{"id":11390,"date":"2025-02-22T00:00:00","date_gmt":"2025-02-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/comentario-semanal-de-17-a-21-de-fevereiro-de-2025\/"},"modified":"2025-02-21T22:13:08","modified_gmt":"2025-02-21T22:13:08","slug":"comentario-semanal-de-17-a-21-de-fevereiro-de-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/comentario-semanal-de-17-a-21-de-fevereiro-de-2025\/","title":{"rendered":"ENTRE NARRATIVAS CONVENIENTES E A REALIDADE DO MERCADO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira com o contrato mar&ccedil;o\/25, que expira na pr&oacute;xima semana, cotado a 21.31 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, registrando uma alta de 91 pontos, o que equivale a pouco mais de 20 d&oacute;lares por tonelada. Com a proximidade do vencimento, o foco do mercado se desloca para o contrato maio\/25, que come&ccedil;ar&aacute; a refletir as expectativas de volume de cana no in&iacute;cio da safra 2025\/26.<\/p>\n<p>O contrato maio\/25 fechou a semana a 19.91 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, uma valoriza&ccedil;&atilde;o de 76 pontos em rela&ccedil;&atilde;o ao fechamento da semana anterior, correspondente a 16.75 d&oacute;lares por tonelada. De forma geral, os pre&ccedil;os apresentaram maior valoriza&ccedil;&atilde;o nos vencimentos mais curtos. A m&eacute;dia dos contratos da safra 2025\/26 (de maio\/25 a mar&ccedil;o\/26) subiu 50 reais por tonelada na semana, enquanto a safra 2026\/27 &ndash; que come&ccedil;a a refletir um avan&ccedil;o no percentual de fixa&ccedil;&atilde;o &ndash; registrou uma valoriza&ccedil;&atilde;o de 32 reais por tonelada.<\/p>\n<p>Ainda &eacute; cedo para cravar qualquer coisa, mas os usineiros de S&atilde;o Paulo j&aacute; est&atilde;o de sobrancelha franzida com a qualidade da cana para a safra que se inicia. As estimativas de produ&ccedil;&atilde;o variam entre 590 e 630 milh&otilde;es de toneladas, o que s&oacute; refor&ccedil;a que ningu&eacute;m est&aacute; muito seguro sobre o volume a ser mo&iacute;do. E com raz&atilde;o: h&aacute; relatos de canaviais que n&atilde;o est&atilde;o com o vigor esperado para esta &eacute;poca do ano, o que pode levar a um atraso no in&iacute;cio da safra. Muito cedo para afirmar, mas plaus&iacute;vel o suficiente para tirar o sono de alguns.<\/p>\n<p>Enquanto isso, na &Iacute;ndia, a bola de cristal est&aacute; tinindo. Com a efici&ecirc;ncia de um or&aacute;culo, j&aacute; projetam uma safra de 38 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car para 2025\/26, que s&oacute; come&ccedil;a daqui a sete meses! Com todo o respeito aos nossos amigos indianos, se h&aacute; um candidato a protagonista da volatilidade este ano, a &Iacute;ndia veste bem essa camisa.<\/p>\n<p>Por ora, a aten&ccedil;&atilde;o segue voltada para o in&iacute;cio da safra no Brasil. Usinas que planejavam come&ccedil;ar a moer em 1&ordm; de abril j&aacute; empurraram a data para o dia 14, e outras j&aacute; falam em 21. O mercado n&atilde;o deixou passar batido: o spread maio\/julho j&aacute; reflete essa incerteza. No final de janeiro, maio negociava com um pr&ecirc;mio de 7.50 d&oacute;lares por tonelada sobre julho. Tr&ecirc;s semanas depois, fechamos a semana com o pr&ecirc;mio em 10 d&oacute;lares por tonelada. O mercado j&aacute; come&ccedil;ou a precificar a d&uacute;vida.<\/p>\n<p>Mesmo que tudo corra perfeitamente no in&iacute;cio da moagem no Centro-Sul, a hist&oacute;ria nos ensina uma li&ccedil;&atilde;o: nunca &ndash; pelo menos n&atilde;o neste s&eacute;culo &ndash; os pre&ccedil;os m&eacute;dios mais altos do a&ccedil;&uacute;car negociado em Nova York ocorreram no quadrimestre abril-maio-junho-julho. E n&atilde;o &eacute; por acaso. Esse per&iacute;odo coincide com o pico da moagem de cana, o que naturalmente significa maior oferta de a&ccedil;&uacute;car e, consequentemente, press&atilde;o sobre os pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Mas, a volatilidade pode vir de longe &ndash; mais precisamente da &Iacute;ndia. Explico: se confiarmos nos n&uacute;meros indianos de estoque inicial e considerarmos que a produ&ccedil;&atilde;o deste ano, j&aacute; descontado o volume desviado para etanol, fique entre 26.0 e 26.5 milh&otilde;es de toneladas, h&aacute; um dado que chama aten&ccedil;&atilde;o. O consumo dom&eacute;stico da &Iacute;ndia, que me surpreende ser \"apenas\" 29 milh&otilde;es de toneladas, projeta um estoque de passagem no final da safra suficiente para meras cinco semanas de consumo. E por que isso importa? Porque cinco semanas de estoque para um pa&iacute;s do tamanho da &Iacute;ndia &eacute; como atravessar um deserto com um cantil furado &ndash; pode at&eacute; dar certo, mas as chances de desidrata&ccedil;&atilde;o no meio do caminho s&atilde;o grandes. Se a matem&aacute;tica indiana estiver errada, o mercado de a&ccedil;&uacute;car pode virar uma montanha-russa daquelas que s&oacute; sobe quando voc&ecirc; est&aacute; sem hedge.