{"id":11734,"date":"2025-06-20T19:00:23","date_gmt":"2025-06-20T19:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/muita-coisa-para-acontecer-inclusive-nada\/"},"modified":"2025-06-20T22:03:05","modified_gmt":"2025-06-20T22:03:05","slug":"muita-coisa-para-acontecer-inclusive-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/muita-coisa-para-acontecer-inclusive-nada\/","title":{"rendered":"MUITA COISA PARA ACONTECER, INCLUSIVE NADA"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira como um diplomata su&iacute;&ccedil;o: absolutamente neutro. As oscila&ccedil;&otilde;es nos contratos listados foram inferiores a um d&oacute;lar por tonelada, para cima ou para baixo &mdash; o tipo de movimento que diz muito mais sobre incerteza do que sobre dire&ccedil;&atilde;o. E incerteza &eacute; o que n&atilde;o falta.<\/p>\n<p>H&aacute; d&uacute;vidas relevantes sobre a produ&ccedil;&atilde;o no Centro-Sul, onde a &uacute;ltima quinzena da UNICA veio acima das expectativas, mas ainda abaixo dos volumes da safra passada. No cen&aacute;rio internacional, o recrudescimento das tens&otilde;es entre Ir&atilde; e Israel adiciona mais uma camada de ansiedade aos mercados, enquanto todos se perguntam: qual ser&aacute; a posi&ccedil;&atilde;o de Donald Trump nesse tabuleiro, caso reassuma o tablado geopol&iacute;tico global? E como se n&atilde;o bastasse, o petr&oacute;leo amea&ccedil;a testar novas m&aacute;ximas e, no Brasil, o Banco Central decidiu aumentar a Selic para 15% ao ano &mdash; o que, convenhamos, &eacute; um tranquilizante definitivo para qualquer impulso de formar estoque. Resultado: o mercado negocia da m&atilde;o para a boca, tentando equilibrar-se numa corda bamba estendida entre Telaviv, Teer&atilde; e Nova York.<\/p>\n<p>O contrato futuro em NY com vencimento para julho\/25 fechou a 16.06 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, dois pontos abaixo da semana anterior, enquanto o outubro\/25 encerrou a 16.53 centavos, queda de apenas um ponto. Em reais por tonelada, no entanto, observou-se uma leve desvaloriza&ccedil;&atilde;o: queda de 14 reais por tonelada na curva da 2025\/26, de 18 reais por tonelada na safra 2026\/27 e de 35 reais por tonelada na safra 2027\/28. Esses valores consideram a convers&atilde;o m&eacute;dia dos respectivos vencimentos para reais, via NDF (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquida&ccedil;&atilde;o financeira, em m&eacute;dia aritm&eacute;tica. No fim das contas, o mercado at&eacute; parece parado, mas os fundamentos seguem se mexendo por baixo da superf&iacute;cie &mdash; como crocodilo em rio barrento.<\/p>\n<p>Ainda aguardamos os dados da UNICA, que devem ser mais elucidativos apenas na &uacute;ltima semana de julho ou na primeira de agosto. Como j&aacute; destacamos anteriormente, ser&aacute; esse o momento em que o mercado ter&aacute; maior clareza sobre o desempenho efetivo da safra. N&atilde;o temos ainda motivos para acreditar em safra maior de que 595 milh&otilde;es de toneladas, e ainda mantemos o nosso n&uacute;mero em 581 milh&otilde;es de toneladas.<\/p>\n<p>Durante a semana, segundo as ag&ecirc;ncias noticiosas houve uma poss&iacute;vel compra de 750 mil toneladas de a&ccedil;&uacute;car por parte do Paquist&atilde;o, fato que de certa forma ajudou a trazer o m&iacute;nimo de sustenta&ccedil;&atilde;o ao mercado, limitando novas press&otilde;es de baixa. &Eacute; f&aacute;cil perceber o interesse do f&iacute;sico quando olhamos o spread entre os contratos de julho\/25 e outubro\/25 indicando um carrego anualizado de 12,13%. Isso apenas refor&ccedil;a a leitura de que os participantes ainda posicionados no julho est&atilde;o, em sua maioria, desfazendo ou rolando suas posi&ccedil;&otilde;es. Falta de demanda, custo alto de manter estoques, menor giro pois a mercadoria se move mais lentamente, incerteza e Donald Trump.