{"id":12597,"date":"2026-05-09T00:00:00","date_gmt":"2026-05-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/archerconsulting.com.br\/artigos\/em-nova-york-o-enredo-e-o-mesmo-so-mudam-os-garcons\/"},"modified":"2026-05-08T23:13:45","modified_gmt":"2026-05-08T23:13:45","slug":"em-nova-york-o-enredo-e-o-mesmo-so-mudam-os-garcons","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archerconsulting.com.br\/pt\/em-nova-york-o-enredo-e-o-mesmo-so-mudam-os-garcons\/","title":{"rendered":"EM NOVA YORK, O ENREDO \u00c9 O MESMO \u2014 S\u00d3 MUDAM OS GAR\u00c7ONS"},"content":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira cotado a 14.69 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, uma queda de 28 pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior, equivalente a pouco mais de 6 d&oacute;lares por tonelada. Todos os meses de negocia&ccedil;&atilde;o, de outubro\/26 at&eacute; outubro\/28, tamb&eacute;m fecharam em queda, alternando entre 18 e 31 pontos de baixa, ou de 4 a 7 d&oacute;lares por tonelada.<\/p>\n<p>O real, por sua vez, valorizou-se 1.26% na semana frente ao d&oacute;lar, que encerrou cotado a 4.8958 &mdash; uma das cota&ccedil;&otilde;es mais baixas desde janeiro de 2024. A combina&ccedil;&atilde;o dos dois fatores &mdash; NY em queda e real apreciado &mdash; derrubou os valores de exporta&ccedil;&atilde;o base Centro-Sul em 55 reais por tonelada para a 26\/27, 56 reais para a 27\/28 e 30 reais para a 28\/29, apenas na semana.<\/p>\n<p>Para a surpresa de absolutamente ningu&eacute;m, os fundos especulativos reduziram parte de sua posi&ccedil;&atilde;o vendida em 41,214 lotes, perfazendo agora um short l&iacute;quido de 87,289 lotes, conforme o COT (Commitment of Traders), publicado pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ag&ecirc;ncia americana reguladora dos mercados de commodities com base na posi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira, 5 de maio. Ocorre, que de l&aacute; para c&aacute; o mercado caiu mais 3.5% na quarta-feira e 1.8% na quinta &mdash; partindo de 15.37 centavos no fechamento da ter&ccedil;a &mdash;, o que sugere fortemente que os fundos, embora tenham liquidado parte da posi&ccedil;&atilde;o vendida at&eacute; a data de corte do CFTC, certamente adicionaram novos shorts ao longo da semana, em especial na quarta e quinta.<\/p>\n<p>&Eacute; a fotografia precisa de um mercado que perdeu a b&uacute;ssola, o mapa e, de quebra, a vontade de procurar os dois. Numa segunda-feira o petr&oacute;leo sobe 20 d&oacute;lares porque algu&eacute;m, em algum lugar do Oriente M&eacute;dio, fez cara feia para uma c&acirc;mera. Na ter&ccedil;a, cai os mesmos 20 d&oacute;lares porque outro algu&eacute;m, em outro lugar, acenou com um aperto de m&atilde;o. Trump anuncia, em letras garrafais e exclama&ccedil;&otilde;es redundantes, que a guerra acabou &mdash; antes mesmo do caf&eacute; da manh&atilde;. Ao meio-dia, o Ir&atilde; desmente categoricamente. &Agrave; tarde, as negocia&ccedil;&otilde;es est&atilde;o \"indo muito bem, talvez as melhores negocia&ccedil;&otilde;es de todos os tempos\". &Agrave; noite, voltaram &agrave; estaca zero. No dia seguinte recome&ccedil;a tudo, com a mesma seriedade com que se acompanha um folhetim mexicano: ningu&eacute;m acredita no enredo, mas todo mundo continua assistindo porque precisa saber quem atira em quem no pr&oacute;ximo cap&iacute;tulo.