{"id":12255,"date":"2025-12-13T00:00:00","date_gmt":"2025-12-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/acucar-abaixo-da-paridade-fundos-acima-do-bom-senso\/"},"modified":"2025-12-12T22:04:02","modified_gmt":"2025-12-12T22:04:02","slug":"acucar-abaixo-da-paridade-fundos-acima-do-bom-senso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/acucar-abaixo-da-paridade-fundos-acima-do-bom-senso\/","title":{"rendered":"A\u00c7\u00daCAR ABAIXO DA PARIDADE, FUNDOS ACIMA DO BOM SENSO"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a semana em territ&oacute;rio positivo. O vencimento mar&ccedil;o\/26 fechou a 15.10 centavos de d&oacute;lar por libra peso, 28 pontos de alta em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sexta-feira anterior. Todos os meses, de maio\/26 at&eacute; mar&ccedil;o\/28 encerraram com altas entre 28 e 32 pontos, equivalentes pouco mais de 6 d&oacute;lares por tonelada.<\/p>\n<p>O real encerrou a semana com ligeira aprecia&ccedil;&atilde;o frente ao d&oacute;lar, cravando R$ 5.4188, contra R$ 5.4391 na semana passada. Os a&ccedil;&uacute;cares tanto da 26\/27 quando da 27\/28 tiveram melhor remunera&ccedil;&atilde;o, entre 24 e 31 reais por tonelada.<\/p>\n<p>A safra indiana finalmente engrenou ap&oacute;s o impasse provocado pelos protestos dos produtores, que pediam um pre&ccedil;o m&iacute;nimo de cana acima do State Advised Price de 34,000 r&uacute;pias &mdash; algo equivalente a 17 centavos de d&oacute;lar por libra-peso e j&aacute; cerca de 200 pontos acima do mercado internacional. Na pr&aacute;tica, a maioria das usinas est&aacute; pagando acima do pr&oacute;prio FRP, o que ajuda a explicar a tens&atilde;o entre produtores, ind&uacute;stria e governo.<\/p>\n<p>Com a moagem avan&ccedil;ando em ritmo forte, a expectativa permanece em torno de 35 milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;&uacute;car, mesmo com produtividade semelhante &agrave; da safra passada. A temporada deve ser mais curta, j&aacute; que mais usinas voltaram &agrave; opera&ccedil;&atilde;o &mdash; sobretudo unidades pequenas que estavam paradas e agora foram reativadas &mdash; e as usinas existentes aumentaram sua capacidade de moagem para ganhar escala econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Apesar desse quadro de moagem acelerada, o setor indiano segue sob forte press&atilde;o financeira. O custo de produ&ccedil;&atilde;o gira ao redor de 39,000 r&uacute;pias por tonelada, algo pr&oacute;ximo de 19.50 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, enquanto o mercado interno oscila hoje na faixa de 36,200 r&uacute;pias (cerca de 18 centavos), insuficiente para cobrir o custo.<\/p>\n<p>Para que as contas fechem, o a&ccedil;&uacute;car dom&eacute;stico teria que negociar pelo menos a 38,000 r&uacute;pias por tonelada ou acima, raz&atilde;o pela qual o lobby das usinas pressiona o governo por um aumento do pre&ccedil;o m&iacute;nimo (MSP) do a&ccedil;&uacute;car. Se isso n&atilde;o acontecer, a tend&ecirc;ncia &eacute; que as usinas comecem a acumular atrasos de pagamento de cana a partir de fevereiro, com preju&iacute;zo direto para os produtores e necessidade de algum tipo de interven&ccedil;&atilde;o governamental. N&atilde;o por acaso, o governo de Karnataka j&aacute; se adiantou e se comprometeu a pagar um subs&iacute;dio de 50 r&uacute;pias por tonelada aos produtores, al&eacute;m do valor pago pelas usinas.<\/p>\n<p>No front externo, as exporta&ccedil;&otilde;es praticamente n&atilde;o andaram: das 1.5 milh&atilde;o de toneladas liberadas, apenas 40 mil foram embarcadas at&eacute; agora; o a&ccedil;&uacute;car branco de baixa qualidade est&aacute; sendo ofertado a US$ 450 FOB (algo como 20 centavos), o que melhora marginalmente a paridade, mas ainda n&atilde;o desencadeou um fluxo agressivo de vendas.