNICA que ser&atilde;o o nosso guia para os pr&oacute;ximos passos. Os valores em reais por tonelada que as usinas est&atilde;o conseguindo fixar seus a&ccedil;&uacute;cares de exporta&ccedil;&atilde;o para a safra 25-26 s&atilde;o extremamente remuneradores e comparando-os com os valores devidamente corrigidos pelo IPCA nos &uacute;ltimos dez anos, observamos que esse n&iacute;vel ou acima dele, s&oacute; ocorreu em 18% dos eventos nesse intervalo de tempo.<\/p>\n<p>Se houver d&uacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o ao momento de fixar, &eacute; poss&iacute;vel fazer uma put sint&eacute;tica, ou seja, fixa-se o a&ccedil;&uacute;car em reais por tonelada e concomitantemente compra-se uma call (op&ccedil;&atilde;o de compra) 200\/300 pontos acima do mercado. Se NY continuar subindo, aproveita-se parte desse movimento de alta.<\/p>\n<p>Outro ponto importante a observar para o pr&oacute;ximo ano &eacute; o crescimento do ciclo Otto, que aumentou 2,7% nos &uacute;ltimos doze meses. Al&eacute;m disso, as vendas de ve&iacute;culos leves tiveram o melhor desempenho em uma d&eacute;cada, e o PIB deve crescer 2% no pr&oacute;ximo ano. Esses fatores indicam que o consumo de combust&iacute;vel vai absorver uma fatia maior da cana, o que deve estreitar a arbitragem entre o a&ccedil;&uacute;car e o etanol.<\/p>\n<p>A boa not&iacute;cia &eacute; que as usinas entrar&atilde;o no sexto ano consecutivo de pre&ccedil;os remuneradores, o que fortalece a sa&uacute;de do setor e come&ccedil;a a atrair a aten&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es financeiras. Essas institui&ccedil;&otilde;es, agora mais otimistas, est&atilde;o ampliando a oferta de cr&eacute;dito para o setor. Paralelamente, a gest&atilde;o de risco est&aacute; ganhando uma relev&acirc;ncia in&eacute;dita, sinalizando um avan&ccedil;o significativo na maturidade do mercado. Um &oacute;timo sinal para o futuro!<\/p>\n<p>An&aacute;lise T&eacute;cnica (por Marcelo Moreira): O mercado de a&ccedil;&uacute;car apresentou uma nova entrega de 1,70 milh&otilde;es de toneladas contra o vencimento de Out-24, que fechou a 22,67 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Esse movimento fez o contrato Mar&ccedil;o-25 atingir a m&aacute;xima da semana de 23,45 centavos. Enquanto os vendidos ajustaram suas posi&ccedil;&otilde;es, os compradores, ainda digerindo a alta de aproximadamente 114 US$\/tonelada em 15 dias, retra&iacute;ram-se. Desde a m&aacute;xima de 23,64 centavos em 26 de setembro, o contrato oscilou entre 23,64 e 22,15 centavos. As pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias est&atilde;o em 23,47 centavos, com suportes em 22,97, 22,00, 20,45 e 19,97 centavos de d&oacute;lar.<\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Com a participa&ccedil;&atilde;o importante dos fundos especulativos, que segundo o COT (Commitment Of Trades), relat&oacute;rio dos comitentes, publicado hoje pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira, estavam long (comprados) 72,000 lotes, adicionando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10053,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-11012","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acucar","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11012","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11012"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11012\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}