{"id":12144,"date":"2025-10-31T18:45:52","date_gmt":"2025-10-31T18:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/por-que-chegamos-onde-chegamos\/"},"modified":"2025-10-31T21:46:44","modified_gmt":"2025-10-31T21:46:44","slug":"por-que-chegamos-onde-chegamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/por-que-chegamos-onde-chegamos\/","title":{"rendered":"POR QUE CHEGAMOS ONDE CHEGAMOS?"},"content":{"rendered":"<p>A semana encerrou com mais uma rodada de quedas expressivas em Nova York, com o vencimento mar&ccedil;o\/26 fechando a 14.42 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando retra&ccedil;&atilde;o de 55 pontos, o que equivale a pouco mais de 12 d&oacute;lares por tonelada. Os contratos da safra 2026\/27, ou seja, de maio\/26 a mar&ccedil;o\/27, tamb&eacute;m recuaram entre 25 e 46 pontos, algo entre 5.50 e 10 d&oacute;lares por tonelada, refletindo um ambiente ainda contaminado pelo pessimismo que tomou conta do mercado ap&oacute;s a chamada &ldquo;semana do a&ccedil;&uacute;car&rdquo; no Brasil. Como costuma ocorrer em commodities, o sentimento coletivo segue amplificando os extremos: baixistas na baixa e euf&oacute;ricos na alta. A realidade, por&eacute;m, &eacute; que o mercado ainda processa o excesso de negatividade acumulado nas &uacute;ltimas semanas.<\/p>\n<p>Os n&uacute;meros divulgados pela UNICA n&atilde;o trouxeram surpresas. A moagem acumulada atingiu 525 milh&otilde;es de toneladas de cana, restando cerca de 70 milh&otilde;es para alcan&ccedil;ar as 595 milh&otilde;es de toneladas estimadas para o final da safra. Nos &uacute;ltimos cinco anos, a m&eacute;dia de moagem no mesmo per&iacute;odo (de novembro a mar&ccedil;o) foi de 80,5 milh&otilde;es de toneladas; excluindo a excepcional safra 2023\/24, o n&uacute;mero fica em 70,5 milh&otilde;es, o que refor&ccedil;a a expectativa de que o Centro-Sul deve atingir a meta projetada.<\/p>\n<p>O destaque vem do ATR, que se recuperou de forma impressionante &mdash; 158.78 kg\/t na quinzena e 137.53 kg\/t no acumulado. Mantendo-se uma ATR m&eacute;dia de 136.27 kg\/t e um mix a&ccedil;ucareiro de 52.36%, a produ&ccedil;&atilde;o projetada chega a 40.5 milh&otilde;es de toneladas, em linha com as estimativas de mercado. Entretanto, se houver aumento da produ&ccedil;&atilde;o de etanol em mar&ccedil;o, o mix pode cair para 52%, levando a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car para cerca de 40 milh&otilde;es de toneladas.<\/p>\n<p>A pergunta que ecoa entre as usinas &eacute; simples, mas dif&iacute;cil de responder: por que o mercado desabou tanto? H&aacute; dois anos, durante a semana do a&ccedil;&uacute;car de 2023, o contrato de Nova York negociava a 28 centavos, e o etanol na B3 operava com 800 pontos de desconto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; NY. Hoje, o a&ccedil;&uacute;car vale metade disso e o etanol exibe 200 pontos de pr&ecirc;mio &mdash; um espelho invertido que deixa evidente que a distor&ccedil;&atilde;o antes e agora est&aacute; em Nova York.<\/p>\n<p>Entre os fatores que explicam a derrocada est&atilde;o a rolagem excessiva de posi&ccedil;&otilde;es das usinas, que transferiram vendas de maio para julho, de julho para outubro e de outubro para mar&ccedil;o, empurrando para frente cerca de 3 milh&otilde;es de toneladas ainda pendentes de fixa&ccedil;&atilde;o, segundo um trader. Soma-se a isso a agressividade dos fundos especulativos, cuja posi&ccedil;&atilde;o vendida &eacute; estimada em 225 mil lotes &mdash; equivalente a mais de 11 milh&otilde;es de toneladas. Descontando o volume das usinas ainda por fixar, restam 165 mil lotes que, em algum momento, precisar&atilde;o ser recomprados. O problema &eacute; a aus&ecirc;ncia de gatilhos que justifiquem recompras imediatas. O mercado segue sem um evento claro que provoque revers&atilde;o de tend&ecirc;ncia, mas a hist&oacute;ria mostra que os fundos raramente mant&ecirc;m posi&ccedil;&otilde;es vendidas em mercados invertidos &mdash; o que sugere que a liquida&ccedil;&atilde;o pode vir antes do fim de dezembro.<\/p>\n<p>Outro fator que pressiona os pre&ccedil;os &eacute; o abastecimento global confort&aacute;vel. O Brasil exportou 33.3 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car nos &uacute;ltimos 12 meses at&eacute; setembro de 2025, volume 13% menor que o do ano anterior, mas ainda robusto. Em quatro anos, o pa&iacute;s embarcou mais de 127 milh&otilde;es de toneladas, uma m&eacute;dia de 31,8 milh&otilde;es por ano, o que indica crescimento de 6% no market share brasileiro no per&iacute;odo &mdash; prova de que o pa&iacute;s segue sendo o fornecedor mais confi&aacute;vel do mundo.