{"id":11633,"date":"2025-05-16T18:24:39","date_gmt":"2025-05-16T18:24:39","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/entre-17-e-18-centavos-como-um-pendulo\/"},"modified":"2025-05-16T21:26:48","modified_gmt":"2025-05-16T21:26:48","slug":"entre-17-e-18-centavos-como-um-pendulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/entre-17-e-18-centavos-como-um-pendulo\/","title":{"rendered":"ENTRE 17 E 18 CENTAVOS, COMO UM P\u00caNDULO"},"content":{"rendered":"<p>Surpreendentemente, o mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a semana com o contrato julho\/25 cotado a 17.56 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; uma queda acumulada de 26 pontos, o que equivale a quase 6 d&oacute;lares a menos por tonelada. Tudo isso mesmo diante de n&uacute;meros desanimadores divulgados pela UNICA: moagem no Centro-Sul 33% abaixo do ano passado, produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car quase 39% menor, mix pouco favor&aacute;vel ao a&ccedil;&uacute;car (culpa da qualidade da cana) e uma produtividade agr&iacute;cola (TCH) que anda tirando o sono das usinas.<\/p>\n<p>Em um cen&aacute;rio desses, o esperado seria ver o mercado reagindo&nbsp; para cima fortemente. Mas n&atilde;o. A explica&ccedil;&atilde;o parece vir do outro lado do planeta. A Tail&acirc;ndia, grande exportadora, vinha segurando suas fixa&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;o na esperan&ccedil;a de que os 20 centavos por libra-peso voltassem a dar o ar da gra&ccedil;a. Mas como diz o ditado, quem espera nem sempre alcan&ccedil;a. Quando o mercado ensaiou uma recupera&ccedil;&atilde;o, os tailandeses correram para fixar os volumes pendentes, jogando mais oferta no sistema &mdash; e derrubando justamente a alta que esperavam. Ou seja: o mercado at&eacute; tentou subir, mas levou uma rasteira da Tail&acirc;ndia no meio do caminho.<\/p>\n<p>Essa press&atilde;o adicional pode continuar por mais alguns dias. E ela n&atilde;o est&aacute; sozinha nessa miss&atilde;o de frear o &iacute;mpeto de alta. A demanda global por a&ccedil;&uacute;car anda meio sonolenta, tirando a China, que aparece de vez em quando como aquele cliente que s&oacute; entra na loja quando tem promo&ccedil;&atilde;o. Sempre que os pre&ccedil;os caem para a faixa dos 17&ndash;17.50 centavos por libra-peso, l&aacute; v&ecirc;m os chineses garantir seu estoque, criando um suporte t&eacute;cnico vis&iacute;vel no gr&aacute;fico (e palp&aacute;vel no mercado).<\/p>\n<p>O problema &eacute; que, do outro lado do ringue, est&atilde;o os tailandeses. Quando os pre&ccedil;os se aproximam dos 18 centavos, eles entram vendendo com gosto, fixando seus contratos e jogando um balde de &aacute;gua fria em qualquer tentativa de recupera&ccedil;&atilde;o. Resultado? O mercado virou um p&ecirc;ndulo: de um lado, compradores oportunistas; do outro, vendedores estrat&eacute;gicos. E n&oacute;s, no meio, assistindo a esse vai-e-volta como quem v&ecirc; uma partida de t&ecirc;nis sem saber quem vai vencer o set. O Brasil deve ter no m&aacute;ximo 20% ainda para fixar nessa safra 2025\/2026, grande parte contra o vencimento mar&ccedil;o\/26.<\/p>\n<p>Agora, um dado t&eacute;cnico para os que gostam de olhar al&eacute;m do barulho: nas &uacute;ltimas cinco safras, a moagem acumulada at&eacute; 1&ordm; de maio representou, em m&eacute;dia, 7.5% do total mo&iacute;do ao longo do ano. O intervalo vai de 5.3% (no ano mais lento) at&eacute; 10% (no mais acelerado). Se projetarmos a safra atual com base apenas nas duas primeiras quinzenas, o sinal de alerta acende &mdash; e n&atilde;o &eacute; pouca coisa. Para os f&atilde;s de s&eacute;ries hist&oacute;ricas mais longas, nas &uacute;ltimas 10 safras, a m&eacute;dia ficou em 8.1%. Ou seja: ainda tem muita &aacute;gua (ou melhor, muita cana) pra passar por esse moinho. E o mercado, pelo visto, vai continuar ref&eacute;m desse cabo de guerra entre dados ruins, demanda seletiva e vendedores impacientes.