{"id":12431,"date":"2026-03-21T00:00:00","date_gmt":"2026-03-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/a-oportunidade-bateu-a-porta-ninguem-abriu\/"},"modified":"2026-03-20T22:09:30","modified_gmt":"2026-03-20T22:09:30","slug":"a-oportunidade-bateu-a-porta-ninguem-abriu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/a-oportunidade-bateu-a-porta-ninguem-abriu\/","title":{"rendered":"A OPORTUNIDADE BATEU \u00c0 PORTA. NINGU\u00c9M ABRIU."},"content":{"rendered":"<p>O conturbado cen&aacute;rio geopol&iacute;tico no Oriente M&eacute;dio serviu como gatilho para uma rea&ccedil;&atilde;o no mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY &mdash; ainda que numa velocidade que mais lembra uma tartaruga com pregui&ccedil;a. Dada a magnitude do problema, esperava-se algo mais contundente, mas o mercado, como sempre, escolhe seu pr&oacute;prio ritmo&hellip; geralmente mais lento do que gostar&iacute;amos.<\/p>\n<p>No fim das contas, os fundamentos continuam mandando no jogo &mdash; e n&atilde;o adianta discutir com eles. O contrato maio\/26 encerrou a semana a 15.63 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, com alta de 122 pontos (ou US$ 26.90 por tonelada). Somando isso &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o do real, que flertou com R$ 5.3267, o resultado foi uma melhora superior a R$ 150 por tonelada no a&ccedil;&uacute;car VHP de exporta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ainda assim, seguimos abaixo do custo de produ&ccedil;&atilde;o estimado pelo nosso modelo, na casa dos 17 centavos por libra-peso FOB Santos. Ou seja, ainda n&atilde;o &eacute; hora de soltar fogos &mdash; mas j&aacute; d&aacute;, pelo menos, para diminuir o n&iacute;vel de acidez nos humores de alguns acionistas e ajudar na dif&iacute;cil arte de fechar um or&ccedil;amento que fa&ccedil;a sentido.<\/p>\n<p>Uma varia&ccedil;&atilde;o semanal dessa magnitude n&atilde;o &eacute; trivial. O &uacute;ltimo epis&oacute;dio semelhante ocorreu em setembro de 2024, quando o mercado saltou de 19.01 para 22.66 centavos de d&oacute;lar por libra-peso em apenas uma semana. Naquele momento, ficou evidente que os fundos haviam virado a m&atilde;o &mdash; mas os motivos da alta estavam longe de serem tranquilizadores. Como discutido &agrave; &eacute;poca, pairava no ar a suspeita de opera&ccedil;&otilde;es com acumuladores entrando em terreno pantanoso, contaminando a din&acirc;mica de pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>De volta ao mercado de hoje, ainda faltam alguns ingredientes importantes nessa receita de bolo para faz&ecirc;-lo crescer. A Petrobras, por raz&otilde;es puramente populistas, ainda n&atilde;o mexeu no pre&ccedil;o da gasolina impedida sub-repticiamente (ou ser&aacute; descaradamente mesmo?) por Lula que est&aacute; de olho na elei&ccedil;&atilde;o (Deus nos livre dessa erva daninha) de outubro pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Hoje, a defasagem entre o pre&ccedil;o praticado nas refinarias e a paridade internacional j&aacute; alcan&ccedil;a 39%. Ainda assim, o mercado n&atilde;o costuma esperar convite: nos postos da cidade de S&atilde;o Paulo, o litro da gasolina j&aacute; saiu de R$ 6.1700 para R$ 6.5400 desde o in&iacute;cio do conflito no Oriente M&eacute;dio. Ou seja, mesmo sem ajuste oficial, o recado est&aacute; sendo dado. E, quando &mdash; n&atilde;o se &mdash; a Petrobras decidir agir, a consequ&ecirc;ncia ser&aacute; direta: refor&ccedil;o na tese de um mix mais voltado ao etanol, como manda a l&oacute;gica econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>O Commodity Futures Trading Commission (CFTC), &oacute;rg&atilde;o regulador dos mercados de commodities nos Estados Unidos, divulgou hoje o tradicional COT (Commitment of Traders), com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira, 17 de mar&ccedil;o. Como de costume, o relat&oacute;rio chegou com um pequeno &ldquo;delay estrat&eacute;gico&rdquo; &mdash; e, desta vez, acabou n&atilde;o capturando a recente alta dos pre&ccedil;os, o que deixa a fotografia um tanto quanto desfocada.<\/p>\n<p>Ainda assim, os dados trazem sinais interessantes. Entre os dias 10 e 17 de mar&ccedil;o, os fundos recompraram pouco mais de 2.000 lotes, enquanto o mercado praticamente andou de lado, saindo de 14.38 para 14.45 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; uma varia&ccedil;&atilde;o de apenas 7 pontos. Ou seja, houve algum movimento, mas nada que fizesse o mercado sair da cadeira.