{"id":11754,"date":"2025-06-28T00:00:00","date_gmt":"2025-06-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/sem-queda-mas-com-gosto-amargo\/"},"modified":"2025-06-27T21:30:53","modified_gmt":"2025-06-27T21:30:53","slug":"sem-queda-mas-com-gosto-amargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/sem-queda-mas-com-gosto-amargo\/","title":{"rendered":"SEM QUEDA, MAS COM GOSTO AMARGO"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O contrato futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY com vencimento julho\/25, que expira na pr&oacute;xima segunda-feira, encerrou a semana cotado a 15.88 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; queda de 22 pontos na semana, o equivalente a aproximadamente 5 d&oacute;lares por tonelada. Durante a semana, chegou a negociar na m&iacute;nima de 15.58 centavos, representando uma retra&ccedil;&atilde;o de 52 pontos (ou mais de 11 d&oacute;lares por tonelada).<\/p>\n<p>O destaque do per&iacute;odo foi o expressivo alargamento do spread entre os vencimentos julho\/25 e outubro\/25, que fechou em 81 pontos. Isso equivale a um carregamento financeiro de 21.84% ao ano. Em tese, esse diferencial deveria estimular o recebimento de a&ccedil;&uacute;car em julho, com estocagem e revenda em outubro. Mas o mercado especula que o motivo por tr&aacute;s desse comportamento at&iacute;pico est&aacute; na qualidade do a&ccedil;&uacute;car dispon&iacute;vel para entrega em julho: VHP de baixa qualidade, possivelmente originado da Argentina. Incapaz de encontrar destino comercial para esse tipo de produto, o comprador preferiu &ldquo;vomitar&rdquo; a posi&ccedil;&atilde;o, pressionando o spread. Pelo menos &eacute; essa narrativa ouvida.<\/p>\n<p>O contrato outubro\/25, que assume como m&ecirc;s de refer&ecirc;ncia a partir de ter&ccedil;a-feira, subiu 12 pontos na semana, encerrando a 16.69 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (alta de 2.65 d&oacute;lares por tonelada). Os demais vencimentos tamb&eacute;m reagiram positivamente: mar&ccedil;o\/26 subiu 18 pontos; contratos entre maio\/26 e mar&ccedil;o\/27 subiram, em m&eacute;dia, 30 pontos (6.50 d&oacute;lares por tonelada); e os vencimentos de maio\/27 a mar&ccedil;o\/28 registraram alta m&eacute;dia de 34 pontos (7.50 d&oacute;lares por tonelada). Dissemos aqui por v&aacute;rias vezes que os pre&ccedil;os baixos vistos nas telas que replicam a 26\/27 e 27\/28 do Centro-Sul, eram excelentes oportunidades de compra para os consumidores industriais.<\/p>\n<p>H&aacute; crescente preocupa&ccedil;&atilde;o quanto a uma poss&iacute;vel migra&ccedil;&atilde;o do mix para o etanol nas usinas de Goi&aacute;s, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, que respondem por cerca de 30% da produ&ccedil;&atilde;o do Centro-Sul. Uma mudan&ccedil;a de apenas 5 pontos percentuais nesse mix pode representar uma redu&ccedil;&atilde;o de at&eacute; 1.2 milh&atilde;o de toneladas de a&ccedil;&uacute;car &mdash; ou 1.5% do mix do Centro-Sul.<\/p>\n<p>O custo de produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car no Centro-Sul est&aacute; hoje estimado em R$ 2,100 por tonelada FOB Santos (equivalente a 16 centavos de d&oacute;lar por libra-peso), reflexo direto do menor TCH e da menor ATR at&eacute; aqui. Estimamos o custo m&eacute;dio no Centro-Sul de 13.93 centavos de d&oacute;lar por libra-peso posto Usina.<\/p>\n<p>Poucos pa&iacute;ses conseguem competir com essa efici&ecirc;ncia: os custos estimados em outras origens s&atilde;o 16.38 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (Nordeste do Brasil), 17.07 (Austr&aacute;lia), 18.00 (Am&eacute;rica Central), 21.25 (&Iacute;ndia), 21.64 (Tail&acirc;ndia) e 23.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (Paquist&atilde;o).