<\/p>\n<p>As proje&ccedil;&otilde;es para a pr&oacute;xima safra refor&ccedil;am esse conforto, com estimativas entre 620 e 640 milh&otilde;es de toneladas de cana no Centro-Sul. Embora prematuras, essas expectativas pressionam o mercado, especialmente diante de sinais positivos na &Iacute;ndia, onde as chuvas atrasaram o in&iacute;cio da safra, mas n&atilde;o devem comprometer a produ&ccedil;&atilde;o. H&aacute; ainda o temor de negocia&ccedil;&otilde;es com os Estados Unidos envolvendo o etanol, o que poderia abrir espa&ccedil;o para a entrada do produto americano no Brasil caso a taxa&ccedil;&atilde;o fosse suspensa &mdash; um risco adicional para o equil&iacute;brio do mercado dom&eacute;stico.<\/p>\n<p>O sentimento predominante &eacute; de que as m&aacute;s not&iacute;cias j&aacute; est&atilde;o no pre&ccedil;o. Falta agora um motivo para o mercado respirar &mdash; e talvez esse motivo venha do fim do shutdown americano e da consequente divulga&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o dos fundos pelo CFTC. Caso o relat&oacute;rio revele uma posi&ccedil;&atilde;o acima de 210 mil contratos vendidos, isso exporia uma vulnerabilidade significativa dos fundos, que teriam dificuldade em encontrar contraparte para recomprar seus lotes num mercado cada vez menos l&iacute;quido. At&eacute; l&aacute;, o mercado segue em compasso de espera. O jogo continua aberto, mas neste momento, a palavra-chave &eacute; paci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Uma hist&oacute;ria saborosa contada pelo Luiz Silvestre, Chief Trader da Sucden, no podcast que levamos ao ar na semana passada pela Archer Education em parceria com o Jornal da Orla (que voc&ecirc; pode acessar aqui &egrave; <a href=\"https:\/\/youtu.be\/MShVZzBUJ3o?si=jDnC1LD-3335xfJN\">https:\/\/youtu.be\/MShVZzBUJ3o?si=jDnC1LD-3335xfJN<\/a> ): &ldquo;ouvi recentemente um professor iniciar sua aula com uma pergunta simples: <em>&ldquo;O que &eacute; commodity para voc&ecirc;s?&rdquo;<\/em> &mdash; e, claro, vieram as respostas previs&iacute;veis: produto padronizado, negociado globalmente, mesma especifica&ccedil;&atilde;o em qualquer canto do planeta. Ele deixou o pessoal falar uns cinco minutos e, ent&atilde;o, soltou a p&eacute;rola: <em>&ldquo;Nada disso. Commodity &eacute; um produto cujo pre&ccedil;o &eacute; dado pelo mercado.&rdquo; <\/em>E continuou, <em>&ldquo;Se voc&ecirc; fabrica canecas, o pre&ccedil;o ser&aacute; custo mais margem = pre&ccedil;o. Mas, se voc&ecirc; produz a&ccedil;&uacute;car, caf&eacute; ou petr&oacute;leo, o pre&ccedil;o j&aacute; est&aacute; l&aacute; na tela todo santo dia &mdash; e a conta se inverte: pre&ccedil;o menos custo = margem&rdquo;<\/em>. Em outras palavras, quem trabalha com commodities n&atilde;o ganha no pre&ccedil;o, ganha na efici&ecirc;ncia. A margem n&atilde;o est&aacute; no mercado, est&aacute; na gest&atilde;o. E talvez essa seja a defini&ccedil;&atilde;o mais simples &mdash; e mais verdadeira &mdash; que eu j&aacute; ouvi em quase quatro d&eacute;cadas nesse ramo&rdquo;. Brilhante.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira aponta que o vencimento mar&ccedil;o-26, ap&oacute;s negociar na m&iacute;nima dos &uacute;ltimos 3 anos - na quinta-feira a 14.07 centavos de d&oacute;lar por libra-peso- conseguiu uma r&aacute;pida recupera&ccedil;&atilde;o e encerrou a semana a 14.42 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O patamar psicol&oacute;gico dos 14.00 centavos de d&oacute;lar por libra-peso foi rompido em todos os demais vencimentos maio-julho-outubro-26 (negociaram nas m&iacute;nimas da semana respectivamente a 13.77, 13.72 e 13.95 centavos de d&oacute;lar por libra-peso). No curto prazo, o indicador &ldquo;estoc&aacute;stico&rdquo; encerrou a semana em revers&atilde;o, indicando &ldquo;compra&rdquo;. Agora o vencimento mar&ccedil;o-26 encontra suporte nos 14.00 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e resist&ecirc;ncias a 14.57, 14.73, 15.08, 16.09, 16.58 e finalmente 17.51 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Bom final de semana.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A semana encerrou com mais uma rodada de quedas expressivas em Nova York, com o vencimento mar&ccedil;o\/26 fechando a 14.42 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, acumulando retra&ccedil;&atilde;o de 55 pontos, o que equivale a pouco mais de 12 d&oacute;lares por tonelada. 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