<\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida dos fundos permanece expressiva, em torno de 205.800 lotes vendidos, e come&ccedil;a a apresentar tra&ccedil;os de vulnerabilidade &mdash; especialmente se o cen&aacute;rio geopol&iacute;tico voltar a se deteriorar. Nessa configura&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o seria exagero considerar uma alta adicional de 150 a 200 pontos. Afinal, quando os fundos decidem reduzir posi&ccedil;&atilde;o, raramente o fazem com delicadeza. O hist&oacute;rico mostra que esse tipo de ajuste costuma ser mais parecido com uma sa&iacute;da de emerg&ecirc;ncia do que com uma retirada organizada.. &nbsp;<\/p>\n<p>Outro ingrediente importante nessa vis&atilde;o mais construtiva &eacute; uma leitura mais cuidadosa do que ocorreu na &Iacute;ndia que sugere que a frustra&ccedil;&atilde;o da safra est&aacute; fortemente ligada a um desempenho agr&iacute;cola abaixo do esperado. O ciclo foi marcado por uma mon&ccedil;&atilde;o mais longa, com menor incid&ecirc;ncia de radia&ccedil;&atilde;o solar, o que acabou limitando o desenvolvimento da cana e favorecendo epis&oacute;dios de flora&ccedil;&atilde;o em regi&otilde;es relevantes como Maharashtra e Karnataka &mdash; fen&ocirc;meno que, como se sabe, compromete diretamente a produtividade e o teor de a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, h&aacute; ind&iacute;cios de que o ritmo de colheita tenha sido mais intenso nesta safra. Com um n&uacute;mero maior de usinas em opera&ccedil;&atilde;o e aumento da capacidade di&aacute;ria de moagem, a cana foi processada em um intervalo mais curto, reduzindo o tempo de perman&ecirc;ncia no campo e, consequentemente, seu potencial de matura&ccedil;&atilde;o. O avan&ccedil;o da mecaniza&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; responde por uma parcela relevante da colheita, tamb&eacute;m contribuiu para acelerar esse processo. O resultado &eacute; uma combina&ccedil;&atilde;o de fatores que ajuda a entender por que uma safra inicialmente projetada em torno de 35 milh&otilde;es de toneladas perdeu f&ocirc;lego de forma t&atilde;o r&aacute;pida ao longo da temporada. Em resumo: a &Iacute;ndia dificilmente vai exportar a&ccedil;&uacute;car em volume que possa mexer com o mercado internacional.<\/p>\n<p>Outra quest&atilde;o que veio &agrave; baila foi o alargamento do spread entre Brent e WTI &mdash; que saiu de cerca de US$ 5 para pr&oacute;ximo de US$ 15 por barril &mdash; reflete uma clara desconex&atilde;o entre o mercado global e o dom&eacute;stico norte-americano. O Brent, refer&ecirc;ncia internacional, incorpora o pr&ecirc;mio de risco geopol&iacute;tico e eventuais disrup&ccedil;&otilde;es log&iacute;sticas nas rotas mar&iacute;timas (que &eacute; o caso nesse momento com o fechamento do estreito de Hormuz), enquanto o WTI sofre com fatores locais, como excesso de oferta nos Estados Unidos, limita&ccedil;&otilde;es de escoamento e menor demanda moment&acirc;nea das refinarias. Em outras palavras, o Brent est&aacute; sendo puxado por um ambiente global mais apertado e incerto.<\/p>\n<p>Da mesma forma que muitas usinas travam na hora de fixar pre&ccedil;os de exporta&ccedil;&atilde;o &mdash; e deixam passar oportunidades generosas de remunerar melhor seus acionistas &mdash; os consumidores industriais de a&ccedil;&uacute;car tamb&eacute;m parecem apreciar uma certa dose de adrenalina. Gostam de viver perigosamente.<\/p>\n<p>H&aacute; apenas cinco semanas, o mercado em NY praticamente implorava por fixa&ccedil;&otilde;es para o ano-safra 2027\/2028 (na faixa entre maio\/27 e mar&ccedil;o\/28). Os pre&ccedil;os m&eacute;dios giravam em torno de 14.66 centavos de d&oacute;lar por libra-peso &mdash; um n&iacute;vel que, &agrave; &eacute;poca, oferecia excelente previsibilidade de custo.<\/p>\n<p>Avan&ccedil;amos poucas semanas e o mesmo mercado encerrou esta sexta-feira a 16.51 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Uma alta equivalente a cerca de US$ 40 por tonelada. Em outras palavras: a oportunidade bateu &agrave; porta, tocou a campainha, e foi embora sem ser atendida. A mesma hist&oacute;ria, sempre.<\/p>\n<p>Nosso colaborador Marcelo Moreira comemora que finalmente o mercado andou! O Maio-26 encerrou a semana a 15.70 centavos de d&oacute;lar por libra-peso (&uacute;ltima vez que negociou&nbsp; nesse n&iacute;vel foi dia 10 outubro 2025). Com esse fechamento o mercado rompeu a m&eacute;dia m&oacute;vel dos 200 dias e retomou a tend&ecirc;ncia de alta. Pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias a 16.40 e 17.28 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Pr&oacute;ximos suportes a 15.32, 15.04, 14.65 e 14.25 centavos de d&oacute;lar por libra-peso! Se quebrar 16.40 centavos de d&oacute;lar por libra peso, a coisa pode fluir...<\/p>\n<p>Devido ao retumbante sucesso do nosso Curso Introdu&ccedil;&atilde;o ao Mercado Sucroalcooleiro, a segunda edi&ccedil;&atilde;o (totalmente on-line) vai ocorrer nos dias 23-24-25 de junho. Lembrando que esse curso veio substituir o Curso Essencial que foi temporariamente descontinuado. Quer saber mais? Mande um e-mail para <a href=\"mailto:diego.veiga@gmail.com\">diego.veiga@gmail.com<\/a><\/p>\n<p>Bom final de semana a todos<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conturbado cen&aacute;rio geopol&iacute;tico no Oriente M&eacute;dio serviu como gatilho para uma rea&ccedil;&atilde;o no mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em NY &mdash; ainda que numa velocidade que mais lembra uma tartaruga com pregui&ccedil;a. 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