{"id":11430,"date":"2025-03-08T00:00:00","date_gmt":"2025-03-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/nunca-um-momento-de-calmaria\/"},"modified":"2025-03-07T21:26:38","modified_gmt":"2025-03-07T21:26:38","slug":"nunca-um-momento-de-calmaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/nunca-um-momento-de-calmaria\/","title":{"rendered":"NUNCA UM MOMENTO DE CALMARIA"},"content":{"rendered":"<p>Diante da elevada incerteza que domina os mercados globais, impulsionada pela pol&iacute;tica err&aacute;tica de Donald Trump, o desempenho do a&ccedil;&uacute;car ao longo da &uacute;ltima semana pode ser considerado positivo. Apesar da volatilidade em diversos setores, a commodity encerrou o per&iacute;odo praticamente est&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior. No entanto, essa estabilidade n&atilde;o representa um motivo de comemora&ccedil;&atilde;o para as usinas. O mercado hoje opera com a percep&ccedil;&atilde;o de que teremos uma safra robusta de a&ccedil;&uacute;car, com um aumento do mix de produ&ccedil;&atilde;o em compara&ccedil;&atilde;o com a temporada atual. Al&eacute;m disso, mais unidades industriais entrar&atilde;o em opera&ccedil;&atilde;o neste ciclo, o que garante um suprimento adequado para a safra 2025\/26. C&eacute;u de brigadeiro? Talvez. Mas &eacute; bom lembrar que S&atilde;o Pedro ainda n&atilde;o deu a palavra final.<\/p>\n<p>Os fundos especulativos fizeram o esperado: com a queda do mercado eles aumentaram suas posi&ccedil;&otilde;es vendidas para pouco mais de 79,000 lotes, adicionando 25,780 no per&iacute;odo de 25 de fevereiro a 4 de mar&ccedil;o, segundo o COT (Commitment Of Trades), relat&oacute;rio dos comitentes, publicado hoje pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities.<\/p>\n<p>O contrato futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY com vencimento para maio\/25 fechou o preg&atilde;o se sexta-feira a 18.33 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, 19 pontos abaixo do fechamento da semana passada, uma retra&ccedil;&atilde;o de pouco mais de 4 d&oacute;lares por tonelada. O spread maio\/julho encerrou a 32 pontos, mas pode valorizar se o come&ccedil;o da safra for mais tardio do que esperam grande parte dos participantes do mercado.<\/p>\n<p>Falando nisso, o in&iacute;cio da safra vem sendo adiado por v&aacute;rias usinas devido ao atraso no desenvolvimento da cana. Algumas unidades que planejavam iniciar a moagem em meados de abril j&aacute; postergaram para a semana do dia 22 de abril, enquanto outras avaliam um adiamento ainda maior. No entanto, evitar empurrar o in&iacute;cio para maio tamb&eacute;m &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, pois poderia gerar press&atilde;o dos fornecedores para antecipar a moagem diante de qualquer per&iacute;odo de seca. Apesar desse equil&iacute;brio delicado, o cen&aacute;rio observado no campo &eacute; claro: o canavial est&aacute; atrasado e ainda precisa de mais tempo para atingir seu pleno potencial.<\/p>\n<p>Aqueles que optarem por come&ccedil;ar a safra cedo, principalmente por necessidade de caixa, correm o risco de comprometer a rentabilidade. &ldquo;A cana ainda est&aacute; curta, n&atilde;o teve tempo suficiente para maturar e, fisiologicamente, n&atilde;o est&aacute; pronta para ser colhida&rdquo;, comenta um executivo. &ldquo;Moer nesse est&aacute;gio significa operar com um ATR abaixo do ideal e comprometer a efici&ecirc;ncia da safra, desperdi&ccedil;ando um potencial produtivo que poderia ser mais bem aproveitado com um pequeno ajuste no calend&aacute;rio&rdquo;, assevera outro. Essa avalia&ccedil;&atilde;o tem sido compartilhada por diversas usinas que, ao revisarem suas estimativas de campo, constatam a mesma situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Com base nessas condi&ccedil;&otilde;es, muitas unidades est&atilde;o reavaliando suas proje&ccedil;&otilde;es de safra para determinar o melhor momento para iniciar a moagem. A prioridade &eacute; evitar uma safra marcada por baixa produtividade e qualidade comprometida, o que pode gerar impactos negativos na estrat&eacute;gia comercial ao longo do ano. A quest&atilde;o central n&atilde;o &eacute; apenas quando come&ccedil;ar, mas sim quando iniciar de forma a maximizar os resultados. A expectativa agora se volta para as pr&oacute;ximas semanas, observando se as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas favorecer&atilde;o o desenvolvimento da cana e se as usinas conseguir&atilde;o encontrar o ponto ideal entre antecipa&ccedil;&atilde;o e prud&ecirc;ncia. Nunca um momento de calmaria!