<\/p>\n<p>Os feriados de quinta-feira tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos reduziram significativamente a liquidez do mercado, que operou em ritmo lento nos &uacute;ltimos dias. E o COT (Commitment Of Trades), relat&oacute;rio dos comitentes, que normalmente &eacute; divulgado nas sextas-feiras pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities, deve ter sido postergado devido ao feriado naquele pa&iacute;s.<\/p>\n<p>No Brasil, muitas usinas em Goi&aacute;s, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul j&aacute; demonstram prefer&ecirc;ncia pelo etanol, diante da melhor paridade em rela&ccedil;&atilde;o ao a&ccedil;&uacute;car al&eacute;m de economia no frete, eleva&ccedil;&atilde;o, custos financeiros e os incentivos fiscais.<\/p>\n<p>Um fator que merece aten&ccedil;&atilde;o nesse in&iacute;cio de safra com a recente queda do TCH e da ATR, estima-se que o custo de produ&ccedil;&atilde;o esteja pr&oacute;ximo dos 16 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; n&iacute;vel muito pr&oacute;ximo das cota&ccedil;&otilde;es atuais, pressionando a rentabilidade de diversas usinas.<\/p>\n<p>Duas perguntas merecem reflex&atilde;o: primeira, quem consegue produzir a&ccedil;&uacute;car com margem positiva com NY negociando a 16.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso? Segunda, no evento de uma piora no conflito do Oriente M&eacute;dio e o petr&oacute;leo subir, a &Iacute;ndia aumentar&aacute; sua produ&ccedil;&atilde;o de etanol?<\/p>\n<p>O cen&aacute;rio geopol&iacute;tico traz preocupa&ccedil;&otilde;es. A escalada do conflito entre Ir&atilde; e Israel pode impactar os pre&ccedil;os do petr&oacute;leo. Uma disparada do Brent, hoje novamente acima dos US$ 75\/barril, tende a tornar o etanol mais competitivo, o que pode alterar a configura&ccedil;&atilde;o do mix de produ&ccedil;&atilde;o no curto prazo.<\/p>\n<p>No mercado dom&eacute;stico, os pre&ccedil;os seguem mais atrativos do que na exporta&ccedil;&atilde;o. Isso pode reabrir espa&ccedil;o para um movimento j&aacute; conhecido: o <em>washout<\/em>, com usinas recomprando posi&ccedil;&otilde;es de a&ccedil;&uacute;car bruto vendidas &agrave;s tradings para redirecionar a produ&ccedil;&atilde;o ao mercado interno, onde as margens s&atilde;o superiores.<\/p>\n<p>Em resumo: o mercado est&aacute; parado, mas longe de estar tranquilo. Tem muita coisa por acontecer &mdash; inclusive nada.<\/p>\n<p>Nosso analista Marcelo Moreira destaca que, mesmo com o Brent retomando os US$ 75 e o d&oacute;lar abaixo de R$ 5.50, o mercado de a&ccedil;&uacute;car permanece sem for&ccedil;a para reagir. O contrato julho\/25, ap&oacute;s testar a m&iacute;nima dos &uacute;ltimos 30 meses, encerrou a semana est&aacute;vel. No curto prazo, os n&iacute;veis de suporte mais relevantes est&atilde;o em 16.05 e 15.32 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, enquanto as resist&ecirc;ncias aparecem em 16.28, 17.25 e 17.90 centavos.<\/p>\n<p>Quer saber tudo sobre &ldquo;Aspectos Econ&ocirc;micos e Jur&iacute;dicos dos Contratos de Parceria, Arrendamento e Fornecimento de Cana&rdquo;? As vagas s&atilde;o limitadas. A Archer Education promove um curso inteiramente on-line sobre o assunto. Para mais informa&ccedil;&otilde;es: <a href=\"https:\/\/lnkd.in\/dCU8fAb3\">https:\/\/lnkd.in\/dCU8fAb3<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana a todos.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira como um diplomata su&iacute;&ccedil;o: absolutamente neutro. 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