{"id":11674,"date":"2025-05-30T18:36:44","date_gmt":"2025-05-30T18:36:44","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/o-bicho-vai-pegar\/"},"modified":"2025-05-30T21:40:04","modified_gmt":"2025-05-30T21:40:04","slug":"o-bicho-vai-pegar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/o-bicho-vai-pegar\/","title":{"rendered":"O BICHO VAI PEGAR"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a sexta-feira cotado a 17.10 centavos de d&oacute;lar por libra-peso no contrato com vencimento para julho, encolhendo 21 pontos (pouco menos de 5 d&oacute;lares por tonelada) no acumulado da semana. Os demais contratos fecharam com quedas m&eacute;dias de 9 pontos (dois d&oacute;lares por tonelada). O real perdeu for&ccedil;a diante do d&oacute;lar, dada a instabilidade do cen&aacute;rio macro, e encerrou a semana com uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o de 1.3%, cotado a R$ 5.7250 por d&oacute;lar.<\/p>\n<p>Os fundos aumentaram suas vendas &agrave; descoberto e segundo o CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities, com base nas posi&ccedil;&otilde;es de ter&ccedil;a-feira passada, eles estavam short 61,476 lotes. O mercado est&aacute; como os fundos gostam, todo mundo em compasso de espera, o cen&aacute;rio macro n&atilde;o estimulando forma&ccedil;&atilde;o de estoques e eles podem pressionar os pre&ccedil;os mais facilmente. A vulnerabilidade deles aumenta. Se algo significativo ocorrer nos fundamentos (veja mais a seguir), eles podem repetir o desempenho de dezembro de 2023.<\/p>\n<p>O mercado segue atento aos n&uacute;meros da safra do Centro-Sul, e os dados divulgados pela UNICA nesta semana trazem elementos importantes para reflex&atilde;o. Quem observa &agrave; dist&acirc;ncia pode ver sinais trocados em rela&ccedil;&atilde;o a alguns detalhes dos dados divulgados. Por exemplo, ver que o mix do a&ccedil;&uacute;car pulou de 47.60% para 48.61% e imagina que esse n&uacute;mero vai subir e &ndash; claro &ndash; mais a&ccedil;&uacute;car estar&aacute; dispon&iacute;vel. Tamb&eacute;m pode se iludir pelo fato de o acumulado dessa terceira quinzena ser apenas 20% mais baixo do que o ano anterior, mas pelo menos melhorou muito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; queda de 30% da quinzena anterior na mesma compara&ccedil;&atilde;o. Ilus&atilde;o de &oacute;tica.<\/p>\n<p>Quando observamos o hist&oacute;rico de moagem ap&oacute;s a primeira quinzena de maio &mdash; ou seja, o que ainda falta ser mo&iacute;do daqui para frente &mdash; a consist&ecirc;ncia estat&iacute;stica impressiona. Em 2024\/25, foram mo&iacute;das 526 milh&otilde;es de toneladas ap&oacute;s esse ponto. Em 2023\/24, uma safra considerada excepcional, esse n&uacute;mero chegou a 574 milh&otilde;es. Nos demais anos, o volume raramente superou os 500 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>A m&eacute;dia dos &uacute;ltimos cinco anos para esse per&iacute;odo &eacute; de 504 milh&otilde;es de toneladas. Se somarmos esse valor &agrave;s 76 milh&otilde;es j&aacute; mo&iacute;das at&eacute; agora, o teto natural da safra atual seria de aproximadamente 580 milh&otilde;es de toneladas. A m&eacute;dia dos &uacute;ltimos dez anos n&atilde;o &eacute; muito diferente &mdash; 506 milh&otilde;es &mdash; o que leva a uma conclus&atilde;o semelhante. Mesmo se adotarmos o cen&aacute;rio mais otimista poss&iacute;vel, usando como base os 575 milh&otilde;es de toneladas mo&iacute;das ap&oacute;s maio em 2023, chegar&iacute;amos a no m&aacute;ximo 598 milh&otilde;es, um n&uacute;mero altamente improv&aacute;vel diante do que temos pela frente.