<\/p>\n<p>Construir um cen&aacute;rio minimamente coerente nessas condi&ccedil;&otilde;es deixou de ser an&aacute;lise de mercado e virou exerc&iacute;cio de paci&ecirc;ncia franciscana. O analista que tenta projetar fundamentos hoje corre s&eacute;rio risco de ver sua tese envelhecer entre o \"bom dia\" e o \"como vai a fam&iacute;lia\". E n&atilde;o h&aacute; o menor constrangimento em admitir que n&atilde;o sabemos para onde isso tudo caminha &mdash; pelo contr&aacute;rio, talvez seja a &uacute;nica afirma&ccedil;&atilde;o genuinamente honesta que se possa fazer no momento. A quantidade de vari&aacute;veis simult&acirc;neas em jogo &mdash; geopol&iacute;tica err&aacute;tica, pol&iacute;tica monet&aacute;ria amb&iacute;gua, clima imprevis&iacute;vel, Trump em modo improviso permanente &mdash; transformou qualquer progn&oacute;stico assertivo em chute disfar&ccedil;ado de an&aacute;lise t&eacute;cnica, geralmente acompanhado de gr&aacute;ficos coloridos para emprestar credibilidade ao palpite.<\/p>\n<p>Quem aparece na televis&atilde;o dizendo com convic&ccedil;&atilde;o para onde o mercado vai nas pr&oacute;ximas semanas est&aacute;, na melhor das hip&oacute;teses, sendo otimista quanto &agrave; pr&oacute;pria capacidade preditiva. Na pior, est&aacute; vendendo um curso. Vamos, portanto, amargar ainda algumas boas semanas nesse mesmo compasso de sobe-e-desce sem dire&ccedil;&atilde;o definida &mdash; o que, pensando bem, &eacute; exatamente o tipo de mercado que recompensa quem tem disciplina de hedge e pune quem confunde convic&ccedil;&atilde;o com adivinha&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O que pode mudar essa percep&ccedil;&atilde;o &eacute; o tamanho efetivo da safra brasileira do Centro-Sul. Os n&uacute;meros ainda est&atilde;o desencontrados, mas o consenso atual aponta para algo em torno de 635 milh&otilde;es de toneladas de cana &mdash; com vi&eacute;s mais otimista em rela&ccedil;&atilde;o ao volume de moagem. Ainda &eacute; cedo, e muita &aacute;gua h&aacute; de rolar nesse moinho. Um dado, por&eacute;m, chamou aten&ccedil;&atilde;o em meio a uma an&aacute;lise que v&iacute;nhamos conduzindo: nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses &mdash; fevereiro, mar&ccedil;o e abril &mdash; o contrato de a&ccedil;&uacute;car na bolsa de Nova York negociou 13,404,790 contratos. Um volume extraordinariamente alto. Para efeito comparativo, no mesmo trimestre do ano passado foram negociados pouco mais de 10 milh&otilde;es de contratos.<\/p>\n<p>O salto &eacute; expressivo e n&atilde;o passa despercebido. Volume dessa magnitude &eacute; sin&ocirc;nimo de fixa&ccedil;&atilde;o em ritmo acelerado, algo que j&aacute; v&iacute;nhamos sinalizando. Janeiro fechou com 38,24% das fixa&ccedil;&otilde;es da safra 26\/27 conclu&iacute;das, ou aproximadamente 13 milh&otilde;es de toneladas. Agora, os n&uacute;meros preliminares apontam para algo pr&oacute;ximo de 22 milh&otilde;es de toneladas fixadas at&eacute; o final de abril. Os dados ainda est&atilde;o sendo apurados, mas se a estimativa se confirmar, estar&iacute;amos diante de aproximadamente 60% da safra 26\/27 j&aacute; fixada &mdash; o que ajuda a explicar por que o mercado teve tanta dificuldade em sustentar os movimentos de alta recentes.