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo quadrimestre do ano, uma poss&iacute;vel decep&ccedil;&atilde;o com a safra do Centro-Sul combinada com uma produ&ccedil;&atilde;o indiana abaixo das expectativas para 2025\/26 pode ter um efeito explosivo. Sim, s&atilde;o muitos &ldquo;ses&rdquo; &ndash; quase um exerc&iacute;cio de futurologia &ndash; mas o fato &eacute; que o mercado parece determinado a acreditar que os pre&ccedil;os v&atilde;o se manter entre 16 e 19 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, mesmo sem fundamentos s&oacute;lidos que sustentem essa narrativa.<\/p>\n<p>Se h&aacute; algo que aprendemos em 2023, &eacute; que o mercado adora uma boa hist&oacute;ria &ndash; especialmente quando os fundos especulativos resolvem embarcar nela. Na &eacute;poca, os pre&ccedil;os dispararam impulsionados por narrativas de escassez, gargalos log&iacute;sticos e outras justificativas convenientes. O desfecho? A maior queda mensal do s&eacute;culo. O Brasil exportando 31.3 milh&otilde;es de toneladas em 12 meses, usinas encurraladas em acumuladores, tradings vendendo puts para comprar calls, apostando cegamente em pre&ccedil;os acima de 32 centavos &ndash; e o desastre financeiro que veio na esteira dessas apostas. Em resumo: o mercado j&aacute; nos mostrou que, quando o otimismo cego se instala, a realidade cobra a conta &ndash; e ela costuma vir com juros.<\/p>\n<p>Hoje os fundos especuladores est&atilde;o vendidos 102,875 lotes, segundo o COT (Commitment Of Trades), relat&oacute;rio dos comitentes, publicado pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira passada. Em duas semanas (de 4 a 18 de fevereiro) mercado variou positivamente 93 pontos enquanto a posi&ccedil;&atilde;o dos fundos reduziu 24,215 lotes. Numa regra de tr&ecirc;s simples, para cada 10,000 lotes de recompra os fundos movem o mercado 38 pontos. Em tese, para zerar a posi&ccedil;&atilde;o eles fariam o mercado subir 400 pontos acima do n&iacute;vel de ter&ccedil;a passada.<\/p>\n<p>As usinas j&aacute; fixaram 72,5% da exporta&ccedil;&atilde;o para a safra 2025\/26, conforme nosso modelo em 31 de janeiro. Em janeiro, fixaram mais 3.5 milh&otilde;es de toneladas a um pre&ccedil;o m&eacute;dio de 17.66 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (R$ 2,482\/ton). O total fixado soma 21.75 milh&otilde;es de toneladas, com pre&ccedil;o m&eacute;dio de 18.80 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (R$ 2,495\/ton). O percentual &eacute; inferior ao da safra 2021\/22 e 2023\/24 (75% fixados no mesmo per&iacute;odo), mas supera os 59.2% da safra passada. Para 2026\/27, a estimativa de fixa&ccedil;&atilde;o &eacute; entre 11% e 12%, um n&uacute;mero abaixo do esperado.<\/p>\n<p>A an&aacute;lise t&eacute;cnica do nosso colaborador Marcelo Moreira: Desde o dia 21 de janeiro de 2025, o maio-25 subiu +19.87% (m&iacute;nima a 16.61 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e fechamento dia 21\/fev a 19.91 centavos de d&oacute;lar por libra-peso). Na &uacute;ltima semana, todas as resist&ecirc;ncias viraram \"suportes\". Pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias: 20.00\/20.50\/21.00\/21.50\/22.00 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Suportes: 19.69\/19.32\/19.18\/18.98 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Aten&ccedil;&atilde;o ao poss&iacute;vel cruzamento da m&eacute;dia m&oacute;vel dos 9 dias (18.98 centavos de d&oacute;lar por libra-peso) com as m&eacute;dias m&oacute;veis dos 200 e 100 dias (19.18 e 19.32 centavos de d&oacute;lar por libra-peso). Caso venha a ocorrer, a tend&ecirc;ncia de alta continuar&aacute; firme, podendo chegar aos 22.00 centavos de d&oacute;lar por libra-peso! Provavelmente alguns fundos est&atilde;o liquidando posi&ccedil;&otilde;es no caf&eacute; (subiu +38% nos &uacute;ltimos 2 meses) e comprando a&ccedil;&uacute;car! O spread V25\/H26 voltou a estreitar, encerrando a semana a -23 pontos. Seguimos positivos, com objetivo acima dos 80 pontos no m&eacute;dio prazo.<\/p>\n<p>Quer entender mais sobre o mercado de commodities? N&atilde;o perca o Curso Essencial Plus de Commodities, inteiramente online, que ocorre de 24 a 27 de mar&ccedil;o. Clique aqui <a href=\"https:\/\/archereducation.com.br\/commodities\/\">https:\/\/archereducation.com.br\/commodities\/<\/a> E logo depois, o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos (presencial, em abril). 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