<\/p>\n<p>Outro fator que merece aten&ccedil;&atilde;o &eacute; a demanda global, que tem se mostrado moderada. O mercado internacional encontra-se bem abastecido, e o Brasil tem sido um dos principais respons&aacute;veis por essa oferta elevada. Nos &uacute;ltimos 48 meses, o pa&iacute;s exportou 125 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car, um recorde absoluto dentro desse per&iacute;odo. Se compararmos esse volume com os quatro anos anteriores, fica evidente que o Brasil conquistou uma fatia significativa do mercado global, ampliando seu <em>market share<\/em>. H&aacute; quatro safras, as exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras representavam 48% do a&ccedil;&uacute;car comercializado livremente no mundo; hoje, essa participa&ccedil;&atilde;o subiu para 61%.<\/p>\n<p>Essa domin&acirc;ncia, no entanto, traz desafios. Quando um &uacute;nico pa&iacute;s tem grande influ&ecirc;ncia sobre um mercado, os pre&ccedil;os tendem a cair mais acentuadamente em momentos de alta produ&ccedil;&atilde;o e, por outro lado, qualquer problema de oferta pode resultar em fortes oscila&ccedil;&otilde;es e picos de pre&ccedil;o. Esse &eacute; um fator que n&atilde;o pode ser ignorado.<\/p>\n<p>Na esfera pol&iacute;tica, o governo federal anunciou na &uacute;ltima quinta-feira um decreto que reduz a al&iacute;quota de importa&ccedil;&atilde;o de diversos produtos, incluindo o a&ccedil;&uacute;car, de 9% para 0%. No entanto, essa medida tem impacto nulo sobre o mercado. O desconhecimento do funcionamento da din&acirc;mica do setor por parte do governo &eacute; evidente. Imaginar que essa redu&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria possa influenciar os pre&ccedil;os internos dos produtos que utilizam a&ccedil;&uacute;car como insumo demonstra uma vis&atilde;o equivocada da realidade econ&ocirc;mica. Tamb&eacute;m vale mencionar que Lula colocou para comandar a Secretaria de Rela&ccedil;&otilde;es Institucionais, a deputada Gleise Hoffman (PT-PR). Genial escolha! Nada como um toque de arrog&acirc;ncia e antipatia para criar um ambiente acolhedor e produtivo nas negocia&ccedil;&otilde;es institucionais. A conferir.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira analisa o mercado tecnicamente: O contrato para maio\/25, ap&oacute;s romper a m&eacute;dia m&oacute;vel de 50 dias e atingir a m&iacute;nima da semana em 17.84 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, fechou a 18.33 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. As pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias est&atilde;o em 18.66, 19.09 e 19.65 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, enquanto os suportes se situam em 17.80 e 16.73. J&aacute; o vencimento julho\/25 encerrou a 18.01 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. As pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias est&atilde;o em 18.31, 18.54 e 19.23, com suportes em 17.74, 17.50, 17.00 e 16.45. Aten&ccedil;&atilde;o para um poss&iacute;vel novo rompimento do suporte cr&iacute;tico da m&eacute;dia m&oacute;vel de 50 dias, localizado em 17.74 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O spread out\/25 x mar\/26 fechou em -35 pontos, ainda podendo representar uma oportunidade para abrir posi&ccedil;&atilde;o vendida &ndash; vender out\/25 e comprar mar\/26.<\/p>\n<p>Entender sobre o mercado de commodities &eacute; essencial para sua carreira decolar. Por isso, recomendamos o Curso Essencial Plus de Commodities, inteiramente online, que ocorre de 24 a 27 de mar&ccedil;o e voc&ecirc; tem um m&ecirc;s para ver as aulas gravadas. Quer saber mais? Clique aqui <a href=\"https:\/\/archereducation.com.br\/commodities\/\">https:\/\/archereducation.com.br\/commodities\/<\/a> E logo depois, o Curso Avan&ccedil;ado de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos (presencial, em abril). Para mais informa&ccedil;&otilde;es contate <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Um excelente final de semana a todos<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante da elevada incerteza que domina os mercados globais, impulsionada pela pol&iacute;tica err&aacute;tica de Donald Trump, o desempenho do a&ccedil;&uacute;car ao longo da &uacute;ltima semana pode ser considerado positivo. Apesar da volatilidade em diversos setores, a commodity encerrou o per&iacute;odo praticamente est&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior. 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