{"id":11894,"date":"2025-08-08T18:39:22","date_gmt":"2025-08-08T18:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/fundos-jogam-pesado-151-mil-contratos-vendidos-e-contando\/"},"modified":"2025-08-08T21:41:09","modified_gmt":"2025-08-08T21:41:09","slug":"fundos-jogam-pesado-151-mil-contratos-vendidos-e-contando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/fundos-jogam-pesado-151-mil-contratos-vendidos-e-contando\/","title":{"rendered":"FUNDOS JOGAM PESADO: 151 MIL CONTRATOS VENDIDOS E CONTANDO\u2026"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY em cerrou a sexta-feira com o vencimento outubro\/25 cotado a 16.27 centavos de d&oacute;lar por libra peso, uma varia&ccedil;&atilde;o positiva de t&iacute;midos sete pontos. Todos os contratos fecharam com n&uacute;meros positivos, menores nos vencimentos mais curtos e maiores nos vencimentos mais longos, m&eacute;dia de 12 pontos para os contratos que representam a safra 26\/27 (maio 26 at&eacute; mar&ccedil;o 27) e 20 pontos para a safra seguinte.<\/p>\n<p>O real tamb&eacute;m mostrou servi&ccedil;o, valorizando 2,10% na semana frente ao d&oacute;lar e fechando a R$ 5,4373. Com isso, o a&ccedil;&uacute;car em NY, convertido para reais por tonelada, sentiu o baque: uma queda m&eacute;dia de R$ 35 a R$ 40 por tonelada na semana. Moral da hist&oacute;ria? Nem sempre alta em NY significa sorriso no Brasil &mdash; o c&acirc;mbio adora contar a sua pr&oacute;pria piada.<\/p>\n<p>Sobre os fundos indexados: eles s&atilde;o como aqueles convidados de casamento que seguem o protocolo &agrave; risca. Sempre previs&iacute;veis, compram e vendem contratos para replicar o desempenho de um &iacute;ndice espec&iacute;fico de commodities. Quando voc&ecirc; aplica em um fundo desses no seu banco, o dinheiro vai para a tesouraria, e o trader aloca exatamente na propor&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice escolhido. Perfil? Passivo, sistem&aacute;tico e sem grandes surpresas &mdash; o tipo que voc&ecirc; pode at&eacute; n&atilde;o achar emocionante, mas sabe exatamente como vai se comportar.<\/p>\n<p>J&aacute; os fundos n&atilde;o-indexados &mdash; tamb&eacute;m conhecidos como especulativos &mdash; s&atilde;o outra hist&oacute;ria. Eles n&atilde;o se prendem a um &iacute;ndice, n&atilde;o seguem roteiro e, muitas vezes, nem avisam quando mudam de ideia. O objetivo &eacute; simples (mas nem sempre simples de entender): buscar ganhos absolutos, custe o que custar. As decis&otilde;es podem vir de an&aacute;lise fundamentalista, t&eacute;cnica, macroecon&ocirc;mica ou at&eacute; de modelos algor&iacute;tmicos complexos.<\/p>\n<p>Um dia, o gestor pode decidir vender a&ccedil;&uacute;car porque prev&ecirc; um super&aacute;vit global; no outro, entrar comprado em a&ccedil;&uacute;car e vendido em petr&oacute;leo se acreditar que o &ldquo;spread&rdquo; vai se valorizar. &Eacute; o t&iacute;pico fundo de perfil ativo, oportunista e adapt&aacute;vel &mdash; em outras palavras, o tipo que pode transformar um mercado tranquilo em uma montanha-russa num piscar de olhos.<\/p>\n<p>Esse pre&acirc;mbulo &eacute; apenas para que voc&ecirc; leitor possa entender que a maneira como um fundo especulativo olha o mercado muitas vezes foge da racionalidade. E parece-me que &eacute; isso que est&aacute; acontecendo agora com o a&ccedil;&uacute;car. Em seu relat&oacute;rio semanal publicado hoje, o CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities informou que os fundos n&atilde;o indexados estavam vendidos 151,004 contratos com base no fechamento de ter&ccedil;a-feira dia 5. Um acr&eacute;scimo de 25,923 contratos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aposi&ccedil;&atilde;o da semana anterior, suficientes para mover o mercado 58 pontos para baixo no per&iacute;odo observado de ter&ccedil;a a ter&ccedil;a.<\/p>\n<p>No entanto, nada nos fundamentos parece fazer os fundos se preocuparem. Afinal, muito dinheiro tem sido ganho por eles em mercados como suco de laranja, caf&eacute; e cacau. E eles tamb&eacute;m tem ganho dinheiro no a&ccedil;&uacute;car (estimo US$ 225-325 milh&otilde;es). Os fundamentos que esperem, deve ser a vis&atilde;o deles.