{"id":11854,"date":"2025-08-01T19:16:23","date_gmt":"2025-08-01T19:16:23","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/entre-luzes-e-nevoas\/"},"modified":"2025-08-01T22:17:26","modified_gmt":"2025-08-01T22:17:26","slug":"entre-luzes-e-nevoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/entre-luzes-e-nevoas\/","title":{"rendered":"ENTRE LUZES E N\u00c9VOAS"},"content":{"rendered":"<p>Nesta semana, a UNICA divulgou os n&uacute;meros da moagem da primeira quinzena de julho: 49,823 milh&otilde;es de toneladas de cana processadas. A princ&iacute;pio, parece um bom n&uacute;mero &mdash; at&eacute; olharmos o ATR quinzenal, que veio quase 10 quilos por tonelada abaixo do registrado no mesmo per&iacute;odo do ano passado. &Eacute; como preparar um belo jantar e perceber, na hora de servir, que esqueceu o sal.<\/p>\n<p>Fizemos um raio-X da evolu&ccedil;&atilde;o do ATR quinzenal desde o in&iacute;cio da safra e comparamos com o comportamento do ano passado. A correla&ccedil;&atilde;o entre as sete quinzenas acumuladas at&eacute; agora e o mesmo per&iacute;odo da safra anterior &eacute; surpreendentemente alta: 0,9885. Ou seja, est&aacute; andando junto &mdash; s&oacute; que ladeira abaixo.<\/p>\n<p>A perda de ATR tem sido uma companhia fiel: come&ccedil;amos com uma redu&ccedil;&atilde;o de 3,40 kg por tonelada, passamos para 4,58, depois 7,95, e na leitura mais recente, j&aacute; estamos em 9,60 kg de ATR por tonelada. Teve uma breve rea&ccedil;&atilde;o em junho &mdash; como quem toma f&ocirc;lego antes de escorregar mais &mdash; mas as proje&ccedil;&otilde;es indicam que podemos chegar a uma perda de 12,5 kg de ATR por tonelada at&eacute; outubro. E isso est&aacute; em linha com os relatos (nada animadores) de diversas usinas.<\/p>\n<p>Vamos aos cen&aacute;rios de moagem. O mais otimista, compilado a partir da m&eacute;dia de 20 consultorias, tradings e institui&ccedil;&otilde;es, prev&ecirc; uma moagem de 605 milh&otilde;es de toneladas de cana. Com 256 milh&otilde;es j&aacute; mo&iacute;das (a terceira menor marca dos &uacute;ltimos dez anos), precisar&iacute;amos processar mais 349 milh&otilde;es de toneladas at&eacute; o fim da safra. Vi&aacute;vel? Sim, tecnicamente. Isso aconteceu em 4 das &uacute;ltimas 10 safras &mdash; mas se voc&ecirc; desconsiderar as duas &ldquo;super safras&rdquo; recentes, essa chance cai para 30%. N&atilde;o exatamente um cen&aacute;rio para apostar o cafezinho.<\/p>\n<p>Mesmo que esse volume seja alcan&ccedil;ado, a proje&ccedil;&atilde;o de ATR m&eacute;dio da safra seria de 132,88 kg por tonelada, o que geraria cerca de 80,4 milh&otilde;es de toneladas de ATR. Isso representa uma redu&ccedil;&atilde;o de 7 milh&otilde;es de toneladas em rela&ccedil;&atilde;o ao ano passado. Assumindo um mix de produ&ccedil;&atilde;o de 51,5% para o a&ccedil;&uacute;car, a produ&ccedil;&atilde;o final de a&ccedil;&uacute;car dificilmente alcan&ccedil;aria a marca de 40 milh&otilde;es de toneladas.<\/p>\n<p>Ou seja, por enquanto, sonhar com 40 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car &eacute; como torcer para o VAR n&atilde;o marcar aquele p&ecirc;nalti numa final: poss&iacute;vel, mas improv&aacute;vel.<\/p>\n<p>Num cen&aacute;rio menos r&oacute;seo &mdash; ou, para ser honesto, mais compat&iacute;vel com o tom das conversas de bastidor nas usinas &mdash; vamos considerar uma moagem de 595 milh&otilde;es de toneladas. Com uma produtividade m&eacute;dia de 132 kg de ATR por tonelada de cana, isso nos levaria a uma produ&ccedil;&atilde;o total de 79 milh&otilde;es de toneladas de ATR. Na pr&aacute;tica, isso representa uma perda de 8,56 milh&otilde;es de toneladas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; safra anterior. E, mantendo o mix em 51,5%, a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car ficaria por volta de 38,8 milh&otilde;es de toneladas.<\/p>\n<p>J&aacute; o cen&aacute;rio com o qual trabalhamos na Archer Consulting &eacute; ainda mais conservador &mdash; ou realista, como preferimos chamar. Estimamos uma moagem total de 581 milh&otilde;es de toneladas de cana, com um ATR m&eacute;dio de 132,63 kg por tonelada. Isso resultaria numa produ&ccedil;&atilde;o de 77,1 milh&otilde;es de toneladas de ATR &mdash; uma redu&ccedil;&atilde;o de 10,5 milh&otilde;es de toneladas frente &agrave; safra 2024\/25. A produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car, nesse caso, seria de 37,8 milh&otilde;es de toneladas.<\/p>\n<p>Mesmo com o mix mantido em 51,5%, o discurso otimista de atingir mais de 40 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car come&ccedil;a a soar como aquela promessa de pol&iacute;tico em v&eacute;spera de elei&ccedil;&atilde;o: dif&iacute;cil de sustentar quando os n&uacute;meros apertam. E se a produ&ccedil;&atilde;o ficar abaixo de 38 milh&otilde;es, o impacto no mercado pode ser expressivo &mdash; n&atilde;o apenas na percep&ccedil;&atilde;o dos players, mas tamb&eacute;m na forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Seguimos monitorando os pr&oacute;ximos n&uacute;meros com a aten&ccedil;&atilde;o de quem sabe que, nesse mercado, o diabo mora nos detalhes. E, &agrave;s vezes, tamb&eacute;m no clima.