<\/p>\n<p>O ponto realmente sens&iacute;vel do mercado, entretanto, n&atilde;o est&aacute; na &Iacute;ndia, e sim em Nova York. A &uacute;ltima posi&ccedil;&atilde;o conhecida dos fundos, publicada pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities) no final da tarde de sexta-feira, relativa a 18 de novembro, mostrava um volume de 207,019 lotes vendidos a descoberto, correspondendo a aproximadamente 22% da posi&ccedil;&atilde;o em aberto.<\/p>\n<p>Historicamente, quando o percentual se aproxima desse patamar, n&atilde;o &eacute; incomum observar uma revers&atilde;o de tend&ecirc;ncia nos pre&ccedil;os. Na semana entre 11 e 18 de novembro, a recompra de 12,850 lotes elevou o mercado em 45 pontos. Numa regra simples, para zerar 207,019 lotes o mercado subiria (?) 725 pontos exatamente como caiu no final de 2023?<\/p>\n<p>Se os fundos liquidarem suas posi&ccedil;&otilde;es, a retomada de vendas, se ocorrer, tende a se concentrar nos vencimentos a partir de julho, onde a curva j&aacute; apresenta um cash-and-carry mais favor&aacute;vel, ou seja, um ambiente em que os fundos gostam de atuar vendidos.<\/p>\n<p>J&aacute; se os pre&ccedil;os permanecerem por muito tempo na faixa atual entre 14.50-15.50 centavos de d&oacute;lar por libra peso, o risco estrutural para a safra 27\/28 aumenta consideravelmente. Pre&ccedil;os abaixo do custo desestimulam tratos culturais, reduzem o uso de insumos, limitam a expans&atilde;o de &aacute;rea e podem repetir movimentos hist&oacute;ricos como o de 1999, quando a produ&ccedil;&atilde;o recuou 17% ap&oacute;s um ciclo de pre&ccedil;os deprimidos. Esse risco de deteriora&ccedil;&atilde;o estrutural refor&ccedil;a a atratividade de posi&ccedil;&otilde;es compradas mais longas, especialmente para consumidores industriais, seja via compra direta de futuros, seja por meio de estrat&eacute;gias com venda de puts que, no n&iacute;vel atual de volatilidade, ainda oferecem pr&ecirc;mios interessantes.<\/p>\n<p>Do lado energ&eacute;tico, as proje&ccedil;&otilde;es da ag&ecirc;ncia americana de energia para o ano que vem colocam o WTI na casa dos US$ 51 e o Brent em torno de US$ 54, n&iacute;veis bem abaixo dos atuais. Se confirmados, pressionam o RBOB e afetam a paridade do etanol, com impacto direto na decis&atilde;o de mix das usinas brasileiras. Ao mesmo tempo, o c&acirc;mbio segue inflado por ru&iacute;dos pol&iacute;ticos e fluxos t&iacute;picos de fim de ano, mas h&aacute; espa&ccedil;o para corre&ccedil;&atilde;o. Cada movimento do d&oacute;lar altera de forma relevante o custo FOB Santos: com d&oacute;lar a 5.2500, o custo de produ&ccedil;&atilde;o no Centro-Sul sobe para cerca de 17.75 centavos de d&oacute;lar por libra peso; com d&oacute;lar a 5.0000, ultrapassa 18 centavos.<\/p>\n<p>O mercado interno de a&ccedil;&uacute;car d&aacute; sinais de firmeza. O &iacute;ndice Esalq subiu mais de 6% em poucos dias, refletindo estoques reduzidos de empacotadores e ind&uacute;strias e a expectativa de menor oferta externa, com a Tail&acirc;ndia enfrentando problemas fitossanit&aacute;rios e a Uni&atilde;o Europeia projetando uma quebra relevante e necessidade de importa&ccedil;&atilde;o. Caso a &Iacute;ndia exporte pouco e a Tail&acirc;ndia confirme um recuo mais acentuado, a demanda pelo a&ccedil;&uacute;car brasileiro tende a crescer j&aacute; no primeiro trimestre, refor&ccedil;ando a percep&ccedil;&atilde;o de que o pior da corre&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os talvez j&aacute; tenha passado para o mercado interno, ainda que Nova York continue testando a paci&ecirc;ncia de quem est&aacute; comprado ou precisando fixar pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Outra vari&aacute;vel importante &eacute; a fixa&ccedil;&atilde;o das usinas brasileiras para a safra 26\/27. O modelo da Archer estima que 41% j&aacute; estejam fixados a um pre&ccedil;o m&eacute;dio de 16.55 centavos (aproximadamente R$ 2.345,62 por tonelada FOB Santos), algo como 160 pontos acima da m&eacute;dia atual dos vencimentos julho e outubro. Esse volume cria um teto t&eacute;cnico para altas mais