<\/p>\n<p>N&atilde;o resta a menor d&uacute;vida que a posi&ccedil;&atilde;o dos fundos &eacute; de extrema vulnerabilidade caso o quadro que se delineia no a&ccedil;&uacute;car se concretizar. Ainda simulando os n&uacute;meros da UNICA e assumindo uma ader&ecirc;ncia entre o comportamento da ATR do ano passado com essa safra, em que situa&ccedil;&otilde;es poder&iacute;amos ver uma produ&ccedil;&atilde;o total de 40 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car nesta safra, usando como premissa um mix de 51.5%?<\/p>\n<p>Para quem acredita em 605 milh&otilde;es de toneladas de cana, a ATR m&eacute;dia a partir de agora vai ter que melhorar 3.21 kg por tonelada de cana sobre a curva de correla&ccedil;&atilde;o das ATRs j&aacute; apuradas nas duas safras e cuja ader&ecirc;ncia &eacute; perto de 0,99. Se voc&ecirc; est&aacute; no grupo dos que apostam em 595 milh&otilde;es de toneladas, que parece ser o n&uacute;mero consensual segundo um relat&oacute;rio privado que circula no mercado, voc&ecirc; tem que rezar para que a ATR m&eacute;dia a partir de agora adicione 7.40 kg. Se voc&ecirc; espera 585 milh&otilde;es de toneladas, o ganho de ATR m&eacute;dia tem que explodir 11.85 kg!! Sem esse acr&eacute;scimo, s&oacute; se a moagem subisse para 613 milh&otilde;es de toneladas nos tr&ecirc;s exemplos.<\/p>\n<p>A &Iacute;ndia entrou no radar das preocupa&ccedil;&otilde;es dos usineiros brasileiros. Uma safra prevista entre 35-36 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car, a utiliza&ccedil;&atilde;o do etanol como mistura praticamente batendo no limite dos 20% e a possibilidade de exportar 1.5 -2.0 milh&otilde;es de toneladas. A pergunta que todos querem saber a resposta &eacute; se a &Iacute;ndia pode elevar a mistura para 27%. Existem alguns pontos que merecem reflex&atilde;o: a &Iacute;ndia lida no momento com as quest&otilde;es que n&oacute;s lidamos aqui no passado. Narrativas sobre o etanol danificar o motor dos carros e principalmente o fato de que os pre&ccedil;os do E20 e da gasolina s&atilde;o os mesmos n&atilde;o trazendo nenhuma vantagem para o consumidor, diferentemente do Brasil onde E30 e etanol hidratado possuem pre&ccedil;os distintos. Nas redes sociais daquele pa&iacute;s o sentimento anti-etanol &eacute; preocupante.<\/p>\n<p>O mercado j&aacute; cochicha h&aacute; alguns dias &mdash; e agora o burburinho virou fala alta &mdash; sobre um epis&oacute;dio nada doce envolvendo embarques de a&ccedil;&uacute;car no porto de Santos. Em um carregamento, foi identificada areia misturada ao produto. Tecnicamente, chamam de &ldquo;res&iacute;duos insol&uacute;veis&rdquo;; na pr&aacute;tica, o nome &eacute; outro: problema s&eacute;rio. Esse tipo de ocorr&ecirc;ncia &eacute; um veneno para o com&eacute;rcio internacional (o chamado <em>intertrading<\/em>), pois abala a confian&ccedil;a e coloca sob suspeita opera&ccedil;&otilde;es que dependem de reputa&ccedil;&atilde;o impec&aacute;vel. N&atilde;o estamos falando de um simples erro operacional, mas de algo que cheira &mdash; e muito &mdash; a caso de pol&iacute;cia. E, quando isso acontece, n&atilde;o &eacute; s&oacute; o a&ccedil;&uacute;car que perde valor: &eacute; a credibilidade que desaba.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira analisa: o vencimento out-25 encerrou a semana uma revers&atilde;o de curto prazo bem interessante auxiliada pela valoriza&ccedil;&atilde;o do R$. O contrato testou novamente as m&iacute;nimas do ano (negociou na m&iacute;nima da semana a 15.92 centavos de d&oacute;lar por libra-peso). Enquanto o R$ valorizou na semana +3,38% (encerrou a 5,43 R$\/US$ x 5,60 R$\/US$) o a&ccedil;&uacute;car valorizou apenas +0,43% (fechamento anterior 16,18 centavos de d&oacute;lar por libra-peso x 16.25 centavos de d&oacute;lar por libra-peso). No curto prazo o outubro-25 encontra suportes a 16.24\/16.00\/15.80 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e resist&ecirc;ncias a 16.51\/17.00\/17.36 e 17.64 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Faltam poucas semanas para o nosso pr&oacute;ximo curso. N&atilde;o perca essa oportunidade. Depois, s&oacute; em 2026. Por isso, marque na sua agenda: o <strong>Curso Avan&ccedil;ado de Op&ccedil;&otilde;es sobre Futuros em Commodities Agr&iacute;colas<\/strong> &ndash; ocorre dias <strong>23 e 24 de setembro<\/strong>, presencial em S&atilde;o Paulo. Ele j&aacute; foi atendido por mais de 3,500 profissionais. Ser&atilde;o dois dias intensos de conte&uacute;do t&eacute;cnico e estrat&eacute;gico para quem leva hedge a s&eacute;rio. 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