<\/p>\n<p>Ou seja, com base nas m&eacute;dias hist&oacute;ricas e no ritmo atual de moagem, fica muito dif&iacute;cil sustentar qualquer proje&ccedil;&atilde;o que aponte para uma safra acima de 580 milh&otilde;es de toneladas. Ainda assim, o mercado parece ignorar esse limite t&eacute;cnico, apostando em um volume improv&aacute;vel de ser atingido. Resta saber at&eacute; quando essa narrativa se sustenta diante dos dados.<\/p>\n<p>Impressionado com visitas e relatos de v&aacute;rias usinas, ajustamos nossa previs&atilde;o para a safra 2025\/2026 reduzindo em 2.6% para 581 milh&otilde;es de toneladas de cana (era 596.7) e em 6.6% a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car, que &eacute; estimada em 38.7 milh&otilde;es de toneladas contra 41.5 anteriormente.<\/p>\n<p>Enquanto o Brasil encara seus pr&oacute;prios limites produtivos, os mercados asi&aacute;ticos vivem realidades distintas, embora igualmente pressionadas. Na &Iacute;ndia, a produ&ccedil;&atilde;o da safra 2024\/25 deve fechar em torno de 26.1 milh&otilde;es de toneladas, uma retra&ccedil;&atilde;o significativa frente ao ciclo anterior. A escassez de cana, o rendimento mais baixo e o impacto do El Ni&ntilde;o resultaram em um ambiente de oferta apertada, que levou o governo a restringir as exporta&ccedil;&otilde;es a um teto de 1 milh&atilde;o de toneladas. Mesmo assim, as perspectivas para a pr&oacute;xima temporada s&atilde;o bem mais otimistas.<\/p>\n<p>A mon&ccedil;&atilde;o chegou mais cedo, e as previs&otilde;es indicam chuvas acima da m&eacute;dia hist&oacute;rica 6% a mais, segundo nossa valiosa fonte. Com isso, estima-se uma produ&ccedil;&atilde;o bruta de 35 milh&otilde;es de toneladas em 2025\/26. O consumo tamb&eacute;m recua &mdash; de 29.15 milh&otilde;es para 27.5 milh&otilde;es de toneladas &mdash; refletindo menor libera&ccedil;&atilde;o ao mercado, retra&ccedil;&atilde;o do consumo industrial e a antecipa&ccedil;&atilde;o das chuvas, que afeta a demanda por alimentos processados. As exporta&ccedil;&otilde;es devem se limitar a 700&ndash;750 mil toneladas, e os estoques finais podem alcan&ccedil;ar 6 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>H&aacute; distor&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas relevantes nas estimativas de consumo indiana. Em tese, o consumo &eacute; medido pelo estoque inicial mais produ&ccedil;&atilde;o menos estoque final. O que ocorre &eacute; que se o volume de contrabando para Bangladesh aumenta, o estoque final diminuiu e d&aacute; a ilus&atilde;o de aumento do consumo. O consumo acaba sendo &ldquo;inflado&rdquo; pelo volume que atravessa a fronteira indiana.<\/p>\n<p>Na China, a produ&ccedil;&atilde;o segue est&aacute;vel, com 10.4 milh&otilde;es de toneladas, ainda bem abaixo do consumo dom&eacute;stico. A grande mudan&ccedil;a recente foi a proibi&ccedil;&atilde;o da entrada de xaropes tailandeses, usados como atalho para driblar as cotas tarif&aacute;rias. Essa medida deve aumentar a demanda por a&ccedil;&uacute;car bruto convencional &mdash; Brasil incluso &mdash; e fortalece a tend&ecirc;ncia de pre&ccedil;os internos firmes, sustentados por pol&iacute;ticas protecionistas e uso de estoques reguladores. Apesar disso, o clima tem colaborado e a expectativa &eacute; de leve crescimento produtivo em 2025\/26. A China fica de olho quando o mercado chega aos 17 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e aproveita para ajustar seu estoque estrat&eacute;gico.<\/p>\n<p>O Paquist&atilde;o, por sua vez, &eacute; um caso emblem&aacute;tico de descompasso entre planejamento e realidade. A safra atual resultou em apenas 5.7 milh&otilde;es de toneladas, mas o governo, confiando em estimativas superadas, autorizou exporta&ccedil;&otilde;es que somaram mais de 200 mil toneladas j&aacute; no in&iacute;cio do ano. O resultado foi escassez durante o Ramad&atilde;, pre&ccedil;os disparando para al&eacute;m de Rs 180 por quilo (29 centavos de d&oacute;lar por libra-peso) e medidas emergenciais de controle de pre&ccedil;os, suspens&atilde;o de exporta&ccedil;&otilde;es e promessa de importa&ccedil;&otilde;es, at&eacute; agora n&atilde;o realizadas.