<\/p>\n<p>Do lado da oferta, a moagem de cana no Centro-Sul continua sendo a vari&aacute;vel mais observada. A percep&ccedil;&atilde;o atual &eacute; de que, mesmo com uma recupera&ccedil;&atilde;o gradual nas pr&oacute;ximas quinzenas, os n&uacute;meros dificilmente ter&atilde;o for&ccedil;a suficiente para mudar a dire&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os no curto prazo. Mas &mdash; e sempre tem um &ldquo;mas&rdquo; &mdash; como j&aacute; repetimos por aqui quase no volume m&aacute;ximo, seguimos acreditando que uma recupera&ccedil;&atilde;o mais robusta pode dar as caras entre julho e agosto. Talvez n&atilde;o venha com fanfarra, mas deve chegar com consist&ecirc;ncia, &agrave; medida que o mercado enxergar mais claramente os limites da oferta, o impacto do clima e, quem sabe, uma rea&ccedil;&atilde;o da demanda fora da China. Nossa vis&atilde;o &eacute; um mercado entre 19 e 24 centavos de d&oacute;lar por libra-peso no segundo semestre. At&eacute; l&aacute;, seguimos monitorando o mercado como bons estrategistas: com aten&ccedil;&atilde;o aos detalhes, paci&ecirc;ncia com o barulho e um pouco de cafe&iacute;na para aguentar os solavancos.<\/p>\n<p>No campo positivo &mdash; porque nem s&oacute; de m&aacute;s not&iacute;cias vive o a&ccedil;&uacute;car &mdash;, a produ&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia continua abaixo do esperado. E isso, ainda que discretamente, ajuda a conter movimentos mais intensos de queda. Quando um dos grandes produtores do mundo entrega menos do que o previsto, o mercado para, respira e pensa duas vezes antes de despencar.<\/p>\n<p>O grande destaque da semana, no entanto, foi a avalanche de estimativas sobre a safra brasileira. Pipocaram previs&otilde;es para todos os gostos &mdash; de 39 a 43 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car &mdash; dependendo, claro, de quem est&aacute; segurando a calculadora. E, como bem sabemos, essas estimativas geralmente s&atilde;o menos uma proje&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e mais um reflexo do humor (ou do interesse comercial) de quem as publica. Cada agente l&ecirc; os dados com os &oacute;culos do pr&oacute;prio modelo de neg&oacute;cio &mdash; e &agrave;s vezes o grau da lente &eacute; bem seletivo. Por isso, mais do que nunca, &eacute; preciso manter a cabe&ccedil;a fria e o olhar cr&iacute;tico. Proje&ccedil;&otilde;es de safra s&atilde;o &uacute;teis, mas devem ser analisadas com parcim&ocirc;nia, principalmente em um mercado onde o vi&eacute;s pode ser mais pesado que a tonelada de ATR.<\/p>\n<p>Na Archer Consulting, seguimos firmes com nossa estimativa de 597 milh&otilde;es de toneladas de cana mo&iacute;das no Centro-Sul, o que deve resultar em uma produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car ao redor de 40,2 milh&otilde;es de toneladas &mdash; embora, sejamos honestos, o vi&eacute;s j&aacute; est&aacute; inclinado para baixo. Ainda h&aacute; muitas vari&aacute;veis no radar, e o cen&aacute;rio est&aacute; longe de ser definitivo. Mas cada nova semana coloca mais uma pe&ccedil;a no tabuleiro &mdash; e, com sorte (e um pouco de ju&iacute;zo do mercado), o desenho vai ficando menos nebuloso.