{"id":12311,"date":"2026-02-06T00:00:00","date_gmt":"2026-02-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/acucar-pune-distraidos\/"},"modified":"2026-02-06T19:50:06","modified_gmt":"2026-02-06T19:50:06","slug":"acucar-pune-distraidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/acucar-pune-distraidos\/","title":{"rendered":"A\u00c7\u00daCAR PUNE DISTRA\u00cdDOS"},"content":{"rendered":"<p>Este &eacute; o primeiro coment&aacute;rio do ano e confesso que a sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; de d&eacute;j&agrave;-vu: janeiro passou e, no mercado de a&ccedil;&uacute;car, a grande novidade foi&hellip; a aus&ecirc;ncia de novidades. Desde o &uacute;ltimo coment&aacute;rio, em 19 de dezembro, at&eacute; esta sexta-feira, Nova Iorque recuou de 14.82 para 14.41 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; algo como US$ 9 por tonelada. No caminho, por&eacute;m, o mercado fez quest&atilde;o de nos lembrar que continua vivo, oscilando entre a m&iacute;nima de 14.13 e a m&aacute;xima de 15.34 centavos.<\/p>\n<p>Co&ccedil;o a cabe&ccedil;a (j&aacute; com certa insist&ecirc;ncia) tentando entender o que leva os fundos a carregarem uma posi&ccedil;&atilde;o vendida da ordem de 180 mil lotes faltando apenas uma semana para a expira&ccedil;&atilde;o das op&ccedil;&otilde;es, em um mercado que opera em leve carrego. &Eacute; mais um daqueles epis&oacute;dios que v&ecirc;m se acumulando nos &uacute;ltimos meses e que desafiam a l&oacute;gica tradicional. E n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico.<\/p>\n<p>Outro exemplo curioso: nunca, neste s&eacute;culo, o menor pre&ccedil;o m&eacute;dio mensal do a&ccedil;&uacute;car em Nova Iorque havia ocorrido em novembro. Mais curioso ainda &eacute; que, em toda a s&eacute;rie hist&oacute;rica, isso s&oacute; aconteceu tr&ecirc;s vezes no &uacute;ltimo trimestre do ano. Coincid&ecirc;ncia? Talvez. Mas, no m&iacute;nimo, &eacute; algo fora do padr&atilde;o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a safra 25\/26 segue crescendo &mdash; literalmente. As estimativas que giravam em torno de 595 milh&otilde;es de toneladas j&aacute; ultrapassaram 605 milh&otilde;es e come&ccedil;am a flertar com 610 milh&otilde;es. Parte desse movimento escapou do radar do mercado: expans&atilde;o de &aacute;rea e ganhos de produtividade agr&iacute;cola que surpreenderam at&eacute; os mais otimistas. No fim das contas, o mercado apenas nos relembra uma velha li&ccedil;&atilde;o: cada safra &eacute; uma safra &mdash; e, aparentemente, cada ano tamb&eacute;m.<\/p>\n<p>2026 come&ccedil;ou cercado de inc&oacute;gnitas &mdash; e, como de costume, quem toma decis&atilde;o &eacute; quem menos dorme. Com um custo caixa de produ&ccedil;&atilde;o ao redor de R$ 1,748 por tonelada PVU (posto ve&iacute;culo usina), o que equivale, em Nova Iorque, a aproximadamente 17.25 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, a matem&aacute;tica simplesmente se recusa a colaborar. N&atilde;o h&aacute; malabarismo que feche essa conta.<\/p>\n<p>Um executivo de uma usina da regi&atilde;o de Ribeir&atilde;o Preto, visivelmente pouco entusiasmado, foi direto ao ponto: n&atilde;o acredita que o mercado internacional consiga sustentar pre&ccedil;os pr&oacute;ximos de 16 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. &Eacute; um desabafo que ecoa em boa parte do setor.<\/p>\n<p>E a&iacute; vem a pergunta inevit&aacute;vel: qual mix utilizar? Objetivamente, tudo aponta para um mix mais alcooleiro, algo em torno de 51%. Ainda &eacute; cedo para cravar n&uacute;meros definitivos para a safra do Centro-Sul, mas o consenso gira em torno de 620 milh&otilde;es de toneladas de cana &mdash; n&uacute;mero que, nesta altura do campeonato, muda pouco o humor do mercado. A combina&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo em queda com o real valorizado frente ao d&oacute;lar pressiona o pre&ccedil;o de importa&ccedil;&atilde;o da gasolina, atinge o etanol e, por tabela, ricocheteia no a&ccedil;&uacute;car. O efeito domin&oacute; est&aacute; montado.<\/p>\n<p>Se o executivo macamb&uacute;zio estiver correto &mdash; isto &eacute;, se os pre&ccedil;os em Nova Iorque permanecerem abaixo de 16 centavos de d&oacute;lar por libra-peso ao longo de 2026 &mdash; podem escrever na pedra: a safra 2027\/28 ser&aacute; problem&aacute;tica, para dizer o m&iacute;nimo. O roteiro guarda uma semelhan&ccedil;a desconfort&aacute;vel com o que vimos em 3 de maio de 1999, quando o a&ccedil;&uacute;car atingiu os impens&aacute;veis 4.36 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Naquela &eacute;poca, as usinas cortaram renova&ccedil;&atilde;o de canaviais e gastos em fertilizantes, apenas para assistir &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do Centro-Sul encolher 22,2% na safra 2000\/01 &mdash; enquanto os pre&ccedil;os disparavam 162% em apenas 18 meses.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria n&atilde;o se repete, mas insiste em rimar. E o mercado de a&ccedil;&uacute;car, como sempre, adora uma rima amarga.