<\/p>\n<p>Ainda assim, o mercado continua pressionado por uma combina&ccedil;&atilde;o de fatores: A moagem no Centro-Sul surpreendeu positivamente, apesar de ainda estar abaixo da safra passada; a safra tailandesa veio melhor do que o esperado; o mercado de energia desabou, enfraquecendo o pre&ccedil;o do etanol. E os fundos seguem vendidos, dificultando qualquer tentativa de recupera&ccedil;&atilde;o nas cota&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, o n&uacute;mero publicado nesta sexta-feira pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), ag&ecirc;ncia independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e op&ccedil;&otilde;es das commodities, com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira passada, mostra que os fundos est&atilde;o vendidos 112,987 lotes (equivalentes a 5.74 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car)<\/p>\n<p>Para alcan&ccedil;ar a marca de 605 milh&otilde;es de toneladas de cana estimada por parte do mercado, seria necess&aacute;rio moer 481 milh&otilde;es de toneladas at&eacute; o fim da safra &mdash; algo que s&oacute; aconteceu tr&ecirc;s vezes nas &uacute;ltimas 13 safras. Nossa estimativa segue mantida em 581 milh&otilde;es de toneladas de cana e uma produ&ccedil;&atilde;o de 38.72 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car no Centro-Sul.<\/p>\n<p>Em termos reais, ao ajustar os pre&ccedil;os de julho pelo IPCA desde 2015, o a&ccedil;&uacute;car atual est&aacute; em torno de R$ 2.000 por tonelada &mdash; valor inferior &agrave; m&eacute;dia hist&oacute;rica. Desde 2015, em 65% do tempo, os pre&ccedil;os estiveram acima desse patamar. Isso refor&ccedil;a que os n&iacute;veis atuais est&atilde;o muito deprimidos.<\/p>\n<p>O c&acirc;mbio, por sua vez, segue dentro da banda que j&aacute; antecipamos: 70% do tempo desde 2020 ele se manteve entre R$ 4,90 e R$ 5,60. O recente estresse fiscal deslocou o d&oacute;lar para cima, mas o vi&eacute;s agora parece ser de baixa. Na semana, encerrou a R$ 5.4830.<\/p>\n<p>Por fim, a aprova&ccedil;&atilde;o do E30 no Brasil (etanol com 30% de mistura) pode gerar um consumo adicional de 1.2 bilh&atilde;o de litros nos pr&oacute;ximos meses. Ainda assim, faltam vetores altistas consistentes no curto prazo. O cen&aacute;rio global mostra bom suprimento, clima favor&aacute;vel na &Iacute;ndia, safras satisfat&oacute;rias e um mercado de energia fraco. E, como sempre, incertezas pol&iacute;ticas e macroecon&ocirc;micas (inclusive com o fator &ldquo;Trump&rdquo; no radar) seguem adicionando volatilidade. O suporte para o mercado pode estar em uma safra do Centro-Sul abaixo de 585 milh&otilde;es de toneladas &mdash; um dado a ser monitorado com aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>At&eacute; 31 de maio, as usinas brasileiras j&aacute; haviam fixado 7.2 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car da safra 2026\/27 para exporta&ccedil;&atilde;o, ao pre&ccedil;o m&eacute;dio de R$ 2,565 por tonelada FOB-Santos, o que representa cerca de 20% do volume estimado de exporta&ccedil;&atilde;o. O volume de neg&oacute;cios na bolsa caiu 39% em maio, refletindo um mercado mais fraco: foram negociados 2.23 milh&otilde;es de contratos, contra 3.66 milh&otilde;es em abril. O pre&ccedil;o m&eacute;dio do a&ccedil;&uacute;car em maio foi de 17.44 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &ndash; o pre&ccedil;o m&eacute;dio mais baixo dos &uacute;ltimos 4 anos &ndash;, com m&aacute;xima de 18.29 e m&iacute;nima de 16.81 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O d&oacute;lar m&eacute;dio do m&ecirc;s ficou em R$ 5.6720, cerca de 2% abaixo do m&ecirc;s anterior.<\/p>\n<p>Chega para n&oacute;s a informa&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o confirmada) que uma grande empresa respons&aacute;vel pela moagem de 5-6% de toda a cana do Centro-Sul prev&ecirc; uma quebra de mais de 10% da sua moagem estimada para esta safra. Muita tens&atilde;o.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira diz que o mercado aguarda uma entrega entre 700-900 mil toneladas na pr&oacute;xima segunda-feira. O pr&oacute;ximo vencimento outubro-25 encerrou a semana a 16.71 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Pr&oacute;ximos suportes a 16.56 e 16.22 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. E as pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias est&atilde;o a 17.00\/17.34\/18.00 e 18.46 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O spread out-25\/mar&ccedil;o-26 segue firme nos 66 pontos com objetivo entre 80-100 pontos no m&eacute;dio-prazo.<\/p>\n<p>Marque na sua agenda: vem a&iacute; o <strong>Curso Avan&ccedil;ado de Op&ccedil;&otilde;es sobre Futuros em Commodities Agr&iacute;colas<\/strong> &ndash; dias <strong>23 e 24 de setembro<\/strong>, presencial em S&atilde;o Paulo, atendido por mais de 3,500 profissionais. Dois dias intensos de conte&uacute;do t&eacute;cnico e estrat&eacute;gico para quem leva hedge a s&eacute;rio. 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