<\/p>\n<p>Por conta das in&uacute;meras pe&ccedil;as espalhadas nesse complexo tabuleiro de xadrez &mdash; e das incertezas que pairam tanto sobre o setor quanto sobre o cen&aacute;rio macroecon&ocirc;mico &mdash; o mercado se comportou como quem espera, pacientemente, um farol no nevoeiro. O contrato outubro\/25 do a&ccedil;&uacute;car bruto encerrou a sexta-feira a 16.20 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, uma queda de 8 pontos na compara&ccedil;&atilde;o semanal. J&aacute; os vencimentos mais longos praticamente n&atilde;o se moveram &mdash; como se estivessem tamb&eacute;m esperando um sinal dos c&eacute;us (ou de Bras&iacute;lia, ou de Washington...).<\/p>\n<p>No c&acirc;mbio, apesar da tempestade Trumpiana que volta a agitar os mercados globais, o real fechou ligeiramente mais firme frente ao d&oacute;lar, cotado a R$ 5,5400. A combina&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car mais fraco em Nova York e real mais valorizado gerou uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o nos valores em reais por tonelada: recuo de R$ 25 para a safra 2025\/26, R$ 19 para a 2026\/27 e R$ 15 para a 2027\/28. O hedge, que andava sorridente, agora est&aacute; de cara fechada.<\/p>\n<p>Do lado dos fundos especulativos, o relat&oacute;rio do CFTC divulgado hoje &mdash; com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira passada &mdash; mostra que os fundos seguem vendidos em 125 mil lotes, mesmo ap&oacute;s recomprar 3 mil contratos na semana. Um detalhe interessante (e que vale a pena sublinhar): essa recompra de 3 mil lotes foi acompanhada de uma alta de 31 pontos no contrato outubro\/25. Ou seja, aproximadamente 1 ponto de alta para cada 98 lotes recomprados. Fazendo uma conta de padeiro: se resolverem recomprar 50 mil lotes (40% da posi&ccedil;&atilde;o vendida), veremos o mercado subir 500 pontos? Seria quase po&eacute;tico &mdash; se o mercado obedecesse matem&aacute;tica simples.<\/p>\n<p>O etanol segue firme, sustentado pela percep&ccedil;&atilde;o crescente de que os estoques de passagem no fim do ano podem ser mais apertados do que se imaginava. A lista de motivos &eacute; respeit&aacute;vel: incertezas sobre a disponibilidade do produto, possibilidade de uma safra de cana mais curta, cumprimento obrigat&oacute;rio da demanda por anidro e, agora, o in&iacute;cio do E30 &mdash; a mistura de 30% de etanol &mdash; que entra em vigor a partir de 1&ordm; de agosto. Uma equa&ccedil;&atilde;o que pode empurrar o etanol a patamares ainda mais firmes, especialmente se o a&ccedil;&uacute;car reagir.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira d&aacute; sua vis&atilde;o t&eacute;cnica do mercado: O contrato outubro\/25, ap&oacute;s registrar a m&aacute;xima da semana a 16.74 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, encerrou a sess&atilde;o a 16.18 centavos. Os principais n&iacute;veis da semana foram: fechamento anterior a 16.29, m&iacute;nima a 16.22, m&aacute;xima a 16.74, nova m&iacute;nima a 16.12 e fechamento atual a 16.18 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Desde 13 de maio de 2025, a m&eacute;dia m&oacute;vel de 50 dias vem atuando como uma barreira t&eacute;cnica s&oacute;lida, sem ser rompida de forma consistente. Nesta semana, ela encerrou a 16.64 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Um rompimento decisivo dessa m&eacute;dia poder&aacute; abrir espa&ccedil;o para uma recupera&ccedil;&atilde;o mais robusta, com alvos t&eacute;cnicos em 17.50, 18.50 e 19.50 centavos.<\/p>\n<p>No entanto, a perda de momentum nas tentativas de alta e a dificuldade em sustentar os avan&ccedil;os sugerem um mercado ainda fragilizado, com vi&eacute;s lateral a levemente baixista no curto prazo. Os pr&oacute;ximos n&iacute;veis de suporte est&atilde;o localizados em 16.03, 15.76 e 15.47 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, e devem ser observados de perto caso a press&atilde;o vendedora se intensifique.<\/p>\n<p>Faltando praticamente dois meses antes do nosso pr&oacute;ximo curso, <strong>50% da capacidade est&aacute; tomada<\/strong>. N&atilde;o perca essa oportunidade. Depois, s&oacute; em 2026. Por isso, marque na sua agenda: o <strong>Curso Avan&ccedil;ado de Op&ccedil;&otilde;es sobre Futuros em Commodities Agr&iacute;colas<\/strong> &ndash; ocorre dias <strong>23 e 24 de setembro<\/strong>, presencial em S&atilde;o Paulo. Ele j&aacute; foi atendido por mais de 3,500 profissionais. Ser&atilde;o dois dias intensos de conte&uacute;do t&eacute;cnico e estrat&eacute;gico para quem leva hedge a s&eacute;rio. 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