agressivas no curto prazo: por volta de 15 centavos nos vencimentos pr&oacute;ximos e 16 centavos nos mais longos, porque a cada esticada de pre&ccedil;o o produtor tende a acelerar novas fixa&ccedil;&otilde;es. A disciplina de algumas usinas no fechamento antecipado de c&acirc;mbio tamb&eacute;m tem contribu&iacute;do para suavizar movimentos mais agudos em Nova York; muitas aproveitaram picos de d&oacute;lar acima de 5.4500 para estruturar NDF (contrato a termo de d&oacute;lar com liquida&ccedil;&atilde;o financeira) que tornam a convers&atilde;o dos pre&ccedil;os futuros mais confort&aacute;vel em reais.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, o mercado segue preso entre um lado t&eacute;cnico pressionado pela posi&ccedil;&atilde;o exagerada dos fundos e, do outro, uma percep&ccedil;&atilde;o crescente de que os pre&ccedil;os atuais n&atilde;o s&atilde;o sustent&aacute;veis no m&eacute;dio prazo. Essa combina&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m o cen&aacute;rio complexo, mas cheio de gatilhos potenciais de alta, seja na &Iacute;ndia, no c&acirc;mbio, na curva de energia ou na qualidade da cana do Centro-Sul, qualquer um deles capaz de virar o jogo mais r&aacute;pido do que o mercado hoje parece disposto a admitir.<\/p>\n<p>O mercado de etanol segue firme, negociando entre 150 e 250 pontos acima de Nova York. Trata-se de um etanol estruturalmente forte ou de um a&ccedil;&uacute;car excessivamente pressionado? Na nossa avalia&ccedil;&atilde;o, o movimento atual reflete muito mais um a&ccedil;&uacute;car negociando abaixo da paridade do que um etanol excepcionalmente caro, o que sugere espa&ccedil;o para alguma recupera&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os do a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>No campo dos combust&iacute;veis, embora exista hoje uma defasagem pr&oacute;xima de 11% entre o pre&ccedil;o da gasolina praticado pela Petrobras, os valores de refinaria e o mercado internacional &mdash; o que abriria margem para um eventual reajuste negativo &mdash; &eacute; importante lembrar que, em janeiro, h&aacute; um aumento j&aacute; contratado do ICMS. Esse ajuste tribut&aacute;rio tende a compensar uma eventual redu&ccedil;&atilde;o no pre&ccedil;o da gasolina, tornando o efeito l&iacute;quido praticamente neutro para a competitividade do etanol.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, vale destacar que o setor caminha para a virada da safra com estoques de passagem de etanol historicamente baixos. Esse quadro deve exigir uma entrada de safra extremamente alcooleira, especialmente porque, neste momento, o etanol remunera melhor do que o a&ccedil;&uacute;car. Essa escolha de mix pode, por sua vez, reduzir a disponibilidade de a&ccedil;&uacute;car no in&iacute;cio da pr&oacute;xima safra, com reflexos diretos nas bases e nos pre&ccedil;os dos vencimentos de mar&ccedil;o e abril.<\/p>\n<p>Em s&iacute;ntese, o etanol mostra for&ccedil;a relativa, sustentada por fundamentos de oferta e estoque, enquanto o a&ccedil;&uacute;car parece artificialmente pressionado. O equil&iacute;brio entre esses dois mercados &mdash; combinado com a din&acirc;mica dos combust&iacute;veis &mdash; ser&aacute; determinante para a forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os nos pr&oacute;ximos meses.<\/p>\n<p>Na parte t&eacute;cnica, nosso colaborador Marcelo Moreira destaca que o mar&ccedil;o-26 encerrou acima da m&eacute;dia-m&oacute;vel dos 50 dias &ndash; algo que n&atilde;o ocorria desde o dia 8 de outubro-25. Pr&oacute;ximos suportes a 15.03 \/ 14.91 \/ 14.88 e 14.04 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Resist&ecirc;ncias nos 15.75 \/ 15.88 \/ 16.39 e finalmente nos 16.96 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Bom final de semana.<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY encerrou a semana em territ&oacute;rio positivo. 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