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica do nosso colaborador Marcelo Moreira, o contrato julho\/26 n&atilde;o conseguiu manter a tend&ecirc;ncia de alta e encerrou a semana abaixo da m&eacute;dia m&oacute;vel dos 200 dias, que se encontra em 14.92 centavos de d&oacute;lar por libra peso. Com esse fechamento ruim, o julho\/26 encontra agora suportes a 14.59, 14.42, 13.86 e finalmente em 13.42 centavos de d&oacute;lar por libra-peso. Importante notar que o contrato conseguiu encerrar a semana acima da m&eacute;dia m&oacute;vel dos 100 dias, em 14.42 centavos. Para retomar a tend&ecirc;ncia de alta, ser&aacute; necess&aacute;rio um fechamento acima dos 14.92 centavos, com as pr&oacute;ximas resist&ecirc;ncias em 15.47, 15.70 e 16.09 centavos de d&oacute;lar por libra-peso.<\/p>\n<p>Uma multid&atilde;o de traders, brokers, executivos de trading, originadores e curiosos de toda sorte desembarca neste final de semana em Nova York para a tradicional semana do a&ccedil;&uacute;car, que se inicia oficialmente na segunda-feira e culmina com o aguardado Jantar de Gala na quarta-feira &agrave; noite. Ser&atilde;o dezenas, talvez centenas, de reuni&otilde;es protocolares, almo&ccedil;os apressados, caf&eacute;s intermin&aacute;veis e conversas de elevador, todas girando obstinadamente sobre o mesmo tema &mdash; sempre o mesmo tema &mdash;, com varia&ccedil;&otilde;es estil&iacute;sticas m&iacute;nimas: algu&eacute;m pergunta para onde vai o mercado, algu&eacute;m responde com aquela meia-frase diplom&aacute;tica que n&atilde;o compromete ningu&eacute;m, e ambos seguem para o pr&oacute;ximo encontro repetir o ritual com outra dupla de interlocutores. Ao final da semana, todos ter&atilde;o ouvido rigorosamente as mesmas opini&otilde;es pronunciadas por pessoas diferentes, mas saem com a sensa&ccedil;&atilde;o reconfortante de terem feito um intenso trabalho de intelig&ecirc;ncia de mercado. N&atilde;o espere, portanto, nada de particularmente animador vindo das telas durante esses dias &mdash; historicamente, semanas como essa servem mais para pavimentar relacionamentos comerciais e renovar cart&otilde;es de visita do que para imprimir dire&ccedil;&atilde;o aos pre&ccedil;os.<\/p>\n<p>Se serve de algum consolo para a turma dos altistas &mdash; que anda precisando de toda e qualquer migalha de esperan&ccedil;a dispon&iacute;vel &mdash;, h&aacute; um dado curioso a ser lembrado: faz 14 anos que o pre&ccedil;o mais baixo do ano n&atilde;o acontece durante a semana do Sugar Dinner. N&atilde;o &eacute; exatamente um indicador fundamentalista robusto, tampouco figura nos manuais de an&aacute;lise t&eacute;cnica, mas em mercado de boi parado, qualquer estat&iacute;stica serve de muleta &mdash; e essa, ao menos, tem a vantagem de vir acompanhada de bom vinho e boa companhia.<\/p>\n<p>Restam poucas vagas para o Curso Presencial &ldquo;A Intelig&ecirc;ncia da Comercializa&ccedil;&atilde;o de Etanol no Mercado de Combust&iacute;veis. O curso vai ocorrer dias 20 e 21 de maio no Hotel Travel Inn Paulista Wall Street, em S&atilde;o Paulo &ndash; SP, das 09 &agrave;s 17 horas. Saiba mais acessando o link a seguir: &nbsp;<a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5511963700000\">https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5511963700000<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bom final de semana<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Arnaldo Luiz Corr&ecirc;a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado futuro de a&ccedil;&uacute;car em Nova York encerrou a sexta-feira cotado a 14.69 centavos de d&oacute;lar por libra-peso, uma queda de 28 pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; semana anterior, equivalente a pouco mais de 6 d&oacute;lares por tonelada. 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