<\/p>\n<p>Num evento de gr&atilde;os que participei esta semana em Curitiba, chamou aten&ccedil;&atilde;o a familiaridade do discurso dos produtores de soja e milho com aquele que j&aacute; estamos acostumados a ouvir no setor sucroalcooleiro: o arrependimento. O mesmo lamento de quem viu o bonde passar, mas n&atilde;o embarcou. H&aacute; um sentimento generalizado de que se perderam boas oportunidades de fixa&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os &mdash; o famoso &ldquo;podia ter feito e n&atilde;o fiz&rdquo;. Nada muito diferente do que vemos nas usinas quando o mercado escapa pelas m&atilde;os e sobra s&oacute; a saudade. Em meio ao evento, o economista e ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman trouxe uma pitada de sobriedade ao afirmar que o d&oacute;lar ter&aacute; dificuldade em romper os R$ 5.6000, considerando esse patamar como o ch&atilde;o do mercado.<\/p>\n<p>O mais curioso, no entanto, &eacute; constatar como o Brasil, independentemente da commodity ainda patina na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas estruturadas de hedge. Fala-se muito em proteger margem, maximizar retorno ao acionista e profissionalizar a gest&atilde;o, mas na pr&aacute;tica, o que se v&ecirc; &eacute; uma f&eacute; quase messi&acirc;nica de que os pre&ccedil;os s&oacute; sabem subir. E quando a realidade entra pela porta, traz junto uma multid&atilde;o de arrependidos se perguntando por que n&atilde;o fizeram nada quando o mercado oferecia remunera&ccedil;&atilde;o decente. &Eacute; a velha cren&ccedil;a de querer acertar no &ldquo;olho da mosca voando&rdquo;, aquele ponto m&aacute;gico do mercado que s&oacute; os contadores de vantagem dizem ter conseguido.<\/p>\n<p>No setor de a&ccedil;&uacute;car, &eacute; verdade, temos visto avan&ccedil;os. Nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s ou quatro anos, muitas usinas t&ecirc;m aproveitado bem os momentos de mercado com pre&ccedil;os remuneradores. Mas ainda h&aacute; quem prefira cruzar os bra&ccedil;os esperando uma ilumina&ccedil;&atilde;o divina ou a pr&oacute;xima live de um influenciador financeiro com discurso gen&eacute;rico sobre commodities.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira, comenta: O contrato julho-25, ap&oacute;s negociar na m&aacute;xima da semana a 18.29 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, encerrou a 17.52 centavos &ndash; uma queda de 26 pontos em rela&ccedil;&atilde;o ao fechamento anterior. As cota&ccedil;&otilde;es da semana foram: 17.78 (fechamento anterior), 18.29 (m&aacute;xima), 17.42 (m&iacute;nima) e 17.52 (fechamento atual). No curto prazo, o julho-25 segue em tend&ecirc;ncia de baixa, com os pr&oacute;ximos suportes em 17.03, 16.80 e 16.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. As resist&ecirc;ncias encontram-se em 17.67, 18.04, 18.25, 18.40 e 19.50 centavos. O spread outubro-25 x mar&ccedil;o-26 continua oscilando entre 35 e 40 pontos, tendo encerrado a semana em -38 pontos.<\/p>\n<p>--<\/p>\n<p>Coloque na sua agenda: o pr&oacute;ximo Curso Avan&ccedil;ado de Futuros Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos vai ocorrer dias 23 e 24 de setembro, presencial, em S&atilde;o Paulo. Junte-se aos mais de 3,500 profissionais do mercado de commodities que j&aacute; fizeram essa capacita&ccedil;&atilde;o. Mais informa&ccedil;&otilde;es: <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana a todos.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Surpreendentemente, o mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a semana com o contrato julho\/25 cotado a 17.56 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; uma queda acumulada de 26 pontos, o que equivale a quase 6 d&oacute;lares a menos por tonelada. 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