<\/p>\n<p>Na Tail&acirc;ndia, a hist&oacute;ria &eacute; outra. O pa&iacute;s colhe sua melhor safra em sete anos, com produ&ccedil;&atilde;o em torno de 10 milh&otilde;es de toneladas e igual volume previsto para exporta&ccedil;&atilde;o. O veto chin&ecirc;s ao xarope impactou algumas refinarias, mas tamb&eacute;m abriu espa&ccedil;o para a exporta&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car refinado tradicional. O clima foi um aliado at&eacute; aqui, mas o El Ni&ntilde;o pode complicar a pr&oacute;xima safra, caso as chuvas venham abaixo do esperado.<\/p>\n<p>J&aacute; a Indon&eacute;sia mant&eacute;m sua depend&ecirc;ncia cr&ocirc;nica de importa&ccedil;&otilde;es. Com produ&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica de apenas 2,6 milh&otilde;es de toneladas frente a uma demanda que supera 6 milh&otilde;es, o pa&iacute;s planeja importar ao menos 3,4 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car bruto em 2025. Os pre&ccedil;os internos superaram o teto estabelecido, for&ccedil;ando o governo a liberar estoques e autorizar compras adicionais. A meta de autossufici&ecirc;ncia segue no discurso, mas distante da pr&aacute;tica.<\/p>\n<p>Entre dados, pol&iacute;tica e clima, o a&ccedil;&uacute;car segue seu curso, desafiando narrativas f&aacute;ceis e for&ccedil;ando o mercado a voltar para onde tudo come&ccedil;a: a realidade f&iacute;sica da oferta e da demanda. E o bicho vai pegar logo, logo.<\/p>\n<p>--<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira comenta: ser&aacute; que j&aacute; vimos o mercado negociando nas m&iacute;nimas do ano? O vencimento Julho-25 - ap&oacute;s negociar na m&aacute;xima da semana a 17.52 centavos de d&oacute;lar por libra-peso - voltou a testar as m&iacute;nimas do ano negociando a 16.81 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e encerrou a 17.05 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (m&iacute;nima do ano foi 16.43 centavos de d&oacute;lar por libra-peso dia 21 janeiro 2025). O julho-25 segue trabalhando em um &ldquo;canal de baixa&rdquo; tendo como primeira resist&ecirc;ncia 17.26 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e em seguida respectivamente 17.96\/18.34 e 19,35 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Suportes importantes a 16.81\/16.43 (m&iacute;nima dos &uacute;ltimos 3 anos negociado em 23 de mar&ccedil;o de 2023)\/16.00 e finalmente 15.18 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (m&iacute;nima do contrato negociado em 17 de novembro de 2022). &nbsp;O spread out-25\/mar&ccedil;o-26 ap&oacute;s negociar @ 48 pontos encerrou a semana @ 46 pontos!<\/p>\n<p>--<\/p>\n<p>Quer saber tudo sobre &ldquo;Aspectos Econ&ocirc;micos e Jur&iacute;dicos dos Contratos de Parceria, Arrendamento e Fornecimento de Cana&rdquo;? A Archer Education promove um curso inteiramente on-line sobre o assunto. Para mais informa&ccedil;&otilde;es: <a href=\"https:\/\/lnkd.in\/dCU8fAb3\">https:\/\/lnkd.in\/dCU8fAb3<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana a todos.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a sexta-feira cotado a 17.10 centavos de d&oacute;lar por libra-peso no contrato com vencimento para julho, encolhendo 21 pontos (pouco menos de 5 d&oacute;lares por tonelada) no acumulado da semana. Os demais contratos fecharam com quedas m&eacute;dias de 9 pontos (dois d&oacute;lares por tonelada). 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