<\/p>\n<p>&Agrave; &eacute;poca daquele epis&oacute;dio, a participa&ccedil;&atilde;o brasileira no trading flow mundial era aproximadamente metade do que &eacute; hoje. Isso torna o cen&aacute;rio atual ainda mais sens&iacute;vel: uma eventual redu&ccedil;&atilde;o da safra 2027\/28, provocada por pre&ccedil;os deprimidos do a&ccedil;&uacute;car ao longo de 2026, tende a enxugar a oferta global de forma relevante. A rea&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os, nesse caso, pode ser tudo &mdash; menos discreta.<\/p>\n<p>Pelo modelo da Archer Consulting, a estimativa de fixa&ccedil;&atilde;o dos a&ccedil;&uacute;cares de exporta&ccedil;&atilde;o para a safra 2026\/27, com base em 31 de janeiro, alcan&ccedil;a 13 milh&otilde;es de toneladas. Considerando uma exporta&ccedil;&atilde;o total estimada em 34 milh&otilde;es de toneladas, isso equivale a 38.24% da safra. Um n&uacute;mero expressivamente inferior aos 72.50% observados em janeiro do ano passado, quando fal&aacute;vamos da safra 2025\/26. A pergunta, naturalmente, &eacute;: o que explica essa queda t&atilde;o acentuada?<\/p>\n<p>A resposta passa, em boa medida, pela mem&oacute;ria recente. O in&iacute;cio da safra passada foi marcado por uma forte queda da ATR, que despencou na primeira quinzena de julho at&eacute; 9.61 quilos por tonelada. Isso levou muitos &mdash; inclusive este escriba &mdash; a acreditar que a produ&ccedil;&atilde;o dificilmente ultrapassaria 590 milh&otilde;es de toneladas. Diante dessa leitura, as usinas postergaram fixa&ccedil;&otilde;es na expectativa de pre&ccedil;os melhores, sustentados por uma eventual quebra de safra. O problema &eacute; que essa quebra n&atilde;o veio.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, parte relevante das usinas optou por rolar fixa&ccedil;&otilde;es para vencimentos mais longos, criando um volume em aberto bem maior do que o mercado supunha. O epis&oacute;dio de tr&ecirc;s semanas atr&aacute;s ilustra bem esse ponto: quando os fundos recompraram cerca de 21 mil lotes, o mercado avan&ccedil;ou apenas 11 pontos. Um movimento t&iacute;mido, que sugere que usinas atrasadas acabaram &ldquo;jogando a toalha&rdquo;, fixando suas vendas, oferecendo liquidez aos fundos e, de quebra, limitando qualquer tentativa mais ousada de alta.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que ainda paira sobre o setor uma cole&ccedil;&atilde;o respeit&aacute;vel de indefini&ccedil;&otilde;es. Aos poucos, elas tendem a se dissipar, trazendo mais clareza sobre os pr&oacute;ximos passos. At&eacute; l&aacute;, seguimos em um compasso de espera &mdash; daqueles que n&atilde;o machucam, mas cansam.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira observa que &ldquo;desde o dia 29 de dez-25 o vencimento mar&ccedil;o-26 caiu -7,5% saindo dos 15.29 centavos de d&oacute;lar por libra-peso para 14.14 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. No mesmo per&iacute;odo o R$ valorizou praticamente 7% saindo dos 5,6000 para 5,2000. No curto prazo o vencimento mar&ccedil;o-26 precisa superar os 14.30\/14.81 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. E, para retomar eventual tend&ecirc;ncia de alta, a m&eacute;dia-m&oacute;vel dos 100 dias @ 15.32 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. O vencimento outubro-26 praticamente acompanhou o movimento do mar&ccedil;o-26 no mesmo per&iacute;odo, saindo dos 15.20 centavos de d&oacute;lar por libra-peso para 14.07 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Para retomar tendencia de alta precisa superar as resist&ecirc;ncias 14.24\/14.72\/14.90 centavos de d&oacute;lar por libra-peso!<\/p>\n<p>Coloque na sua agenda. O Curso Avan&ccedil;ado da de Futuros, Op&ccedil;&otilde;es e Derivativos &ndash; Commodities Agr&iacute;colas presencial ocorre dias 24 e 25 de mar&ccedil;o de 2026 em S&atilde;o Paulo. As vagas s&atilde;o limitadas !! Quer saber mais? Mande um e-mail para <a href=\"mailto:priscilla@archerconsulting.com.br\">priscilla@archerconsulting.com.br<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este &eacute; o primeiro coment&aacute;rio do ano e confesso que a sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; de d&eacute;j&agrave;-vu: janeiro passou e, no mercado de a&ccedil;&uacute;car, a grande novidade foi&hellip; a aus&ecirc;ncia de novidades. Desde o &uacute;ltimo coment&aacute;rio, em 19 de dezembro, at&eacute; esta sexta-feira, Nova Iorque recuou de 14.82 para 14.41 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; algo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10047,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-12311","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acucar","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12311"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12311\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10047"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}